Opinião Feminina #256 – Unlikely Stars Shine The Brightest

Muitos clássicos são protagonizados por pessoas que foram atraiçoadas, injustamente castigadas, vítimas de preconceito, descriminação ou maus tratos e que, mesmo assim, acabaram por ter a sua vingança. São as histórias dos desafortunados, pessoas que tiveram tudo contra si, que movem milhões, porque provam que, mesmo nas circunstâncias mais improváveis, há razão para ter esperança. Mesmo no meio da escuridão, é possível encontrar a luz.

São os heróis improváveis que mais tocam o coração das pessoas.

Atualmente, a WWE tem em Bayley a heroína mais improvável de todas. Há muito tempo que não se via alguém com tão poucas probabilidades de sucesso, se é que alguma vez existiu alguém em circunstâncias comparáveis. Nomes como Daniel Bryan e Sami Zayn são frequentemente associados a Bayley, pois os três deram origem, através de histórias semelhantes, a três dos momentos mais emocionantes de sempre da história da WWE. Todos num curto espaço de tempo.

Todavia, até Daniel Bryan e Sami Zayn têm uma vantagem sobre Bayley: o seu género. Embora sejam impostas limitações – até onde é que podem ir na WWE – a lutadores como Bryan e Zayn, essas limitações tornam-se bastante maiores quando falamos na Divisão de Divas.

Por muito repetitivo que esteja o booking da Divisão masculina e embora existam argumentos que defendem a falta de variedade de personagens, fato é que, na Divisão de Divas, não há variedade. De todo. Por muito diferente que uma Diva possa ser, na sua aparência ou comportamento, todas são retratadas da mesma forma.

Basta ver o que a WWE fez com Divas como AJ Lee e Paige. Ambas consideradas o antónimo do que personifica o significado que a WWE dá ao termo “Diva” e nada disso lhes valeu.

Em 2012, AJ Lee tornou-se a revelação do ano, atingindo níveis de popularidade absolutamente inesperados. Não o fez por ser uma esbelta loira como Trish Stratus, ou pelos seus incríveis combates. Conseguiu-o porque demonstrou ter mais personalidade que a esmagadora maioria das Divas que os fãs tinham visto ultimamente. Essa personalidade tornou as histórias em que estava envolvida divertidas de assistir, em vez de serem os típicos segmentos sofridos e embaraçadores.

Foi excelente. O seu sucesso e qualidade da história não são, de todo, problemas. O problema é que a fórmula usada é a única que a Divisão tem.

Na altura, AJ Lee era instável, emocionalmente, e encontrava-se envolvida com três lutadores. O seu comportamento chegou mesmo a ser comparado ao que Mickie James tinha tido anos antes. Um ano mais tarde, AJ fez uma promo onde arrasou com todas as Divas da Divisão.

Hoje em dia, a esmagadora maioria da Divisão de Divas continua definida pelas relações que têm com lutadores, tal como AJ tinha na altura. Seja de forma direta como Lana, Summer Rae ou Charlotte (a sua identidade resume-se a ser filha de Ric Flair), seja de forma indireta como Natalya, Brie Bella ou Nikki Bella. As últimas duas vêem suas relações com Daniel Bryan e John Cena a serem referidas e usadas como arma.

Quando rivalizou com Paige, ambas foram retratadas como desequilibradas e bipolares, sem nunca ser estabelecida quem era a heroína e quem era a vilã. A história foi uma confusão e algo que os fãs sempre quiseram ver tornou-se numa desilusão. Hoje em dia, Paige parece substituir AJ por completo, seja através de uma promo bastante semelhante, seja através dos seus comportamentos inconstantes.

Isto vem mostrar que por muito diferentes que certas Divas sejam, por muito potencial que tenham, todas acabam por ser, mais tarde ou mais cedo, emocionalmente desequilibradas, invejosas, manipuladoras, mesquinhas, fúteis, mimadas e simplesmente detestáveis. Por vezes entram no ramo do desequilíbrio mental, por vezes não.

É a isto que a Divisão acaba sempre por se resumir.

Por muito que a WWE apregoe mudança, a apresentação é a mesma e a identidade de cada Diva continua a ser definida pelos mesmos fatores e atributos. Simplesmente, não há qualquer diferenciação ou variedade.

Não há nada de errado em ter uma personagem ou duas retratadas desta forma. O problema é quando isto é a regra, não a exceção. Até as Divas mais bondosas acabam, eventualmente, por cair na mesma rotina ou terem nas mãos um guião tão mau que não conseguem, por muito que tentem, convencer os fãs do seu papel.

Um sinal da visão que a companhia tem da Divisão é o comportamento dos comentadores. Na Divisão masculina, traições ocorrem a toda a hora, parceiros abandonam parceiros em combates de equipas, mas é só na Divisão de Divas que clichés misóginos como “Todas as mulheres se odeiam” ou “Nunca conheci uma mulher que tivesse uma amiga de quem gostasse” se ouvem frequentemente.

Ou então, podemos usar como exemplo o comportamento de Miz, sempre que as recebe no Miz TV. A Miz dou algum desconto, dada a própria personagem que este está a representar, mas o problema é que ele tem razão nas avaliações que faz.

É um enorme problema quando, num segmento envolvendo Divas com diferentes tipos de caráter, Miz as coloca no mesmo saco, as insulta e os fãs acabam por apoiá-lo, pois acham que este tem razão. E tem!

Não há ninguém, em televisão, que trate esta Divisão como um grupo de pessoas capazes de criar qualquer coisa que valha a pena. São apenas ruído de fundo ou pura estratégia de marketing.

Essa é a razão pela qual Bayley tem uma probabilidade ínfima de ter sucesso. No entanto, o NXT provou que, caso Bayley falhe, a culpa é única e exclusivamente da WWE. Não será dos fãs e não será de Bayley. Esta vai ser, simplesmente, o maior teste que a WWE terá de superar, se quiser um dia dizer que começou uma Revolução na sua Divisão.

Quem é Bayley?

É um dos raros exemplos que a WWE tem de um verdadeiro herói. Os fãs conhecem as suas motivações e a sua história. Como personagem consistente, esta é fiel ao que os fãs sabem. Não é uma heroína, porque os comentadores assim o dizem ou porque, naquele dia, está a lutar contra vilões.

Mais do que isso, esta não finge estar em desvantagem, como John Cena frequentemente o faz. Esta sofre e sofre bastante. Nem sempre é a mais talentosa que está em ringue, perde bastantes vezes e é traída frequentemente. Até atingir o seu grande momento de glória, Bayley ultrapassou obstáculo atrás de obstáculo. As suas dificuldades não eram fingidas. Eram reais.

Tão reais como a sua entrega à sua personagem. A sua ingenuidade não soava a falso e a doçura era real. As suas reações a todas as traições que sofria, a todos os momentos em que era gozada, a todos os combates que perdia, a todas as vezes que ouvia que nunca iria ser campeã eram perfeitas e partiam o coração dos fãs.

Sempre que era traída, suscitava pena. Sempre que era ingénua, acordava o nosso lado mais protetor. Mesmo sendo o público-alvo de Bayley mais novo do que o típico fã que assiste ao NXT, esta é uma personagem bastante fácil de apoiar.

Pessoalmente, nunca acreditei  que Bayley chegasse ao topo e fosse levada a sério, mesmo no NXT. Sempre pensei que fosse a eterna perdedora. Aquela que tinha a função de perder para as estrelas que foram escolhidas para ir mais longe.

Todavia, haviam momentos, como o vídeo promocional do seu combate pelo Título com Charlotte, no ano passado, onde aparecia a chorar, ou as demonstrações de garra e paixão que teve durante esse mesmo combate, que reafirmavam a sua capacidade de ser mais do que uma gimmick de abertura. Que mostravam que o seu potencial é muito maior do que aquilo que as pessoas estavam dispostas a reconhecer.

Embora, inicialmente, pareça que esta personagem não tem pernas para andar e que é muito unidimensional, esta conseguiu evoluir e tornar-se mais agressiva e séria. Prova disso são os combates com Sasha Banks.

Em Brooklyn, depois de um sofrido combate de quase vinte minutos, quando Bayley se levantou para fazer o Belly to Bayley Suplex, esta não era a mesma Bayley de sempre. Não era uma Bayley insegura, uma Bayley infantil e uma Bayley incapaz. Era uma campeã.

A mesma que campeã que, meses mais tarde, se vingou do que Sasha Banks lhe tinha feito à mão em Brooklyn. A mesma campeã que pontapeou a cabeça de Sasha Banks até esta desistir verbalmente.

No combate Ironman, Bayley mostrou agressividade e debateu-se, taco a taco, com a melhor das melhores. Mesmo sendo a desafortunada, no combate em questão, Bayley conseguiu castigar Sasha Banks. Simplesmente, não há justificações para por limitações na personagem.

Em teoria, depois de se tornar campeã, esta deveria perder algum interesse, visto que finalmente atingiu o seu objetivo, mas nada disso se verificou. Basta estudar as reações de Bayley durante a promo com Sasha Banks, onde foi anunciada a estipulação e main-event do NXT TakeOver: Respect.

Assim que Sasha Banks aparece, Bayley mostra-se receosa que lhe tirem aquilo que lutou tanto para ter, tal como qualquer pessoa estaria. O receio que derreteu o coração de tantos fãs continua lá.

Porém, em vez de ser um disco riscado de reações e promos, Bayley também mostra ter evoluído. A sua agressividade (ponto referido acima) está diretamente ligada à sua confiança. Sim, esta tem receio, mas também tem confiança de que irá lutar arduamente para triunfar e não tem problemas em responder ao desafio de Sasha.

Isto é um verdadeiro herói em desvantagem. Alguém que reconhece o seu medo perante as adversidades, mas que as enfrenta na mesma. Um herói não é quem não sente medo ou finge não o ter. Herói é quem o olha de frente e decide, mesmo assim, ir à luta.

Por tudo isto e muito mais, o grupo de fãs mais fanáticos e apaixonados que a WWE tem deu a Bayley todo o seu apoio.

Bayley é mais do que simplesmente a rainha da criançada. Bayley é a criança que todos fomos quando assistíamos a Wrestling. O fascínio que ela tem no olhar, a alegria que ela sente, a sua emoção e ingenuidade. Tudo isto são emoções que todos nós já sentimos um dia.

E mais do que apelar às crianças que estão na audiência, Bayley está a apelar a todas as crianças dentro de nós. A todas as que assistiram, coladas ao ecrã, a um combate que anteciparam bastante. A todas as que choraram, quando os seus heróis triunfaram no fim. A todas as que berraram em raiva, quando os vilões cometiam as piores atrocidades.

Classificar Bayley como apenas a rainha da criançada e desvalorizá-la por isso é perder a oportunidade de experienciar a magia que esta proporciona. Foi por isso que Bayley conquistou um tipo de fãs que, tipicamente, costuma ficar irritado com referências à influência das crianças no produto da WWE.

No entanto, tanto crianças como adultos, fanáticos ou casuais, todos a apoiam de forma unânime. Mesmo lutando contra Sasha Banks, uma favorita deste tipo de fãs, mais de quinze mil pessoas contaram até três, juntamente com o árbitro, e celebraram a vitória de Bayley no NXT TakeOver: Brooklyn.

Num pequeno aparte, é preciso reconhecer o mérito de Sasha Banks. Esta merece todo o apoio dos fãs, pois é uma personalidade e lutadora fantástica. Aliás, uma das maiores qualidades que Sasha Banks tem é que esta sabe qual é o seu papel e desempenha-o na perfeição.

Esta é uma vilã e comporta-se como tal, quando poderia simplesmente ser vilã em nome, sem fazer nada detestável, ficando assim com os elogios e aplausos dos fãs. Aplausos e elogios que deveriam ir para a heroína.

Noutras palavras, em ambos os combates que teve com Bayley, Sasha Banks provou que é uma vilã a sério, capaz de fazer com que os fãs a apupem, em vez de se limitar a ser a “vilã porreira” que ninguém quer vaiar. Esse tipo de vilões anulam, por completo, os heróis em questão e baralham a dinâmica da rivalidade.

Exemplos disso são a forma como pisou a mão de Bayley, quando estava tentava chegar à corda, em Brooklyn e, claro, quando roubou a bandolete de Izzy e a fez chorar.

No roster principal, se um vilão fizesse uma criança chorar num combate contra John Cena, acho que esse vilão tinha boas hipóteses de ser alvo de uma ovação. No NXT, tal ação redobrou o apoio a Bayley. Foi um momento brilhante, um dos pontos altos da vida de Izzy e tornou o combate ainda melhor.

Portanto, deve ser notado que, caso quisesse, Sasha Banks poderia ter sabotado a popularidade de Bayley. Mas, não o fez, porque não era esse o seu papel e porque, felizmente, tem o ego muito mais bem controlado do que muitos indivíduos na indústria tiveram ao longo dos anos.

Desta forma, Bayley é a maior heroína que a WWE tem. De acordo com os presentes, a sua vitória suscitou a maior ovação no NXT TakeOver: Brooklyn e foi a estrela mais apoiada do NXT TakeOver: Respect.

Numa audiência maioritariamente constituída por adolescentes e adultos do sexo masculino, é uma personagem orientada para crianças do sexo feminino que tem as maiores ovações. Isto prova que se Bayley for bem executada no roster principal, os fãs não serão um impedimento para o seu sucesso.

Sozinha, Bayley provou que, contra todas as expetativas, contra todos os parâmetros e visões antiquadas que se tem de uma estrela, esta tem tudo para ser uma enorme estrela na WWE.

No entanto, o sucesso de Bayley junto dos fãs apenas é possível porque a história, da qual esta é protagonista, foi incrivelmente bem contada e porque esta desempenhou o seu papel de forma excecional.

Irá a WWE contar bem a história? É complicado responder a isto, porque a apresentação de Bayley precisa de ser diferente daquilo que a WWE, normalmente, faz com as Divas. Não sei se a WWE percebe isso. Tenho sérias dúvidas que a WWE perceba, não só que Bayley pode ter sucesso, mas que o sucesso que tem no NXT deve-se, em grande parte, à forma como foi apresentada.

É possível que, para os oficiais do roster principal, Bayley seja uma aberração, um fruto da peculiaridade da audiência do NXT e algo que, simplesmente, é impossível de replicar numa escala maior. Tal é um perfeito disparate.

A apresentação de Bayley precisa de ser séria, consistente e paciente. Esta não vai dar provas de sucesso na segunda semana ou até no segundo mês, portanto isto precisa de ser um investimento consciente, dedicado e cuidado.

O momento da coroação de Bayley em Brooklyn foi incrível, mas demorou anos até construir um momento tão especial. É preciso ter isso em conta. Bayley é o tipo de heroína que precisa de sofrer durante muito tempo.

Contudo, é preciso manter a atenção e interesse dos fãs durante esse período de tempo. Isso é o que vai ser complicado, porque os fãs não têm qualquer razão para dar o benefício da dúvida à WWE, no que toca à apresentação de Divas.

A WWE precisa de contar uma história, precisa que todas as derrotas que ela vai sofrer signifiquem alguma coisa e não pode desistir dela, de um dia para o outro. Se tentarem transformar Bayley numa das muitas Divas psicóticas, fúteis, invejosas e artificiais que o roster já tem, é o fim de Bayley. Porque esta é a identidade dela e já é uma identidade bastante famosa.

Acima de tudo, Bayley precisa de tempo de antena para ser ela própria. Não para ser um robô que recita os textos de outra pessoa, numa linguagem que não é a dela. Para ser a Bayley por quem os fãs de Full Sail se apaixonaram.

São demasiadas as vezes que os guiões da WWE expõem as fraquezas dos lutadores e inibem-nos de mostrar o que conseguem ser. Basta ver os exemplos de Roman Reigns, Charlotte e Becky Lynch. Esta última, em particular, consegue ser das Divas mais engraçadas e encantadoras, no entanto, com um microfone na mão, sem tempo de antena e com palavras que não as dela, esta afunda rapidamente no esquecimento.

O mesmo pode, facilmente, acontecer com Bayley.

Por si só, Bayley já provou que a ligação que estabeleceu com a audiência é real e consegue transformar-se em verdadeiro lucro. De acordo com relatos, esta vende bastante merchandise e, no roster principal, esta poderia facilmente ter o mesmo sucesso que John Cena tem junto das crianças. A sua colaboração com a fundação Make A Wish é outra frente em que a WWE poderia perfeitamente explorar Bayley.

A não ser que, por alguma razão, a WWE não queira que alguém entre em competição direta com John Cena ao apelar ao seu público-alvo. Aqui entramos no ramo da teoria da conspiração.

Randy Orton já se queixou publicamente que as únicas t-shirts para crianças que a WWE dispõe nos live events são as de John Cena. CM Punk defendia que fazia tantas colaborações com a Make A Wish como John Cena, apenas não tinham o mesmo destaque. Supostos relatos de membros da equipa de marketing e produção da WWE diziam que a WWE, propositadamente, não colocava à disposição tantas t-shirts de outras estrelas como coloca de John Cena.

Frequentemente, os fãs tiram fotos às bancas de merchandise e é possível ver que John Cena costuma ter mais do que um tipo de t-shirt à disposição, enquanto outras estrelas poderão nem sequer ter t-shirts à venda.

Pessoalmente, no único live event da WWE em que estive, lembro-me de t-shirts de John Cena, CM Punk, Big Show e Santino Marella à venda, mas as que procurava (Daniel Bryan ou Dolph Ziggler) não se encontravam à venda.

Tudo isto pode ter explicações perfeitamente plausíveis. É normal a WWE produzir mais merchandise para a estrela que acredita que vende mais, é possível que – numa tour europeia de vários dias – certas t-shirts se esgotem e as últimas cidades não tenham acesso a elas. Especialmente quando o stock não for o mesmo para todas.

Porém, na história do Wrestling profissional, há muitas teorias da conspiração que se provaram verdadeiras. Manipulações e jogos de bastidores não são novidades.

É um fato que, por vezes, a WWE manipula as circunstâncias, de forma a provar que a sua visão é que a está correta. Já aconteceu tantas vezes certos talentos que, supostamente, os oficiais da WWE não acreditavam que tivessem qualquer potencial, terem um reinado com o Título completamente sabotado, apenas para depois esses mesmos oficiais poderem concluir que, de fato, eles não tinham qualquer potencial no topo.

O que não faltam são exemplos de momentos em que as pessoas no poder manipularam as circunstâncias de forma a provarem que têm razão. Não é descabido ou novidade.

Além disso, como Diva, o trabalho de Bayley ainda é mais dificultado. Só recentemente é que várias Divas começaram a ter vários tipos de merchandise. Ainda há uns anos, víamos ex-Divas como Maria a relatarem que, nos bastidores, muito poucos oficiais viam a necessidade de todas as Divas terem vários tipos de merchandise.

A questão agora é se existe essa manipulação, com a intenção de manter John Cena como o maior vendedor de merchandise, ou se tudo não passam de mal entendidos e queixas de lutadores ressentidos.

Será que a WWE quer que uma Diva que, por acaso, é completamente diferente daquilo que sempre procuraram numa Diva, seja uma das suas maiores estrelas? Uma Diva que é completamente diferente de Lana, Eva Marie, Nikki Bella ou Trish Stratus? Aliás, uma Diva que de Diva (seja a definição inventada da WWE ou a real) não tem nada. Será que a WWE quer que esta venda tanto, ou talvez mais, que a cara da companhia, a personificação do que deve ser uma estrela?

Em suma, não há quaisquer razões para acreditar que num mundo tão manipulado, tão mesquinho e cheio de visões antiquadas, uma das personagens mais puras, encantadoras e carismáticas que a WWE alguma vez teve a passarem pela sua Divisão feminina irá ter uma oportunidade justa para alcançar sucesso a uma grande escala.

Pessoalmente, tenho de ver para crer. Porem, as dúvidas que existiam dissiparam-se nos últimos meses. Quer saiba ou não como a explorar, quer queira ou não fazê-lo, Bayley é uma mina de ouro. Penso que isso já seja indiscutível.

Continuo a recear o dia em que Bayley se estrear no roster principal. Penso que, ao contrário da norma, será um dia bastante triste. Será o dia em que a magia de infância que ela reacendeu se irá apagar.

Quero estar errada.

Peço perdão por uma edição particularmente longa. Desejo uma excelente semana a todos e até à próxima edição.

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

19 Comentários

  1. ANDRÉ - há 1 ano

    Belo artigo Salgado
    Também tenho muito medo, quase pavor, do que a wwe vá fazer com a Bayley quando chegar ao roster principal, mas se não avacalharem, pela primeira vez a wwe terá uma mulher como rosto principal da companhia

  2. Architect of a Dream - há 1 ano

    Não sei porquê, Salgado, mas este artigo para mim foi o melhor que já escreveste. Talvez por estar tao intensamente conectado à Bayley, que sinto tanto as palavras que escreveste. Destaco este primeiro excerto, que define exatamente o que é a Bayley e o que ela evolui.
    “Porém, em vez de ser um disco riscado de reações e promos, Bayley também mostra ter evoluído. A sua agressividade (ponto referido acima) está diretamente ligada à sua confiança. Sim, esta tem receio, mas também tem confiança de que irá lutar arduamente para triunfar e não tem problemas em responder ao desafio de Sasha.
    Isto é um verdadeiro herói em desvantagem. Alguém que reconhece o seu medo perante as adversidades, mas que as enfrenta na mesma. Um herói não é quem não sente medo ou finge não o ter. Herói é quem o olha de frente e decide, mesmo assim, ir à luta.
    Por tudo isto e muito mais, o grupo de fãs mais fanáticos e apaixonados que a WWE tem deu a Bayley todo o seu apoio.”

    E destaco ainda este que me tocou bastante:
    “Bayley é mais do que simplesmente a rainha da criançada. Bayley é a criança que todos fomos quando assistíamos a Wrestling. O fascínio que ela tem no olhar, a alegria que ela sente, a sua emoção e ingenuidade. Tudo isto são emoções que todos nós já sentimos um dia.
    E mais do que apelar às crianças que estão na audiência, Bayley está a apelar a todas as crianças dentro de nós. A todas as que assistiram, coladas ao ecrã, a um combate que anteciparam bastante. A todas as que choraram, quando os seus heróis triunfaram no fim. A todas as que berraram em raiva, quando os vilões cometiam as piores atrocidades.”

    Isto é a mais pura das verdades. Eu confesso que quando vi o inicio de Bayley, da personagem, nao tinha grande esperança nela, visto que la está, é direcionada a um publico-alvo do qual eu nao faço parte, mas relativamente algum tempo depois esta rapariga conquistou-me completamente. É simplesmente o facto de sentir algo assim que a musica dela toca, a reação de alegria, o vibrar como uma criança.
    Poucos wrestlers na atualidade têm a capacidade de fazer isto comigo, e os que fazem normalmente sao heels ( Vá-se la saber porquê..), mas Bayley é a face que eu adoro, pela qual eu fico imensamente feliz quando ganha, e até me leva uma lagrima ao olho quando o faz, porque o sentimento que passa para este lado é VERDADEIRO, e eu acho que é isso que os fas querem sentir, que os wrestlers passem ca para fora, que os seus sentimentos, alegrias, tristezas, derrotas, vitorias, sao realmente sentidas.
    Desculpem o texto longo, mas este artigo tocou-me muito.

  3. danielLP21 - há 1 ano

    Epá… Sem palavras. Venha o próximo.

  4. BRUNOju - há 1 ano

    Bom artigo Salgado, só discordo quanto a todas as Divas serem mentalmente instáveis. Eu posso ter percebido errado, mas Charlotte não é assim (uma das poucas). Nem mesmo Natalya e a Team B.A.D.

    Eu não faço ideia de como vão estreitar a Bayley. Espero que apostem nela, e que tenha um booking tão bom quanto teve no NXT.

  5. Guilherme - há 1 ano

    “Será que a WWE quer que uma Diva que, por acaso, é completamente diferente daquilo que sempre procuraram numa Diva, seja uma das suas maiores estrelas? Uma Diva que é completamente diferente de Lana, Eva Marie, Nikki Bella ou Trish Stratus?” Como você citou é ver para creer, Vince quer transformar a WWE em uma certa Hollywood e STAR POWER é o nome disso, Divas Bonitas que saibam lutar, na minha opinião eu não tenho nenhum problema em a WWE contratar esse certo tipo de Divas tanto que treinem as bem para serem grandes lutadoras credíveis sem limita-las e isso é possível Trish Stratus é a prova disso e também com o Performace Center . e na Questão de bayley como é o foco, está resposta é muito indecisa. A lados que tem tudo para ser uma ‘estrela’ como está previsto um programa para crianças que a WWWE está fazendo, e ela pode ser uma das caras deste programa, mas por outro lado não! Com o Roster inteiro da WWE não apenas as Divas estão com um booking lastimável inclusive a Divas Champion, Bayley será só mais uma que será jogada em combates monótomos sem nenhuma razão. como eu citei em um comentário a pouco tempo atrás, e isso vai parar? não sabemos… e o como foi citado acima Bayley de Diva não tem nada, não querendo ser preconceituoso mas sendo realista, não imagino Bayley entre outras certas divas da WWE indo em um programa de TV conhecido promovendo a WWE, porque ela não tem esse “Star Power” de tipo de Diva que a WWE precisa para promover esses tipos de coisas como por exemplo Paige ou mesmo Nikki ou Lana ou Summer ( que inclusive era uma grande lutadora do NXT e agora é apenas mais uma no Main Roster) … Como a WWE é uma grande empresa que envolve muito mais coisas que apenas lutar, é normal que precise de um tipo de Divas e Superstars para promover a WWE. até porque NXT e Main Roster é dois produtos totalmente diferentes com estilos de lutas totalmente diferentes, com o foco no Total Divas é normal que as Divas que estão no casting vendam bem mais do que as que não estão. Então tudo isso será apenas com o tempo que poderemos ver se a WWE irá investir em Bayley diferentemente de suas limitações ou será apenas igual todas as outras as outras Divas da WWE.

  6. Dolph Ziggler - há 1 ano

    Muito bom, Salgado.

  7. pirikito - há 1 ano

    “Sami zayn presenciou um dos melhores momentos da WWE”, calma moça, calma…, tem certos lutadores que são extremamente supervalorizado.

    Em relação a Bayley, não a conheço, mas estão fazendo muita propaganda da moça, espero que seja isto tudo quando chegar ao MR.

  8. gonçalo"the best" - há 1 ano

    Bayley é a melhor “womens wrestler” da atualidade. Carisma, personagem e talento no ringue. Se ela não resultar no main roster esqueçam não existirá fé na devisão de “womens” na WWE. Grande Artigo Salgado!

    • MicaelDuarte - há 1 ano

      A Bayley é muito boa, sim, mas a Sasha Banks é a melhor. Não é uma opinião, é mesmo um facto.

      • alvaro - há 1 ano

        A sacha sozinha é melhor que as outra todos junta… sacha for champion

  9. MicaelDuarte - há 1 ano

    Adorei o artigo.

  10. Reigns one versus all - há 1 ano

    Adorei o artigo,fantástico.
    Não tenho nada a acrescentar,disseste tudo.

  11. Diogo7 - há 1 ano

    Fantástico artigo!

  12. ZigglerRollins - há 1 ano

    Artigo espectacular !

  13. Esse artigo merece um prêmio. Vamos lá.

    Confesso que sou novo em NXT. Novo em relação à vocês, que viram Charlotte vs Bayley, por exemplo. Confesso também que eu não via nada em relação ao NXT por preguiça. Quando lia “território de desenvolvimento”, achava que era um Tough Enough da vida. Porém, um amiguinho recomendou que eu assistisse algum takeover e eu o fiz. E foi o que Sami Zayn venceu o NXT champion. De lá pra cá, acompanho o máximo possível.

    Porém, mesmo sendo “novo”, consegui acompanhar algumas coisas. Inclusive a Divas Revolution quando ocorrera, eu já sabia quem eram as garotas que subiram ao Main Roster. E falo aqui tranquilamente, que Bayley deveria estar lá. Mas ao mesmo tempo, acho que a lesão foi a melhor coisa que lhe ocorrera, pois assim todos viram seu potencial.

    Mesmo achando Sasha Banks a mais completa dessa galerinha, admiro grandemente bayley. E espero muito que quando ela subir – que seja breve -, não a deixem como mais uma em meio a tantas.

  14. RFBM - há 1 ano

    Sem palavras para os teus artigos, até mete pena pensar que o sucesso que a Bayley tem pode ser desperdiçado quando subir ao roster principal.

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