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Opinião Feminina #296 – Shining Stars

Em que Era estamos? Golden Age, New Generation, Attitude Era, Ruthless Aggression, PG Era, Reality Era, New Era são algumas das que passaram, mas estamos em qual mesmo? Não sei. A WWE adora promover determinados períodos de tempo de certa forma, assim como adora prometer um melhor futuro com o início de uma nova Era. É uma estratégia frequentemente adotada por políticos em épocas de campanha.

Tal como qualquer político, a WWE não consegue resistir à invenção de slogans com propósitos promocionais. Faz parte do jogo. É promovido de forma repetitiva e aborrecida, mas já é hábito. No fim do dia, não interessa a beleza do laço, o que interessa é o conteúdo e a WWE deveria dar-se por contente por ter um dos melhores conteúdos de sempre na forma do talento que tem sob contrato. Esta passada semana, vários destes talentos provaram mais uma vez a sua capacidade e potencial para criar, não apenas entretenimento, mas pura magia.

A começar por Bayley. Apesar de ser fã de Bayley, nunca acreditei que esta pudesse ser a parceira de Sasha Banks no Battleground por várias razões. Primeiro, já tinha assistido a vários falsos alarmes envolvendo Finn Bálor para me deixar sonhar com a possibilidade de ser Bayley. Segundo, Bayley é uma das estrelas principais do NXT e não estava a ver o NXT a abdicar de duas das suas maiores estrelas na mesma semana, quando ainda precisa de promover o TakeOver em Brooklyn.

De certa forma tive razão, porque a WWE já explicou que a aparição de Bayley foi algo de apenas uma noite. De outra forma bastante mais correta e justa, estava completamente errada, porque pensava que seria Naomi. A decisão de apresentar Bayley como a parceira de Sasha Banks levanta várias questões e receios para o futuro, mas, só por hoje, não vamos pensar nisso. Vamos apenas pensar sobre o seguinte.

Há três anos, no território de desenvolvimento da WWE, Bayley apareceu como uma moça doce, ingénua, cheia de afetos para distribuir na forma de abraços, completamente alheia à forma assustadora e questionável como saltava do nada para abraçar as pessoas sem que estas tivessem à espera. Bayley tinha alguns traços de Mickie James em 2005, mas não foi esse o caminho que seguiu.

Bayley era a fã que não acreditava na oportunidade que tinha de estar na presença de pessoas que acreditava serem mais talentosas que ela. A sua felicidade em estar incluída no mesmo grupo que todos os seus heróis e ídolos e a sua ingenuidade, por acreditar que talento era o mesmo que caráter, resultou numa apresentação tão ternurenta que nem o público mais cético e fanático de Full Sail, o mesmo que apuparia John Cena, conseguiu resistir. Bayley era a personificação da irmã mais nova que acredita no Pai Natal.

A ideia que esta iria conseguir singrar num ambiente tão adverso a personagens infantis e demasiado corretas era complicada de acreditar. A ideia que esta iria durar o tempo que durou e conseguir manter os fãs investidos na sua luta pelo título, enquanto evoluía e se tornava mais credível, ainda mais impensável era. Afinal, personagens como Emma pareciam ter melhores hipóteses e falharam redondamente. Todavia foi exatamente isso que aconteceu. Bayley transformou-se de fã feliz por estar incluída no grupo em estrela que lidera o grupo em que todos querem estar. Esta tornou-se numa das estrelas principais do NXT e também numa das mais adoradas.

E a cereja no topo do bolo é que a transição para a programação principal da WWE já não parece tão assustadora quando é óbvio que uma boa parte da audiência já a conhece e gosta dela, a julgar pela receção que esta teve no Battleground e pelos vários “We want Bayley” cânticos que já se ouviram no Raw.

Resumindo, nada do que Bayley conseguiu até agora era considerado uma previsão razoável. Afinal, quem é que podia prever que uma personagem destinada a agradar a miúdas até aos doze anos iria fazer as delícias de adolescentes e adultos do sexo masculino? E que mais tarde essa mesma personagem iria ser bem recebida por uma audiência de milhares, apesar de ter passado toda a sua carreira numa promoção sem qualquer acordo televisivo nos Estados Unidos?

Isto tudo aliado à ovação que esta recebeu, à forma como foi tratada pelos comentadores e ao facto de ter sido apresentada como um talento forte o suficiente para ser a parceira secreta de Sasha Banks, ajudou a tornar o momento ainda mais especial. Bayley não é novata em criar momentos especiais e emocionantes. O Battleground não foi o seu primeiro e, se a WWE o permitir, não será o último.

São por momentos como estes, momentos de verdadeira e genuína vitória, que eu sou fã. São momentos como estes que nos fazem continuar. São momentos como estes que valem a pena.

Bayley não foi a única a proporcionar este tipo de momentos. Sami Zayn e Kevin Owens também fizeram as honras para a surpresa de absolutamente ninguém. O que dizer de Sami Zayn e Kevin Owens sem debitar todos os termos elogiosos encontrados no dicionário?

Estes dois têm uma química juntos poucas vezes encontrada em rivalidades no Wrestling. Não só estão em perfeita sintonia com as suas respetivas personagens, ao ponto de ser difícil acreditar que não passam de personagens, como se complementam na perfeição. A história dos dois já vem dos dias do circuito independente, onde até já formaram equipa. Isto serve para provar que, na WWE, ainda há muito que podem fazer juntos – se bem que não para já, para não saturar os fãs – e que esta é uma daquelas rivalidades que pode ser revisitada ao longo dos próximos anos.

Sami Zayn e Kevin Owens, individualmente, são fantásticos artistas. Sim, artistas, porque o que eles contam, por vezes de forma tão subtil, não tem outro nome senão arte. E juntos são uma mistura perfeita de caos, emoção e intensidade. O que eles apresentaram no Battleground foi mais um capítulo da história dos dois e mais uma razão, de muitas, para todos serem fãs deles.

Neste capítulo, os dois ignoraram qualquer preocupação pelo seu próprio bem-estar porque era simplesmente mais importante obter vingança e infligir dor. Foi um dos combates mais intensos e fisicamente credíveis, sem nunca ter precisado de armas ou estipulações especiais. A linguagem corporal dos dois, algo que são ambos excelentes em usar, especialmente Sami Zayn, contou toda a história. Foi um clássico. E, felizmente, a WWE tomou a decisão certa de dar a vitória a Sami Zayn.

Ao contrário de Owens, Zayn não beneficia de um ano na programação principal da WWE no seu currículo, onde teve oportunidade de se apresentar aos fãs e deliciar todos com o seu talento. Por isso, este teve sempre um passo atrás de Owens na rivalidade como o elemento mais desconhecido e menos credível. Os fãs que assistem apenas à programação principal da WWE não conhecem um Sami Zayn sem Kevin Owens. Esperemos que esta vitória ajude a consolidar Zayn para que um dia, mais tarde, quando os dois se encontrarem novamente, estejam ambos no mesmo pé.

Sami Zayn vs Kevin Owens é o que a WWE queria que John Cena vs Randy Orton fosse – a rivalidade de uma geração. Se jogar bem as suas cartas, o potencial destes dois, individualmente e juntos, é ilimitado. O trabalho dos dois é tão fantástico que, se envolvesse um herói menos convincente que Sami Zayn, a WWE corria o risco de ver Kevin Owens tornar-se no favorito. Porém, este é demasiado bom vilão para deixar que os fãs coloquem em risco a dinâmica da rivalidade, algo que este deixou bem claro durante todo o combate.

Sami Zayn e Kevin Owens pertencem a um grupo elite de artistas, pois conseguem convencer os mais céticos, os mais apáticos e os mais cínicos, daquilo que estão a fazer. São duas das joias mais raras que a WWE tem no seu plantel e, facilmente, duas das estrelas mais promissoras.

Enfim, palavras não fazem justiça ao que os dois são capazes de criar. É por talentos como estes que somos fãs, não é?

Não é qualquer talento que, não só deixa John Cena sem palavras, como o torna completamente secundário numa rivalidade, mas Enzo Amore e Big Cass conseguiram esse feito. Apesar de surgirem em auxílio de John Cena, rapidamente a dupla roubou o holofote e monopolizou todas as atenções.

No Battleground, Enzo Amore deixou todos na WWE a um canto no que toca à arte de falar ao microfone, algo que John Cena e Big Cass entenderam de imediato. No que toca a Enzo, nem sempre é o que este diz ou a qualidade das suas piadas, mas a forma completamente desenfreada e elétrica em que o faz. Enzo não precisa de pilhas extra, porque as suas simplesmente nunca acabam.

A apresentação de Amore e a forma como debita cada piada é absolutamente fantástica e um absoluto sucesso, basta ver como a audiência reage, completamente investida, a cada coisa que este diz. Enzo não perde a atenção da audiência, nem os aborrece, algo que poucos hoje podem dizer.

Comparações a Road Dogg e até The Rock já estão a ser feitas por vários fãs e, sinceramente, quem as pode disputar? Ao microfone, Enzo é exatamente aquilo que os dois eram no seu auge – excêntrico, diferente, engraçado, brilhante e a âncora da equipa. Este pode não ter um futuro assegurado como estrela individual e, caso seja manager, existe o risco deste ofuscar a estrela que é suposto proteger, mas existe um lugar para Enzo na WWE. É impossível não existir algo bastante lucrativo e interessante envolvendo tamanha excentricidade e lata. As reações de John Cena e Big Cass contaram toda a história. Numa noite em que talento brilhou, Enzo foi uma das estrelas.

Sensivelmente vinte e quatro horas depois de Bayley ter enchido os corações de muitos de alegria, a WWE apresentou um combate pelo título feminino com toda a pompa e circunstância numa das edições do Raw mais importantes dos últimos anos.  O combate foi entre Charlotte e Sasha e viu a vitória emocionante desta última. Os fãs que ainda estavam a limpar as lágrimas da aparição de Bayley tiraram mais lenços para celebrar a vitória e o emocionante discurso feito logo depois.

A WWE precisava de um ponto de exclamação para realçar o primeiro Raw da suposta nova Era, mas não se fez rogada e colocou vários – um deles na forma da revolução feminina que já começou e morreu demasiadas vezes ao longo dos últimos anos. O combate foi apresentado como sendo importante e a vitória foi emocionante. Questões sobre a natureza da personagem de Sasha Banks e o facto desta estar a ser apresentada como heroína deixa alguns receios para o futuro, mas no momento fica apenas a genuína emoção de ver alguém concretizar o seu sonho.

Apesar de termos nova campeã, a estrela mais falada do Raw foi Finn Bálor e a vitória mais falada foi a que este conseguiu contra Roman Reigns. É uma das situações mais irónicas – na sua tentativa descarada, atabalhoada e desastrada de tornar Roman Reigns na próxima grande estrela, a WWE conseguiu que uma vitória contra ele tivesse peso suficiente para criar uma estrela.

A WWE falhou em torná-lo numa grande estrela, mas os seus falhanços transformaram Reigns em alguém que os fãs nunca esperariam ver perder para Seth Rollins, Dean Ambrose e Finn Bálor no espaço de um mês. No entanto, foi o que aconteceu e a sua improbabilidade ajudou Bálor imenso.

Depois de dois anos de espera, os fãs finalmente viram Finn Bálor no Raw e este não podia ter começado de melhor forma. Foi uma bela recompensa para todos os fãs que tinham passado os últimos anos a ver as suas esperanças relativamente à estreia de Bálor dissiparem-se.

Bálor não foi unanimemente adorado na primeira noite e grande parte do seu apoio pode dever-se ao ódio que os fãs sentem por Roman Reigns e à falta de interesse que têm em vê-lo noutro combate pelo título, mas desde que a WWE não o prejudique demasiado ao colocá-lo em longos segmentos de conversa até ao SummerSlam, o problema será remediado facilmente. Afinal, no SummerSlam, Bálor irá aparecer como demónio e depois disso, não há como parar a sua popularidade. Especialmente se continuar a participar em combates fantásticos como aquele que teve com Roman Reigns.

Era preciso que Bálor vencesse Roman Reigns, não só para não ser um fracasso na sua primeira noite, mas para ajudar a vender a ideia de uma nova Era. Começar uma nova Era com Roman Reigns no main event novamente, enquanto ainda tem uma personagem falhada, não seria uma novidade. Seria como começar o Raw com o foco nas figuras de autoridade, enquanto os talentos ouviam como bons soldadinhos. Não faz sentido nem ajuda a promover a ideia de uma nova Era. Mas nada disso interessa (pelo menos não hoje).

Não interessa se estamos numa nova Era ou se é tudo um truque publicitário. O que interessa é que o talento é absolutamente fantástico e a última semana serviu para ver isso. Para além dos mencionados, a WWE ainda conta com AJ Styles, John Cena, um Randy Orton motivado (a melhor versão que existe de Randy Orton), Seth Rollins no pico da sua carreira e uma das apresentações mais divertidas dos últimos anos na forma de New Day.

Há uns que que apenas precisam que lhes acendam o rastilho para incendiarem o mundo com o seu talento como Kevin Owens, Sami Zayn, Rusev, Becky Lynch e American Alpha. Há outros que só precisam de alguns ajustes na apresentação, como Roman Reigns, Dean Ambrose e a Wyatt Family.

Mas, facto é que desde o main event até ao fim do card, a WWE conta com imensos talentos mais do que competentes e vários com potencial ilimitado. Nesta semana, não deveríamos celebrar a chegada de uma nova Era ou uma divisão de plantel que já está a acusar falhas, mas sim talento, paixão e a realização de sonhos. Foi uma semana em que valeu a pena ser fã.

Até para a semana!

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

9 Comentários

  1. Tibraco - há 4 meses

    De longe, o teu melhor artigo em 2016. Parabéns!

  2. Tunes9 - há 4 meses

    Parabéns pelo artigo, Salgado! Muito bom!

  3. ReiSupremo - há 4 meses

    Excelente artigo.

  4. Ronai - há 4 meses

    Gostei de ver vc citando a reality era, pensei que eu fosse o único que considerava está era!

  5. 434 Days - há 4 meses

    Mais um excelente artigo Salgado. Um bem haja para a celebração de talento que tivemos esta última semana.

  6. danielLP21 - há 4 meses

    Epá, esta semana até um Opinião Feminina otimista tivemos! Uma semana histórica, de facto :P

  7. Rui Ribeiro - há 4 meses

    Excelente artigo Salgado!

  8. superstars - há 4 meses

    Eu amo seu otimismo salgado, olha atualmente estou bem desanimado com o produto WWE não gosto de Sasha,new day, novas estrelas,Enzo( essa de rapper branco já deu no saco não estamos mais em 2001 quando Eminem fazia sucesso) mas talvez eu seja chato demais e não ame tanto pro-wrestling assim !?

  9. Kevin McCool - há 4 meses

    Discordo sobre a bayley,nao vjo nada de cativante nela,nem ela mesma possui nada relevante.

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