Opinião Feminina #277 – Ready, Willing and Gable

Hoje em dia, o NXT é conhecido pela sua simplicidade, lógica e fantásticos especiais. Embora seja conhecido pelo seu investimento em Wrestling feminino e pelas contratações de algumas das estrelas independentes mais conhecidas, o NXT nunca foi conhecido pela sua divisão de equipas. Aliás, de todas as suas divisões, esta sempre foi a mais fraca e a que recebia menos destaque.

Os combates de equipas nos especiais sempre variaram entre o competente e o excelente, mas a divisão nunca foi gerida com especial cuidado ou como sendo uma prioridade.

Um dos melhores exemplos é o Dusty Rhodes Tag Team Classic. Os campeões de equipas da altura perderam no início do torneio, a equipa com mais potencial da divisão – Jason Jordan & Chad Gable – nem chegou à final e, na final, lutaram duas equipas formadas recentemente e constituídas por alguns dos talentos individuais mais importantes do card.

O Dusty Rhodes Tag Team Classic foi uma forma competente, divertida e digna de honrar Dusty Rhodes e as suas contribuições ao NXT, mas não fez nada pela divisão, apenas reforçou ainda mais a noção que a divisão não está ao mesmo nível que as outras divisões.

Podem-se justificar as decisões tomadas durante o Dusty Rhodes Tag Team Classic de várias formas. Samoa Joe e Finn Bálor tinham que chegar longe, visto que Finn Bálor era campeão do NXT (e ainda é). Em teoria, eles não tinham que chegar à final ou sequer vencer o torneio, quando podiam ter sofrido um desentendimento e iniciado de imediato a sua rivalidade.

No entanto, era o que todos esperavam e, como é normal no NXT, preferiu-se contar uma história popular de forma diferente. Em vez de vermos dois amigos que formaram equipa do nada a desentenderem-se a meio do torneio, vimos dois amigos a vencer um torneio juntos e a desentenderem-se depois. O NXT deu oportunidade aos fãs de gostarem primeiro da dupla, antes da separarem de imediato.

Fez sentido, é diferente, mas também anula e desvaloriza o significado que um torneio do género podia ter na divisão. Além disso, a popularidade de Chad Gable & Jason Jordan teria complicado bastante a dinâmica da final e haviam grandes hipóteses destes serem mais apoiados que o campeão herói e e um dos maiores nomes do NXT. Tal iria arruinar os planos de encerrar o torneio numa nota feliz com a vitória de Bálor e Joe.

Resumindo, como na maioria das vezes, as decisões do NXT foram lógicas, tendo em conta as suas prioridades e planos. Fizeram exatamente o que tinham de fazer para alcançar o que queriam alcançar. Simplesmente nunca passou pela promoção da divisão de equipas. No entanto, apesar de não ser uma das suas prioridades, o NXT conseguiu reabilitar a divisão ao longo dos últimos meses e possui agora uma variedade de equipas, algumas bastante populares.

Ao contrário do que a WWE apresenta na sua programação principal, a maioria das equipas no NXT tem uma identidade e oportunidade para explorá-la. Não estão todas ao mesmo nível, nem são todas terrivelmente boas ou interessantes, mas têm identidade, são distinguíveis e suscitam uma reação da audiência.

Como referi, a equipa com mais potencial da divisão é formada por Jason Jordan e Chad Gable (American Alpha, nome de qualidade questionável). Aliás, a dupla é, na minha opinião, a primeira grande oportunidade que o NXT tem de colocar a divisão de equipas ao mesmo nível que a divisão feminina e masculina.

No fundo, Jason Jordan & Chad Gable são aquilo que sempre faltou à divisão – uma equipa incrivelmente carismática capaz de ter excelentes combates. Esta é a dupla de heróis que tem a possibilidade de lançar uma divisão e ter os fãs inteiramente investidos em tal. Este tipo de carisma, energia e paixão não é encontrado em nenhuma outra dupla de heróis que a divisão teve ou tem. Nenhuma das equipas se aproxima – ou aproximou – de ter tal ligação com os fãs.

Enzo & Cass são a equipa que mais se aproximou de tal, mas até eles penso que ficam aquém do potencial que Jordan & Gable têm como equipa. Não digo que Enzo & Cass perdessem o brilho depois de vencerem os títulos, mas acredito que o talento e qualidade de Gable & Jordan tem maior probabilidade de carregar a divisão do que a excentricidade de Enzo e Cass.

A popularidade de Jordan & Gable cresce de semana para semana e, apesar de não terem aparecido na transmissão do NXT TakeOver: London, a verdade é que tiveram algumas das maiores ovações do evento. A verdade é que foram das estrelas mais apoiadas na tour que o NXT fez no Reino Unido com os vídeos dos cânticos dos fãs a fazerem furor nas redes sociais.

Quando Jordan & Gable estão em ringue, eles são as estrelas – especialmente Gable – e quando não estão, são por eles que os fãs chamam – especialmente Gable. E com boa razão. Ele é um excelente lutador, incrivelmente carismático, criativo e tem uma atenção particular aos detalhes que ajuda o combate a fluir e a história fazer sentido.

Gable consegue ter uma audiência inteira na palma da sua mão, mesmo que esses fãs tenham tendência para se armar em espertos mais que os outros, apenas com bom Wrestling. Ele consegue obrigá-los a prestar atenção às manobras que faz e consegue facilmente suscitar uma enorme ovação com elas, sem grandes artifícios ou malabarismos. Chad Gable é algo bastante especial e tem um potencial, a solo, enorme.

A partir do momento que Jordan & Gable explodiram que, a meu ver, se tornou óbvio que o próximo grande momento da divisão era a coroação deles como campeões de equipas. Tal não era propriamente compatível com a coroação das eternas damas de honor, Enzo & Cass.

Enzo & Cass são, provavelmente, a definição de carisma. Enzo, por sua vez, é definição de excentricidade. O contínuo sucesso da dupla não deve ser desvalorizado, porque a apresentação dos dois é algo que, nesta altura do campeonato, já deveria ter perdido a piada ou até ser um pouco chato, e não é esse o caso. Pelo menos, pessoalmente. E isto é algo que os dois andam a fazer há anos.

A forma como, não só conseguiram manter-se interessantes e relevantes, mas conseguiram mostrar um lado mais sério e agressivo – algo que têm feito ao longo dos últimos meses – é prova do talento dos dois, especialmente Enzo.

Cass não é mau ao microfone, nada disso, mas quando Enzo começa a falar, mesmo em modo sério, nota-se verdadeiro talento. É nas suas promos mais sérias que Enzo mostra que é mais que apenas alguém com um vestuário ridículo que debita o mesmo discurso vezes e vezes sem conta. É nestes momentos que Enzo mostra que realmente consegue falar, envolver os fãs numa rivalidade e vender um combate.

Ao longo dos últimos meses, a dupla tem mostrado mais raiva, mais intensidade, e tem funcionado na perfeição. Enzo & Cass têm mostrado que, se calhar, conseguem ir mais longe de que combate de abertura e que conseguem ser mais do que desenhos animados. Tal é algo que, há anos atrás, não diria deles. Ver Enzo e Cass a serem posicionados como uma ameaça legítima, algo que nunca foram na divisão, era algo que não esperava que funcionasse, mas que eles fizeram com que funcionasse. A fasquia subiu e eles responderam ao desafio.

É por isso que vê-los a falhar o NXT TakeOver: Brooklyn, a perder o combate pelos títulos no NXT TakeOver: London e, mais recentemente, no WWE Roadblock custa tanto. Agora sinto, finalmente, que existe potencial neles como campeões, mas a existência de Gable & Jordan é incompatível com essa coroação, porque eles estão simplesmente a um nível superior.

A ovação que Enzo & Cass receberam no NXT TakeOver: Brooklyn – combate foi gravado antes da transmissão começar e usado na edição semanal do NXT – foi absolutamente arrepiante e um dos meus momentos preferidos em Wrestling de 2015. É algo que vou rever de vez em quando, porque é absurdo ver uma equipa a quem achava piada, mas não tinha muitas certezas em relação ao futuro, a ter aquele tipo de ovação na mesma arena em que o Summerslam iria ser realizado.

Sempre tive pena que eles não fossem incluídos na transmissão e que não fossem eles a vencer os títulos. Não porque tinha algo contra os Vaudevillains e o momento que tiveram com Blue Pants, mas porque sentia que aquele era o momento deles. Aquele era o palco para dar os títulos a Enzo & Cass.

E agora, depois da explosão de Jordan & Gable e de uma apresentação mais séria de Enzo & Cass, sinto ainda mais isso e as oportunidades falhadas pesam ainda mais. Agora, eles são mais que desenhos animados. Agora, os dois formam uma equipa, não só carismática, mas credível, e infelizmente a altura deles já passou.

Jordan & Gable precisam de vencer os títulos de equipas num grande momento, em frente a uma equipa que os fãs não queiram ver vencer, e nada disso é compatível com um reinado de Enzo & Cass. De certa forma, é uma história perfeitamente natural. Temos a derrota que nos custa verdadeiramente a aceitar, os vilões que a causaram e os heróis que ultimamente vão curar todas as feridas e dar-nos um final feliz. Enzo & Cass simplesmente não são esses heróis nesta história.

Dash & Dawson (The Revival) são os atuais campeões de equipas que viram o seu reinado receber um prazo de validade, graças à explosão de Jordan & Gable. Não tenho dúvidas que o sucesso de Jordan & Gable fez com que os planos mudassem subitamente, tornando Dash & Dawson em meros campeões de transição.

O primeiro grande momento da divisão surgiu no horizonte há meses atrás e esse é Jordan & Gable a vencerem os títulos em Dallas, no fim de semana de WrestleMania. Dash & Dawson são perfeitos para esse papel. Jordan & Gable, por serem aquilo que a divisão nunca teve, parecem funcionar como um reset para a divisão. Existe a sensação que, com Jordan & Gable como campeões, é que a divisão vai começar a sério e que tudo o que vimos até agora foi aquecimento.

Não quer dizer que vá acontecer, nem quer dizer que é esse o objetivo do NXT. Mas, como fã, é isso que sinto quando penso no futuro da divisão. Espero que, tal como foi rápido a perceber a importância de Jordan & Gable e a adaptar os planos rapidamente, o NXT também perceba isso e passe a apresentar melhor a divisão de equipas.

Os restantes nomes da divisão são nomes distinguíveis, mas de sucesso diferente. Os Vaudevillains estão agora numa fase mais séria da sua carreira, onde pode ser que consigam evoluir o suficiente para justificar uma segunda oportunidade depois de Dallas.

Pessoalmente, não sinto que Blake & Murphy tenham qualquer futuro sem Alexa Bliss, uma manager carismática e competente que, de certa forma, lhes salvou a carreira e os mantém na conversa. Agora que Jordan & Gable elevaram a fasquia, não sei se Blake & Murphy conseguem estar à altura e ser mais do que uma equipa de midcard. O mesmo se aplica aos Hype Bros, que existem unicamente para ajudar outras equipas.

Se o NXT não existisse para ser uma mini-promoção com sucesso e fosse apenas para o benefício da WWE, então a ideia de Jordan & Gable e Enzo & Cass não estarem no roster principal é ridícula.

Não há qualquer justificação para tal, especialmente quando a divisão do roster principal apresenta um défice de carisma enorme e se resume apenas aos New Day. Tal como Jordan & Gable deram uma lufada de ar fresco à divisão, também a divisão de equipas do roster principal precisa de uma.

No entanto, tirar Jordan & Gable da divisão de equipas do NXT era o equivalente a passar-lhe uma sentença. Dar aos fãs o primeiro gosto de uma divisão a sério e de uma dupla de heróis que nunca tiveram, apenas para os repescar para o roster principal podia matar de vez o interesse que os fãs tinham na divisão.

Tudo isso depende do que é que os oficiais querem que o NXT seja. Se for apenas um território de desenvolvimento para ajudar e empatar talentos que ainda não estão prontos ou têm espaço no roster principal, então não há qualquer razão para estas duas equipas estarem no NXT.

Mas, como sabemos, já há muito tempo que o NXT deixou de ser isso. Agora é a promoção de Triple H, a promoção com que este enfeitiça e agrada a cada um dos fãs que passou grande parte da sua vida a odiá-lo. O sucesso do NXT reflete-se em Triple H, como promotor e executivo, e na sua popularidade.

Por isso, Jordan & Gable serão os novos campeões em Dallas. No entanto, como tal é incompatível com um reinado de Enzo & Cass, penso que é inevitável uma subida da dupla ao roster principal. Sem a possibilidade de vencer os títulos de equipas no horizonte e com tantas oportunidades já perdidas, não sinto que exista necessidade destes continuarem no NXT. Brooklyn era o momento deles e London a segunda, e derradeira oportunidade. Para Enzo & Cass, sinto que a jornada no NXT terminou e está na altura de seguir em frente.

No que toca a Jordan & Gable, pode ser que um novo e excitante capítulo da divisão de equipas esteja prestes a começar, com eles como protagonistas e impulsionadores. Pode ser que sim. Um grande momento durante o fim de semana de WrestleMania, pelo menos, é inevitável.

Desejo uma excelente semana a todos e até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

11 Comentários

  1. Afonso Quintela - há 9 meses

    Mt bom artigo. Grande analise da divisao de Tag Team do NXT

  2. Vitor Oliveira - há 9 meses

    Excelente artigo. Realmente Jordan e Gable são uma grande tag e, sem duvida em Dallas será o ponto alto da dupla se tornado os NXT Tag Team Champions

  3. danielLP21 - há 9 meses

    Jordan & Gable (detesto o nome da equipa) são, de longe, a melhor equipa no NXT. São simplesmente fantásticos e, a meu ver, têm um potencial superior ao de Haas e Benjamin (a quem são comparados), visto que nenhum dos veteranos tem o carisma que, por exemplo, Gable apresenta. Nem de perto nem de longe.

    Concordo em relação ao SAWFT: depois da derrota de ontem, não estão a fazer mais nada no NXT.

    Já agora, e como eu olho para o NXT como um território de desenvolvimento, acho que a prioridade devia ser o main-roster. Por isso, Finn Bálor, Bayley, Samoa Joe, SAWFT e Gable & Jordan não estão a fazer nada do NXT. E que faltam fazem ao plantel principal!

    • Miguel Carlos - há 9 meses

      Concordo quanto ao Enzo&Cass, mas o NXT também precisa de estrelas, afinal de conta é uma promoção, e por isso cada lutador talentoso que tiverem não pode ir logo para o main-roster. Acho que o Samoa Joe e, principalmente, os American Alpha precisam de ficar na brand pois são os wrestlers mais credíveis para serem campeões neste momento.

  4. Miakuda - há 9 meses

    Jason Jordan, sendo bem construído no Main Roster, deverá ser Main Eventer. Bom Wrestler e bom look.

    • Kick_Ass - há 9 meses

      Mas o Gable tem um enorme carisma, conexão com o público e dentro de ring nem se fala acho que ambos podem vier a ser uma séria aposta por parte da WWE.

      • Miakuda - há 9 meses

        Chad Gable tem 1,73. Muito baixo para ser Main Eventer.

  5. Jorge - há 9 meses

    Excelente artigo. Parabéns.

  6. RFBM - há 9 meses

    Excelente artigo, concordo com todos os aspectos.

  7. Kick_Ass - há 9 meses

    Excelente artigo :D

  8. Sorlei Rui Oltramari - há 9 meses

    Grande artigo, Salgado!

    De fato, a Tag Team Division nunca foi um forte do NXT. Desde os tempos de Ascension como Tag Champs que a divisão parecia sempre estar um passo atrás. Óbvio que não tem nada a ver com os performers, pois a qualidade é imensa, mas é fato que isso ocorre. Mesmo assim, ainda está melhor que no MR, pois há gimmicks e personagens definidas claramente.

    Quando está no ringue, Gable me empolga de uma maneira que poucos fazem atualmente. Ele é fantástico, um atleta nato e que tem um grande futuro (se não estragarem ele). O Jordan não fica nada atrás. É um dos tipos que gostava bastante e, apesar de ter sido utilizado como jobber anteriormente, via bastante potencial nele. É questão de tempo até ganharem os NXT Tag Team Championships.

    Os Vaudevillians são a minha equipe favorita. Tem uma personalidade própria e a sua gimmick de throwbacks é perfeita, pois além de English e Gotch terem o carisma necessário para carregar a gimmick, ambos são ótimos em ringue. Markei bastante quando venceram os títulos em Brooklyn. Só é pena que tenham tido um reinado tão curto e, com a ascensão dos American Alpha, acho difícil eles vencerem novamente. Tomara que subam para o MR com a mesma gimmick e tenham sucesso.

    Quanto a Blake and Murphy, gosto deles e são bastante competentes em ringue, tendo uma química perfeita, mas são muito genéricos. Mal faziam promos quando eram campeões e só melhorou com a chegada da Alexa. Sinto em dizer isso, mas não vejo grande futuro para ambos.

    The Revival são um caso um pouco menos grave que os BAMF. São uma Tag Team bastante Old School. Como eles mesmo dizem, No Flips, Just Fists. E é aí onde eles tem uma salvação, uma equipe sem firulas e que só está lá para praticar Wrestling. Mas também não vejo nada muito brilhante a longo prazo para eles. Assim como os BAMF, podem dar graças a Deus se subirem ao Main Roster.

    Os SAWFT são sensacionais. Uma explosão de carisma e excentricidade. Tem tudo para ter sucesso no MR e tomara que subam a tempo de feudar com os New Day. Infelizmente, não os vejo mais vencendo os Tag Championships, pois sua subida já está bem próxima, visto que ambos estão fazendo Dark Matches no Smackdown há algum tempo.

    Os Hype Bros não são nada de mais. Foi uma Tag para colocar o Ryder em algum lugar e ocuparem o Mojo. Até gosto deles, mas não os vejo como Tag por muito tempo e até arrisco uma estreia (Ou reestreia, no caso do Ryder) a solo de ambos, em diferentes períodos.

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