Match of the Week #141 – Daniel Bryan vs Randy Orton

Avançando dez anos no tempo do último combate que apresentei no Match of the Week, chegamos ao main-event da Raw de 24 de junho de 2013, uma Street Fight disputada por Randy Orton e Daniel Bryan.

Voltei a relembrar este combate enquanto lia a biografia de Daniel Bryan – leitura que recomendo vivamente a qualquer fã – e, dadas as atuais circunstâncias da WWE e recentes incidentes, parece-me uma escolha pertinente.

A história que levou a este combate é bastante simples e algo se devem lembrar. As três horas semanais de Raw foram mais suportáveis em 2013 graças à presença de Daniel Bryan – primeiro como parte da equipa Hell No, mais tarde individualmente – e ao grupo The Shield.

Enquanto a equipa Hell No rivalizava com The Shield, os fãs deliciavam-se com excelentes combates semanais que ambas as equipas proporcionavam juntas. As constantes vitórias de The Shield causaram instabilidade na equipa Hell No, levando Daniel Bryan a começar uma cruzada para provar que não era o elo mais fraco da equipa.

A sua paranoia e obsessão não tornaram apenas a sua personagem mais interessante, como aumentou a emoção envolvida nos seus combates. Daniel Bryan tinha algo a provar e Randy Orton era a ferramenta perfeita para o fazer.

No dia 17 de junho de 2013, Randy Orton e Daniel Bryan enfrentaram-se num combate individual que terminou de forma alarmante. Daniel Bryan, que estava agendado para vencer o combate, bateu com a cabeça e o ombro na barreira de segurança. Esta queda causou-lhe dores no braço, algo que este escolheu ignorar.

Minutos mais tarde, este fez um dropkick a partir da corda principal e, quando aterrou, deixou de sentir os dois braços. Enquanto recuperou rapidamente a força no lado esquerdo do corpo, o lado direito continuou dormente. Não só isso, como Bryan simplesmente não se conseguia levantar.

Eventualmente, este conseguiu levantar-se e tentou continuar a lutar, mesmo não tendo força no braço direito. Foi então que a WWE interveio. Os médicos tentaram avaliar Daniel Bryan, tarefa que Bryan não facilitou, e Triple H deu ordem para o combate parar imediatamente.

Tal como muitos lutadores, também Daniel Bryan coloca o objetivo de terminar o combate à frente do seu bem-estar físico. É uma mentalidade que ainda domina a indústria. Mais recentemente vimos um exemplo disso. Sting, no Night of Champions, sofreu uma lesão séria e, embora tenham apressado o fim do combate, este fez questão do terminar.

Há anos atrás, Undertaker sofreu um traumatismo durante o combate com Brock Lesnar na Wrestlemania XXX e continuou o combate até ao fim.

Não só era o seu orgulho de Bryan como lutador e a crença de que estava bem – mesmo quando não estava – que motivou a sua teimosia. Este tinha noção que o combate em questão representava a maior vitória da sua carreira, na WWE, até à data. Era uma oportunidade que, compreensivelmente, este não queria perder.

Por isso, o tipicamente calmo e descontraído Daniel Bryan perdeu as estribeiras e desentendeu-se com Triple H nos bastidores. Ambos gritaram um com outro e ambos foram separados pelos restantes membros do roster.

Eventualmente, os ânimos acalmaram, pedidos de desculpa foram trocados e o combate voltou a ser realizado na semana seguinte.

Quando se repetiu, não só tinha toda a emoção que Bryan tinha acumulado ao longo das últimas semanas com a sua vontade de provar que não era o elo mais fraco, como agora tinha o drama deste ter sofrido uma lesão que tinha causado o fim abrupto do combate anterior.

Não só os detalhes do desentendimento com Triple H se tornaram notícia rapidamente através de vários sites, como a própria WWE reconheceu o incidente e usou-o nas suas histórias. Ultimamente, todos estes fatores contribuíram para tornar Daniel Bryan num herói ainda maior.

O combate foi, na minha opinião, o melhor que tiveram juntos, pois não ficou manchado por interferências, desqualificações ou contagens rápidas. Tinha uma história real, recheada de emoção e garra, assim como teve consequências reais. Daniel Bryan procou o que tinha a provar e, por isso, subiu mais um degrau na escada do sucesso.

Demasiados combates não têm histórias interessantes ou consequências reais.

Mais do que isso, este foi exatamente o tipo de combate e vitória que Daniel Bryan precisava naquela altura da sua carreira. É um dos poucos exemplos de excelente timing que a WWE teve ao longo dos últimos anos.

Foi a maior vitória que Daniel Bryan tinha tido até à data e toda a emoção da história que estava a ser contada, assim como a lesão da semana anterior, tornaram o momento ainda maior e mais especial. Este foi um dos momentos que contribuiu para a consolidação de Daniel Bryan como main-eventer legítimo, por isso, um mês mais tarde, este era escolhido pelos fãs da WWE para enfrentar John Cena pelo Título no Summerslam.

Numa altura em que não existem heróis empolgantes na Raw, como Daniel Bryan era em 2013, e que a mentalidade de terminar um combate a qualquer custo é novamente colocada em questão, parecia-me que não havia melhor combate para apresentar hoje.

Vejam/revejam e divirtam-se!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

3 Comentários

  1. Dan Lannister - há 1 ano

    Não sei como existem pessoas que não gostam do Bryan, ele é um wrestler espetácular!

  2. Vitor Oliveira - há 1 ano

    Excelente escolha, otima luta

  3. RFBM - há 1 ano

    Boa escolha, Salgado. Em 2013, ver o Raw tinha sempre aquele aliciante de ver o Bryan e os Shield.

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