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Opinião Feminina #41 – Reality Check

No dia 18 de Julho, Vince preparava-se para despedir John Cena, quando foi interrompido por uma música. Assim que os primeiros segundos da música dos Motorhead tocaram, deu para perceber quem aí vinha e o que vinha fazer. O facto de ter interrompido um anúncio daquela magnitude só indicava que tal não se iria verificar. Contudo, apesar de se poder prever que John Cena pudesse não ser despedido, não se podia prever que iríamos assistir ao passar da tocha de Vince para Triple H.

Mas disso já falámos e a questão agora não é essa. Triple H vai enfrentar CM Punk no próximo PPV, Night of Champions. E também é algo que já podia ter sido previsto. Tanto graças aos anúncios por parte da WWE Magazine, como simplesmente pelo que vemos na televisão todas as semanas: CM Punk provocando Triple H.


Agora que olhamos para trás, podemos dizer que estava para acontecer, mesmo que não fosse já, mesmo que o confronto entre Nash e Punk se desse, este combate entre os dois teria que acontecer. Certamente, não faria sentido, o chefe deixar um empregado mandar comentários sobre a mulher e não fazer nada sobre assunto. Quer dizer, se Vince, que não é lutador, não tinha problemas em meter-se no ringue por que razão fosse, não há-de ser Triple H, o lutador, que se vai recusar a entrar no ringue para se defender e defender a mulher.

Portanto, temos CM Punk vs Triple H e Kevin Nash por perto, pois eu acredito que seja bastante provável que ele apareça neste combate, e que nos agracie com a sua presença nas seguintes semanas. O que, mais certamente, irá culminar noutro combate entre CM Punk e Kevin Nash. Sim, eu também tenho lido rumores que ele só não combate neste PPV porque possui problemas médicos que está a tentar resolver, mas não vamos tirar esta grande hipótese já de cima da mesa.

E pronto, estas são as grandes preposições, com alguns factos à mistura, do momento. E eu não concordo com nada. E sim, eu sei, eles não vão deixar do fazer só porque existe uma fã no mundo que não concorda com o que está a ser feito, porque se assim fosse, coitados dos heels e do John Cena.

Então eu passo a explicar o meu ponto de vista. Vou começar por explicar algumas coisas com as quais eu não concordo. Eu sou daqueles fãs, que não gosta de ver lutadores a arrastar-se. Sou daquele tipo de fãs, que por muita nostalgia que me possa trazer, prefiro que os lutadores que já não conseguem dar o máximo de si em ringue, se mantenham afastados dele. Logo isto aplica-se a muitos outros lutadores que ao longo da história da WWE, regressaram ao ringue mesmo sabendo que já não davam o seu melhor.

Querem exemplos? Jerry Lawler. Esse de vez em quando lá aparece para dar ar de sua graça, às vezes até contra o campeão da WWE, vai-se lá saber porquê. Espero bem que aquele confronto com  Otunga e McGillicutty não passe daquilo. Roddy “Rowdy” Piper, Jimmy “Superfly” Snuka e Ricky “The Dragon” Steamboat na Wrestlemania 25. Tudo bem, eu dou crédito ao Steamboat, ele fez mais do que estava à espera e naquele ano estava a entrar no Hall Of Fame, mas a minha opinião mantêm-se. E o engraçado é que não foi só nesse evento. Hulk Hogan, em Summerslams consecutivos, e não só. E a lista continua.

Eu vejo isso como uma forma indirecta de tirar o foco de estrelas que precisam de se afirmar. De estrelas que são o presente e o futuro da WWE. Estas presenças ocasionais, não trazem nada de novo, não acrescentam nada às suas carreiras, por isso, porquê aparecer, quando no mesmo lugar poderia estar outra estrela a fazer história? Uma que se calhar, precisasse? A curto prazo, acredito que seja bom e que haja fãs que gostem, mas a longo prazo não beneficia ninguém. Tanto os lutadores devem saber quando parar, como os fãs devem saber aceitar quando chega essa hora.

E para aqueles que dizem que ver estas estrelas no ringue, transmite nostalgia, a nostalgia não advém de ver uma perfomance que não vai corresponder àquela de que nos lembramos. Advém do Hall of Fame. É lá que as estrelas do passado são relembradas e comemoradas, não é no ringue. É lá que quando partilham as suas histórias e os seus sentimentos, nós nos lembramos de quem apoiávamos e gostávamos.

Agora por causa da tão aclamada necessidade por nostalgia, vamos estar a trazer lutadores com 70 e 80 anos para o ringue? Não digo que não haja quem o faça, mas isso não significa que seja a atitude correcta. Percebo e aceito que tragam estas estrelas em noites de aniversário dos programas ou em ocasiões extremamente especiais, apenas não percebo que façam histórias contando com elas, quando facilmente poderiam lá estar outras pessoas. É inegável que estes futuros ou actuais Hall of Famers possuem conselhos e experiência para passar à próxima geração. E é o que muitos estão a fazer, como road agents.

Basicamente, é assim que eu vejo as coisas, mas sempre que se fala deste assunto aparecem sempre alguns casos em específico que toda a gente adora mencionar como contra-argumento. Vou tentar dar a minha opinião sobre os seguintes casos.

Primeiro que tudo temos o Triple H. Que, senhoras e senhores, falha um pouco no perfil acima descrito, pela única razão que ainda está em forma. Se conseguiu fazer um grande combate carregando outro lutador, não terá problemas nenhuns em fazer um grande combate com alguém como CM Punk que está no auge da sua carreira. Mas isso não justifica que se meta no ringue, quando em especial existem mil e uma razões contra a sua inclusão. E aqui justifico-me com um dos argumentos referidos acima: isto não acrescenta nada à sua carreira. Ele não vai ser reconhecido por isto. No seu discurso de HOF, não vão falar dele como o homem que despiu o fato de COO por uma noite para, corajosamente, enfrentar CM Punk. Apesar de ser tudo uma história, Triple H disse uma coisa uma certa quando afirmou ao Undertaker que já não tinha mais nada a alcançar a não ser tentar quebrar a Streak, algo que eu também não gostei porque ele já o tinha tentado em 2001. A carreira do Triple H já está consolidada e feita.

E depois, esta situação também é uma coisa que deve ser tratada com cuidado no que toca à construção de histórias. Sim, Vince nos seus belos tempos também de vez em quando despia o fato para ir lutar. Mas o Vince não tinha problemas nenhuns em levar pancada, desde que fosse bom para o negócio, tal como Triple H recentemente referiu. Aliás, era isso que os fãs queriam ver quando Vince se metia no ringue, porque afinal ele não é um lutador. Mas Triple H foi, logo não podemos descredibilizar Triple H no ringue só porque agora é COO, logo não é a mesma coisa que ver Vince a sofrer pelo negócio no ringue que Triple H. Daí eu também achar que na Night Of Champions, o Nash vai interferir de forma que não haverá um vencedor absoluto. Hoje é o Punk, amanhã não se sabe qual será o adversário que irão arranjar para Triple H. Por isso acho que apenas não deveriam haver excepções.

E já que estamos a falar de Nash, que tal não passarmos para este senhor, que é o perfeito exemplo do lutador que já não está a cem por cento, mas que insistiram em ir buscar. Existem muitas estrelas no roster que podiam ter feito o que Nash fez. Qualquer uma delas, podia ter dito que tinha recebido uma ordem do chefe e que como bom empregado, fez o que tinha de ser feito. Com Kevin Nash à mistura, é claro que temos um pouco mais de polémica e um gostinho da vida real, porque afinal HHH e Nash são mesmo amigos. Mas a que preço?

Mais uns meses, Nash vai-se embora, e depois? Mais uma história que foi feita, sem poder servir como argumento para qualquer outra estrela usar como defesa do seu legado. Aliás, eu não estou certa que Nash consiga fazer um bom combate frente a Punk. É claro que Punk teria que “carregar” parte do combate e que daria o seu melhor, mas simplesmente não acredito que mantivesse o nível dos últimos combates que esta rivalidade tem proporcionado.

Esta é a minha tentativa a contra-argumento preferida. Sempre que esta conversa começa é o Undertaker um dos primeiros a aparecer. E o que eu tenho a dizer é simples, Undertaker vai reformar-se num futuro próximo. Ele está a acabar a carreira. Ele não está a ir de férias por uns anos, ou ir a outras companhias, para depois voltar. Repito, ele está a preparar a reforma. Não acredito que apareça muito mais que esta Wrestlemania. Wrestlemania 29? Não digo que não devido a outros factores, mas se tivesse que apostar, diria que era já na 28. Estar a dizer ao Undertaker para se ir embora quando está de facto a tratar disso, é o equivalente a ter dito ao Ric Flair no Royal Rumble 2008 para se reformar já, quando se estava a ver que o ia fazer na Wrestlemania 24. Ou ao Shawn, para se ter reformado na Wrestlemania 25 ou no Summerslam 2009. A despedida do Undertaker está a ser preparada, e ele vai ser o último que daqui a cinco ou seis anos vai voltar para lutar mais uma vez. Se a forma como ele se vai despedir vai corresponder às minhas expectativas, não sei, mas tendo em conta o respeito que Vince e toda a empresa: passado e presente, nutre por ele, só me leva a crer que a despedida vai ser algo à sua altura. Estilo, Ric Flair em 2008, percebem?

Não é mentira nenhuma que Undertaker não está no seu melhor, daí ser necessário que os seus adversários estejam ao nível dele, por assim dizer, porque precisam do “carregar”. Quando digo nível, refiro-me em vários sentidos, claro. Mas também não estava Ric Flair. Afinal, é isso que significa “reformar”, certo? Situação em que um funcionário que, por ter completo a idade regularmente fixada, por doença ou por incapacidade física, foi dispensado do serviço (Dicionários Porto Editora). Portanto, sinceramente, não percebo o alarido à volta do Undertaker. A meu ver, é diferente uma pessoa que já não está no seu melhor, estar a reformar-se por esse motivo exacto, que outra que não está na melhor situação fisicamente, e insiste em voltar ao ringue ou simplesmente estar ao lado, com uma cadeira na mão para ocasionalmente bater em alguém.

Gostava que mais olhassem para o exemplo de Shawn Michaels. Se ele conseguia dar mais um ou dois grandes combates? Conseguia, mas ele simplesmente sabe reconhecer quando dizer chega. Voltou cinco anos depois de uma paragem, para fechar este capítulo da sua vida. Aquela paragem tinha deixado um sabor amargo à grande carreira que estava a ter, por isso voltou para acabar as coisas em grande e foi-se embora com o sentimento que o objectivo tinha sido conseguido. Agora aparece em momentos especiais e para auto-promoção, mas nunca para lutar. É também assim que vejo o caso de Bret Hart. Se gostei do combate dele na Wrestlemania 26? Claro que não. Se poderiam ter arranjado outras formas de fechar este capítulo, por exemplo, com um aperto de mão e um abraço? Claro que sim, mas depois do Screwjob, todos os fãs de Bret, especialmente os de Montreal, precisavam de ver aquilo. Todos os que se sentiram injustiçados, tiveram naquele combate a oportunidade de esquecer e fechar aquele capítulo. Eu, que não vivi o momento do Screwjob, não senti essa necessidade.

Apesar de também depender um pouco da companhia, acho que deve partir do próprio lutador, para ter respeito suficiente por si, pelo negócio e pelos fãs. Porque chega uma altura onde já não é paixão. Quem ama algo, respeita-o. E numa coisa como é o Wrestling Profissional, onde o objectivo é dar o melhor todas as noites sem excepção, ninguém melhor que estes lutadores deveria entender o que é querer que este negócio continue mesmo que não façam parte dele. Há mais formas de contribuir, que não passam só pelo ringue. Afinal, é como eu disse a semana passada, o Wrestling Profissional é um grande puzzle que só é completo com todas as peças.

Sobre o Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

2 Comentários

  1. Se houve feud que não me cativa nada era CM Punk/Kevin Nash e ainda bem que o combate no NOC foi alterado e Triple H vai ser o adversário de Punk é algo que prefiro que aconteça que se fosse Nash.

    É verdade que o combate contra Nash ainda pode acontecer e tambem não descarto esse hipotese mas se acontecer talvez no vengeance e parece até melhor.

    Quanto ao Jerry Lawler até gosto volta e meia de longe a longe ele ter algum desaque em ringue mas atenção tem que haver limites. Primeiro tem mesmo que ser de longe a longe e não pode ser uma coisa que dure muito tipo como foi a feud com Michael Cole que já cansava muito.

    Deu a entender que Lawler e Otunga podem começar algo e espero que não porque ainda há pouco tempo Lawler teve muito destaque em ringue e devem deixa-lo sentado uns bons tempos até há proxima feud.

    Na WM é sempre normal antigos lutadores voltarem e até terem algumas picardias pelo meio prontos até compreendo desde que não percam muito tempo do evento com isso tudo bem.

    Undertaker as pessoas têm que começar a compreender que ele já não pode estar muito mais tempo nesta vida o corpo e as lesões acumulas não o permitem e na próxima WM devia ser o culminar de uma grande carreira e fazendo os 20-0 só podia ser algo grandioso.

    Shawn Michaels ainda podia lutar mais uns tempos mas ele achou melhor acabar a carreira e dar lugar a outros compreendo e esta decisão deve ser respeitada por isso mesmo.

    Triple H ainda esta em muito boa forma e é facil de ver é verdade que gostava de ve-lo ainda em ringue? Sim é verdade mas se ele entende que se quer retirar já dos ringues deve-se aceitarr e verdade seja dito sendo ele a mandar volta e meia vai andar em feuds e regressa sempre para mais um ou outro combate.

    Mais um excelente artigo.

  2. Mario Magalhaes - há 5 anos

    Salgado, excelente crônica, também concordo que todos gostamos de ver os grandes lutadores do passado, mas prefiro ter suas grandes lutas em memória, do que assistir aos mesmos lutando não mais como antes.

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