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Impacto! #151 – Destino: Um Novo Amanhã

Os últimos meses têm sido um periodo algo sombrio para a TNA. Toda a incerteza em relação ao futuro televisivo da organização, em conjunto com semanas de shows gravados perante um adormecido público de Bethlehem geraram a impressão que a TNA poderia estar a queimar os últimos cartuchos antes de uma anunciada morte. A atmosfera negra daquele edificio na Pennsylvania é verdadeiramente tóxica, não tanto pela forma como os fãs de reageam durante os shows, mas mais pela evidente falta de corpos naquela plateia. No entanto se há algo que a TNA sempre conseguiu fazer foi sobreviver.

 

A história da TNA é de sobrevivência desde o primeiro dia, com muitas mortes anunciadas, resultado de riscos elevados que não tiveram resultados esperados. 2014 ficará como mais um ano de um estado de saúde crítico, em que no último segundo esta organização parece conseguir voltar a ganhar alguma vida. 2015 será de certeza uma mudança, resta saber para quê? Já cantavam os Talking Heads “We’re on a road to nowhere, Come on inside, Takin’ that ride to nowhere, We’ll take that ride”. Será que a TNA está numa viagem para lugar algum?

Curiosamente, a TNA fecha mais um capitulo da sua história em nota alta, mas numa atmosfera tóxica. Os últimos meses de Impact Wrestling têm apresentado muita e boa acção dentro do ringue, nem sempre com histórias capazes de cativar e gerar interesse. Tivemos excelentes main-events e um conjunto de combates muito esforçado por todas as divisões. Recordo a série de combates entre os Wolves, os Hardys e a Team 3D, um excelente combate entre Aries, Roode, Eric Young e Jeff Hardy e bons embates entre o Lashley e o Roode, tal como o Lashley vs Aries ou o Samoa Joe vs Low Ki. Dignos de registo, ainda o combate bem construido entre Havok e Gail Kim, e os menos notórios combates entre Aries e Joe e no recente torneio de tag-team entre Joe e Low Ki, quer contra os Hardys, quer contra a dupla Kenny King/MVP.

Ao longo de 2014, o Impact Wrestling conseguiu uma consistência que talvez nunca tenha tido na sua história. Não me recordo de uma semana em que não houvesse pelo menos um combate digno de se ver e claramente a organização percebeu que precisava de oferecer essa consistência para ganhar alguma alavancagem na negociação de um contrato televisivo. Mais que dizer a um canal que temos a estrela X, Y ou Z, a TNA preocupou-se em dizer que esta é a sua imagem: excelentes atletas em excelentes combates. Numa entrevista recente, Low Ki reafirma esta idea ao dizer que quando regressou à TNA encontrou uma coisa totalmente nova: a direcção e os executivos preocupados na gestão da organização e os atletas preocupados em lutar. Sem politiquices, sem jogos de bastidores, apenas uma tremenda ética de trabalho de toda a gente. Já diziam os Humanos: “Muda de vida, se tu não vives satisfeito, Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar! Muda de vida, não deves viver contrafeito, Muda de vida, se a vida em ti é de outro jeito” e a TNA percebeu que era tempo de mudar.

A TNA regressou ao básico. Contruiu histórias fáceis de entender como a amizade que se tornou muito amarga entre EC3 e Spud (que têm estado excelentes nesses papéis até nas redes sociais). Lashley provou ser um campeão muito forte, os The Wolves foram colocados num pedestal ao derrotar duas das mais fortes tag-teams do wrestling (Team 3D e Hardy Boyz) e Bobby Roode será o campeão Mundial que a TNA precisa de ter neste momento.

Mas em Janeiro, a TNA estará a dar um passo no desconhecido com a mudança para o Destination America. É um canal pequeno, muito mais pequeno que a Spike TV. A Spike tem uma cobertura de cerca de 85% dos lares Americanos, mais um terço que a Destination America (cerca de 55%). Um problema mais grave ainda é que o Destination America é um canal que faz parte de um pacote especial, ou seja, para se ter acesso a ele há um custo adicional que é pago pelos subscritores de televisão por cabo. Um canal com menor alcance, menos acessivel e certamente com uma carteira menos recheada, obrigará a TNA a ajustar-se a uma nova realidade. Por outro lado, o Impact Wrestling passa a ser o programa com maior audiência e reconhecimento deste canal, o que significa que será uma prioridade (o que não acontecia com a Spike TV) e isso significa um esforço para publicidade, crescimento da marca e sobretudo mais programação. O principal é que a TNA mantém-se viva pelo menos mais dois e têm uma derradeira oportunidade de fazer algumas coisas diferentes e essa é a chave. A TNA precisa de começar a tomar as melhores decisões, porque se há algo que 2014 mostrou é que a indústria do wrestling está moribunda e a TNA está no fio da navalha. Se este ano a TNA conseguiu evitar fechar portas, duvido que resista dentro de 2 anos se não mostrar nenhuma capaciade de crescimento no Destination America. A TNA esgotou as suas 9 vidas.

As decisões de gestão da TNA levaram a uma mudança na forma como se apresentaram nos house shows e como produziram PPVs. Fazendo o balanço a frio, o actual modelo não funciona e serve apenas para estancar a sangria de dinheiro. Está na hora da TNA ter uma estratégia, de abordar as coisas de forma paciente, disciplinada e com uma visão de clara de onde querem chegar e como o fazer. A organização precisa de uma liderança inteligente, de alguém que veja as forças e fraquezas do produto actual e contrua algo cativante para os fãs, sem estar desesperado por audiências e sem sacrificar a construção de uma história ou de um gimmick, em nome da surpresa fácil. A TNA precisa de pensar a longo-termo. 2015 será uma nova página e agora certamente decisiva. Não tenho dúvidas que daqui a dois anos, se a TNA não provar o seu valor, não terá mais tempo pela frente. O passada já lá vai como dizer os Capital Inicial: “Se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro e fizesse parar de chover nos primeiros erros”, mas isso não é possivel. Por isso, está na hora de criar algo especial e para mim o segredo é ser diferente.

Com o fim do Impact Wrestling em 2014, irei igualmente fazer uma pausa nas edições do Impacto!. Eventualmente este espaço regressará em 2015 e até lá irei manter-me activamente atento a tudo o que estiver relacionado com a TNA (e não só!).

Video da Semana

Foo Fighters – Long Road to Ruin

Here now, don’t make a sound
Say, have you heard the news today?
One flag was taken down
To raise another in its place

A heavy cross you bear
A stubborn heart remains unchanged
No harm, no life, no love
No stranger singin’ in your name

But maybe the season
The colors change in the valley skies
Dear God, I’ve sealed my fate
Runnin’ through hell, heaven can wait

Long road to ruin there in your eyes
Under the cold streetlights
No tomorrow, no dead end in sight

Let’s say we take this town
No king or queen of any state
Get up to shut it down
Open the streets and raise the gates

I know a wall to scale
I know a field without a name
Head on without a care
Before it’s way too late

Maybe the season
The colors change in the valley skies
Oh God, I’ve sealed my fate
Runnin’ through hell, heaven can wait

Long road to ruin there in your eyes
Under the cold streetlights
No tomorrow, no dead end

Long road to ruin there in your eyes
Under the cold streetlights
No tomorrow, no dead end in sight

For every piece to fall in place
Forever gone without a trace
Your horizon takes its shape
No turnin’ back, don’t turn that page

Come now, I’m leavin’ here tonight
Come now, let’s leave it all behind
Is that the price you pay
Runnin’ through hell, heaven can wait

Long road to ruin there in your eyes
Under the cold streetlights
No tomorrow, no dead ends

Long road to ruin there in your eyes
Under the cold streetlights
No tomorrow, no dead ends

Long road to ruin there in your eyes
Under the cold streetlights
No tomorrow, no dead end in sight

Até ao próximo Impacto!

Sobre o Autor

- Colaborador do Wrestling.PT para os conteúdos da Total Nonstop Action!

2 Comentários

  1. FranciscoAP - há 2 anos

    Mês e meio sem TNA vai ser bonito, vai… Pode parecer exagerado dizer que uma companhia com mais de 10 anos de existência vai cair no esquecimento, mas no caso da TNA não me parece que seja.

    Quando vemos o que a TNA fez ao longo de 2014 e como isso não lhe trouxe grandes mudanças nas audiências ou na reputação da companhia junto dos fãs, acho que uma pausa destas pode ser a morte do artista. Talvez o novo canal signifique um recomeçar para a TNA, uma renovação da marca e do produto. E talvez assim se consiga chamar a atenção dos fãs, um bocadinho à imagem do entusiasmo geral (na minha opinião, muito exagerado) com as mais recentes companhias/produtos Lucha Underground e até GFW.

    Mas quando já deu para perceber que ter um produto muito bom não chega, sinto que já não percebo nada. Às vezes gostava de voltar aos tempos em que só via TNA pela televisão e estava completamente às escuras em termos de audiências, reputação da companhia, etc.

    E, já agora, espero que a TNA altere o nome do programa semanal, porque chamar-se “Impact” quando o que falta à companhia é, precisamente, capacidade de fazer impacto junto dos fãs, chega a ser irónico o nome.

  2. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente artigo, Jorge.

    Deixei de ver o iMPACT há umas semanas, embora me tenha mantido atento ao que por lá faziam. Vi os segmentos do EC3 e do Spud e a conquista por parte do Bobby Roode do Título Mundial.

    Em 2015, vou seguramente ver o primeiro episódio na Destination America. Tal como o Francisco, eu também acharia interessante uma mudança de nome no programa semanal. Espero que seja um passo atrás (isto é, a mudança de um canal mais conhecido para outro com menos alcance) para depois se dar dois à frente. O problema é que este discurso está sempre a ser proferido quando se trata da TNA, o que não é nada bom sinal.

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