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Long Horn Peep Show #11 – King Of My World

Por volta da altura pós-WM29 foi aqui afirmado o seguinte: « “Randy Savage” (outro que é grandioso sem ter Streaks, mas isso fica para outro dia) ». Pois bem, esse dia chegou hoje. Esta edição da Long Horn Peep Show visa vos dar a conhecer a minha perspetiva para com as verdadeiras lendas desta modalidade. Este não será, portanto, um artigo destinado a receber muitos aplausos. Preparados para uma viagem alucinante que, espero eu, provavelmente irá modificar ou, pelo menos, abalar a vossa perspetiva para com o wrestling?

Inexplicavelmente, desde que me recordo, sempre tive uma ligação especial ao Intercontinental Championship. Por isso, tenho um especial sentido de prazer cada vez que constato que o John Cena nunca foi Campeão Intercontinental. Especialmente porque este tem uma certa afinidade para mudar o aspeto dos títulos.

Fê-lo com o US Championship tornando-o um título giratório tão feio e ridículo que teria de ser um Wrestling God a destruí-lo e oferecer ao seu, na altura, braço direito o US Championship que perdura até hoje. Fê-lo com o WWE Championshp, colocando o “W” giratório e diminuindo a palavra “Champion” para apenas “Champ”. Yeah, rapper style… Mais tarde o “W” deixou de ser giratório e, pelo meio, ainda tivemos um “Rated-R” WWE Championship. Tenho igualmente um gosto especial em constatar que o JBL foi o último detentor do último WWE Championship com um design digno. Foi logo após a sua vitória na WM21, que John Cena fez questão de mudar o aspeto do WWE Championship…

Felizmente, Cena não mudou o aspeto do World Heavyweight Championship quando conquistou, mas esse parece ter o design ideal. Apenas o seu tamanho tem variado ao longo do tempo e creio que deveria ser aumentado para um tamanho ideal que se situa entre o atual e o tamanho (exageradamente grande) que tinha na altura em que, por exemplo, Triple H era World Heavyweight Champion.

Quanto aos Tag Team Championships, acredito que Cena não “meteu o bedelho” neles apenas porque nada representa para a divisão tag-team. Seria um insulto ver Cena interferir no aspeto de um título do qual é um dos piores campeões tag-team da história. Todos os seus reinados foram uma anedota. Lembro-me de um reinado que, corrijam-me se tiver enganado, durou uma semana com um tal de Dave Batista, parceiro que acabaria por abandonar a WWE, vendo Cena a sua vontade satisfeita. Se procuram a definição de fachada, não procurem mais. Assim sendo, pelo sim pelo não, espero que ele nunca conquiste o ouro que atualmente está tão bem entregue a Wade Barrett.

No entanto, não quero continuar em círculos e, voltando ao ponto de partida, é fácil verificar que o Intercontinental Championship, não sendo um dos dois títulos mais importantes na WWE, será provavelmente o título que mais prestígio aufere a quem o conquista.

Não se acreditam? Basta recordar alguns nomes que conquistaram o Intercontinental Championship para ter alguma noção do simbolismo do mesmo: Triple H, Ric Flair, Eddie Guerrero, Roddy Piper, Edge, Randy Orton, Shawn Michaels, Bret Hart, Steve Austin, Chris Jericho, Christian, JBL (tinha de o incluir na lista não tinha?) e claro… Randy Savage.

É verdadeiramente um «hall of famer maker», alguns dos nomes referidos já lá estão, outros para lá caminham e apenas um ou outro não vão lá chegar (Chris Benoit). Mas… para que servem os títulos? São os títulos o que definem até que ponto um wrestler foi ou não um bem-sucedido? Não, de todo. E já passo a explicar porque não.

O wrestling é combinado. Já recuperaram do choque? Quem decide os vencedores e os derrotados são os oficiais da WWE, sendo poucos os wrestlers que têm autoridade e/ou experiência suficiente para ter voto na matéria. Portanto, a partir daí, é tudo uma questão dos escritores envolverem um ou outro lutador que, na opinião deles, esteja num bom momento ou em condições de merecer uma oportunidade por um título. Nada mais do que isso. Por isso é que olho para a Streak de Undertaker, como a maior extravagância de todos os títulos. Agora sim, sentiram o choque? E nem é sequer um título propriamente dito, é uma onda de vitórias que dura há demasiado tempo na WrestleMania.

Recuando apenas um ano no tempo, se nos apercebemos que Undertaker enfrentou Triple H pela segunda vez consecutiva na WM28 e teve no tapete durante a maioria do combate, constatamos que caso Triple H quisesse satisfazer um pouco mais o seu gigante ego, teria todas as condições para sair como o Homem que derrotou a Streak. Infelizmente continua invicta. Mas o que é a Streak? É apenas uma combinação dos oficiais da WWE, decididos em ter, ano após ano, um grande combate, com um grande hype, com um grande lutador que é Undertaker. A qualquer WrestleMania, caso fosse esse o desejo de quem manda, a Streak podia ter acabado, antes até de se ter tornado nesta monstruosa onda de 21-0.

Teria isso algum impacto na carreira de Undertaker? Não. Porque haveria de ter? Undertaker poderia continuar a ter exatamente os mesmos combates na WrestleMania, tendo em conta que alguns dos quais até foram por títulos. Outros certamente não poderiam ser “Streak vs Career”, mas quantos foram mesmo? Dois? E vimos um entre Ric Flair e Shawn Michaels que acabou com a reforma de Flair, sem estar em jogo “nada mais” do que a carreira do Naitch. Este 21-0 é o maior título da WWE e nem sequer está em jogo regularmente, apenas uma vez por ano. O que a WWE tenta transmitir com este 21-0, pelo menos na minha perceção, é que Undertaker foi simplesmente o melhor de sempre… Pelo menos, na WrestleMania. Ora, senhoras e senhores, permitam-me que discorde por completo.

Não vou começar a apontar a Undertaker as suas lacunas enquanto lutador ou reclamar por um outro combate que mais pareceu uma repetição com um adversário diferente (às vezes até com o mesmo adversário). Sem dúvida que Undertaker é um grande wrestler e, se dúvidas sequer existem, o facto do seu encontro com CM Punk ter sido o melhor da WM29 desfaz qualquer dúvida quanto à longevidade e qualidade do Phenom, que parece ser como o Vinho do Porto. Será digno de tamanha distinção como a Streak? Muitos de vós dirão simplesmente que sim. Permitam-me que vá simplesmente tentar vos transmitir a minha visão do que é ser verdadeiramente o melhor de sempre… Pelo menos, na WrestleMania.

Eu vivo como adepto de wrestling. Eu vivo como fã que deseja vibrar com todos os combates e de ficar maravilhado com o espetáculo que está a ver. Não gosto de saber quem vai ganhar antes e durante os combates. Gosto de ser surpreendido. Gosto de entradas vistosas. E, acima de tudo, adoro emoção.

Para mim, o melhor de sempre (repito, pelo menos, na WresteMania), foi aquele que sempre, sempre, sempre, sempre que combateu no Grandest Stage Of Them All roubou o espetáculo. Simplesmente aquele homem que todos sabiam com quem podiam contar para ter um combate cinco estrelas sempre que fosse preciso, um homem que parecia quase impossível ver a cometer qualquer erro, um homem que tornava o show interessante, empolgante e entusiasmante de acompanhar desde a sua entrada até ao fim da celebração do vencedor. E, para tal, há que ter a capacidade para se reinventar, capacidade para conseguir construir ângulos diferentes que nos levem a seguir uma história que até nos pode ser semelhante, que até pode não ser nada de especial, mas que com ele nela inserido simplesmente nos soa a perfeição. Há quem lhe chame o Main Eventer, para mim será sempre o Ícone: não há ninguém na God’s Green Earth que algum dia seja capaz de o ultrapassar na qualidade de espetáculo produzida. Provavelmente, o melhor performer da história. Aconselho todos que ainda não viram, sempre que não tenham mais nada para acompanhar no mundo do wrestling e desejem ver um combate à maneira, a verem qualquer um dos seus combates na WrestleMania. Até mesmo o que teve com Cena. Estou, pois claro, a falar do verdadeiro e único Mr. Wrestlemania, The Showstopper, HeartBreak Kid, Shawn Michaels!

Esse sim, é pelos motivos enunciados o melhor na WrestleMania. Mas não pensem que me esqueci, não mencionei Randy Savage à toa… É seguindo este modo “de ver wrestling” que o “Macho Man” entra num dos meus preferidos daqueles dos tempos antigos, tempos em que eu nem sequer era nascido, mas que graças ao Youtube posso ver e rever momentos brilhantes da sua mestria. Sempre que invisto um pouco de tempo a ver vídeos de Randy Savage, o tempo parece que voa. O seu enorme carisma era sinónimo de entretenimento garantido e foi exatamente o seu reinado enquanto Intercontinental Champion que lhe valeu a conquista do então WWF Championship (todas as peças do puzzle começam a encaixar certo?).

Aprofundando a questão, terá um homem de vencer um major title para ser reconhecido como uma lenda? Não, claro que não. E a resposta a essa pergunta tem duas palavras: Roddy Piper. Este sim, o meu favorito dos tempos antigos, embora ainda me sinta um felizardo por o ter apanhado nos seus últimos anos, com aparições mais esporádicas. Fosse a falar ou a lutar, Roddy Piper é a definição de irreverência antes de Edge pensar sequer em se tornar Rated-R, é a definição de controvérsia, de mestria a representar um papel seja heel, face ou tweener. Muitas vezes utilizado como aquele que seria o papel ideal para CM Punk, a verdade é que o Hot Rod foi o que com maior perfeição executou o papel de tweener e, com muita honestidade, é dos melhores e mais difíceis desempenhos que eu já tive o prazer de ver.

E podia continuar a aprofundar mais a questão e abordar nomes como Jake “The Snake” Roberts ou Jimmy “Superfly” Snuka, ou simplesmente indicar que o facto de um lutador como William Regal nunca ter sido World Heavyweight Champion ou WWE Champion é simplesmente criminoso (King Of The Ring não foi mais do que uma menção honrosa por tudo que Regal fez), mas creio que a mensagem por esta altura já passou.

Se ainda não passou, volto a repetir de uma forma mais explícita: não é por acaso que o meu wrestler favorito da atualidade (embora esteja para regressar há demasiado tempo) é o Christian. O homem que tem cerca de vinte anos no negócio, o homem que já fez tudo que há para fazer, menos panoramas que envolvam Campeonatos Mundiais na WWE. Sim, ele até é o único wrestler a vencer um Campeonato Mundial por DQ na história da WWE, mas que importa?

Os seus reinados foram uma piada de muito mau gosto. Quem o viu na TNA, sabe o que ele é capaz de produzir enquanto main-eventer e é uma pena que a WWE não o trate com o respeito e reconhecimento que ele merece. Isto já são contas de outro rosário, prometo que este assunto será abordado, com todo o gosto, numa futura edição da Long Horn Peep Show comemorativa do regresso do Captain Charisma.

Para concluir, mas então para que servem os títulos? Simples: puro reconhecimento pelo trabalho realizado. O título deverá ser unicamente a forma de “agradecimento”, if you will, ao wrestler pelo seu trabalho bem executado. Não deverá servir para encher o cartaz, muito menos não deverá servir para tornar um wrestler “credível” pela conquista desse título. Deverá servir para dar oportunidades para ver até que ponto um lutador tem capacidade para brilhar mais alto, como fica a cada dia mais explícito com Wade Barrett, o nosso Intercontinental Champion que já grita main-eventer há demasiado tempo para eu não me começar a preocupar com a demora.

Pelo menos, é esta a minha visão de wrestling, é este o meu Mundo. E no meu Mundo, eu Reino. Conto convosco para de hoje a oito?

Sobre o Autor

- Já escrevi no espaço “Long Horn Peep Show”. Atualmente publico notícias, sou moderador do chat e ajudo no que puder o WPT a ficar cada vez melhor.

9 Comentários

  1. FranciscoAP - há 4 anos

    Relativamente à Streak do Taker, gosto de ver que há alguém que concorda comigo em que é um exagero a sua duração e, ainda mais, o facto de ainda não ter acabado. Não faço ideia quais são os planos da WWE, mas para mim só tem sentido acabar a Streak, não acho que tenha sentido quererem ter esse “fantasma” para sempre na companhia. A questão é que quem acabar com ela, se alguma vez acabar, vai ter o maior “push” que vamos ver na história do wrestling. Afinal vai pôr fim ao maior título que existe, tal como disseste. A existir uma nova cara da empresa, essa vai ser quem acabar com a Streak. Arrisco-me a dizer que podemos muito bem começar a olhar para os nossos amigos da SHIELD. Mas isto só vendo o que o resto do ano nos trouxer

    De resto, concordo contigo que um título deve ser um reconhecimento e não um caminho fácil para credibilizar um lutador. Não concordo tanto em relação ao Barret, acho que é bastante bom no ringue mas acaba aí. Não vejo mais nada de especial nele, por isso acho que ainda tem de evoluir na sua personagem antes de pensarmos no main-event. Também sou um enorme fã do Christian por isso espero que esse artigo venha o quanto antes, até porque pelos vistos iria significar que tínhamos de volta o nosso Captain Charisma.

  2. Rubinho16@ - há 4 anos

    És rei! Excelente artigo, parabéns! “Quem fala assim não é gago!”

  3. gonga555 - há 4 anos

    Excelente artigo!
    Realmente é incrível como o William Regal não foi wwe champion ou whc.
    O Long Horn Peep Show é um dos melhores artigos semanais do site se calhar até o melhor

  4. MicaelDuarte - há 4 anos

    Grande artigo, sim senhor!

    É bom saber que não sou o único que não está contra a quebra da Streak! Se a Streak se mantiver até ao fim dos dias do Taker enquanto lutador, não me incomoda nada, porque Undertaker é Undertaker.

    Mas como disse inicialmente, o fim da Streak poderia ser o ponto de partida para algo novo, algo que se criasse devido ao homem que tinha terminado a Streak. Por outro lado, tal como o FranciscoAP já referiu, quem fosse o escolhido, o felizardo para terminar a Streak, receberia sem sombra de dúvida, o maior push à face da Terra e isso seria um dos maiores riscos que a WWE correria desde a sua existência! Para que se possa criar algo novo como disse, teria que ser alguém jovem, alguém tipo Dean Ambrose (sim, sou um grande fã dele!)

    No lugar da WWE, não sei se estaria disposto a correr tal risco, ora vejamos: Aposto num jovem que me demonstra ter capacidade de fazer todos acreditarem que é ele quem terminará a Streak, ele fá-lo e depois comete alguma asneira (das graves) e sai da WWE, revelando-se não ser alguém merecedor de tamanho destaque. (Não esquecer que quem terminasse a Streak, tornar-se-ia, automaticamente, numa lenda!)

    E é aí que quando olho para trás e vejo que wrestlers como Triple H, Shawn Michaels, Randy Orton, Punk (muito recentemente), Edge e Kane que não terminaram a Streak, quem mais poderia ter esse privilégio, assim sendo? Pois…

    Quanto ao resto do artigo:

    Sou contra esta ideia da personalização de um título, seja ele qual for, consoante o campeão. O US Title quando mudou de desing ficou ridículo, já quando o Cena mudou o WWE Title não desgostei por completo (na minha opinião o antigo do Cena era bem melhor que este que temos agora…). O que mais gostei foi o que esteve em posse do JBL, porque tinha um “ar” mais sério e não parecia um brinquedo.

    Sei que é das coisas mais improváveis de acontecer, mas gostava de ver o Christian ter um bom reinado como WWE Champion, ele merece-o!

  5. danielLP21 - há 4 anos

    A “streak” deve ser eterna. É esse o legado do Undertaker.

  6. Evandro Monari - há 4 anos

    Artigo espetacular, mas mesmo sabendo que o Undertaker não precisa da streak para ser uma lenda, não gostaria de velâ acabar.

  7. Fillipe - há 4 anos

    Pra mim a Streak nao tem que acabar, na minha opinião ao lado de HBK o Taker foi o maior nome da WWE… sem duvidas nenhuma… ele era pra ter muito mais titulos, eu acho que pelo tempo que ele esteve na WWE e por tudo que ele fez ele deveria ter muito mais titulos (digo o mesmo pro HBK)

    E sem duvidas quando se fala no Taker se vem logo na cabeça… streak… logo que ele sempre sera uma lenda mas co ma streak sera muito mais… se ele nao perdeu para Kane, HBK, HHH, Punk, etc… nao deve perder pra mim ninguem… é só isso que eu acho, e a WWE nao ira dar um push desses em nenhum novato, concerteza só tem uma pessoa que pode quebrar essa streak… CENA… nao vejo outro wrestler que a WWE confie em quebrar a streak…

  8. Anti Illuminati - há 4 anos

    “Eu vivo como adepto de wrestling. Eu vivo como fã que deseja vibrar com todos os combates e de ficar maravilhado com o espetáculo que está a ver. Não gosto de saber quem vai ganhar antes e durante os combates. Gosto de ser surpreendido. Gosto de entradas vistosas. E, acima de tudo, adoro emoção.”

    Faço da sua, a minha palavra.

  9. TAKER - há 4 anos

    Excelente artigo,mas permite-me discordar do conteúdo:
    -para mim a streak está no top10 das melhores ideias de sempre da WWE:além de ser uma imagem de marca que é importante o maior de todos os palcos ter(como foi em tempos o Money In The Bank)acabar?NUNCA?sou a favor de um John Cena vs Taker na WM30 mas teria que ser o melhor combate de todos os tempos com dois dos melhore de sempre(concordo com o HBK apesar de nao o ter visto tanto)
    -nao gosto muito do Christian,simplesmente não sou fã,prefiro mil vezes o Y2J
    -concordo inteiramente com o Barret mas tambem sei que existe alguem chamado Cody Rhodes que tambem ja merecia um main-event há muito

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