Impacto! #154 – A Primeira Vez

A TNA voltou à televisão e agora em nova casa – o canal Destination America. Neste novo capitulo da conturbada vida da Total Nonstop Action decidi fazer uma análise ao primeiro Impact Wrestling de 2015, que apesar de ter estado muito longe dos shows ultra-programados e caóticos que marcaram novos “começos” para a TNA (como o de 4 de Janeiro de 2010), não deixou de ter algumas boas surpresas.

Para quem não se recorda ou não assistiu, no inicio de 2010 a TNA decidiu carregar no reset pela centésima vez e apresentou a 4 de Janeiro um show onde aconteceu demasiada coisa para os fãs poderem digerir saudavelmente todas as novidades, desde a estreia de Hogan, Bischoff e Flair, a combates com muitas interferências e cheios de gimmicks, que preencheram 3 horas de emissão. 5 anos depois, o Impact Wrestling fez-se discreto, sem presunções, mas com um produto muito mais sólido ainda que com falhas que vão ter de ser resolvidas.

Logo a começar, a TNA preocupa-se em pegar onde tinha deixado o Impact Wrestling, usando Kenny King para dar o mote a um street brawl que ao mesmo tempo mostrou ao público em casa as caras que compõem o roster actual. Simples, interessante e eficaz. Nesse segmento claramente se perceberam hierarquias, com Roode, MVP e Lashley no topo da montanha e a forma como a acção rolou para dentro da arena, também permitiu dar a conhecer toda a nova “face” do Impact Wrestling. Sublinho ainda que a preparação de cada atleta a entrar no autocarro que os levava para a arena é um daqueles segmentos de arrepiar. Espero que a TNA mantenha esta qualidade de produção no futuro, aliás elemento que a Lucha Underground também realiza de forma fantástica.

A brawl durou até Kurt Angle aparecer e tomar a sua última decisão como figura de autoridade. Por falar em Kurt Angle, talvez ele tenha estado no combate mais fraco da noite. Recuperado de uma lesão, Angle mostrou-se longe da forma de outros tempos o que prejudicou o ímpeto do programa. Ainda assim, foi interessante ver Kurt Angle a forçar MVP a puxar de um arsenal mais técnico, sobretudo com mais manobras de diversão. Apesar de este ser um combate que marca o regresso de Angle aos ringues, o que não deixava margem para dúvidas em relação ao vencedor, o  MVP terá alegado ter conseguido sair do pin alguns instantes antes do árbitro chegar ao final da contagem. Storyline em vista?

Uma novidade deste Impact Wrestling foi a estreia de Josh Mathews e Taz nos comentários e a dupla parece funcionar. Taz esteve muito mais focado que ao lado de Tenay e Josh Mathews vem em boa hora renovar a energia que aquela mesa de comentários deixou de ter com a saída de Don West. Pareceu-me positivo que a TNA tenha aproveitado para usar Mike Tenay num segmento de bastidores, promovendo assim o novo TNA Unleashed e ao mesmo tempo não deixando esquecer a importância e a referência que é Tenay na história da TNA. A abordagem de ter uma entrevista de Tenay a James Storm volta a remeter para os tempos do Mean Gene na WWF, mas não sei se num programa de 2 horas os fãs aceitarão a quebra de ritmo que o segmento representa (se a ideia for para repetir todas as semanas).

Na divisão de tag-team, abriu a época da caça e depois dos The Wolves terem segurado os títulos da divisão durante quase um ano, certamente que querem rapidamente recuperar o ouro.  As novas tatuagens de Eddie Edwards e Davey Richards são uma forma excelente de refrescar o visual de ambos e de afirmar ainda mais a legitimidade desta dupla, que a meu conhecimento é de longe a melhor tag-team da actualidade. A TNA está igualmente a construir os The Revolution. James Storm é um excelente líder, tem as mic skills necessárias para fazer esta ideia funcionar e certamente que tem agora um rumo mais claro. Espero que não esqueçam de uma regra básica de qualquer heel – se não ganhar, não é relevante. A TNA sempre se precipitou em dar vitórias aos faces, muito cedo nas storylines. Espero que seja diferente com os The Revolution. No combate em si, é bom ver a vontade de inovar, por exemplo, no suicide dive repetido quatro vezes pelos The Wolves, brutal! No final, os Hardys acabaram por se envolver e justificaram o porquê de a TNA já ter anunciado um combate entre os The Wolves e os irmãos Hardy.

Seg3Shaving

Só para recorder que EC3 lesionou-se e estará afastado dos combates ainda algumas semanas, mas mesmo assim não falhou neste Impact Wrestling e voltou a mostrar as excelentes mic skills que farão dele um campeão mundial a médio prazo. EC3 dá lições de como conseguir captar a atenção do público e interage de forma sublime com este, ao ponto de ter uma arena dividida sobre se este sabe ou não lutar. Como heel que é, EC3 e Tyrus souberam como criar heat e humilhar duas fracas figuras – Spud e JB. Aqui entre nós, o EC3 só completou o que o tempo já tinha feito ao JB…

Seg4Xdivision

O combate da noite veio da X Division e sem grande surpresa. Low Ki usou o reportório brutal, com um jogo de pés incomparável, contra um intenso e técnico Austin Aries e no final uma ovação a doid tremendos atletas. Gostei bastante da TNA ter mostrado algumas imagens da história da X Division, mas o grande erro nesta divisão é não entregar o microfone ao Double A e a Low Ki e deixar que sejam eles a fazer esse enquadramento. Nenhuma divisão funciona com combates aleatórios e a TNA insiste em não construir histórias para a X Division. Uma pena, porque juntar esta qualidade de combate a uma história que permitisse gerar um interesse emocional com os lutadores seria sucesso garantido.

O momento da noite veio da divisão feminina e quando nada o fazia prever. De forma quase aleatória, a TNA fez Taryn Terrell pôr o titulo em jogo numa Battle Royal repetida até à exautão nesta divisão. Taryn ganhou e Havok não esperou para fazer no rescaldo, aquilo que devia ter feito no combate. De repente as luzes apagam-se…STING!!! Estou a brincar, claro. Mas para a divisão feminine foi ainda melhor: Kong!!! O público gritava Holy Shit e concordo a 100% com Josh Mathews quando ele diz que esta era a fantasia de qualquer booker – Havok vs Awesome Kong. Duas Heavyweight Champions femininas! A TNA está de parabens por ter conseguido manter em segredo a presença de Kong no Impact Wrestling e é igualmente prova que estão saradas as feridas entre Kong e a TNA.

Ao longo de toda a noite, Josh e Taz foram promovendo o main-event e a TNA apostou forte neste terceiro capitulo Lashley vs Roode. O combate foi excelente, Lashley tem crescido imenso como wrestler, longe do microfone e finalmente relevante, enquanto Roode foi a cara da TNA nesta transições de estações televisivas. Mas este combate iria guardar o momento chocante da noite. Contra todas as expectivas, Samoa Joe, Low Ki e Eric Young que sempre estiveram ao lado de Roode, juntaram-se a MVP e atacaram o IT Factor, oferecendo o titulo mundial a Lashley. O regresso do heel Eric Young faz lembrar os velhos tempos da World Elite que nunca foi devidamente explorado e sabemos hoje que MVP, Joe, Kenny King e Low Ki se apelidam de Beat Down Clan.

Seg6MainEvent

O show terminou com a sensação que a TNA fez o suficiente para criar algum buzz em torno do produto sem ter mostrado algo caótico. Há muitos pontos de interesse, muitas novidades e se evitarem spoilers, certamente que os fãs não vão querer perder as próximas semanas. No geral, nota muito positiva a abrir 2015.

Video da Semana

O inicio de uma nova era!

Até ao próximo impacto!

Sobre o Autor

- Colaborador do Wrestling.PT para os conteúdos da Total Nonstop Action!

9 Comentários

  1. Eu - há 2 anos

    Não há TNA esta semana?

  2. Gabriel Siston - há 2 anos

    Realmente Jorge, seu artigo está de parabéns! Eu também gostei do episódio do Impact e hoje sai outro heim…

  3. JL Paes - há 2 anos

    Quando vai sair o próximo Impact? Tô ansioso pra ver.

  4. JL Paes - há 2 anos

    Acho que foi a primeira vez que concordei 100% com um artigo

  5. Henrique Lessa - há 2 anos

    Parabéns pelo artigo Jorge, muito bom. Na espera pelo próximo Impact(o) hahaha

  6. MR Perfection André Santos - há 2 anos

    Um primeiro episódio que foi a roçar o perfeito!Bem a TNA e o LUCHA nessa semana foram imperiais no produto!

    Jorge posso dizer que estava a ver o impact aqui na papelaria ( os meus clientes já sabem que vejo wrestling :D) e fiquei com uma cara quando apareceu a KONG!

    Gostei muito e o único reparo é a falta de modernidade ao redor do ringue, como por exemplo: as luzes muito sombrias e a falta de um titontron a mostrar o nome, imagens etc. Não que seja necessário, mas dá mais qualidade ao show. Por exemplo o LUCHA não têm isso mas é como andar de carro. Quando não tens faz mais falta…

    A do JB foi épico! Tenho vindo a repetir acerca de alguns wrestlers, se gosto ou não deles e EC3 é sem duvida um dos meus favoritos actualmente. Com uma característica narcisista, coloca todos abaixo dele e com as suas mic skills coloca num patamar muito elevado.

    Excelente Jorge!

  7. danielLP21 - há 2 anos

    Adorei o primeiro IW de 2015. Grande show, com bom Wrestling e grandes surpresas. Veremos como é que a TNA vai dar seguimento a este episódio.

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