Existem 2 vagas na Equipa do Wrestling PT para publicar notícias. Candidata-te!

Opinião Feminina #290 – Have you seen this man?

“I believe that in the WWE brand, I’m a legit athlete and I bring lots to the company. For me to get back in the Octagon legitimizes why the WWE has me in their company. It’s a win-win for all of us. It’s a win for me, it’s a win for WWE and it’s a win for the UFC.”

Brock Lesnar – ESPN

É certamente uma vitória para Brock Lesnar que continua a cimentar o seu legado como um dos melhores homens de negócios que a indústria teve nos últimos anos. Apesar de ter tomado algumas decisões questionáveis na sua ânsia de sair da WWE – decisões influenciadas pelo seu abuso do álcool e drogas – a verdade é que Lesnar se redimiu bastante desde então e, se a conversa gerada no ano passado sobre a sua renovação com a WWE e possível regresso à UFC não o provou, a verdade é que o seu recente anúncio de uma luta no UFC 200 o fez de forma conclusiva.

Brock Lesnar sabe o seu valor e sabe jogar com as cartas que lhe foram dadas. Não é qualquer um que tem duas companhias multimilionárias, que tradicionalmente odeiam partilhar talentos ou deixar outra entidade lucrar com os benefícios dos seus milhões de investimento, desesperadas para o usar.

A WWE, claramente, precisa de Brock Lesnar e, acima de tudo, precisa da versão “lutador de MMA” de Brock Lesnar para conseguir trazer alguma credibilidade para o seu produto e qualquer estrela que queiram valorizar à custa de Lesnar. A UFC, por usa vez, beneficia de um novo trunfo para jogar no UFC 200, evento que não irá contar com nenhuma das maiores estrelas da promoção (Rousey e McGregor).

Por muito que precisem dele, não deixa de ser irónico ver duas promoções tão determinadas a impor uma versão bastante questionável do estatuto “independent contractor” a cederem e serem forçadas a partilhar um talento que, ao contrário de muitos outros que precisam de maximizar as suas oportunidades de trabalho e aumentar os seus rendimentos, é verdadeiramente independente. É caso para dizer que, apesar de ter desaparecido durante vários meses como é o seu hábito na WWE, Brock Lesnar não tem estado parado e o timing de tudo isto está completamente a seu favor.

Ora, esta aventura tem os riscos para a WWE, mas as vantagens são muito maiores. O maior risco que a WWE corre é Lesnar sair do UFC 200 com uma lesão que o impeça de competir no SummerSlam. Tal iria estragar os planos da companhia que visualiza Lesnar a lutar no SummerSlam, depois do evento ter sido promovido também pela UFC. Porém, as vantagens são significativas e claramente compensam este risco. Mesmo que, no pior cenário, Lesnar falhe o SummerSlam, é possível que a WWE consiga garantir a presença de algumas estrelas de UFC para aparecer no evento.

Algumas poderão não se comparar à popularidade de Lesnar, mas o simples acontecimento irá garantir à WWE imensa publicidade. Algo facilitado pela sua relação com a ESPN através de Jonathan Coachman.

A ideia de Brock Lesnar perder no UFC 200 também tem sido sugerida como um risco que a WWE está a correr. Afinal, a WWE beneficia de ter um Brock Lesnar dominante e imparável. É isso que a WWE está a tentar recuperar ao deixar (ou fingir que deixa) Brock Lesnar competir no UFC 200 e, em teoria, uma derrota iria abalar esta imagem de Lesnar na WWE e a companhia acabaria por não conseguir tudo o que queria.

Ora, embora a derrota seja uma possibilidade bastante real, se fosse a WWE tal não me preocuparia muito graças à mera existência de Paul Heyman. Brock Lesnar, a WWE e os seus fãs podem confiar em Paul Heyman para transformar uma derrota de Lesnar numa prova da sua ferocidade e agressividade. Brock Lesnar poderia perder a luta e Paul Heyman iria apenas enaltecer como este se debateu durante a mesma e como o seu próximo adversário tem todas as razões para estar assustado, pois Brock não está nada feliz por ter perdido e quer descarregar a sua raiva em alguém.

Estas explicações fornecidas em palavras bonitas e discursos eloquentes através da boca de Paul Heyman podem muito bem compensar e minimizar as consequências de uma derrota. Não quero com isto dizer que não ficavam todos mais felizes e descansados se Brock Lesnar vencesse, mas uma derrota não seria o fim do mundo ou um sinal de um negócio falhado para a WWE.

A WWE pode ganhar muito mais do que um Brock Lesnar revigorado. A companhia está desesperada para ganhar alguma publicadade pela forma, supostamente, progressiva com que apresenta os seus talentos femininos e a presença de Paige VanZant – que viu a sua popularidade subir depois de ficar em segundo lugar na competição “Dancing With The Stars” – ou até de Ronda Rousey, se bem que este último nome é, atualmente, mais complicado de garantir.

Não só isso como o objetivo da WWE de expor e lançar Stephanie McMahon a uma nova audiência, de forma a cimentá-la como a herdeira do império, iria beneficiar da publicidade que envolvimentos com tais estrelas podem trazer. Com o seu livro a sair dentro de alguns meses, parece bastante óbvio que quaisquer estrelas femininas que a WWE consiga arranjar para aparecerem na sua programação terão de interagir com Stephanie.

Como já foi apontado recentemente, a WWE não tem, necessariamente, argumento para exigir alguma coisa à UFC em troca de Brock Lesnar, visto que a UFC já lhes fez um favor na WrestleMania 31 ao deixar Ronda Rousey aparecer. Mas, sabe-se lá o que é que os poderosos senhores do mundo do desporto e entretenimento decidiram a portas fechadas.

Tendo em conta a prioridade em valorizar e promover Stephanie McMahon, tudo isto parece-me demasiado conveniente e ficaria bastante surpreendida se algo não se materializasse envolvendo Stephanie, algumas das lutadoras da WWE e algumas das lutadoras da UFC. O que convém tirar disto tudo é que, em teoria, a WWE tem muito a ganhar com esta negociação e nem tudo está diretamente dependente de Brock Lesnar.

O simples facto da UFC promover a WWE Network e o SummerSlam a uma audiência de mais de um milhão de clientes, onde alguns deles são potenciais novos compradores da Network, por si só já é uma vitória. Existe, de certeza, um bom número de pessoas que irá assistir ao UFC 200 que nunca experimentou a Network, mesmo que já tenha ouvido falar da WWE. Embora ambas as audiências tenham semelhanças e partilhem muitos fãs, continua a existir um grande número que não faz a transição da UFC para a WWE e esta oportunidade de apelar a esta nova audiência não deve ser desvalorizada.

Existem, de facto, vários aspetos nesta situação que são bastante irónicos. Numa Era em que a WWE peca pela falta de verdadeiras estrelas, porque se recusa a deixar que as suas estrelas transcendam a promoção, os oficiais dão por si a precisar que uma das últimas estrelas que o conseguiu fazer use uma promoção, para todos os efeitos, rival para conseguir criar novos main-eventers e gerar interesse no produto.

Brock Lesnar é exatamente aquilo que a WWE não quer. A WWE não quer estar à mercê dos caprichos, desejos e objetivos pessoais das suas estrelas. A WWE não quer que estas tenham a faca e o queijo na mão. Mesmo que isso lhes lucre milhões e lhes traga muito mais publicidade. A WWE quer ter a liberdade de dizer: “Não gostas? Então a porta da rua é serventia da casa.” Ryback sabe muito bem o que isso é.

Outra prova disso foi a necessidade ridícula que a WWE sentiu de derrotar Brock Lesnar logo no seu primeiro combate em 2012. Essa ação é prova suficiente da mudança de prioridades da companhia e, se ainda existem dúvidas, basta estudar todos os segmentos da Autoridade desde a sua estreia. Não, a WWE não se importa de abdicar desses milhões extra para se promover a si mesma. A WWE quer tornar-se autossuficiente e, de certa forma, conseguiu fazê-lo. A companhia já não precisa de estrela A ou B para sobreviver e, realmente, hoje em dia ninguém é indispensável. Sim, a ausência de certas estrelas seria notada – como John Cena – mas duvido que se John Cena abandonasse a WWE amanhã a companhia fosse à falência. A companhia vai sobreviver a John Cena.

Tal não é mau, muito pelo contrário. É simplesmente desencorajador ver, numa indústria que depende do individualismo para vender, os lutadores reduzidos a figurantes de segundo plano para os donos, porque a imagem da companhia é mais importante que tudo o resto. Simplesmente não torna o produto interessante.

E, claro, limita a própria companhia. A companhia poderá não ir à falência, mas também será complicado atingir os antigos níveis de popularidade sem ser através de uma – ou várias – estrelas em particular. Entre vários outros aspetos, é por isso que esta situação é tão irónica. Brock Lesnar é o tipo de empregado que Vince não quer e, no entanto, é exatamente dele que Vince precisa. Afinal, haverá forma melhor de valorizar a nova cara da companhia do que tê-la vencer um legítimo lutador de MMA?

Ultimamente, creio que é isso que a WWE tem em mente a longo prazo. É a ideia que tinham em mente desde a WrestleMania 30, mas as consequências do seu terrível booking trocaram-lhes as voltas.  Pelo caminho, o próprio Brock Lesnar perdeu o lustre, algo que tem vindo a acontecer várias vezes desde o seu regresso em 2012.

Depois de uma derrota para John Cena e de uma rivalidade demasiado competitiva com Triple H, Brock Lesnar precisou de terminar com um recorde de mais de duas décadas para voltar a ganhar algum brilho e relevância. Depois de ter estagnado após várias ausências prolongadas e uma rivalidade com Undertaker, onde um homem de cinquenta anos foi dos poucos a ter o privilégio de o deixar inconsciente, Lesnar irá usar a credibilidade e publicidade da sua luta no UFC 200 para se revigorar e esperemos que volte como a besta que nunca – nem por um mísero segundo – deveria ter deixado de ser.

Um dos principais problemas de Brock Lesnar na WWE é que, como nunca existiu uma grande direção ou planos a longo prazo para o que se ia fazer com ele, este acabou por fazer de tudo um pouco e agora não tem mais nada para alcançar. Desde o seu regresso em 2012 que Brock Lesnar já rivalizou com a velha guarda – John Cena, Triple H e Undertaker, já rivalizou com novas estrelas – Roman Reigns, Seth Rollins e Dean Ambrose, já foi campeão e foi o único homem a vencer Undertaker na WrestleMania. Aliás, Lesnar até já teve o privilégio de rivalizar com a própria família McMahon, através de Triple H.

Não há muito mais para Brock Lesnar fazer. Sim, existem alguns combates que todos queremos ver Brock Lesnar lutar como, por exemplo, AJ Styles e Kevin Owens, mas não existem objetivos concretos. Não há barreiras para saltar ou obstáculos para conquistar.

Nem sequer há estrelas credíveis o suficiente para o enfrentar. Não nos podemos esquecer que, de todos os seus adversários, as únicas pessoas que mostraram conseguir competir com Lesnar foram as estrelas da velha guarda. Sim, John Cena sofreu bastante nos dois combates mais populares dos dois (Extreme Rules 2012 e Summerslam 2014), mas ainda conseguiu vencer um.

Que imagem é transmitida quando a velha guarda consegue competir com Brock Lesnar e até vencê-lo, no entanto Roman Reigns é dominado durante todo o seu combate, Dean Ambrose perde sem dar muita luta em 12 minutos e Seth Rollins viu o seu combate interrompido depois de ser dominado durante 9 minutos? O problema é que, enquanto com Roman Reigns, Brock Lesnar saiu bastante bem na fotografia, Lesnar não ganhou nada em vencer Dean Ambrose decisivamente numa desilusão de combate ou na fantochada que foi o combate com Seth Rollins.

Convém lembrar que não são só os adversários de Lesnar que ganham ao ter performances fantásticas. Combates decisivos, aborrecidos e curtos não deixam ninguém ansioso por ver Lesnar. O combate com Dean Ambrose na WrestleMania também o prejudicou.

Há algo que ninguém pode negar – para Brock Lesnar funcionar como besta dominante este precisa de, como seria de esperar, dominar. Uma vitória contra ele não conta muito se todos tiverem combates competitivos com ele e quase o vencerem. Disso não tenho quaisquer dúvidas, apenas acho que as vítimas foram mal escolhidas.

É curioso, mas, da velha guarda, foi o famoso super-homem da WWE (John Cena) que mais sofreu às mãos de Brock Lesnar e que mais o valorizou como besta imparável. Lesnar devia ter dominado a velha guarda com facilidade, enfrentado alguns novos talentos que apresentavam algumas novas dificuldades, mas nada que este não conseguisse derrotar, de forma a que a sua derrota tivesse algum peso. Algumas novas estrelas ganhavam um novo brilho por se terem debatido mais com Lesnar do que a velha guarda e o escolhido iria ganhar a glória eterna do derrotar.

Como seria de esperar, tudo aconteceu ao contrário e agora é preciso uma luta de MMA para tentar fazer, novamente, reset a Brock Lesnar. A  questão é – quantos resets são demais? Brock Lesnar tem cada vez menos poder, seja para vender cinco mil bilhetes ou para subir significativamente as audiências. Até que ponto é que a WWE pode continuar a estragá-lo e a confiar que inúmeros resets resolvem a situação? Está cada vez mais complicado.

Creio que o seu último propósito é perder para Roman Reigns e concretizar aquilo que tinha sido decidido para a WrestleMania 31. O que, em teoria, é fantástico, visto que Roman Reigns é um excelente talento da nova geração, mas, na prática, é assustador, porque a WWE ainda não conseguiu resolver o problema da sua audiência com Reigns.

Este problema existe! Por muito que a companhia o queira ignorar, abafar ou desvalorizar, este existe e foi causado pela própria companhia. Enquanto este não for resolvido, não há qualquer cenário de Roman Reigns a vencer Brock Lesnar que seja bem recebido pelos fãs. O que, para a WWE, pode não significar muito, mas para um fã que gosta de estar investido no produto é algo desagradável. A não ser que mudem a natureza das personagens, mas este tira-teimas entre Vince e os fãs não me leva a crer que tal seja provável.

Até lá, creio que Brock Lesnar irá continuar a fazer o que está a fazer agora – rivalidades insignificantes designadas para o empatar até a altura em que combate com Reigns é realizado e combates completamente dominantes que servem o propósito de vender mais t-shirts alusivas ao termo “Suplex City.”

É uma realidade desencorajadora, mas irónica. Definitivamente irónica.

Desejo uma excelente semana a todos e até à próxima edição!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

9 Comentários

  1. Vitor Oliveira - há 6 meses

    Bom artigo. Seria massa o Paul Heyman entrar com o Brock Lesnar no Ufc 200

  2. Anónimo - há 6 meses

    Artigo perfeito e repito uma coisa que tenho dito há meses: o fim da streak não elevou ninguém e uma storyline com uma construção de mais de duas décadas perdeu todo o significado. Brock virou banal.

    • Nunex - há 6 meses

      Só se for para ti. Brock Lesnar é tudo menos banal

      • Anónimo - há 6 meses

        Então vc não faz a menor ideia do que Lesnar foi na época da rivalidade com o Angle.

      • Nunex - há 6 meses

        Nada a ver ter um estilo diferente e personagem um pouco alterada muito por culpa do booking não tem nada a ver a virar banal lol. Olha vê o UFC 200 vais ver a banalidade do Lesnar.

      • Anónimo - há 6 meses

        Amiguinho, o Brock é o Underdog nessa luta, o Hunt tem a mão pesada e é 10x mais experiente que o Lesnar, a única coisa a favor do Lesnar é o Hunt já ser um veterano. Aliás, o cartel do Lesnar é bem meia-boca e todos os adversários que ele venceu eram medianos ou semi-aposentados (como Couture).

      • Nunex - há 6 meses

        1º O Brock não é underdog. 2º Frank Mir? 30 anos e ex-campeão mundial aquando da luta. Shane Carwin era o campeão interino mas eram todos medianos e aposentados. 3º O Brock perdeu as últimas duas lutas quando nem a 70% estava porque tinha diverticulite (para além disso o Allistair Overeem testou positivo para PED’s). 4º Eu nem estava a falar das performances dele em relação a banalidade. O meu ponto era como é que se é banal quando se é um dos maiores draws de sempre da UFC. E das únicas coisas que põem mais olhos no produto da WWE

      • Anónimo - há 6 meses

        Frank Mir nunca mais foi o mesmo depois que quebrou a perna em um acidente de moto. Shane quem? Eu estava falando do Brock Lutador de MMA e toda a persona atual dele na WWE é baseada no Lutador e esse é medíocre, só tem força. Contra o Hunt ele é o underdog nas casas de apostas sim, ele pode vencer pelos motivos que citei acima, mas as chances estão contra ele.

  3. Ryback Rules - há 6 meses

    Para quê a Suplex City se podemos ter a BoobPlex City! xD
    https://www.youtube.com/watch?v=wUj65V7D0aw

Comentar

Login com Facebook

Editar avatar »

Notificações por email:

Wrestling.PT © 2006-2016 / Política de Privacidade / Disclaimer / Sobre Nós / Contactos / RSS Feed / Desenvolvido por Luís Salvador