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Beyond The Mat #34 – 2162 Votes (Reprise)

Ainda se lembram do tempo em que havia Universo e WPT? Em que eram dois mundos à parte, mas que convergiam em torno do mesmo “universo”, ou seja todos nós? Ainda se lembram do tempo em que foi feito um concurso para achar um novo cronista para o Universo? Outros tempos… Foi de toda esta panóplia que nasceu o Beyond The Mat. E numa altura em que este tem passado momentos de intermitência, é importante recuarmos até ao passado. É importante percebermos o porquê de muita coisa, especialmente depois do artigo que aqui foi feito na última semana. Hoje fala-se de assuntos sérios por aqui. O meu nome é akujy, sejam muito bem-vindos a uma edição muito especial do BTM.

Created By: World’s Greatest Tag Team
#34 Writen By: Present Day akujy and Nine Months Ago akujy
Special Guest Star: Prejudice

Aqui no BTM nós gostamos de ultrapassar fronteiras e descobrir novos mundos, fazendo o que nunca foi feito. Esta semana isso não vai mudar, mesmo com uma semana de atraso. Hoje fazemos mais uma estreia no Wpt, sendo – se não me falha a memória – o primeiro espaço a fazer o reprise de um artigo previamente publicado. Até porque há alturas em que as palavras que usamos no passado se adequam tão bem ao presente… Vamos lá a isto!

Longe vai o tempo em que eu publiquei originalmente um certo artigo, de nome 2162 Votes. Aliás, este é um artigo que provavelmente terá escapado aos leitores mais recentes do BTM, até porque na altura ainda não havia BTM. Nele teci algumas considerações sobre alguns temas importantes, incluindo o preconceito e a capacidade que alguns wrestlers têm de se arrastar continuamente, nunca sabendo quando parar. Vamos então lá rever o que foi escrito há nove meses, para depois vermos em que é que isto se relaciona com o hoje em dia. E eis que passo a citar:

#34: 2126 Votes (Reprise)

“Allow me to beg your indulgence for one moment…

Quando o candidato presidencial Matt Santos, (Interpretado por Jimmy Smits) decidiu dirigir-se, por uma última vez, aos delegados do congresso democrata, fê-lo com a inabalável vontade de nos recordar a hipocrisia que em todos nós habita. Santos, personagem fictícia do drama político “The West Wing,” fez questão de nos mostrar que os níveis de exigência que colocamos aos nossos políticos são verdadeiramente impraticáveis. Do alto do nosso pedestal, e todos nós temos um, julgamos e criamos expectativas de que os nossos líderes devem ser criaturas perfeitas e sem mácula. Queremos o melhor, exigimos o melhor. Nenhuma falha deve existir, nenhuma fraqueza pode ocorrer. No episódio “2162 Votes” – o final da 6ª temporada da série, conhecida em Portugal como “Os Homens do Presidente” – Santos relembrou-nos que todos nós somos imperfeitos, que todos nós estamos danificados. E ansiar por essa tal perfeição seria uma grande mentira que ninguém deveria tentar perpetuar. Antes de continuarmos, convém relembrarmos as palavras de Matt Santos. Deixo-vos aqui um link do seu discurso. Se nunca viram a série, se nenhum contexto têm para o que estão prestes a ver, nada temam. Já vos explico porquê. Primeiro vamos ver o discurso em questão. Acompanhem-me, através do link que aqui compartilho, nesta viagem ao ano de 2005, ano original de emissão do episódio “2162 Votes.”

Já está? Ótimo! Agora sei que muitos de vocês poderão sentir-se tentados a perguntar-me o seguinte: “Escritor cujo nome não podemos mencionar – mas que quase todos sabemos de quem se trata – como poderemos, sem qualquer contexto, entender o que pretendes ao mostrar-nos estas palavras…e que tem isto a ver com wrestling?” Tranquilamente responderei que o contexto não é nada importante. O que precisamos reter das palavras de Santos é que todos nós vivemos vidas de imperfeição, que todos nós sujeitamos as figuras públicas, que tanto adoramos julgar, a padrões de exigência e perfeição que ninguém poderá cumprir. Matt Santos poderia estar a referir-se a políticos, mas não será difícil transportarmos isto para o pro-wrestling.

Ric Flair e Shawn Michaels são dois dos nomes mais incontornáveis da história do wrestling profissional. Quem de entre nós já não ouviu falar destes “monstros” do “sports entertainment?” A grandeza que pauta as suas carreiras é, no entanto, a linha que marca o fim das semelhanças que poderemos encontrar entre ambos. Porque as duas carreiras, que várias vezes se cruzaram, terminaram de forma diferente. Shawn terminaria o seu percurso enquanto wrestler na Wrestlemania 26, contra The Undertaker, num combate que é considerado por muitos como um dos melhores de sempre. Quanto a Flair…teria, dois anos antes, a oportunidade de se despedir no grande palco que é a Wrestlemania, ironicamente contra Michaels, mas igual a si mesmo, voltaria a marcar presença num ringue, desta vez na TNA, manchando assim aquela que se pensava ter sido uma digna despedida.

É claro que esta decisão de Flair não foi nenhuma surpresa. Quem conhece o “Nature Boy” sabe que ele é o tipo de homem que não se consegue desligar dos holofotes, que não resisto a mais um aplauso. Infelizmente, nem só por isso vimos Flair a insistir em continuar. A grande verdade é que muitos dos últimos anos de Ric foram passados em declínio. Não só fisicamente, porque a idade não perdoa ninguém, mas também em termos de vida pessoal. As dívidas foram-se acumulando, os escândalos foram surgindo. Ric Flair seria protagonista de momentos que em muito lhe mancharam a imagem, bem como a carreira. Foi vítima de agressão por parte de várias ex-mulheres, foi vítima de vários mandados de captura, quer fosse por dívidas, ou por deixar uma jovem de 20 anos, totalmente embriagada, conduzir o seu carro. Chegou a dar o título mundial da NWA como garantia para duas dividas em simultâneo. Sim…Ric Flair, desceu baixo, muito baixo. A sua vida nem sempre foi pautada pelas melhores decisões. Foi, por muitos anos, considerado como o melhor de sempre. Por alguns ainda é, mas a verdade é que a sua imagem foi-se perdendo, desvanecendo lentamente. Enquanto tomava más decisões em termos pessoais, também no ringue ia mostrando os sinais de um tempo esgotado, de um homem quebrado. Não só pela idade, bem como pelas lesões, pelo desgate, pelo nunca saber quando atravessar a cortina pela última vez.

Enquanto isso, Shawn Michaels ia escrevendo uma história de vida oposta. Os seus primeiros anos foram marcados por uma personalidade odiável, por drogas, álcool e tantas outras más decisões, Também Michaels foi lentamente implodindo num conjunto de más decisões que quase lhe custaria a vida. E no ringuem também não estava a sair-me melhor. Uma lesão, de tantas que teve – cujos efeitos ainda hoje sente – marcaria o fim da sua carreira. Michaels acabou perdido, sem saber o que fazer, deixando-se levar cada vez mais pelas más decisões a nível pessoal. Até ao dia em que reparou que o seu jovem filho começava a aperceber-se dos comportamentos nocivos do pai. Nesse dia, Michaels encontrou a luz, segundo o próprio diz, caminhando em direcção à religião e a uma mudança de vida. Encontrou a felicidade no seu casamento, reencontrou a alegria na vida. Eventualmente encontraria também o caminho de volta aos ringues, protagonizando aquele que é, sem sombra de dúvida, o maior regresso da história do wrestling. Seguiram-se oito anos de combates fenomenais , 7 “PWI match of the year award” consecutivos – um recorde único – rivalidades que capturaram a imaginação dos fãs, promos que nunca poderemos apagar da memória. Shawn Michaels espalhou a magia da sua arte até ao famoso combate da Wrestlemania 26.

Foram tantos os louvores e bons momentos, que foi com toda a naturalidade que a saída de Michaels, feita em grande, acabou por lhe deixar um legado que talvez nunca venha a ser igualado. É por muitos visto como o melhor de sempre. E quer o apreciem ou odeiem, ninguém consegue negar que é um nome incontornável do pro-wrestling. E enquanto Shawn Michaels fazia a sua vénia, com os merecidos aplausos, Flair continuava a arrastar-se, em busca de mais um cheque, na esperança de fugir ás suas inacabáveis dividas e de tentar manter o estilo de via dispendioso, extravagante e exagerado que sempre teve.

Sim, Flair e Michaels são dois dos grandes nomes da história deste desporto/entretenimento, mas ambos deixaram imagens e legados completamente opostos. Se um é adorado e deixou saudades, sabendo a hora certa de se retirar, o outro é ainda hoje visto como uma anedota, um “lifer” que ousou pisar os ringues muito para além do tempo que era aconselhável. E é aqui que começam os julgamentos, as opiniões, as críticas a Flair, os tributos a Michaels. Porque todos os seres humanos acabam por não conseguir evitar e lançam-se num inacabável tormento de opiniões e julgamentos.

Mas eis o que precisamos relembrar: Se é verdade que Flair arrastou a suar carreira por motivos financeiros, também é verdade, segundo muita gente que bem o conhece, que o fez também pelo gosto que continuava ter pelo que fazia. Mas nós humanos, criaturas impossíveis de agradar, temos sempre algo a apontar. Se um Wrestler se reforma no auge, lançamo-nos em tiradas de fúria porque achamos que ele devia ter permanecido em actividade mais alguns anos. Se ele nos faz a vontade e continua a lutar, classificamo-lo com adjectivos como anedota ou ridículo. E durante tudo isto, nunca sequer paramos para pensar que talvez sejamos nós a estar errados, que talvez os nossos padrões de grandeza sejam insuportáveis…que talvez a nossa exigência seja incomportável! E é por nossa culpa que muitos desportistas e entertainers se decidem retirar mesmo sem vontade de o fazer. Porque se preocupam em tentar honrar as nossas expectativas, porque se preocupam em ficar bem no nosso julgamento. Poucos são os que o conseguem. Michaels foi um deles, mas curiosamente reformou-se sem ceder a pressões, achando que devia pendurar as botas porque já tinha feito o que se propusera a fazer.

Nem todos podem ter a carreira de Shawn Michaels. E do alto dos nossos pedestais, esquecemo-nos que muitos destes “performers” entraram no wrestling para se divertir, porque era o seu sonho, porque era o que realmente gostavam de fazer. E se quando tiverem passado o seu melhor se continuarem a divertir? E se ainda acharem que têm algo a oferecer? E se pensarem que ainda podem apreciar o que fazem? Quem somos nós para julgar? Porque é que tudo tem de acabar em grande, de forma programada, limitada, reduzida? Porque é que as coisas não podem ser como eram nos dias em que brincávamos nos recreios da escola? Achando que íamos ser futebolistas, ou wrestlers, ou outra coisa qualquer? Fazíamo-lo por paixão, por diversão. Porque não podemos dar aos profissionais a mesma oportunidade? Nós, criaturas desprezíveis, que até exigimos muitas vezes que o façam por diversão e não apenas pelos ganhos financeiros.

Quando o candidato presidencial Matt Santos, (Interpretado por Jimmy Smits) decidiu dirigir-se, por uma última vez, aos delegados do congresso democrata, fê-lo com a inabalável vontade de nos recordar a hipocrisia que em todos nós habita. Não podia estar mais certo. E por muito que eu queira continuar a falar sobre isso, por muito que deseje dizer-vos, de forma apaixonante, o quanto essa hipocrisia está errada, escolherei para de o fazer. Pois as palavras de Matt Santos fazem-no melhor do que qualquer testamento que eu pudesse escrever.

Assim chegamos ás linhas finais deste meu artigo, que seria a terceira entrada no Concurso Universo 2013, caso não tivesse sido forçado a renunciar ao mesmo por motivos de saúde. Ainda assim, fiz questão de o completar porque achei que aqueles que me apoiaram mereciam uma melhor despedida do que simples palavras numa caixa de comentários, por muito sinceras que tenham sido. Tive até o cuidado de deixar aquela piada sobre o escritor anónimo, que foi escrita antes de eu receber as noticias que mudariam a minha vida, que me obrigariam a renunciar. É verdade que não trabalhei tanto este artigo, como teria feito caso o entregasse ainda em competição, mas a intenção foi mesmo despedir-me de todos vocês. Não sei quando voltarei a ter tempo para escrever novamente…sinceramente não sei nada…a não ser que os meus próximos tempos serão conturbados. Mas é sem hipocrisia que os irei encarar. Partindo rumo ao desconhecido com a mentalidade de quem está ciente de que a perfeição é impossível e que devemos apenas aspirar ao divertimento, a aproveitar a vida enquanto dura. Foram essas e tantas outras coisas que relembrei com as palavras de Santos. E é com essas palavras que quero que fiquem na memória, cientes de que todos nós vivemos vidas de imperfeição. Adeus…até sempre. Akujy is over and out.

E se com as palavras de Damien Sandow comecei, é também com elas que termino. Ou não estivesse esta analogia, que se desdobra entre politica e wrestling, carregada de uma profunda, mas saudável, ironia.

You’re Wellcome.”

 Nove Meses Depois…

Pois é…foi há nove meses, mas estas palavras continuam a fazer parte da minha actualidade, bem como da do BTM. Como já devem ter reparado, pouco ou nada tenho andado pelo WPT, nem sequer pela net, e até tempo me falta para ver wrestling. (E por isso també não tenho comentado os espaçoas que actualmente sigo, infelizmente.) A saúde decidiu voltar a falhar…e contra estas coisas pouco ou nada se pode fazer senão viver um dia de cada vez. Se juntarmos a isso outros problemas que também têm tirado tempo ao Daniel, assim se explica como este espaço tem andado um pouco às cambalhotas. Já falhamos prazos, quebrando a nossa mítica streak e aquela espera que os leitores tinham para se agarrarem às nossas palavras transformou-se também em ansiedade para saber se elas irão ser publicadas ou não. Infelizmente gostava que a situação fosse melhor, mas tal não é o caso.

Sei que é nestas alturas que as pessoas costumam desistir e não as censuro, pois há situações em que não temos tempo para tudo, há situações em que já não dá mesmo para continuar. Só que nós, aqui no BTM, recusamo-nos a desistir. Somos como o senhor Flair, sempre a continuar, sempre a recusar parar, sempre a tentar fazer o que mais gostamos. Será que isso comprometeu a qualidade do nosso trabalho? Eu acho que não, mas isso caberá a vocês julgar. Mesmo que fosse esse o caso, não valeria a pena que por aqui nos arrastássemos para que de vez em quando proporcionássemos grandes momentos como aquele que o Daniel nos trouxe a semana passada?

E esse momento acaba por ter muito a ver também com o desta semana. O Daniel falou na história do rapaz que que apreciava wrestling e vivia através do mesmo. O rapaz que vivia de forma simples e longe de todo o mal e preconceito que existe neste mundo. Há nove meses atrás eu concordava com tal visão…mas hoje vou vendo as coisas de forma diferente. O preconceito faz parte de todos nós. Está no nosso sangue julgar, apontar dedos, tentar elevar os outros a padrões que ninguém consegue cumprir. Este comportamento é algo que precisamos, é algo que faz de nós humanos.

Quando Matt Santos fez o seu discurso ele dirigiu-se a todos nós…a vocês, a nós aqui no BTM e a todos os seres humanos. Todos vivemos vidas de imperfeição. E é mesmo assim que deve ser. O preconceito deve habitar em nós porque faz parte da nossa natureza e deve ser protegido. Não devemos nunca levá-lo longe de mais, nem devemos nunca discriminar ou prejudicar alguém por causa das nossas crenças, ou porque discordamos com as dos outros. Mas nunca deixem que ninguém vos impeça de ser quem são, nunca se sintam impedidos de viver em preconceito e desgostar do que quer que seja.

Connor “The Crusher” Michalek é um bom exemplo da forma simples como gostávamos de viver a vida. Shawn Michaels é o melhor exemplo da forma como muitos aspiram a viver a vida… Ric Flair é o perfeito exemplo de como muitos vivem a vida. E sabem que mais? Não há qualquer mal nisso. Pensar em legados, ou na forma como somos encarados no futuro é algo sobrevalorizado. Se fazem algo de que gostam, se têm a chance de o fazer, então nunca parem, pelo menos enquanto isso vos divertir. E se até no nosso momento mais inconsistente somos capazes de escrever como o Daniel fez na semana passada, então talvez “parar enquanto se esttá por cima” seja um conceito totalmente evitável.

Todos nós vivemos vidas de imperfeição. E assim continuará a ser, ou não fossemos nós humanos. E como humanos temos de viver em constante malabarismo com lógica, emoções, expectativas e tantas outras coisas. Todos nós vivemos vidas de imperfeição…e sabem que mais? Só assim vale a pena. E é por isso que, ao ver-me novamente na mesma situação de incapacidade em que me encontrava há nove meses atrás, posso dizer com todo o orgulho que desta vez não desistirei. Talvez falhe algumas semanas, talvez seja – de vez em quando – publicado a um domingo ou a uma sexta em vez da habitual quarta-feira. Mas cá estarei para fazer o que mais gosto, tal como o Daniel. Porque nós não vamos desistir, porque nós continuaremos a ser a força rebelde do WrestlingPT. Porque nós continuaremos a tentar criar emoções das quais vocês possam disfrutar. Assim foi desde o primeiro dia… assim continuará a ser enquanto as forças não nos faltarem totalmente. E se o conseguir fazer ao mais alto nível, como sempre queremos fazer…então melhor ainda.

Connor era um simples rapaz que ficou feliz ao realizar o seu sonho…e ainda bem para ele. A sua história é comovente e merece ser relembrada. Mas esta semana prefiro relembrar as histórias de todos nós, de todos aqueles que não se contentam com pouco, de todos aqueles que julgam os outros, de todos aqueles que, mesmo não sendo perfeitos, continuam a achar-se no direito de exigir perfeição aos outros. Esta semana prefiro relembrar aqueles que odeiam a sua equipa quando esta perde, aqueles que escolhem desligar a televisão se virem pessoas do mesmo sexo a beijar-se na televisão, aqueles que que não entendem coisas como religião, homossexualidade, ou qualquer outras crenças ou formas de viver…e que até as repudiam, mas que sabem que tais coisas representam os direitos e liberdades das pessoas e por isso, como seres humanos decentes que são, não interferem nas escolhas dessas pessoas, nem as tratam de forma diferente.

O preconceito é bom, é necessário e até faz bem – mesmo que muitos de nós não entendam porquê – desde que seja mantido a um nível saudável e aceitável. Desde que nunca seja confundido com coisas inaceitáveis, tal como racismo, xenofobia, ou qualquer outro tipo de discriminação. A história de Connor fez-nos lembrar o quanto devíamos aproveitar as coisas simples da vida… Mas voltar a olhar para o discurso de Santos, 9 meses depois de pela primeira vez ter falado nisso, devia fazer-nos lembrar que todos nós merecemos que alguém se emocione por nossa causa. E, ao contrário do que muita gente pensa, o preconceito é também capaz de gerar emoções positivas.

BTM’s Challenge Of The Week

Esta semana desafio todos aqueles que já leram o BTM (nem que tenha sido só uma vez) a dizer como é que o mesmo vos influenciou (caso o tenha feito) e que emoções vos gerou. Contem-nos a vossa ligação com o BTM e o porquê da mesma. Falem de forma sincera, falem com toda a alma que têm. E eventualmente (mais para a frente) o BTM irá usar algumas das respostas num tema que há muito temos vindo a planear.

Quando o candidato presidencial Matt Santos, (Interpretado por Jimmy Smits) decidiu dirigir-se, por uma última vez, aos delegados do congresso democrata, fê-lo com a inabalável vontade de nos recordar a hipocrisia que em todos nós habita. Não podia estar mais certo, admito, mas essa hipocrisia é um dos bem mais sagrados que temos. E embora o discurso que Santos fez fosse contra a mesma, a verdade é que o mesmo pode ser usado para perceber precisamente o oposto. Todos nós vivemos vidas de imperfeição? So what? Ninguém é perfeito e eu não trocaria a minha vida de imperfeição por nada neste mundo.

You Have Been Pipe Bombed!

Sobre o Autor

- akujy é um seguidor de wrestling com 3 décadas de experiência, uma paixão pelo Benfica e uma mania de constantemente mudar a sua foto de capa do Facebook! Deal with it! É com muito orgulho que faço parte desta equipa do WPT como colaborador, a publicar algumas notícias e como co-escritor do artigo Beyond The Mat.

32 Comentários

  1. MicaelDuarte - há 3 anos

    Excelente artigo. Gostei da comparação entre o Ric Flair e o HBK.

    “O preconceito é bom, é necessário e até faz bem – mesmo que muitos de nós não entendam porquê – desde que seja mantido a um nível saudável e aceitável. Desde que nunca seja confundido com coisas inaceitáveis, tal como racismo, xenofobia, ou qualquer outro tipo de discriminação.” – dá-me um exemplo, então, de uma situação em que preconceito esteja a um nível saudável e aceitável. Quero ter a certeza que percebi realmente o que querias dizer.

    Depois, também acho que todos nós temos algum preconceito, por mais ínfimo que possa ser, em relação ao que quer quer seja. No entanto, não acho muito “normal” uma pessoa aperceber-se desse preconceito que carrega, sabendo que o mesmo não faz sentido, e continuar a agir com base nesse mesmo preconceito…

    • akujy - há 3 anos

      Olá Micael e obrigado.
      O preconceito (de uma forma saudável e controlada, obviamente) é uma emoção como outra qualquer. E todas elas são úteis, todas elas têm um propósito. O preconceito às vezes leva a mecanismos de defesa como estereotipar (pq isso às vezes é um mecanismo de defesa e n apenas ignorância) e leva-nos a perceber que nem todos somos iguais. De uma forma complicada, e às vezes dificil de explicar, o preconceito faz parte da nossa identidade. E há coisas de que não gostamos que não devemos ser obrigados a gostar. Mas nunca devemos confundir isso com qualquer tentativa de limitar a liberdade nem as escolhas dos outros. Isso sim seria repudiável. Espero ter esclarecido q tua dúvida, senão podemos continuar a discussão. Isto é sempre tema que nunca acaba. Daí eu o ter escolhido, pq pouca gente o aborda mtas vezes.

      • MicaelDuarte - há 3 anos

        Sim, fiquei esclarecido.

        Relativamente ao BTM’s Challenge Of The Week, ao qual me esqueço sempre de responder/participar, digo-te que este é, para mim, o 2º melhor espaço do site. Aliás, não sei bem se está em 2º ou não, mas está muito equiparado com o OF da Marta :P

        Gosto bastante deste espaço, uma vez que suscita a reflexão do leitor sobre os mais variados assuntos, como nenhum outro artigo o faz. É um espaço que não trata apenas Wrestling, apesar de os temas estarem sempre ligados a a essa arte. Também é verdade que houve um ou outro artigo que, a meu ver, foi demasiado afastado do Wrestling, mas eu sei que esta é a essência do BTM, por isso…

      • akujy - há 3 anos

        Lá está, é essa a essência do BTM, ir para além do wrestling, embora se inclua sempre esta arte que tanto gostamos pelo meio das nossas reflexões mais sérias.

  2. Miguelfcarlos - há 3 anos

    Grande grande artigo. Se o facto de esta espaço não ser escrito todas as semanas estraga a credibilidade do espaço? Na minha opinião não. É óbvio que seria perfeito se o espaço fosse publicado com a rotina de antigamente (uma semana tu, outra semana o Daniel, de vez em quando e em vésperas de PPV’s ambos). Mas nem este espaço consegue antingir a perfeição, o que prova que é escrito por seres humanos normais.

    BTM’s Challenge of the Week:
    O Beyond The Mat rapidamente se tornou o meu espaço favorito do WPT. Eu não o acompanhava no Universo, mas comecei a acompanhá-lo (curiosamente) na semana em que o Daniel fez o fake retirement e anunciou a “contratação” do akujy. Desde aí a minha ligação com o espaço tem sido especial, e ainda hoje sinto uma “obrigação” de comentar sempre o BTM. Falam de coisas que desconhecia, como o discurso do Santos ou a história do Connor “The Crusher”. Têm excelentes antevisões aos PPV’s. Reforçam a ideia que o vida não só wrestling, e que wrestling não é só números e factos. Gosto especialmente da vossa forma de escrever, escrevem uma introdução que dá logo vontade de ler o resto do artigo, depois falam sobre o que têm a falar e terminam concluindo a mensagem que querem passar, retirando expressões que usaram na introdução. Durante a vida vou-me lembrar das coisas que aqui disseram e vou contextualizá-las. Por isso, muito obrigado ao Daniel a o akujy por tudo, e desejo-vos o melhor. Espero que o Beyond The Mat continue por muito muito tempo. #They’ve got the whole world in their hands!

    You’re welcome!

    • akujy - há 3 anos

      Obrigado Miguelfcarlos e agradeço a participação regular que tens neste espaço. É verdade, somos humanos (mas n digas a nng, é segredo xD) mas enquanto pudermos cá estaremos para mostrar o outro lado do wrestling, aquele q vai para além dos factos e números. É algo que gostamos de fazer e enquanto os nossos leitores gostarem e nós nos divertirmos, cá estaremos sempre que possível.

  3. José Sousa - há 3 anos

    Excelente artigo meu caro como sempre. Já sentia a falta do teu talento aqui( com todo o respeito pelo Daniel). Excelente, e como tu dizes todos nós temos preconceitos, o que nos diferencia é o modo como lidamos com esse preconceito.

    • akujy - há 3 anos

      Obrigado José. Também já tinha saudades de melgar a família WPT. xD Lá está, todos nós o temos e hipocrisia seria não o admitir. Claro que é preciso saber lidar com ele. E as melhores pessoas saberão sempre como o fazer sem entrar no espaço que pertence aos outros. Todos nós temos direito à nossa liberdade e a pensar o que quisermos, mas tmb todos nós devemos respeitar a liberdade e as escolhas dos outros.

      • José Sousa - há 3 anos

        Exactamente. Ah! e nunca mais sai o DVD do Heyman: Sim eu admito vou ser dos primeiros a ver aquilo.

      • akujy - há 3 anos

        Não és só tu. Também estiu muito interessado nisso!

      • José Sousa - há 3 anos

        Deve ter coisas muito interessantes. Depois é o Heyman que para mim é o melhor talker no activo, e um dos melhores de sempre.

      • akujy - há 3 anos

        Por acaso espero que façam uma coisa como deve ser.

      • Miguelfcarlos - há 3 anos

        Eu também vou ser dos primeiros a ver. O Paul Heyman é o meu preferido da atualidade, mais do que qualquer wrestler e para mim é o melhor talker de sempre. Hás-de fazer um S&M sobre ele.

      • José Sousa - há 3 anos

        Talvez faça, talvez um rewiew sobre o DVD( já tinha pensado em algo do género).

  4. Hildo - há 3 anos

    Escritor cujo nome não podemos mencionar – mas que quase todos sabemos de quem se trata – como poderemos, sem qualquer contexto, entender o que pretendes ao mostrar-nos estas palavras…e que tem isto a ver com wrestling? :P

    Excelente akujy, sem palavras, você citou dois dos maiores nomes desse ramo, mas que no final de carreira tiveram fins completamente diferentes, Se o Flair não tivesse voltado ao ring talvez não seria assim, quem sabe? o problema mesmo são as más escolhas que cada um Infelizmente faz ao decorrer da vida!

    BTM’s Challenge Of The Week

    Bem, posso dizer que já aconteceu de tudo um pouco comigo, fui as lagrimas (na edição anterior) Ri (varias vezes lendo os artigos), fiquei surpreso com a qualidade sempre aumentando…. acho que isso que eu posso dizer xD

    • akujy - há 3 anos

      Por acaso essa citação que fazes foi das partes que mais piada me deu em escrever na altura, lembro-me bem até pq era no concurso e n podiamos revelar o nosso nome. Belos tempos. Ou não gostasse eu também de me armar em engraçado de quando em vez. Nem sempre se pode ser apenas sérios. Obrigado pela participação, Hildo.

  5. Franciscoxb - há 3 anos

    Excelente artigo.Gosto muito da maneira como abordam os vossos artigos, comparando o Wrestling a coisas da vida, que nós sentimos, e que não deixa de estar enquadrado na base do Wrestling e naquilo que ele é em questão.Parabéns pelo óptimo trabalho que têm realizado e pela vossa grande criatividade.

  6. John_3:16 - há 3 anos

    Grande regresso akujy e com o teu regresso mais um grande comentário, de facto a arte de entrar nesse mundo da escrita não é pra todos mas tu mais uma vez consegui-te falar da wwe e passar mais uma pequena liçao, parabéns po isso e welcome back fella !

  7. JoãoRkNO ® - há 3 anos

    Belíssimo artigo , finally you back . A par do último artigo do Daniel este foi mais um que me marcou . A vossa escrita é surpreendente , nada que eu já não vos tenha dito , mas estes artigos sobre o pequeno Connor partem-me o coração . Há umas semanas atrás , fui accionado para uma dispneia ( o que lhe chamamos de falta de ar ) numa EB23 da minha área de residencia , e correu tudo o que eu não imaginaria que acontecesse . Deparei-me com uma obstrução da via aérea , um entalamento devido a comida falando melhor português , e a pequenina entrou em paragem cardio-respiratória . Tentamos de tudo , cada segundo parecia uma eternidade , com o intuito de a colocar com ritmo cardíaco outra vez , mas tudo em vão . Morreu-me nos braços , e a partir daí não fui o mesmo . Sempre que me falam em crianças eu lembro-me de cada segundo , cada detalhe daqueles momentos , e estes dois artigos foi o reavivar disso mesmo . Desculpa este desabafo , mas se houveram artigos que me marcaram foram estes dois últimos .

    Um muito obrigado por terdes esta escrita maravilhosa , algo que me leva ler artigo após artigo , e aguardar quarta após quarta .

  8. André Fontes - há 3 anos

    (…)Mas antes disso…antes que o tempo se acabe, hei-de continuar a sentir o que sinto, a viver como só eu vivo, a sofrer como só eu sofro e, acima de tudo, a escrever como só eu escrevo. E cá estarei para continuar a partilhar o sangue que me corre nas veias e que produz as mágicas linhas que tentam traduzir o wrestling, ao mesmo tempo que também vão precisando de uma legenda…pelo menos na vossa mente! Isto ‘e um exerto da edição 25 do BTM… Foi na edição 25 que tu me tocas-te akujy, e que me fizeste “sair da caixa” e comecar a comentar neste site!!!

    Se não fosses tu, eu não teria começado a entender o Wrestling, se não fosses tu, continuaria a ser o rapaz que so era timido numa coisa, comentar neste site.
    Dito isso só te posso agradecer pelo exelente trabalho que tens feito e que nunca pares de o fazer. Cumprimentos (do antigo WWE_GN’R_22 , e do novo André Fontes) :)

    • akujy - há 3 anos

      Mudança de nick? Muito bem, ainda por cima és André! Mais um André por aqui é sempre bom! Ainda bem que contribui para mais uma pessoa a comentar wrestling e a fazer parte desta nossa família que é o WPT. Só tenho de agradecer essas palavras e continuar a trabalhar para que o BTM continue a merecer a tua preferência.

      • André Fontes - há 3 anos

        BTM Then Now Forever. E não agradecas, se há aqui que alguém que tem de agradecer esse sou eu devido ao teu excelente trabalho. Parabéns e continua half of the world’s greatest tag team.

      • akujy - há 3 anos

        Como n podia deixar de ser: You’re Welcome! xD

  9. akujy - há 3 anos

    Obrigado, Francisco. Basicamente é mesmo essa a essência BTM e acho que a resumiste muito bem.

  10. akujy - há 3 anos

    Olá João e obrigado por mais uma participação. It’s good to be back!

    A história que falas é, tal como a de Connor, daquelas coisas que mexe com uma pessoa e nem quero imaginar como será passar por isso que contaste. Infelizmente a vida tem destas coisas, que não são nossa culpa, e temos sempre de continuar. The show must go on. É mesmo assim. Mas pelo menos temos sempre aqui o BTM para falarmos nestas coisas e fazer um pouco de “limpeza” á alma.

  11. MR Perfection André Santos - há 3 anos

    Meu caro o vintage “chorou” com a falta do BTM, mesmo nos ratings de visualizações tal como a WWE….kkkkkkkkk! Perfeito em todos os aspectos e é sempre brutal as tuas analogias da vida REAL ao wrestling e, tento aprender sempre contigo! Long Live King Boooker…Sorry King Akujy!

    Ric Flair tal como mencionaste, foi além das suas capacidades mas, também quem o mandou gastar o dinheiro nos jactos e mulheres e cabeleireiros….sim que aquela trunfa histórica aguentou-se muitos anos!

    Portanto adopta (como escreveste) atitude do Flair…não desistas mas não gastes a “pasta” em jetflyng! e continua a roubar o espectáculo como o HBK!

    Abraço amigo!

    • akujy - há 3 anos

      Fear no more, BTM is here, com akujy a dobrar. xD Obrigado pelas palavras. Tento sempre ir para além do wrestling, pois é mesmo esse o mote do nosso espaço. Esta semana o Vintage já voltou a ter companhia nas famosas 4as de ouro. Quanto ao futuro….talvez um bocadinho de Jetflying. xDDD You’re Welcome!

  12. danielLP21 - há 3 anos

    Artigo fantástico. Foi bom recordar o que escreveste há 9 meses.

    Em relação ao desafio, tenho um preconceito com este tipo de coisas. Tenho o direito a ter um preconceito com este tipo de desafios! Não me apetece responder, não quero e ninguém me pode obrigar!

    (Agora a sério, concordo contigo no que ao preconceito diz respeito. É muito difícil conseguir viver neste meio termo e é bom ver que há quem o consiga fazer).

    • akujy - há 3 anos

      Olá Daniel (ao tempo q n falavamos por aqui. xD) e obrigado pelas palavras. Em relação ao teu preconceito…é inaceitável e devias levá-lo ao artigo de quem defende o preconceito! xDDD

      (Falando a sério: Sim, é sempre bom ver que há pessoas que o consigam fazer e esperemos que cada vez mais aprendam a fazê-lo. You’re Welcome!!!)

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