Impacto! #35 – A promessa que ficou por cumprir! (Parte 1)

Nesta edição do Impacto decidi voltar a pôr em prática uma ideia lançada por um dos leitores – Gman – que sugeriu que abordasse a carreira de alguns lutadores que tiveram um inicio promissor na TNA, mas acabaram “esquecidos”.

Confesso que não foi um exercício nada simples, uma vez que tal como referi no parágrafo inicial, é complicado tentar recuar no tempo e pensar em lutadores que acabaram por não dar muitas razões para serem lembrados.

Mesmo assim, tentei elaborar uma pequena lista, com alguns nomes que eu considero que tiveram algum tempo na TNA para mostrar o seu valor, mas simplesmente não agarraram a oportunidade ou não lhes consideram o espaço necessário para isso, mesmo quando a sua estreia foi recebida de forma muito positiva. Não considerei nesta lista atletas que apenas tiveram algum dark match ou limitaram-se a participar em tryouts. Também não considerei nomes que vieram para a TNA em períodos mais conturbados em que a empresa necessitiva desesperadamente do reconhecimento dos seus nomes para dar o salto para um contrato televisivo, como foi o caso do Vader, Lex Luger, Rowdy Piper, Roadkill, Buff Bagwell, Jimmy Snuka entre tantos outros (que na sua maioria estiveram na TNA ao longo de 2003 e 2004).

Deste modo, esta a lista de atletas que tiveram estreias prometedoras, mas acabaram por deixar muito a desejar…

Desmond Wolfe

Começo esta reflexão com um dos exemplos mais tristes de um lutador que não chegou a brilhar na TNA. Desmond Wolfe teve que terminar precocemente a sua carreira derivado ao seu estado de saúde. Wolfe descobriu que sofre de Hepatite C e decidiu retirar-se como lutador em 2010. A estreia de Wolfe na TNA deu-se perto do final do ano de 2009. Wolfe era um dos mais prestigiados nomes do circuito independente e uma das estrelas da Ring of Honor, empresa que anunciou em meado de 2009 que Wolfe (na altura a lutar com o nome Nigel McGuiness) estava em negociações com a WWE. Contudo, este não passou nos testes médicos e a TNA decidiu recruta-lo para o seu roster. A estreia não poderia ter sido melhor. Wolfe atacou Kurt Angle e na semana seguinte derrotou-o num street fight. Os fãs da TNA gostavam do carisma de Wolfe e este tinha imenso potencial, elevado dadas as óptimas mic skills. A feud com Angle elevou Wolfe a um estatuto que parecia colocá-lo na rota dos main-events. Contudo, o ano de 2010 marcou o inicio de uma era conturbada para a TNA e muitos talentos originais perderam o seu “lugar ao sol” no roster. Claro que todos os novos nomes que estavam ainda a iniciar o seu percurso não tiveram hipótese. Wolfe acabou se envolver numa feud pouco interessante com o The Pope D’Angelo Dinero.

Mais tarde, Wolfe acabou ser alinhar com Ric Flair, AJ Styles e os Beer Money no inicio da stable Fortune, que viria a confrontar os Immortal. Wolfe sofreu algumas derrotas que lhe valeram a saída do stable, mas a sua popularidade perante os fãs mantinha-se, como se comprovou quando a TNA decidiu realizar uma votação online para determinar o nº1 contender ao titulo mundial (defendido por RVD) e Wolfe foi o escolhido do público. Fora dos Fortune, Wolfe juntou-se a Douglas Williams na tag-team division e muito rapidamente desapareceu dos ecrãs. No final do ano de 2010, a TNA anunciou que Wolfe deixava de competir por razões pessoais. Wolfe ainda voltou em 2011 como Comissário do TNA Xplosion, juntando-se a Tazz e Jeremy Borash nos comentários, mas acabaria por rescindir com a TNA, poucos meses depois.

The Pope D’Angelo Dinero

A escolha de pope não é aleatória. É um exemplo perfeito de um lutador que está há diversos anos na TNA e que apesar de conseguir algumas prestações muito sólidas, de ter uma imagem de marca, boas capacidades atléticas e boas mic skills, nunca conseguiu vencer nada de relevante na TNA. Após a sua saída da WWE em 2008, onde lutava com o nome Elijha Burke, Pope era dos free agentes mais apetecidos no mercado. Em 2009 a TNA conseguiu que este participasse num dark match e poucas semanas mais tarde ofereceu a Burke o contrato. Após algumas semanas de promoção, Pope estreou-se na TNA em pleno Hardcore Justice, custando o titulo da X division a Suicide. Na semana seguinte, suicide retribuiu o gesto. No inicio de 2010, Pope juntou-se a Hernandez e Matt Morgan numa feud que duraria alguns meses contra a Team 3D e Rhino.  As boas prestações de Pope levaram a uma renovação de contrato. Dinero teria um combate pelo título principal da TNA contra AJ Styles, mas acabou por perder e uma lesão no ombro afastou-o da rota do titulo, quando parecia estar a desenhar-se um novo campeão. Meses mais tarde, Pope regressava à TNA e entrava numa feud com Mr. Anderson.

Tal como aconteceu com Desmond Wolfe, o ano de 2010 foi implacável com os talentos que tinham o seu nome ligados à TNA. Pope acabaria por passar os anos de 2010 e 2011 em rivalidades sem significado e de candidato ao titulo mundial, Pope passou a ser um lutador para “encher o cartaz”. No presente ano, Pope esteve ausente da TNA, dedicado à sua carreira como actor, mas regressou para participar na Bound for Glory Series. Pope ainda está na TNA e quem sabe se um dia não poderá regressar aos main-events, mas a verdade é que a TNA retirou a confiança nele durante 2010 e o seu gimmick acabou por sofrer um desgaste irreparável. Neste momento, Pope não é mais que um jobber, por vezes, glorificado mas que para voltar a ser alguém na TNA terá que se reinventar, ou será uma questão de meses até abandonar a empresa.

Matt Hardy

Matt Hardy: Depois de largos meses a forçar a sua saída da WWE, Hardy fixou na sua mente que queria vir para a TNA, onde o seu irmão Jeff Hardy, tinha acabado de se sagrar campeão mundial. Matt estreou-se em Janeiro de 2011, como parte dos Immortal. Apesar de ser uma estreia aguardada com muita expectiva, a imagem de um Matt Hardy com claro excesso de peso e muito em baixo de forma, afastou a euforia dos fãs. Dias depois da sua estreia, Hardy custou o titulo mundial ao irmão Jeff. Matt ficou à sombra dos lideres dos Immortal, sem qualquer storyline, nem qualquer feud. 6 meses mais tarde, depois de vários episódios pessoais (como ter sido preso por conduzir embriagado e sobre o efeito de drogas) a TNA suspendeu Hardy e acabou mesmo por terminar o seu contrato.

Hardy é para mim um perfeito exemplo de alguém que achou que a TNA lhe devia mais a ele, do que ele devia fazer pela TNA. Seguro de que teria os fãs a defendê-lo e que se poderia “agarrar como uma carraça” ao sucesso do irmão Jeff, Matt apareceu em baixo de forma, despreocupado e com prestações ridículas dentro e fora do ringue. Qualquer sentimento positivo em relação a Matt desapareceu, assim que um lutador com excesso de peso apareceu. Uma sombra de si mesmo. A TNA tentou dar a Matt a liberdade para ele encontrar o seu lugar no roster, mas incapaz de se afastar de Jeff foi uma questão de tempo até este causar problemas ao gimmick do irmão, de forma tão irremediável, que me pergunto se Matt não terá sido uma das razões para Jeff ter cometido na TNA os mesmos erros do passado. Matt saiu sem deixar saudades, sem fazer nada de positivo pela TNA.

Scott Hall

Scott Hall: Hall surge nesta minha lista como exemplo de um conjunto de lutadores que vieram para a TNA claramente para ganhar algum dinheiro, depois de terem tido carreiras muito bem sucessidadas em organizações com a WWF/WCW/ECW/WWE. Faço referência a Hall, mas poderia incluir também Sean Waltman nesta lista. Hall apareceu pela primeira vez na TNA em 2002, no primeiro PPV da história da organização. Com o fim da WCW ainda muito fresco, a presença de Hall era apelativa para uma empresa que acaba de nascer. Hall enfrentou muito problemas pessoais e de saúde e após muitos rumores, voltou a aparecer em 2004. O que se quis acreditar em 2004 era que Hall era capaz de regressar aos tempos da WCW. Mas o que os fãs viram não foi o Outsider, líder do wolfpack, fundador da nWo. O que os fãs viram foi uma personagem gorda e embriaga, vestida de fato de treino. O ridículo de Hall ainda hoje é recordado pelos fãs da TNA.

Em 2010, a TNA aproveitava a presença de Hogan e Kevin Nash no seu roster para convidar Scott Hall a se juntar aos antigos parceiros e, sobre o nome “The Band”, Hall, Nash e Waltman tentaram uma nova versão da nWo. O resultado não poderia ser mais desastroso. De todos os lados ecoaram críticas à TNA, não só por estar a usar lutadores claramente em baixo de forma, como se percebeu que a motivação do grupo era apenas receber o cheque no final da semana. Até hoje, a TNA perdeu parte da sua audiência e sofreu danos tremendos na sua reputação, por tentar imitar/reviver ângulos que nada tinham a haver com a organização, em vez de apostar nos seus próprios talentos. Hall, Waltman e mesmo Nash foram o principio do período mais negro da história da TNA e se a empresa aprendeu a lição, saberá que o crescimento sustentável só é possível quando se apresenta algo novo, com talentos que querem dar o suor, sangue e lágrimas pelas suas carreiras e pela TNA.

Alissa Flash

Alissa Flash: A escolha Alissa Flash prende-se com a minha vontade de não olhar só para os talentos masculinos e se há algo que marca a TNA é a qualidade da sua divisão feminina ao longo da história. Alissa Flash é provavelmente das lutadoras mais conceituadas do circuito independente. Vencedora de imensos prémios de imprensa e com um currículo fantástico como independente, Alissa teve a sua grande oportunidade em 2008, quando apareceu na TNA ao lado de Awesome Kong. Usando uma vestimenta tipicamente Árabe que cobria a totalidade do seu corpo Alissa lutava com o nome de Raisha Saeed e impressionou. Apesar de ter um gimmick de qualidade bastante discutível, os combates de Alissa deixaram os fãs a querer mais e esta acabou por ser uma presença regular ao longo de 2008. Em 2009, Alissa teve alguns tryouts e acabou por receber a oportunidade de lutar pela TNA, usando o seu nome Alissa Flash.

Alissa sofreu uma série de derrotas consecutivas, mas aos poucos a TNA foi permitindo alguns sucessos. Contudo, em meados de 2010, Sarita e Hamada estreavam-se na TNA e na mesma altura Alissa decidiu dar uma entrevista onde criticou a TNA por dar mais relevância à estreia de Sarita e Hamada, que às suas vitórias no ringue. Depois dessa altura, Alissa só voltaria a lutar mais uma vez e seria dispensada da empresa. A história de Alissa na TNA parece-me um exemplo claro das consequências que a impaciência por ter para uma atleta. Para termos uma noção do talento dela, ainda o ano passado a revista Pro Wrestling Illustrated considerou Alissa a 6ª melhor lutadora feminina do ano. Recentemente, assistimos ás saídas de Velvet Sky e Angelina Love da TNA, desfalcando a divisão. Tenho a certeza que se Alissa tivesse a maturidade e paciência para lutar pela sua oportunidade, hoje estaria em condições de, no minino, ser uma candidata ao título das KO Division.

CM Punk

CM Punk: A história de CM Punk na TNA conta-se de forma muito simples. Em 2002 a estreia de Punk na Ring of Honor foi das mais aplaudidas de sempre da história daquela empresa. Punk cresceu a uma velocidade vertiginosa na organização e a TNA, acabada de nascer, percebeu o seu valor e com a ajuda Raven, trouxe Punk para a organização em 2003. Punk juntou-se a Raven, no stable The Gathering e teve uma série de combates hardcore onde ainda se destacaram feuds com Shane Douglas e Sandman. Punk tinha exposição mediática na TNA e uma reputação tremenda na ROH, mas quando o fundador da ROH Rob Feinstein foi acusado de pedofilia, a TNA proibiu os seus atletas de lutarem pela ROH, dando a escolher entre empresas. Punk, que entretanto se tinha envolvido numa luta de bar com Teddy Hart e em consequência tinha sido suspenso “de forma não oficial” pela TNA, optou por deixar a empresa e lutar apenas pela Ring of Honor. Punk é um claro exemplo de um talento que a TNA deixou cair graças a más decisões de bastidores. Aqui o atleta tinha tudo para se afirmar e aliás estava a conseguir fazê-lo, mas foram os “jogos políticos” que levaram a que a TNA perdesse aquele que hoje é um dos nomes mais reconhecidos no wrestling mundial. Punk foge à minha premissa inicial que era referir lutadores que ficaram “esquecidos”, mas considerei inevitável contar a história de CM Punk na TNA, porque me levantou uma pergunta: quantos lutadores, acabaram por ser prejudicados por decisões de gestão e nunca mais tiveram oportunidade para mostrar o seu valor?

Quando comecei a escrever o artigo tinha uma lista bastante extensa. Mesmo após alguns “cortes” a lista manteve-se com vários nomes que considero importantes recordar. Como tal, para não se tornar demasiado extenso, decido dividir este artigo e várias partes. Esta foi a primeira e acredito que terá mais duas partes.Penso que é uma boa oportunidade para olhar para a história da TNA e talvez conhecer alguns nomes que à partida não seriam facilmente associados à organização.

Para comentar, pergunto se se lembram da passagem destes atletas pela TNA, se concordam com os argumentos e se conseguem apontar as razões destas promessas nunca cumpridas.

Até ao próximo Impacto!

Sobre o Autor

- Colaborador do Wrestling.PT para os conteúdos da Total Nonstop Action!

4 Comentários

  1. MGS - há 4 anos

    Muito bom o artigo. Esperava muito mais do Matt Hardy e do Angelo dinero. Ambos bons lutadores mas que por diferentes razões não se conseguiram impor na TNA e WWE. Espero o regresso do Matt mais cedo ou mais tarde a uma destas empresas e deixe as empresas de menor renome. Contudo duvido que aconteça porque de certeza que cai nos velhos vicios. é pena porque gostava de o ver juntamente com o jeff. Parabéns Salvador pelo excelente site ;)

  2. Vinícius Nunes - há 4 anos

    Bem, estive do lado da TNA nas dispensas da maioria desses caras que contratou, tirando o Pope que ainda merece algo novo, entrar na divisão de tag team ou lutar pelo título da TV, mas o CM Punk superou todas as expectativas a maior burrice da história da TNA, hoje CM Punk é o melhor wrestler do mundo…

    Mas gostei muito desse artigo Jorge, ajudou a conhecer um pouco mais da história da TNA, do qual assisto tem pouco tempo, desde o Sacrifice desse ano, mas que estou gostando muito, até mais do que a WWE, gosto muito desse tipo de artigo, continue assim, e estou ansioso para a volta dos artigos sobre os lutadores, recomendo que fale sobre Austin Aires, o mais novo campeão da TNA…

  3. danielLP21 - há 4 anos

    Excelente artigo.

    Nos últimos tempos tenho-me actualizado e até hoje ainda não consegui perceber o que é que a TNA tinha na cabeça no ano de 2010: não foi só a tentativa de uma nova NWO,foi também aquela história dos Immortal e dos Fortune…pelo menos para mim nada disto fez sentido.

    Ora bem,sobre o Matt Hardy não há muito a dizer,ele só fez figuras tristes na TNA e custa-me muito dizer isto porque sempre fui fã tanto dele como do irmão… Apareceu de uma forma degradante na TNA e até hoje parece que ninguém sabe o que ele fez na TNA,para além de se humilhar. Consigo compreender o que disseste sobre o Matt ter muitas culpas no cartório em relação aos erros do irmão mas a verdade é que o Jeff foi fraco…muito fraco.

    O D’Angelo Dinero ainda está na TNA por isso pode ser que um dia chegue ao patamar que já atingiu no passado,mas é difícil…

    O Scott Hall e a maior parte das grandes estrelas do passado só foram para a TNA mesmo por causa do dinheiro. Por aquilo que eu tenho visto poucas foram as lendas que se esforçaram enquanto estiveram na TNA.

    Em relação ao CM Punk…bem não há muito a dizer. É um dos maiores nomes do Wrestling actual e um dos melhores Wrestlers do mundo. Dá que pensar aquilo que a TNA perdeu sem o Phillip Jack Brooks…

    Mais uma vez,excelente artigo.

  4. Reck14 - há 4 anos

    Excelente artigo Jorge mas queria fazer-te uma pergunta: quando for possível, será que quando fosse possível, podias retomar este artigo ?

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