Cutting Edge #88 – State of Tuesday Nights

Depois de na semana passada ter abordado o estado do Monday Night Raw, escrevo no artigo de hoje sobre a SmackDown, um programa que, embora com menos Star Power, tem vindo a trabalhar nos últimos tempos muito melhor com o pouco que lhe deram em Julho em comparação com a brand vermelha.

Os maiores nomes da divisão de equipas ficaram na Raw, o mesmo acontecendo com a divisão feminina e com a maioria dos nomes da divisão masculina. Ainda assim, a gestão do plantel da SmackDown tem sido de louvar, mesmo com alguns momentos mais negativos, como a história entre James Ellsworth, AJ Styles e Dean Ambrose (alguém me consegue explicar porque é que Ambrose não obteve a sua vingança?) ou a demasiada longevidade da rivalidade entre The Miz e Dolph Ziggler, que chegou a um ponto de saturação.

Seja como for, é inegável que a SmackDown tem apresentado semanalmente um produto bastante interessante, sobretudo, refrescante. A estratégia de marcar combates na semana anterior de forma a que os fãs se interessem pelo que vai acontecer na seguinte é boa. Pelo menos, tem resultado, ainda para mais todas as semanas acontece algo de verdadeiramente relevante. Não temos, ao ver a SmackDown, a sensação de que o produto está parado ou estagnado, ao contrário do que sucede na Raw, onde não acontece nada de relevante há meses, a não ser quando aparecem Goldberg e Brock Lesnar. O resto é monótono, repetitivo e um ciclo vicioso.

Na divisão feminina, apesar de ter apenas seis lutadoras, a SmackDown tem gerido bem o plantel e a única coisa que não aprecio neste momento é a rivalidade entre Natalya e Nikki Bella, a fazer lembrar os maus velhos tempos da divisão de divas. Percebo a razão pela qual a canadiana odeia a rival, mas não deixa de ser uma razão fútil, sobretudo vindo de uma das poucas lutadoras que nunca se preocupou em ser uma diva quando estava rodeada delas.

Somando a isso a falta de carisma das duas intervenientes e temos todos os ingredientes para que a rivalidade seja um fracasso. Era mesmo necessário Natalya dizer que é melhor do que Bret Hart alguma vez foi? Quem é que a vai levar a sério quando diz uma coisa dessas? Não sabia que um dos critérios para se ser heel é dizer coisas absurdas e irrealistas. Forçar demasiado nunca é uma boa opção.

Na história principal desta divisão temos algum mistério e, por enquanto, tanto Becky Lynch como Alexa Bliss vão mantendo a sua credibilidade intacta. Mesmo perdendo duas vezes por submissão em pouco tempo, a campeã compensa com as suas promos e carisma. Por sua vez, Becky Lynch vai sendo protegida por ser sucessivamente prejudicada/atacada pela rival e pela misteriosa La Luchadora.

Gostava muito que a lutadora misteriosa fosse Mickie James, como já foi por aí rumorado, mas não sei até que ponto isso será verdade. Também é verdade que, caso não seja ela, não faço ideia de quem possa ser a tal lutadora. Naomi ou Eva Marie parecem-me fora de questão.

Por sua vez, a divisão de equipas tem novos campeões, o que me surpreendeu. Pensei inclusive escrever um artigo sobre as semelhanças entre os campeões de Tag Team das duas divisões – já que tanto Bray Wyatt e Randy Orton como Sheamus e Cesaro ganharam os títulos depois de serem rivais -, mas com a conquista dos American Alpha isso deixou de fazer sentido.

Julgo que a lesão de Zack Ryder precipitou este acontecimento, visto que não acredito que os Hype Bros tirassem os títulos à Wyatt Family, que passaria por eles sem grandes dificuldades até perderem o ouro para Jason Jordan e Chad Gable numa altura mais próxima da WrestleMania.

Depois de, na última SmackDown, terem vencido o combate de desforra, não faço ideia de quem serão os próximos candidatos aos títulos, até porque os Ascension, os Vaudevillains e Fandango e Tyler Breeze têm ainda menos credibilidade do que os Hype Bros. Talvez a opção passe pelos Usos, que ainda têm (supostamente) assuntos por resolver com os American Alpha.

Mais do que a Raw, esta divisão necessita de novas equipas e os Revival podem ser uma opção. Também gostaria de ver, no Draft, os New Day a transitarem para este programa, de forma a dar uma lufada de ar fresco a esta divisão e, porventura, às suas próprias personagens, caso estejam estagnadas na altura.

Quanto à divisão masculina, temos um novo Campeão Intercontinental e o regresso da grande estrela da última década como destaques nas últimas semanas.

Começando por Dean Ambrose, confesso que não esperava que ganhasse o título tão pouco tempo depois de sair da rota do título máximo. Pareceu que a WWE estava ansiosa para o colocar de novo no mid-card, sem esperar mais. E a verdade é que, nas últimas semanas, Ambrose tem recuperado imenso apoio por parte dos fãs. Não me lembro, durante o seu reinado como Campeão da WWE, de ter ouvido os fãs a cantar “We want Ambrose”.

Mas verdade seja dita: o trabalho do vilão da história também ajudou imenso. Já muito escrevi sobre The Miz e não vale a pena andar a repetir-me. Digo apenas que as suas qualidades de vilão continuam intactas e talvez agora se perceba melhor porque é que o reinado de Dolph Ziggler como Campeão Intercontinental foi tão curto. Não seria surpresa que, a dada altura, a WWE tenha reparado que a solução para Dean Ambrose passava por um regresso ao mid-card e ninguém melhor do que The Miz para rivalizar com ele pelo título. Veremos se a longo prazo o plano resulta.

Por falar em Dolph Ziggler, finalmente virou heel. Espero que este seja um sinal de que 2017 poderá vir a trazer coisas boas para o “Show Off”. Aliás, desde a Brand Split já esteve duas vezes na rota do Título da WWE, agora só falta transformá-lo numa ameaça credível. Esta rivalidade com Apollo Crews e Kalisto é um bom início, sobretudo numa altura em que é preciso ganhar credibilidade para o combate Royal Rumble e para a época de WrestleMania.

Outro dos grandes destaques dos últimos tempos tem sido a ascensão de Baron Corbin, sobretudo depois de vencer de forma dominante a rivalidade com Kalisto. Está a ser, a meu ver, aquilo que Braun Strowman tem sido na Raw: um mid-carder forte que vai aos poucos interagindo com os main-eventers. Disso é exemplo a última SmackDown, na qual lutou contra o recém-regressado John Cena no último combate da noite. Pode não ser um favorito à vitória no combate Royal Rumble, mas estou à espera de uma boa performance.

Por fim, a rivalidade pelo Título da WWE marca o reencontro de John Cena com AJ Styles. Lembro-me do entusiasmo com que encarei o início desta feud, e não tiro uma vírgula que seja ao que escrevi na altura: é mesmo para desfrutar todos os combates e segmentos desta rivalidade que durante dez anos não passou de um sonho.

O segmento no qual assinaram o contrato para o combate no Royal Rumble foi muito bom, principalmente da parte de AJ Styles, muito eficaz na forma como desmascarou as hipocrisias do rival, embora este não lhe tenha ficado muito atrás nas respostas.

A SmackDown começa, assim, o ano de 2017 da mesma forma que terminou o anterior: com um produto de qualidade e que dá razões aos fãs para quererem assistir ao programa na semana seguinte. Há aspectos a melhorar, mas com um plantel tão curto já muito tem feito a equipa criativa. Esperemos que continue assim, mais ainda com a subida de alguns talentos do NXT, já para não falar do regresso de Shelton Benjamin, que será importantíssimo para o mid-card e poderá permitir que o plantel rode as rivalidades de outra forma, permitindo até que um ou outro lutador possa subir ao main-event.

Por esta semana, é tudo. Despeço-me com votos de um bom fim-de-semana e cá no reencontraremos na próxima semana para mais um “Cutting Edge”.

Sobre o Autor

- Autor do espaço "Cutting Edge".

15 Comentários

  1. KILL OWENS KILL - há 3 meses

    Bom artigo.

    Não tenho assistido a SD ultimamente, apenas algumas partes. A brand azul está muito fraquinha na minha opinião, regrediu depois de seus primeiros próprios PPVs…

    • URIAN - há 3 meses

      mickie james = luchadora, desculpa mais isso e impossivel, cor da pele e altura já retiram essa conclusão, pode ser que futuramente troquem a lutadora para sim criar um historia, caso contrario não :)

      • danielLP21 - há 2 meses

        Não leste bem o que eu escrevi sobre isso.

    • danielLP21 - há 2 meses

      Obrigado.

      Para mim, está bem melhor agora.

  2. Gonçalo" the best" - há 3 meses

    Bom artigo Daniel!

    O Smackdown é um show tão fácil de acompanhar. Todos os segmentos têm um propósito para às histórias que estão a ser contadas. É muito raro existirem segmentos para “encher chouriços”.

    A ideia de promover um grande combate para cada show é excelente, existe sempre um propósito para os fãs verem o Smackdown.

    Das estrelas do Smackdown para a Mania gostava que tivessemos:

    Aj vs Corbin pelo titítulo da WWE
    Wyatt vs Ambrose pelo IC title
    Cena vs Undertaker
    The Miz vs Shane(já que o Bryan não pode lutar porque não dar uma vitória ao Miz na Mania?)

  3. RFBM - há 3 meses

    Excelente artigo Daniel, nada com que discordar.

  4. Rui Ribeiro - há 3 meses

    Bom artigo.

  5. Anónimo - há 3 meses

    muito bom artigo Daniel. concordo com absolutamente tudo

  6. Awesome One - há 2 meses

    Nao concordo que o smack tenha menos star power. É um fato que os melhores nomes da divisao de equipas e divisao feminina estão no raw e o midcard do smackdown é escasso mas por star power, pelo menos eu, entendo nomes que realmente chamam à atençao e fazem a diferença nomes de topo por outras palavras. E tendo em conta o historial da empresa nao existe ninguem no raw com nivel para peitar John Cena e Randy Orton! Nao estou claro esta a considerar lesnar e goldberg e baseio-me só em wrestlers a tempo inteiro. Apenas Chris Jericho se aproxima desse patamar na brand vermelha e mesmo assim a forma como tem sido tratado nos ultimos anos tornou-o em apenas mais um (Orton tambem tem sofrido algo dessa formula mas sempre tem sido retratado com mais algum cuidado!). Alem dos dois temos AJ Styles que para mim se cimentou de vez e tem sempre o argumento de ser o melhor wrestler da atualidade e de ter tido sido em inumeras companhias por esse mundo fora e the miz que tem um palmares que nao vejo ninguem no raw a poder ostentar (nao sei em que programas estao o kane e o big show sequer mas atualmente nao tem qualquer expressao para o show pois mal participam!). Talvez o Sheamus se possa afirmar no raw como o wrestler com mais titulos mas ainda assim esta na divisao de equipas e completamente arredado da disputa pelos titulos principais dai nem contar tanto para a equaçao ate porque todos os nomes que mencionei anteriormente sao grandes apostas no smackdown a quem, por sinal, ainda se juntam ex campeoes mundiais como dolph ziggler e dean ambrose. No Raw temos o main-event ocupado por wrestlers com um palmares bem inferior. Daí considerar que o star power esta no smackdown embora no raw estejam as estrelas atuais que embora com menos star power vao ser as prioridades e grandes apostas da wwe nos proximos tempos e falo claro esta de brawn strowman, reigns, rollins, owens, zayn, balor…

    A historia com o james ellsworth nao considerei negativa e é um fato que ele alcançou uma popularidade impensavel e se obteve esse reconhecimento por algo foi. Incoerente no fim sim mas como um ponto negativo nao a consegui ver.

    A feud do the miz com o dolph ziggler achei brutal uma das melhores do ano. Ja fazia falta uma rivalidade destas para mexer um bocado com a monotonia de rivalidades curtas e foi muito bem construida e trabalhada e ambos puderam brilhar cada um à sua maneira. Pessoalmente gostei do principio ao fim sem me aborrecer.

    Quanto ao resto subscrevo tudo embora nao considere que a nikki seja assim tão ma em termos de carisma mas sim podia ser melhor.

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