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Opinião Feminina #159 – Harsh Reality

Depois de uma edição a elogiar e a apreciar a benção que a Divisão de Tag Team tem sido na WWE durante os últimos meses, julgo que está na altura de voltar à realidade mais dura e, em parte, incerta. Recentemente foi debatido neste espaço situação actual de Big E Langston e a possibilidade deste se tornar campeão Intercontinental.

Ora, na altura afirmei que julgava ser demasiado cedo e que este precisava de se tornar mais popular para que os fãs de facto o quisessem ver ganhar o Título, mais do que quererem ver Curtis Axel perder. Acreditava – e ainda acredito – que os lutadores apenas devem vencer Títulos quando os fãs, de facto, aceitam e apoiam as suas personagens , seja como heróis ou vilões.

Atribuir um Título a um lutador na esperança que tal o torne popular não é uma estratégia inteligente e muito raramente resulta, especialmente nos dias que correm, quando os Títulos estão mais desvalorizados que nunca.

Por obra do destino, Big E Langston tornou-se campeão exactamente no dia a seguir a essa edição ter sido publicada.

Os fãs, de facto, reagiram positivamente à sua vitória, mas nada desde então me levou a entender que seria por estarem a celebrar a vitória de Langston, e não a derrota de Axel. O facto da audiência estar particularmente animada ao longo do evento também é um factor a ter em conta.

Os cânticos de que Axel foi alvo no Survivor Series, relativamente à sua suposta falta de capacidade dentro de ringue, confirmaram ainda mais os meus receios. Big E Langston possui alguma popularidade, mas nada que justificasse vencer o Título, quando pelos vistos, os fãs iriam apoiar qualquer pessoa que tirasse o Título a Curtis Axel.

Infelizmente para Axel, a sua situação piorou bastante nos últimos meses, com alguns fãs a acreditarem que este já atingiu um nível do qual não irá conseguir recuperar. Embora apresente uma enorme falta de carisma e capacidades verbais, a verdade é que depois do investimento dos primeiros meses não ter corrido como a WWE esperava, Axel tornou-se apenas mais um lutador de midcard a perder para grandes estrelas semanalmente – no seu caso, CM Punk.

Tal tratamento certamente não ajudou, mas neste caso, é absolutamente inegável que Axel também ficou bastante aquém das expectativas. Infelizmente, não sei até que ponto uma segunda alteração completa à sua personalidade poderá ajudar, se ajudar de todo.

De qualquer das formas, nem tudo é mau. O combate onde o Título trocou de mãos foi apresentado como se fosse algo importante e digno de atenção, o que se deveria tornar num hábito da companhia. O combate foi aceitável, sem impressionar bastante, enquanto o do Survivor Series foi apenas um pouco mais que um squash para Langston.

Embora não seja com esse tipo de performances que os fãs idealizam o começo de reinados, a verdade é que ainda estou algo insegura relativamente ao que esperar deste reinado, em particular. Os Títulos secundários dependem bastante da qualidade do campeão – em todos os campos, não apenas num, como Axel provou – e do investimento que a WWE possui no lutador em si.

Tal como defendi há algumas semanas, acredito que Langston possui potencial ainda para ser explorado e usado, mas questiono-me se tal será de facto verdade e se a WWE irá conseguir/querer tirar proveito desse mesmo potencial.

Caso Langston não apresente resultados imediatos, algo em que a WWE depende bastante as suas histórias, receio que – tal como aconteceu a Axel e até a Daniel Bryan – a WWE desista da aposta e Langston acabe por ser apenas mais um, da lista de muitos, que teve o Título Intercontinental, mas não significou nada.

Aliás, o facto de Big E Langston ter perdido para Del Rio, sem qualquer razão aparente, na semana anterior a vencer o Título, não é de todo um bom presságio para um reinado com um Título secundário que é conhecido por ver os seus detentores a perderem frequentemente para as estrelas do main-event.

Espero que o investimento da WWE seja sério ao ponto de mudar um pouco esta situação, mas não me arrisco a ficar demasiado esperançosa.

Durante um breve período de tempo a WWE sugeriu a possibilidade de Mark Henry e Big E Langston fazerem equipa, o que poderia possivelmente conduzir a uma rivalidade entre ambos.

Acredito que Langston beneficiasse de uma vitória contra Henry, especialmente se ambos apresentassem a química necessária para tornar o combate interessante, mas não sei até que ponto estaria interessada numa equipa formada por ambos, especialmente agora que Langston acabou de vencer o Título Intercontinental.

Tendo em conta o desapontante reinado de Dean Ambrose com o Título de Estados Unidos, devido ao seu trabalho de equipa com os The Shield, preferia que a situação não se repetisse com Big E Langston.

Todavia, tal como referi, a sugestão de uma possível equipa de Mark Henry e Big E Langston foi bastante breve e parece não constar dos planos, para já. Numa manobra algo surpreendente, a WWE apresentou dois outros talentos a lutarem pela oportunidade de enfrentarem o campeão Intercontinental, ao invés de recorrerem à velha estratégia onde o campeão precisa de perder sem o Título estar em jogo, para originar um combate pelo Título.

Foi uma ideia refrescante que finalmente justificou mais um combate entre Dolph Ziggler e Damien Sandow e lhe atribuiu mais credibilidade e seriedade que os combates de ambos das semanas anteriores.

Esses combates em particular, assim como o que ambos tiveram no Battleground, sofreram bastante das condições em que ambos os lutadores se encontram. Quando dois lutadores se encontram sem direcção e com a credibilidade arrasada devido a derrotas sucessivas que, na sua maioria, não tiveram qualquer razão de ser, é complicado para os fãs se investirem no combate.

Ambos foram desvalorizados demasiado, especialmente Dolph Ziggler. Há alguns meses, Dolph Ziggler teve o melhor momento da sua carreira, fazendo o cash-in ao som ensurdecedor de fãs extasiados com o acontecimento. É certo que o facto da audiência ser composta, na sua maioria, pelos fãs mais dedicados que tinham estado presentes na Wrestlemania, ajudou, mas é absolutamente inegável que Ziggler já era imensamente na altura e obtinha grandes ovações antes disso.

Tal momento poderia – e deveria – ter catapultado Dolph Ziggler para o topo e finalmente iniciado o processo oficial do tornar um main-eventer a sério. Contudo, como é normal na forma de agir da WWE, tal não foi o caso.

Ziggler lesionando-se, arrasando com bastante do seu ímpeto, mas a WWE pouco, ou nada, fez para impedir isto, mantendo o campeão afastado das câmaras durante semanas, arrasando por completo com todo o impacto do seu cash-in.

Quando regressou, Ziggler perdeu o Título na sua primeira defesa, numa situação que o poderia ter beneficiado, visto que era um double-turn e, embora fosse heel em teoria, Dolph Ziggler precisava de ser tratado como um babyface, pois é como este luta. Contudo, tal não levou a lado nenhum, pois apenas serviu para beneficiar Alberto Del Rio. Uma personagem, por sua vez, estagnada, gasta, em quem os fãs não acreditam e alguém que a WWE constantemente desperdiça oportunidades de credibilizar.

Poucos lutadores do roster actual trabalharam mais do que Dolph Ziggler trabalha para merecer uma oportunidade legítima. Uma oportunidade, onde a WWE legitimamente aposta nele como uma estrela. Este já é popular, os fãs já estão do seu lado, já estão dispostos a investir nele, portanto melhor situação que esta é impossível. Contudo, infelizmente, a WWE preferiu arrefecer tudo isto e tirar aos fãs qualquer esperança ou motivação relativamente ao futuro de Dolph Ziggler.

Mais uma vez, como temos vindo a assistir bastante recentemente, o investimento emocional dos fãs foi desrespeitado e humilhado.

Com Damien Sandow os fãs ainda tiveram a oportunidade de sonhar que mudança poderia ocorrer, depois da forma como foi valorizado após perder para John Cena, mas tal como receava e comentei há algumas semanas, não havia qualquer plano a longo prazo para Sandow e a mala de Money in the Bank acabou por ser usada para beneficiar apenas John Cena.

O que, como fã, acaba por custar mais é o esforço que ambos os lutadores (Dolph Ziggler e Damien Sandow) apresentam em ringue e ver o quão desesperadamente estes querem que os seus combates resultem e façam parte dos destaques da noite, mas ao mesmo tempo saber que é preciso que a WWE mude drasticamente a sua atitude para que tal aconteça.

Quando nem a companhia se a preocupa em atribuir-lhes uma séria razão para lutarem – à excepção da última edição da Raw – e trata o esforço destes como um segmento de comédia que não deve ser levado a sério, noção corroborada pelos próprios comentadores, acaba por tornar-se extremamente complicado fazer alguma coisa digna de destaque.

E este é um dos grandes defeitos da WWE. A indiferença que a WWE apresenta relativamente ao enorme talento e dedicação dos seus lutadores de midcard, especialmente numa fase da história da companhia onde a mesma se encontra a transbordar de talento e potencial, é extremamente frustrante de assistir.

Onde está a produtividade de desperdiçar dois talentos como Damien Sandow e Dolph Ziggler que, ao contrário de tantos outros que apenas fazem o mínimo, se dedicam e tentam maximizar todas as situações em que são colocados, mesmo quando estas não possuem qualquer salvação?

Tal como expliquei na semana passada, a divisão de Tag Team provou o quão essencial é que a WWE melhore o seu produto a todos os níveis, para que a qualidade de um evento não fique mais dependente da história principal (main-event) do que o estritamente necessário.

Pois, quando essa história principal termina em múltiplos finais inconclusivos que apenas contribuem para a frustração dos fãs, a última coisa que estes precisam é de ver mais talentos com enorme potencial a serem desperdiçados porque a WWE simplesmente não quer saber do que lhes acontece, pois quando apostaram neles as audiências, ou as vendas de pay-per-view, não subiram do dia para a noite. Ou porque nunca se deram ao trabalho de apostar neles devido a qualquer estigma, preconceito ou dificuldade em aproveitar o seu potencial.

Caso a unificação dos Títulos principais ocorra – algo que ainda não me convenceu – a WWE encontrar-se-á numa situação crucial onde melhorar o midcard tornar-se-á uma obrigação. Por muito desvalorizado que o Título World Heavyweight esteja, a verdade é que um Título a menos muitos fãs irão perder mais uma razão para se investirem no produto, pois agora as histórias principais estão reduzidas a apenas uma, com apenas um Título.

E se a mesma não os agradar, o que é que os irá aliciar a continuar a acompanhar o produto? Certamente não será o quase inexistente desenvolvimento de personagens e histórias de midcard ou o pobre tratamento de que os Títulos secundários são vítima.

Ora, o midcard da WWE nunca será a grande razão para as massas comprarem um pay-per-view, ou seja a boa gestão deste não iria alterar os valores de vendas e das audiências de forma repentina. Mas, com consistência e trabalho, as melhorias que a WWE poderia fazer ao midcard iriam tornar o produto, como um todo, muito mais interessante e variado, o que por sua vez iria inevitavelmente atrair mais fãs.

Porém, para tal acontecer, é preciso paciência e dedicação, algo que a WWE não usa com frequência, pois depende a sua forma de trabalhar bastante nos resultados imediatos, o que é absolutamente ridículo. Os fãs de Wrestling são criaturas de hábito. A história está repleta de exemplos que comprovam esta afirmação. É preciso uma mudança ser suficientemente drástica para que os resultados mudem instantâneamente, caso contrário o processo será longo e demorado.

Os fãs foram ensinados, durante muitos anos, sobre quais os pay-per-views que devem comprar, quais as estrelas em que a WWE aposta a sério e em que situações em que devem gastar o seu dinheiro. Não é de um dia para o outro que a WWE consegue convencê-los de algo novo, especialmente quando repetidamente arruinam todas as hipóteses de acrescentar uma novidade ao produto.

É complicado pedir aos fãs que acreditem na WWE e rapidamente invistam tudo o que têm numa personalidade, quando pouco no passado os leva a acreditar que a WWE não irá estragar tudo.

Todo este processo e ciclo vicioso é extremamente frustrante, pois impede que uma decisão significativa seja tomada. Enquanto isto ocorre, o midcard continua repleto de talentos que poderiam ter melhorado, e muito, a qualidade dos pay-per-views dos últimos meses, atenunando assim a insatisfação dos fãs para com a história principal. No entanto, como tal não é o caso, o midcard acaba por ser mais um aspecto maioritariamente negativo do produto apresentado pela WWE.

Dadas todas estas tristes evidências, é complicado para mim, como fã, ter alguma fé ou esperança no reinado de Big E Langston. Pessoalmente, acredito que Langston ainda tem potencial a ser explorado, mas não deposito muitas esperanças na capacidade da WWE o aproveitar. Resta acompanhar os novos desenvolvimentos e esperar pelo melhor. Enfim, da minha parte está tudo dito, desejo a todos uma excelente semana e até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

7 Comentários

  1. danielLP21 - há 3 anos

    Artigo muito bom. Disseste tudo. Não tenho nada a acrescentar, a não ser que não vejo assim tanto talento no Big E Langston como isso… Well, still better than Ryback.

  2. danilo'-' - há 3 anos

    O Artigo está muito bom mesmo, parabéns e eu também não tenho nada mesmo a acrescentar, eu não acredito em um bom reinado do Big E, consequentemente se eu acreditava que ele poderia se dar bem até mas dá o titulo a ele, não sei me pareceu cedo demais.

    Agora tu falou que dá um titulo a uma pessoa esperando que ele seja popular não resulta, ta ai, eu queria o Fandango campeão intercontinental ele já estava popular, tinha vencido o Jericho em uma Mania mas infelizmente ocorreu aquela lesão que o tirou do combate pelo titulo onde tinha o Miz e o Barret, por min tinhmos um bom Intercontinental champion, esse titulo com o Fandango se quisessem, dava um bom reinado mas agora pronts, foi uma pena a lesão dele justo quando ia se tornar o campeão.

    Mais uma vez parabéns pelo artigo.

  3. don_ricardo_corlone - há 3 anos

    Por acaso até acho que o Big E. Lagnston é mais popular do que dizes e que pode beneficiar com a parceria com o Mark Henry. A única coisa que ele precisa é de um finisher decente. Quanto ao bom reinado, os campeões intercontinentais começaram a ter reinados decentes depois da reunificação, pelo menos acredito nisso. Veremos como será.

  4. Bryan_YESYESYES - há 3 anos

    Belo artigo. Tudo que acontece e sempre aconteceu na WWE está dito aí.
    Vince McMahon devia ler um artigo desses e aprender como atrair mais fãs e não desperdiçar os talentos de sua companhia.

  5. MicaelDuarte - há 3 anos

    Excelente artigo Salgado.

  6. RuiFerreira222 - há 3 anos

    Porquê tão poucos comentários nos últimos “Opinião Feminina”? -.-

    Ótimo artigo Salgado!

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