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Long Horn Peep Show #16 – Paul Hunter McMahon

Do oito ao oitenta. Nestas últimas semanas tenho ouvido e lido comentários bastantes elogiosos ao produto da WWE, comentários com os quais não concordo de todo pelos motivos previamente enunciados em edições anteriores deste espaço. Porém, esta semana tenho de dar o braço a torcer e de que maneira!

Diga-se, é com todo o agrado que o faço. Necessitava-se de algo que realmente cativasse os espetadores, algo que chamasse a atenção, algo que proporcionasse uma lufada de ar fresco no ambiente incomodamente monótono que se fazia sentir. Para tal, nada melhor do que introduzir sangue novo que ajude a renovar o plantel certo?

Errado. Foi exatamente o explorar de uma rivalidade que se pensava extinta que acabou por constituir uma melhoria no panorama atual da WWE. Rivalidade que se pensava ter-se tornado numa ligação familiar tão forte que obrigou Triple H a sair da sua “retirada” e voltar à ação para vingar o ataque de Brock Lesnar ao estimado pai da sua imponente mulher, ao avô dos seus filhos, também conhecido por Chairman of the Board, Vincent Kennedy McMahon.

Algo que não correu bem à primeira e que obrigou a uma nova tentativa no Grandest Stage of them all, sendo esta rivalidade terminada com a vitória da “besta” sobre Triple H. Rivalidade que nos proporcionou dois bons combates e que serviu os interesses da companhia, bem como aparentava servir a rivalidade de Hunter com Curtis Axel, embora por motivos claramente diferentes.

Contudo, ninguém diria que uma das soluções para contornar a monotonia seria o renovar de uma rivalidade entre Paul Levesque e Vince McMahon. Desta feita com uma luta pelo poder da WWE (COO vs Chairman), baseada em averiguar quais dos dois manda mais na companhia, ou seja, basicamente quem canta de galo mais alto. Embora simples, vulgar e conhecida, esta rivalidade está já a constituir uma fonte de energia que vem na altura ideal, exponenciada e escalada pela presença constante do elo de ligação que é Stephanie McMahon.

A química entre ambos é enorme e tal ficou óbvio no promo muito conseguido que realizaram supostamente para fazer as pazes e que acabou em nova discussão, acalmada por Stephanie com um abraço de grupo (aprende Bryan). Obviamente que, não se espera outra coisa, esta rivalidade vai continuar a ser explorada ao longo das próximas semanas e começam a surgir rumores quanto à longevidade da mesma.

Esta rivalidade poderá culminar com um confronto entre a Team Helmsley e a Team McMahon a ter lugar na próxima edição da Survivor Series, com Stephanie de coração dividido. Team Helmsley ou Team Levesque? Não interessa, nem a mulher dele lhe sabe o que chamar, ora “anda cá Paul”, ora “ouve-me Hunter”. Creio que todos concordam num clássico Team McMahon contra Team McMahon. Sim, ele para todos os efeitos faz parte da família…

O mais curioso é que prevejo que o vencedor desta rivalidade, que a correr bem vai-se tornar numa guerra, não seja nenhum dos dois envolvidos. Prevejo ou se calhar é o meu coração a falar mais alto, tendo em conta que não é propriamente provável, mas gostaria que o vencedor dessa mesma rivalidade fosse Shane McMahon.

Não é segredo para ninguém o quanto Shane McMahon já foi rotulado como o próximo a assumir por inteiro as responsabilidades da companhia e talvez não exista melhor altura para tal do que esta. Vince McMahon não vai durar para sempre e Stephanie McMahon-Levesque (“rico” apelido) aparenta estar demasiado ocupada a ser Mãe (e ainda bem), por isso sobram duas opções lógicas para próximo WWE Chairman: Paul Levesque ou Shane McMahon. Aliás, o próprio Vince já o afirmou numa reunião que o seu sucessor será um dos três. Tendo em conta a situação de Stephanie… Parece-me sensato reduzir a escolha aos dois homens citados.

Entre os dois, acredito que Hunter nunca se vai conseguir afastar definitivamente do ringue, vai querer sempre estar perto de ação e vejo-o como mais provável “líder do balneário”. Por outras palavras, o homem responsável pela ligação entre direção e lutadores, o homem que iria acompanhar de perto o percurso e situação de cada wrestler e o homem que iria naturalmente controlar as storylines produzidas pela equipa de escritores.

Repito, talvez seja o meu desejo por mudança a falar mais alto, mas Shane McMahon parece-me ser o próximo Chairman of the Board e, tentando tomar uma posição imparcial, é a escolha que faz mais sentido. Primeiro de tudo, é filho do Pai (possibilitando direta continuidade ao legado da família). Segundo, tem desejo de mudança. Terceiro, tem paixão pelo trabalho. Quarto, é sem dúvida muito melhor gestor e com uma noção de “negócio” (por exemplo, financeiramente falando) muito mais desenvolvida do que Paul Levesque. Quinto, saberia melhor do que ninguém como manter a TNA a uma distância intocável (ou quem sabe, até tentar comprá-la). Sexto, não iria cometer erros crassos, partindo da experiência que certamente o seu Pai já lhe passou.

Isto seria o meu panorama ideal. Isto era o que desejava que acontecesse. Infelizmente, tudo aponta para que seja de facto Paul Levesque o homem que irá suceder a Vince McMahon, acompanhado (naturalmente) da sua mulher que, coitadinha, vai ter de arranjar uma nanny para cuidar dos filhotes. Porque é que tudo aponta para tal?

Por um lado, tanto Paul como Steph têm ambos planos, ambições e desejos relacionados tanto com as suas carreiras ligadas à WWE, como também com o que pretendem e acham o “ideal” para o futuro da companhia. Por outro lado, embora não duvide que não faltem planos de mudança a Shane McMahon, foi em 2009 que o filho de Vince se demitiu das suas funções da WWE para abraçar novos desafios na sua carreira, sendo agora o CEO e Chairman da YOU On Demand – a primeira plataforma de Pay-Per-View da China (suponho que transmitam os PPV’s da WWE).

Enquanto este afastamento de Shane se mantiver, a tocha vai passar de Vince McMahon para Paul Levesque (ou Triple H) e Stephanie McMahon, embora preferisse que a mesma passasse para Shane McMahon pelos motivos enunciados anteriormente.

Todavia, o tema de hoje não é a sucessão do Tio Vince, mas sim o renovar de uma rivalidade na WWE, que poderá ter grande sucesso caso seja efetivamente planeada com cabeça, tronco e membros. Algo que nos dias que correm parece ser uma novidade, tendo em conta a quantidade de vezes que os guiões são modificados e até alterados por completo, sendo definido o que fazer horas antes de o espetáculo começar. Não é assim que a WWE funciona…

A luz ao fundo do túnel aumenta quando se sabe que Vince McMahon insistiu em alguns aspetos da promo que realizou com Triple H (e não Paul Levesque, evitem esta confusão), como o facto de afirmar que Hunter era maior do que Curtis Axel. A surpresa surge no cuidado que Vince teve ao dizer, And I Quote:

“The kid is good. Don’t be wrong!”

Esta “ressalva” que Vince fez, pode parecer natural e com toda a lógica para o comum dos espetadores, mas é algo que me surpreende pela positiva quando relembro o historial de Vince em queimar wrestlers. O que evidencia o quanto empenhado Vince está em fazer esta história resultar, enquanto promove um dos talentos do futuro (e presente?) da companhia.

Curioso é verificar o quanto o promo também se adequa à passagem de testemunho do lugar mais importante da companhia, do topo da montanha e da passagem definitiva de Triple H para Paul Levesque (até parece que isto foi tudo foi dito intencionalmente…):

“You’re an icon, you’re a legend. But I want you to be more than that. More than that. I want you to be The Man!”

E se dúvidas existem quanto ao contexto em que estas palavras foram proferidas por Vince, o que vem a seguir deve clarificar qualquer dúvida:

“I want you to sit behind that desk (…) only with that pencil, with the eraser and by God you tell people to go to hell when they need to go to hell! You do the right thing every time! That’s what I want for you.”

Ladies and gentlemen, está encontrado o mais provável sucessor de Vince. Esperemos até lá que a rivalidade, aproveitando a presença de Stephanie, seja bem construída e divertida de acompanhar, com mais momentos para recordar como Vince ir embora com a campainha do ringue.

Independentemente do rumo das coisas e do sucesso (ou fracasso) da rivalidade, algo podem estar seguros: Paul Levesque, Hunter Hearst Helmsely ou McMahon, seja como lhe queiram chamar, este homem vai estar no centro de todos os acontecimentos da WWE nos próximos anos.

Saudações carismáticas…

Sobre o Autor

- Já escrevi no espaço “Long Horn Peep Show”. Atualmente publico notícias, sou moderador do chat e ajudo no que puder o WPT a ficar cada vez melhor.

4 Comentários

  1. Carlito - há 3 anos

    Não compreendo como ainda ninguém comentou o artigo, que mais uma vez foi excelente.

    Concordo em que o Shane devia ser o próximo “Chairman of the Board”, já que ele tem o poder financeiro e visionário que a WWE precisa. O Hunter podia encarregar-se de controlar as storylines escritas pela equipa criativa e também ocupar-se dos lutadores do NXT e de buscar pessoal das indys para o NXT, já que nas indys, há aí muita gente de talento e que podiam dar bons lutadores da WWE.

    • Ricardo Silva - há 3 anos

      “Não compreendo como ainda ninguém comentou o artigo, que mais uma vez foi excelente.”

      Nem eu! Nem eu… Thank You!

  2. therocker77 - há 3 anos

    grande artigo parabéns. sim esta rivalidade é uma lufada de ar fresco não pelos intervenientes mas sim pela história claro que os intervenientes são bons mas o que me está a cativar é mesmo a história e este rivalidade pode fazer regressar lutadores surpresa. sinceramente acho que o paul é o homem certo para o cargo tem feito coisas muito boas e parece-me ter um registo diferent do mcmahon porque o regresso do curtis foi mão do hhh e não do vince.
    mais uma vez bom artigo

  3. MR Perfection André Santos - há 3 anos

    Bom artigo Ricardo, vou ler mais vezes e comentar e fizeste bem em falar deste assunto.Parabéns!

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