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Impacto! #51 – O Caminho da Criatividade

Não será surpresa nenhuma se disser que tenho dedicado as últimas edições do Impacto! a descrever a esta família que é a TNA, assim como o seu estado actual. A missão serve para preparar o caminho para o maior pay-per-view do ano – Bound For Glory. Esta semana irei abordar o trabalho da equipa criativa da TNA e revelar as caras que constroem a TNA nos bastidores.

Se os lutadores da TNA são o rosto e o corpo da organização, para que a organização continue a desenvolver os seus projectos é preciso toda uma equipa nos bastidores. Apresento desde já alguns desses elementos:

Dixie Carter é a presidente da organização e líder máximo de uma direcção que inclui Jeff Jarret como vice-presidente. Serg Salina (marido de Dixie Carter) é vice-presidente para a área do merchandise e é ainda responsável pelos temas musicais da organização (sendo autor/cantor em vários deles). Kevin Sullivan e Eric Bischoff são os produtores executivos, enquanto Jason Harvey é o produtor e realizador do Impact Wrestling. A direcção conta ainda com outros 5 elementos responsáveis por áreas como o Marketing, finanças ou relações com talentos.

Os agentes (Road Agents) têm como função coordenar os house shows, além de serem responsáveis pela avaliação de novos talentos nos tryouts. Al Snow, D’Lo Brown e Pat Kenney têm esta responsabilidade.

Mas onde me vou focar agora é na equipa criativa. Bruce Prichard é o principal escritor, de uma equipa que inclui Dave Lagana e Matt Conway.

A principal e dura missão deste trio é pegar numa TNA perdeu o seu caminho, e liderar a organização para um patamar/público mais consistente, usando o lema – Wrestling Matters (Wrestling importa).

Há cerca de um ano atrás, Dixie Carter decidiu que o sucesso ou falhanço da sua empresa iria residir nos ombros de Bruce Prichard e na sua visão. Prichard foi nomeado Vice-presidente senior para a programação e relação com talentos. Esta oportunidade foi dada a Vince Russo cinco anos antes, mas este falhou redondamente.

Russo teve sucesso em aumentar a audiência da TNA. A sua escrita conseguiu fazer a audiência subir (pontualmente) acima dos 1.5 milhões de espectadores.

Mas a escrita de Russo tinha um problema tremendo. Se é verdade que a sua criatividade tem mérito e que ele conseguiu causar algum “ruido” com os elementos de surpresa que colocava nos programas, ele fez-o em detrimento dos atletas, das histórias, dos PPVs, dos títulos e sobretudo da marca TNA.

O produto apresentado por Vince Russo era interessante para o espectador casual, que acidentalmente decidia ver a TNA, uma vez que as mudanças de títulos eram constantes, o alinhamento dos programas eram alterados e os combates tinham estipulações pouco lógicas, mas criativas. Este formato atraia muitos espectadores.

Bruce Prichard tem um produto que apela ao fãs de wrestling. Exemplo disso foi o longo reinado de Bobby Roode e o recente titulo ganho por Austin Aries (um atleta aclamado no circuito independente). Apesar de a audiência da TNA ser hoje mais pequena que no tempo de Russo, é na verdade mais apaixonada pelo produto. São estes fãs que compram PPVs e produtos da TNA, que vão aos house shows e que discutem a organização. Prichard parece entender que os fãs não ficam com a organização eternamente. Eles apenas defendem e assistem a um produto que tenha qualidade, acima de simplesmente ter o nome Wrestling.

Esta TNA não é a mesma que nasceu em 2002 ou que teve uma época dourada em 2005. Nem sequer é a mesma TNA do ano passado. A visão e o plano são diferentes.

A X division como a conheçemos até 2005, já não existe. Prichard parece considerar o conceito confuso e atirou-o para segundo plano, no entanto a X division é suficientemente boa para elevar um lutador, sendo que a divisão ganhará uma importância crescente ao longo do ano, pois em Julho no Destination X – o campeão pode trocar o seu titulo por uma oportunidade de lutar pelo titulo mundial.

A divisão das Knockouts está em reformulação. A equipa criativa da TNA parece estar a tentar ter menos diversidade e focar-se num grupo mais pequeno de lutadoras, que consigam aliar o talento ao visual. A divisão ganhou uma nova General Manager – Brooke Hogan e uma nova árbitra – Taryn Terrell.

Ainda não é claro o future da divisão de tag-team. Para já, fica a sensação que Prichard considera a divisão mais interessante se permitir juntar dois lutadores a formar novas parcerias. Exemplos disto são, Matt Morgan e Crimson, Kurt Angle e AJ Styles, Daniels e Kazarian, Samoa Joe e Magnus. Esta equipas temporárias parecem server de pretexto para novas rivalidades e histórias.

Se um lutador não faz parte da visão, então não faz parte do show. Para mim esta foi a maior mudança que a nova equipa criativa trouxe à TNA. Enquanto Russo construía o show à medida de um determinado atleta, agora os atletas são construídos à medida do show. A TNA tornou-se implacável na gestão dos seus talentos, abrindo a porta a quem não aceitasse as novas regras. A verdade é que quem fica, irá certamente ter que “suar a camisola” e é a TNA e os fãs que ganham.

A TNA está a apresentar uma série de novos conceitos como o TNA Gut Check, o Open Fight Night, a Champioship Thursday ou o Bound For Glory Series. Os novos conceitos ajudarão a TNA a ter um produto mais estruturado e lógico.

A equipa criativa da TNA acredita em detalhes, em subtilezas e em construir por atencipação. As histórias progridem muito lentamente e são em menor quantidade, permitindo um show menos caótico, mais coerente e mais fácil de acompanhar.

Os PPVs deixaram de ser extensões do show semanal e passaram a ter importância. Quem perder os PPVs perde certamente grandes combates e algum desenvolvimento importante na história.

Enquanto os combates pensados por Vince Russo caracterizavam-se por curtos e geralmente terminavam com interferência de elementos externos, Prichard quer que os lutadores contem uma boa história.

A diferença entre esta TNA e a TNA de 2010 (por exemplo) é que esta TNA abdica de histórias sem lógica, mas com muito espectáculo, para construir um produto que cative a lealdade dos fãs. A TNA evolui e como já disse várias vezes este é um bom momento para estar atento e sente-se que o caminho ainda agora está a ser construído.

A próxima edição do Impacto! será às portas do Bound For Glory, pelo que irei fazer uma pequena análise do que se pode esperar de cada um dos combates.

Até ao próximo Impacto!

Sobre o Autor

- Colaborador do Wrestling.PT para os conteúdos da Total Nonstop Action!

15 Comentários

  1. The Charismatic Enigma - há 4 anos

    Olá Jorge, leio sempre o Impacto você sabe disso.
    Você mostrou bem as mudanças que ocorreram na empresa nesses ultimos anos, falando sobre o que muitos não sabem, os bastidores da TNA.

    Será que saberemos quem são os Aces&Eights no Bound for Glory ou ainda continuarão mascarados mesmo depois do PPV? Tenho essa dúvida.

    • Jorge Rebelo - há 4 anos

      Enigma, mais que não seja pelo poster do Turning Point percebe-se que a storyline dos Aces and Eights ainda tem muito para andar.

      Parece-me que a ideia de revelar a identidade dos membros só vai acontecer com o aproximar do final da história. Há umas semanas saíram aqueles rumores que o confronto final entre os Aces e a TNA seria numa reedição dos Wargames. Acredito que nessa altura se desvendem as identidades, seja por uma qualquer estipulação acerca do vencedor, seja por um qualquer swerve…

      • The Charismatic Enigma - há 4 anos

        Estou com receio de sair desiludido desta história…mas em si a mesma está boa e me cativa, mas estou com receio do desfecho e como pode vir a ser o final, como ja disse 1000 vezes, Bischoff ou Jarret não, por amor de Deus.

  2. Eu acho que a TNA tem que ter cintos tág team feminino cinto intercontinental masculino e feminino e o cinto de campeão dos estados unidos

    • Para quê? Copiar a WWE em alguns desses títulos?

    • Jorge Rebelo - há 4 anos

      Edgar a TNA tem titulos de Tag-team femininos. De resto e como o Luis referiu, para quê adoptar mais do mesmo? A TNA não tem roster suficiente para tantos titulos femininos e o titulo intercontinental (que é um titulo midcard) existe na TNA, mas enquanto TV title.

      Eu iria preferir uma ideia mais original. Para mim o TV Title era eliminado e em vez dele regressava a World X Cup.

  3. Vinícius BullyMiz Nunes - há 4 anos

    O Impacto é o artigo mais didático do site, não tenho dúvidas disso, sempre aprendo mais sobre a TNA, muito bom mais uma vez Jorge.

  4. danielLP21 - há 4 anos

    Excelente artigo Jorge.

    Realmente,muita coisa mudou e para melhor,ainda bem que o Vince Russo deixou de estar no booking da TNA.

    Às vezes é preciso dar dum passo atrás para depois dar dois à frente,e se neste momento as audiências estão mais baixas do que há dois anos atrás eu acredito que num futuro próximo serão maiores.

    • Jorge Rebelo - há 4 anos

      A TNA vai ter que paciente, mas não vale a pena acelarar as histórias para tentar ganhar audiências, pois como se provou com a escrita do Russo, é verdade que um programa muito diferente do habitual pode trazer mais espectadores, mas essas audiência não são sustentáveis. Aliás o que se via mais no tempo do Russo era picos de quase 2 milhões de espectadores numa semana e na semana seguinte mal alcançavam metade dessa audiência.

  5. LageMane - há 4 anos

    Excelente artigo.

    A TNA realmente evoluiu muito nos ultimos anos.

    Usas-te o meu avatar no final do artigo :D

    • Jorge Rebelo - há 4 anos

      é verdade LageMane e quando o coloquei honestamente que pensei nisso, lembrei-me que usavas a imagem do Aries a celebrar a conquista do titulo mundial como Avatar. Espero que não te importes mas fazia sentido concluir o artigo com a maior conquista que um wrestler pode alcançar na TNA e para mim pessoalmente que muito prezo o Aries, é um dos momentos altos da história da organização.

  6. VinceYESYES - há 4 anos

    Este é o melhor espaço do site para mim, porque como já referi, ensina e dá-nos a conhecer imensas coisas acerca da empresa, que não tínhamos conhecimento e muito obrigado Jorge, excelente trabalho !

    Quanto ao artigo em si, só tenho a dizer que a TNA está a evoluir bastante mesmo, o produto está muito bom e está a trabalhar-se cada vez melhor, e a empresa tem vindo a crescer com tal !

    E tal como já referiram, às vezes é precisa dar um passo atrás para de seguida crescer de modo a dar, dois, três e por aí fora à frente, e é o que está a acontecer com a TNA e ainda bem para todos nós !

    Que continue o crescimento desta grande empresa, que a nossa família continue a crescer e que continuemos a ser brindados com este bom produto !

    Parabéns pelo trabalho Jorge.

    • Jorge Rebelo - há 4 anos

      Obrigado Vince, sei que os últimos artigos têm sido um pouco descritivos da familia TNA, mas para quem quiser começar a assistir ou quem quiser acompanhar a TNA é importante estar a par do passado e do presente, para que dia 14 de Outubro possam desfrutar daquele que espero que seja o melhor PPV do ano.

      • VinceYESYES - há 4 anos

        E irá ser de certeza ! E Jorge eu também vou acompanhando WWE mais superficialmente que TNA, e do que me lembro, não só espero o melhor ppv do ano da TNA, como do pro-wrestling em 2012 ! Venha de lá o BFG !

  7. Pantallica - há 4 anos

    Mais um grande artigo Jorge! Eu gosto do trabalho do Bruce Prichard, mas no entanto, quando o apresentam juntamente com os outros juris do GuCheck ele é apupado, nao entendo muito bem porquê mas pronto.
    Tenho uma pergunta para te fazer Jorge.
    1ª, houve alguma razao em especial para a TNA ter substituido o ringue hexagonal pelo normal? E qual dos 2 preferes?

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