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Opinião Feminina #150 – The Relentless Pursuit

Hoje é noite de Battleground. Hoje é noite de mais um pay-per-view da WWE. Hoje é a noite do segundo pay-per-view do segundo pay-per-view que a WWE irá realizar no espaço de seis semanas.

Três semanas depois de uma edição extremamente elogiosa a uma das histórias principais da WWE, envolvendo Daniel Bryan, Randy Orton e o grande vilão corporativo, Triple H, chegou a altura de voltar a revisitar o assunto. É curioso, pois ainda nem vinte e quatro horas completas tinham passado da publicação dessa mesma edição (Opinião Feminina #147- Keeping Hope Alive) e já estava a colocar em causa tudo o que tinha defendido num momento de pura confusão e revolta.

Foi esse o efeito do Night of Champions. Além de ter sido um pay-per-view desapontante a vários níveis, como discutido anteriormente, o final do main-event e a grande razão para assistir ao evento foi polémica e deu muito que falar.

A minha opinião inicial relativamente ao final mantém-se sensivelmente a mesma até hoje, apenas com a diferença de três semanas para melhorar ponderar e constatar os efeitos de tal decisão. O meu grande problema, tanto na altura como agora, com a forma como o combate pelo Tìtulo da WWE terminou, o que levou à vitória de Daniel Bryan e a um curtíssimo reinado.

Primeiro que tudo, é uma situação complicada de julgar e, tal como afirmei na edição passada, também não é fácil quando existe uma variedade enorme de outras opiniões para ler que nem sempre são positivas, o que acaba por jogar com os receios de uma fã que apenas quer ver a história resultar.

Por um lado, o final fez todo o sentido e foi apenas mais uma manobra fenomenal da parte da WWE para manipular a audiência a fazer o que pretendem. Foi inteligente. Os fãs tiveram a oportunidade de festejar uma vitória de Bryan, sem que nada mudasse significantemente e a jornada em direcção ao topo continuasse, não só na noite seguinte, mas no pay-per-view seguinte.

Não só foi uma manobra que confirmou a posição de Triple H como vilão manipulador – embora tenha comportamentos ambíguos com Paul Heyman – como deu a Daniel Bryan uma forma de ter uma vitória, ao mesmo tempo que se provava incontestavelmente que este merecia ser campeão.

Este venceu Randy Orton. O seu adversário nem levantou os ombros, como é costume ver lutadores a fazerem em situações de contagem rápida. Daniel Bryan tinha vencido Randy Orton e merece ser o campeão, apenas foi tramado de uma forma que o iliba de perder qualquer credibilidade.  Desta forma, a WWE consegue adiar a verdadeira derrota do grande vilão, visto que não só era demasiado cedo para acontecer, como não era o local adequado.

Tal como afirmei em edições anteriores, Daniel Bryan precisa de obstáculos. Precisa de sofrer e, dessa forma, fazer sofrer os fãs. É isso que torna a jornada em direcção ao topo verdadeiramente memorável, assim como as vitórias mais celebradas e memoráveis.

Estes obstáculos por vezes apresentam-se na forma de provocações puras. A WWE deu o Título a Daniel Bryan, mas todos – ou quase todos – sabíamos que não ia durar. Notou-se que a audiência presente no Night of Champions esperava que algo acontecesse, pois eram bom demais para ser verdade. Era uma situação suspeita.

E, na noite seguinte, a provocação feita pela WWE confirmou-se quando o Título foi tirado a Bryan. A satisfação nunca é verdadeira. A sede nunca é saciada. Os fãs sentem um breve alívio que rapidamente lhes é roubado. E dessa forma, começa tudo outra vez. A vontade de querer ver Bryan singrar regressa em força e a raiva para com os vilões em questão aumenta.

É assim que as histórias conseguem prender os fãs. Sem estas provocações e falsas vitórias, os fãs teriam o que querem mais rapidamente, o que iria apressar o fim das histórias. Mudanças de Títulos seriam mais frequentes, o ritmo seria alucinante e as personagens iriam ficar gastas mais depressa.

Por outras palavras, os fãs iriam tornar-se eventualmente indiferentes aos acontecimentos da WWE e, por consequente, desinteressados. Não é ao dar-lhes a felicidade imediata que a WWE os conquista.

Estas manipulações e provocações são a base da dinâmica entre vilões e heróis e sem verdadeiramente essenciais para a fórmula ser bem sucedida. Se os fãs não se sentirem incentivados a sofrerem e investirem-se emocionalmente nas personagens apresentadas, então a história (e as personagens em questão) são um falhanço à partida. É desta forma que se criam histórias lendárias e personagens míticas. É desta forma que se faz Wrestling.

Porém, tal como tenho vindo a frisar ao longo desta explicação, tudo isto é apenas teoria que não tem 100% de eficácia garantida. Já assistimos várias vezes a situações aparentemente perfeitas que tinham tudo para resultar e, por acaso, não resultaram. E, além de recear que não tenha resultado da forma pretendida, existe também a dúvida da decisão ter sido ou não a correcta.

O objectivo da história em questão e um dos aspectos principais na compra destes pay-per-views (Summerslam, Night of Champions e Battleground) é o grande momento de Daniel Bryan. A não ser, claro, que tenha, por completo, interpretado mal esta história e o objectivo de tornar Daniel Bryan numa estrela, embora existam sinais óbvios de tal ao longo das últimas semanas.

Enfim, o grande prémio é, sem dúvida, o momento de Daniel Bryan. O momento em que este consegue, finalmente, derrotar os vilões, passar todos os obstáculos apresentados até ao momento, e dar aos fãs um verdadeiro momento de celebração, sem receios de que quaisquer manhas o interrompam e arruinem.

O investimento dos fãs, emocional e financeiro, é dependente dessa celebração. Os fãs não irão comprar os pay-per-views caso caso não acreditem de todo na possibilidade dessa celebração e não irão investir-se emocionalmente se acharem que não vale a pena. Se acharem que é um puro desperdício.

Logo após o Night of Champions terminar fiquei extremamente revoltada com a decisão da WWE, pois receei que a criação do falso momento de Bryan fosse desmotivar os fãs e desvalorizar o verdadeiro momento que todos esperam. Achei, e ainda receio, que usar novamente este momento para depois não valer absolutamente nada seria correr um risco desnecessário.

Situação semelhante já tinha acontecido no Summerslam e embora dessa vez tenha sido extremamente inteligente, sem qualquer margem para dúvidas, o problema é que uso deste momento novamente pode provocar a desmotivação dos fãs que, devido a tal, já não compram o próximo evento, pois o que lhes garante que Bryan não será eternamente tramado? O que lhes garante que o seu investimento vale a pena?

Em teoria – tal como explicado no início – tal situação tem todos os motivos para incentivar mais o apoio dos fãs e o mesmo não tem dado sinais de fraquejar nas semanas seguintes, contudo também não haveria forma de ver o contrário. O público já há muito tempo que reage bem a Daniel Bryan e tal não significa obrigatoriamente que irão todos comprar o próximo evento. Portanto, a grande prova de fogo será o Hell in a Cell, onde se assume logicamente que Bryan vença.

Ora, outra das “regras” da indústria do Wrestling dita que eventualmente o herói tenha a sua vitória. E se resultou tantas vezes no passado, porque não haveria de resultar agora?

Porque esta Era é diferente de todas as outras que a WWE já passou. E, na situação actual, até quando é que a WWE poderá continuar a arrastar esta situação e ao mesmo tempo exigir aos fãs que paguem para 50 ou 60 dólares a cada três semanas que nem garantia possuem que poderá acontecer verdadeiramente?

Poderá a WWE pedir paciência e dedicação a uma audiência que está exposta a uma quantidade absurda de programação que nem sempre lhes dá as garantias que precisam para fazer essa aposta? Caso a WWE tivesse feito um bom trabalho a convencer os fãs que uma vitória de Bryan seria perfeitamente possível no Night of Champions, a hesitação dos fãs na celebração não teria sido tão notória, pois como foi referido, todos esperavam o momento em os vilões arruinariam a situação.

Ora, não só receio que a WWE tenha falhado novamente em convencer os fãs de que alguma coisa significante poderá acontecer no Battleground, como falhou redondamente em convencer que o evento irá ser especial por alguma razão.

A colocação de um pay-per-view extra em Outubro nunca fez muito sentido, sendo que já há alguns anos que complica as histórias da altura. Simplesmente não se justifica existirem três pay-per-views num espaço de seis semanas, pois não só não dá tempo às histórias para evoluírem, como baixas vendas são garantidas em pelo menos num deles.

Tudo isto a acrescentar às dúvidas existentes entre vários fãs pagantes é a fórmula perfeita que irá garantir um grande desastre das vendas do evento e de forma compreensível. Contudo, embora possa ser um desastre comparado com o que a WWE normalmente costuma lucrar, facto é que ainda será lucro, pois caso contrário este pay-per-view extra em Outubro já teria deixado de existir.

Tal situação faz com que vários fãs receiem que a WWE culpe uma situação da responsabilidade da companhia na capacidade de Daniel Bryan como main-eventer. Não seria a primeira vez que se dizia que a WWE faria tal coisa e, caso acontecesse, seria absolutamente injusto, pois esta foi uma situação que a própria companhia causou.

Dadas as circunstâncias que fui descrevendo ao longo desta edição, quem pode dizer o contrário? A falta de tempo para desenvolver as histórias e alterá-las o suficiente para justificarem o preço do evento é fatal e não se pode esperar que os fãs se deixem convencer apenas pela inclusão de Brie Bella na história. Especialmente quando é mais que óbvio que tal foi feito devido à existência do Total Divas e da necessidade de justificar um evento insignificante como o Battleground.

Já aconteceu em eventos com pouco ou nada a acrescentar em relação aos anteriores, a WWE preparar uma surpresa, de forma a destacar o evento. Não ponho de parte que tal aconteça, mas não vejo como poderá acontecer no combate pelo Título da WWE.

O que, por outro lado, vejo acontecer é uma aparição de Brie Bella para justificar o seu recente envolvimento na história, provavelmente irá ser usada como uma distracção contra Bryan, de forma a justificar a derrota pelo Título. A meu ver, não Bryan a sair do Battleground com o Título, visto que o Hell in a Cell é já daqui a três semanas e, do ponto de vista lógico, faz mais sentido que o herói tenha a sua vingança lá e grande momento lá. Sendo por isso que considero o Hell in a Cell o verdadeiro teste para ver com que grau de sucesso é que a WWE conseguirá convencer os fãs a investir no momento de Bryan, tal como referi acima.

Depois de tantas confusões, possíveis interferências e finais confusos, apenas faz sentido que o último capítulo desta saga termine dentro de uma cela onde, supostamente, os lutadores apenas dependem de si. E, quando chegar essa altura, a meu ver, a WWE deverá colocar mais destaque na forma como Bryan tinha Orton derrotado no Night of Champions, mas foi tramado, caso queira que os fãs acreditem que de facto existe uma hipótese legítima de Bryan vencer e ter o seu grande momento.

O Battleground é um caso perdido devido à péssima altura em que se realiza e os resultados serão esperados, mas para o Hell in a Cell não devem existir desculpas e terá que ser o fim derradeiro deste capítulo com Randy Orton. Digo Randy Orton, pois não vejo a história com Triple H acabar tão cedo, mas depois será altura para novos obstáculos.

Enfim, na busca incansável pelo momento perfeito, os fãs do herói já sofreram e acredito que hoje irão sofrer um pouco mais. Contudo, se tudo correr bem, já se avista o fim. Não o fim definitivo, mas o fim temporário. Da minha parte é tudo, não se esqueçam de apostar na League e divirtam-se o mais que puderem com o Battleground! Até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

8 Comentários

  1. franckcarrazedo05 - há 3 anos

    Grande artigo adorei
    Eu penso que hoje o bryan ganha para perder no hel in amcell dentro da jaula

  2. Tibraco - há 3 anos

    Excelente edição Marta :)

    Os acontecimentos do Night of Champions fizeram-me perder uma parte do interesse nesta história. A tua argumentação em “defesa” desta situação faz todo o sentido mas acho que se tivessem seguido o “caminho tradicional” tinham colhido mais frutos. A controvérsia nem sempre é a melhor opção.

    O exagero de PPV’s é uma realidade e, como é óbvio, só os responsáveis da WWE poderiam explicar o porquê. Evidentemente está relacionado com os aspetos financeiros e nós, fãs, não podemos ser ingénuos ao ponto de considerar esses mesmos aspetos irrelevantes. No fundo fazem parte do jogo.

    Sobre logo à noite… Estou muito divido mas tendo a acreditar, ao contrário de ti, que de uma maneira ou de outra o Bryan sai de lá campeão.

  3. danielLP21 - há 3 anos

    Excelente artigo.

    Realmente, o número de PPV’s neste espaço de tempo é absurdo. O Battleground é um evento completamente desnecessário numa altura em que não há “Brand Split” e em que as duas “brands” não têm os seus PPV’s exclusivos.

    No entanto, não estou assim tão pessimista em relação à noite de hoje. Julgo que este PPV pode surpreender muita gente ( pela positiva). O “card” não é nada de outro mundo, mas também não é mau. Acho que pode vir a ser melhor que o anterior.

    No que ao “main-event” diz respeito, não faço a mínima ideia do que pode vir a acontecer. Não me admirava nada que o título continuasse vago…

    Outra coisa que me deixa confuso é: se o Orton vence hoje, dão-lhe outro reinado de 3 semanas? É que eu duvido que o Bryan saia hoje como campeão do Battleground, logo, não estou assim tão certo de que ele vence no HIAC.

    O que me deixa mais pessimista é a possibilidade de termos a Brie Bella e/ou o Big Show a interferirem no combate. Isso sim, seria terrível.

    Salgado, por fim, deixa-me fazer-te uma pergunta: não percebi qual a tua aposta para hoje. Quem é que achas que vai ganhar? ( espero que chegues a ler isto antes do PPV lol)

  4. akujy - há 3 anos

    Nao, nao. Desculpa mas nao. Sou grande apreciador deste espaço, e da tua escrita, cm toda a gente sabe, ms n gostei. Passaste o artigo inteiro a chover no molhado e a fazer conjecturas a +. Alias, ja ha varias semanas q vens batendo sempre no msm tema e esta semana, pela 1a vez, senti-m exausto ao ler sobre isto…again. O artigo é proporcional ao ppv q discute, ou seja, um filler.

    You have been Pipe Bombed. You’re Welcome.

    • Tiago Correia - há 3 anos

      Não, não. Desculpa mas não. Se fores ver os temas dos últimos OF’s vais verificar que não é sempre sobre este tema. Existem criticas construtivas, destrutivas e depois existem estas.

    • joaop - há 3 anos

      Essa tua catch phrase e tao ridicula… credo… se deres uma bufa tbm e uma pimp bomb?

  5. MicaelDuarte - há 3 anos

    Fazes excelentes artigos Salgado (e este não foi excepção) mas, nalguns momentos, senti que estava a ler um “recap” de outras edições anteriores em que tocaste neste assunto. Bem sei que esta altura do ano para a WWE é uma altura mais “morna”, em que a WWE apresenta um produto de qualidade média, sendo que apenas temos esta “storyline” do Regime e a do Punk/Heyman, mas não necessitas de estar a pegar sempre no mesmo tema quando apenas vais limar algumas arestas ao que relataste anteriormente noutras edições. Como referi anteriormente, não está em causa a qualidade do artigo, mas sim o facto de tocares no mesmo assunto quando pouco vais acrescentar, o que torna a leitura mais aborrecida para quem é um leitor assíduo do teu trabalho. É a minha opinião e vale aquilo que vale.

    (Passando para o conteúdo do artigo):

    Eu também já estou farto de dizer que, apesar de hoje não me parecer que a decisão foi tão grave quanto na altura pareceu, o Bryan não deveria ter ganho o título no Night Of Champions. Hoje, teríamos um Randy Orton como Campeão da WWE e não teríamos o título máximo da empresa a trocar de mãos em mãos, de poucas em poucas semanas. Depois, temos um intervalo mínimo entre PPV’s que é um absurdo, sendo que se realizam três PPV muito pouco tempo, sendo que isso também não é nada bom. Sinceramente, acho que a WWE com tanta troca de título e à procura de tanta controvérsia acabou por se “sufocar” sem dar por isso…

  6. Miguel Carlos - há 3 anos

    Dos melhores artigos que já li. Uma visão fabulosa da WWE, que nunca me teria passado pela cabeça se não lesse todas as semanas este espaço. Eu fico sem nada para comentar…

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