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Impacto! #25 – Bound For Glory 2011, o espelho da TNA!

A TNA preparou com muito cuidado o seu maior PPV – Bound for Glory. As semanas que o atencederam foram de grande qualidade, dentro e fora do ringue, com grande foco no embate de lendas: Sting vs Hulk Hogan e no combate pelo titulo principal da TNA entre Kurt Angle e Bobby Roode.

Será que o PPV viveu à altura das expectivas? Bem na verdade este PPV mostra bem a realidade presente da TNA, com tudo de bom e de mau.

Mas comecemos pelo inicio:

A equipa de produção da TNA não esteve exactamente inspirada para este PPV. Fiquei decepcionado em ver o palco e a rampa de entrada  que se vê em todos os shows, bem diferente do que foi conseguido o ano passado no Bound for Glory 2010. Do lado da produção, o que realmente foi feito de forma diferente que já não seja visto nas noites de quinta-feira? Seria de esperar, que no maior evento do ano a TNA fizesse mais e melhor, com toda a pompa e circunstância, sem olhar a gastos. Mas este é um erro presente na TNA, não conseguir diferenciar os seus PPVs de uma noite de Impact Wrestling. Para os fãs estes pormenores podem ser decisivos no que toca a diferenciar o produto.

Mexican America vs Ink Inc.: A partida não conseguiu atrair a atenção de ninguém. Senti que a Christine Von Eerie chegou muito cedo para ter um papel tão proeminente. O mais grave é que a TNA acha que tendo os títulos de Tag Team nos MA estão a apelar ao mercado sul-americano e mesmo que eles perdessem o titulo, duvido que alguém se importe com o destino dos Ink inc. actualmente. Este é o presente da TNA – com a mais fraca divisão de Tag Team desde há anos. O futuro poderá passar pelos British Invasion – Magnus, Douglas Williams e Mark Haskins.

Austin Aries vs Brian Kendrick: O combate de abertura foi fantástico. Brian Kendrick e Austin Aries tiveram uma excelente luta que puxou a multidão para o resto do PPV. Esta foi a escolha certa para abrir o BFG. Apesar de Kendrick precisar de re-pensar o seu gimmick, visto que o público não se identifica com aquele que deveria ser o mais forte face da divisão, Austin Aries é amado pelos fãs. O seu carisma, o seu talento e a sua arrogância tornam Aries num campeão heel que todos gostam de odiar. Mais uma vez, a TNA mostra que a X Division é no presente um produto forte e original e o futuro da empresa passa por esta divisão.

Rob Van Dam e Jerry Lynn tiveram um combate que superou todas as minhas expectativas. Não só vimos o melhor RVD de há muitos meses, como o combate cedo alcançou a qualidade que tantos fãs esperavam há mais de uma dúzia de anos. Penso ter sido uma justa despedida para Lynn e RVD pode ter ganho nova motivação. No entanto o presente da TNA está espelhado na reciclagem de storylines. Este é o momento de contemplar o passado, mas seguir em frente, dando espaço aos mais jovens.

Crimson, Matt Morgan e Samoa Joe tiveram um combate que não passou do razoável. Graças a uma estipulação feita à ultima da hora e um Samoa Joe construído de forma muito fraca, este combate nunca me pareceu atrair muita atenção. Joe basicamente transformou-se num babyface durante o combate e aqui está o presente da TNA. Se a TNA não aprender uma regra básica – que um face forte se faz com um heel ainda mais forte – então nunca Morgan e Crimson poderão apelar aos fãs e Joe continuará a ganhar a simpatia do público por ser aquele lutador talentoso que a TNA deixou perder no roster. Nem Joe pode continuar a perder combates, nem Crimson pode continuar a ganhar por sorte. Está na hora de dar força e consistência aos gimmicks.

Mr. Anderson e Bully Ray elevaram o nivel hardcore do PPV e fizeram o combate que devia ter acontecido á meses no Hardcore Justice. Ambos os homens tentaram arduamente tornar esta rixa especial e claramente puseram a sua saúde em risco. Um movimento como um piledriver no cimento pode ser o fim de uma carreira. Os fãs agradecem a dedicação, mas valerá a pena o risco? A TNA mostra que tem no seu roster atletas empenhados e com vontade de dar tudo no ringue. O facto de a TNA não ser PG é uma marca que pode ser aproveitada, mas sem exagero.

Por falar em exageros, a KO Division está a cair a pique. Para começar, a TNA transformou o combate pelo titulo da KO division num concurso de máscaras de Halloween com todas as quatro atletas vestidas ridiculamente. O final do combate foi realmente caótico, entre as duas lutadores ilegais com uma árbitra não-oficial. Pena que a Velvet Sky chegue ao titulo (finalmente) de forma tão atabalhoada. Este é o presente da TNA – um roster feminino fortíssimo, mas sem direcção alguma. Caótico.

O combate entre Daniels e Styles não impressionou, mas a aposta foi claramente mais no lado emocional, que atlético. O ataque pós-combate mantém a disputa viva e este é o presente da TNA. Capaz de tirar proveito de uma boa storyline com alguma profundidade psicológica. Espero ver mais desta feud.

Jeff Jarrett e Jeff Hardy tiveram um segmento bom, e foi bom para Hardy ver Jarrett atacar o seu passado recente daquela forma.  Se esta feud continuar, Hardy estará fora dos main-events durante mais algum tempo, o que será muito positivo. O presente da TNA passa por fazer as coisas com calma e tirar o máximo de cada lutador. Será que estão a aprender a lição?

Hulk Hogan vs Sting foi melhor do que tinha o direito de ser. Também foi melhor do que o WCW Starrcade 1997. Hogan sabe como trabalhar uma multidão e Sting soube carregar o combate. Já os acontecimentos pós-combate não fizeram absolutamente nenhum sentido. No entanto o público ao vivo adorou e mais uma vez comeram na mão de Hogan. O turn desafia a lógica do combate em si, mas a única coisa que importa neste caso é que a multidão ao vivo simplesmente adorou.. Eu questiono a sanidade de Hogan, mas também dou-lhe crédito para trabalhar apesar de seus problemas físicos e pessoais. Novamente, a multidão ao vivo adorou a nostalgia e independentemente da qualidade, este foi o momento alto de todo o show. O presente da TNA continua assente nestas lendas, mas a TNA precisa de as usar para promover os mais novos.

Bobby Roode e Kurt Angle viram o combate ser apressado devido ao tempo, o que não seria muito ofensivo, se não fosse a segunda vez em três anos que TNA faz isso no Bound for Glory. Lembram-se do Bound for Glory 2009? AJ Styles vs Sting teve o mesmo destino por causa do tempo ter sido mal calculado. Ao fim de sete minutos Angle e Roode já trocavam finishers. Às vezes isso pode tornar um combate épico, mas nesta situação ficou a sensação de que faltou algo. Algo que também faltou foi um bom final. Se é verdade que eu queria Roode a campeão e que até percebo que a TNA tenha contrariado a vontade dos fãs, não sei se será tão certo que Roode terá nova oportunidade. Conhecendo a equipa criativa da TNA, não me admirava ver Roode perder-se num feud com James Storm ou que Jeff Hardy atacasse o titulo de Kurt Angle. Voltando ao fim, eu posso viver com a ideia de Angle ganhar o combate de forma limpa se é isso fosse a decisão da empresa, mas eu odeio ver um final barato no evento principal do maior PPV do ano. A TNA tem que saber que se quer que os fãs levem a sério este evento, a própria empresa tem que fazer sua parte ao estabelecer que é um evento especial, do ponto de vista que o público pode contar ver um final limpo e decisivo. Este é o presente da TNA. Leva muito tempo a construir uma história e na hora da verdade, falta coragem e comete erros infantis.

Se no global o PPV foi positivo, face ás minhas expectivas fiquei muito desiludido. No entanto tenho a esperança que a TNA saiba pegar em todas as pontas soltas e criar um ponto de viragem para toda a organização. TNA Turning Point?…

Sobre o Autor

- Colaborador do Wrestling.PT para os conteúdos da Total Nonstop Action!

6 Comentários

  1. franciscoxb - há 5 anos

    eu tambem nao gostei nada do combate do roode e do kurt angle nem o do sting vs hulk hogan,nao achei muita piada ao do sting vs hulk hogan e o do roode vs angle foi uma vergonha

  2. Chazz_Princeton - há 5 anos

    Concordo contigo na parte do combate Angle Roode. Um combate desta magnitude penso que tem de ser construído com cabeça, tronco e membros. Princípio, meio e fim, em que o meio ocupa a maior parte do tempo. Neste combate, encurtaram imenso a segunda etapa mas a terceira ficou muito boa. Só que lá está, soube a pouco.

  3. Pedro Ribeiro - há 5 anos

    Muito obrigado por fazeres o que eu te pedi Jorge. Eu sabia que não me ias desiludir,e aqui está a prova.Adorei o texto,e não podia concordar mais contigo na parte do Roode vs Angle :D

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