Existem 2 vagas na Equipa do Wrestling PT para publicar notícias. Candidata-te!

Pensamentos #114 – William Regal: “Walking a Golden Mile” – 1º Capítulo

Existem incontáveis obras literárias sobre wrestling. Uns são biografias, outros são sobre histórias da estrada, bastidores, carreiras, etc. Existem livros bons, existem livros maus e existem aqueles que se isolam no topo das obras literárias e que se destacam dos demais. E depois existe a auto-biografia de Darren Kenneth Matthews, mais conhecido por todos nós como William Regal. Ao longo de 283 páginas, William conta-nos a história da sua vida. Mas este livro é muito mais que uma simples que as típicas auto-biografias onde tudo é rosas, arco-íris e outras tretas. Este livro é uma verdadeira lição de vida de um homem que nos relata como alcançou o sucesso e os sacrifícios que teve de fazer para o alcançar. Além disso, Regal aborda os capítulos mais negros da sua vida, sejam eles drogas, álcool ou problemas de bastidores. Uma obra verdadeiramente completa que alguém que sabe o que diz.

Um Wrestler, um escritor de BD ou um Palhaço

Eu não sou tão velho como vocês possam pensar. É que eu já luto há muito tempo. Existem poucos no plantel actual da World Wrestling Enterteinment com mais experiência na indústria que eu. O facto é que eu nasci Darren Matthews a 10 de Maio de 1968, numa pequena vila chamada Codsall Wood em Staffordshire. Não se passa grande coisa em Codsall. O meu pai Don Matthews é construtor e construiu a casa em que eu nasci, apenas a 45 KM da casa do meu avô, onde nasceu o meu pai.

Wrestling é uma das primeiras memórias. Sempre que podia, via na TV. Eu também adorava um velho show chamado The Comedians, todos aqueles programas antigos de comédia. Também adorava a banda Slade. Wrestling, comédia e mundo do espectáculo: todos eles iam ser essenciais na minha vida.

Eu tinha 7 anos quando a minha mãe nos deixou. Os meus pais tiveram uma discussão terrível e o meu pai pegou em mim e levou-me para ver uma das casas que ele estava a construir. Ele disse-me: “O que pensavas se chegasses a casa e a mãe não estava lá?”. Não me lembro de ficar muito importado com isso. Eu sempre admirei o meu pai e era com ele que eu andava quase sempre. Mas afectou-me muito, porque eu descarregava as minhas frustrações nos outros miúdos. Eles arreliavam-me no recreio com perguntas como “Onde está a tua mãe?”. Pela primeira e única vez na minha vida, eu tornei-me num rufia. Não existe nada que eu deteste mais actualmente que um rufia. Isso ou quem tira a liberdade a outros. Não tenho tempo para rufias – e conheci muitos a partir do momento em que me tornou wrestler. Eu tento viver a vida sem arrependimentos, mas o facto de eu ter maltratado aqueles miúdos foi algo que me atormentou por muito tempo.

Eu costumava ser um gajo rebelde. Mas quando eu tinha cerca de 15 anos, acordei um dia e pensei: “Não posso ser assim”. E não podia mesmo. Não podia dar seguimento á minha vida daquela maneira. Simples como isso. E partir desse dia, orgulho-me da minha boa educação.

Eu odiei todos os minutos da escola. É terrível dizer isto quando sei que muitos miúdos me vêem na televisão todas as semanas, mas é a verdade. Eu detestei. A melhor recordação que tenha da escola foi uma visita de estudo a um Zoo. O meu amigo Andrew começou a fazer caretas a um gorila, que se vingou ao atirar-lhe um monte de merda que lhe acertou em cheio na cara. E se esta é a melhor memória que tenho, podem imaginar a porcaria que foi a minha vida escolar.
E durante a minha vida escolar, os meu pais separaram-se. O meu pai ainda trabalha, mesmo não precisando. Levanta-se cedo todos os dias. Tem a quem sair. Exacto, ao meu avô.

stevenregal

O meu avô chamava-se William Matthews, Bill e foi ele que teve a melhor influência na minha vida. Na sua juventude, ele era um trapaceiro, conhecido por lutar e beber. Ele praticava wrestling, boxe, corrida, tudo e mais alguma coisa para ganhar alguns trocos. Ele contava-me história de quando lutava num sitio chamado Pear Tree. Um pub. Nos anos 20 e 30, havia um ringue no jardim de fora onde ele lutava. Ele contava-me como costumava lutar quando era muito novo. Ele era grande, forte, mais de 2 metros. Faleceu em 1990, aos 89 anos. Ele adorou quando eu comecei no wrestling e a viajar pelo mundo fora. Mesmo quando estava em tour com o wrestling, eu viajava meio pais para estar com ele.

Quando entrei na escola secundária, voltei ao mesmo. Era uma grande seca. Eu sempre achei que não precisava de nada daquilo, pois eu sempre soube o que queria ser: Eu ia ser um wrestler. Num dos meus últimos dias na escola, fui chamado ao escritório do director. “O que é que vais fazer?”, perguntou ele, “Vais abrir uma loja?”. “Não”, respondi, “Vou ser um wrestler”. Ele expulsou-me do escritório e disse-me para voltar quando quisesse falar a sério. Espero que ele ainda lá esteja á minha espera…

A minha história não é daquelas de “de coitadinho a rico”. Eu não me tornei um wrestler para ser rico e famoso. Nós viviamos bem na casa que o meu pai construiu com o seu negócio e passávamos férias em muitos países. Nunca nos faltou nada.

Mas quando eu decidi tornar-me um wrestler, fiquei pobre. Os meus familiares tinha todos empregos fixos em negócios e todos esperavam que eu pegasse no negócio do meu pai. Mas aquilo não era para mim. Não dava. E uma das razões era pela forma como as pessoas tratavam o meu pai. Ele fazia trabalhos para eles e eles não pagavam. Eu ficava louco. Eu ia ser um wrestler e ponto final. Um wrestler, um palhaço ou um escritor de BD. Acabei por me tornar numa mistura dos três.

O meu pai costumava levar-me a ver os shows do Dale Martin no Wolverhampton Civic Hall a cada duas semanas. Eu via todas as estrelas da altura, pessoas que me influenciaram e cujo trabalho ainda uso hoje em dia. Havia o Gian Haystacks, Big Daddy, Kendo Nagasaki, The Royal Brothers, Mick McManus e Cyanide Sid Cooper – sempre fui um grande fã dele e hoje em dia ainda uso muitas das coisas que ele fazia.

No meu 8º aniversário o meu pai levou-me para o Mick McManus e foi o melhor presente de aniversário que já me deram. Em 1975 fui lá ver o Dynamite Kid quando ele ainda tinha 16 anos e já era espectacular. Ele era um miúdo e ainda não voava no ringue como faria anos mais tarde, mais dava para ver como ele iria ser grande. Ele estava cheio de energia e mexia-se como uma pulga.

Numa das noites ele lutou contra outro de quem eu gostava muito, Tally Ho Kaye, numa Street Fight. Tally Ho tinha uma Gimmick de caçador e a ideia era que os dois lutassem de roupas normais, roupas de rua. O Tally apareceu de botas e botões de punho, enquanto o Dynamite apareceu de casaco de cabedal, gravata, calças e sapatilhas. O Tally usou a gravata para sufocar o Dynamite – era espectacular. Eu ficava intrigado com todo o drama e acto. Eu não me importava com aqueles que diziam que era tudo a fingir. Eu estava viciado.

Eu costumava andar a recolher autógrafos dos wrestlers. É por isso que hoje, sempre que posso, dou autógrafos. Se eu for a correr para um avião, é capaz de ser difícil, mas peço sempre desculpa quando não o posso fazer. Antes eram apenas alguns, mas hoje em dia é mais provável serem dezenas ou centenas de autógrafos. Se eu vejo um grupo de 250 miúdos, eu prefiro não dar nenhum do que dar apenas 2 ou 3 e deixá-los a pensar que eu sou um idiota. Sentir-me-ia mal por aqueles a quem não daria.

Eu ser um fã de wrestling não era assim tão anormal. Naquela altura, toda a Grã-Bretanha era viciada em wrestling. Eles dizem que nos anos 60, alguns combates entre o Mick McManus e o Jackie Pallo, que foram passados antes da final da FA Cup, o maior evento desportivo em Inglaterra, tiveram mais audiência que o futebol, cerca de 11 ou 12 milhões. Isso é mais do que um quinto da população. Até a Rainha e o Principe Filipe eram fãs. Todos iam ao wrestling na sua área, era uma tradição Britânica. E eu era o que mais adorava.

Quando fiz 15 anos, comecei a ir de autocarro até Wolverhampton sozinho para ver wrestling. Nesta altura, eu tinha outros heróis: Dave “Fit” Finlay e Mark “Rollerball” Rocco. Mas do que eu gostava mais era dos vilões. Era a maneira como eles controlavam as pessoas. Não foi surpresa que eu acabei a interpretar um vilão. Na vida, como no wrestling, todos admiram os rebeldes.

Rapidamente a minha educação no wrestling tornou-se maior, pois comecei a viaja maiores distâncias para ver os meus heróis. Eu ia até ao Pais de Gales para ver os shows do Oric Williams. Lá estavam todos aqueles que não apareciam na TV. As independentes, como lhes chamam agora. Shows do Oric Williams e do Brian Dixon.

Oric tinha muitos monstros. Um dos tipos chama-se Wild Man of Borneo. Ele era um tipo que aparecia de cabelo comprido e cheio de pêlos no peito. Víamos gente como Crusher Mason e Adrian Street, muito diferentes daqueles que víamos na TV. Gigantes como klondyke Bill e Klondyke Jake. E depois de ver alguns desses shows, eu fiquei ainda mais viciado. Eu adorava tudo aquilo. As Gimmicks malucas e os arranhões na cara.

Não demorou muito para eu perceber que existia muito mais no wrestling do que aquilo que eu via aos Sábados no World of Sport. Alguns era só entertainers. Outros eram wrestlers muito dotados. Mas aqueles que eram ambos, que tinham o Total Package, eram aqueles a imitar. Eu comecei a ver os wrestlers que me levavam a acreditar que aquilo que eles faziam no ringue era real. No que toca a isso, Inglaterra tem os melhores wrestlers do mundo – ou tinha, em todos os níveis. Eu estava determinado em aprender aquele estilo duro. Eu queria ser um wrestler cujos combates eram completamente credíveis.

Olhando para trás, eu fui um sortudo por ter tentado entrar no wrestling na altura em que o fiz. Nos anos 70 e 80 haviam tantos lutadores incríveis em Inglaterra com quem podíamos aprender. Havia o Rocco, o Finlay e o Marty Jones – alguém que se tornou numa grande influência na minha carreira mais tarde. Havia o Satoru Sayama, que lutava como Sammy Lee e mais tarde viria a tornar-se no Tiger Mask original, no Japão e algumas vezes, o Dynamite Kid.

Esta gente revolucionou o wrestling em Inglaterra. Eles tinham um estilo que mais ninguém tinha. Eles lutavam muito bem. Eles também tinham manobras aéreas, mas eram feitas dentro do estilo duro, o meu favorito. Vi recentemente um video do Marty Jones contra o Rocco em 1977 e ainda é espectacular. Foi a primeira vez que eles lutaram na TV e nem sequer dava para perceber que era um estilo antigo. Aliás, era muito melhor do que se faz hoje em dia. Wrestling incrível.

Mas o wrestling não é propriamente a coisa mais fácil de se entrar. Não podemos procurar no jornal um anuncio que diga “Precisa-se Wrestler” e responder. Tínhamos de trabalhar sozinhos. O meu Tio Eddie ajudou-me a entrar. Ele conhecia um tipo que lutava imenso e meteu uma cunha para eu começar a ajudar a montar o ringue, o típico trabalho de quem está a começar no wrestling. Nas tarde de Terça-Feira eu ia ao Civic Hall e andava por lá. Via-os a montar o ringue e pouco depois, comecei a conhecer gente que estava envolvida nos shows. Eu andava com eles e sempre que tinha chance, ia para o ringue tentar coisas diferentes. Eu tinha feito Judo quando era mais novo, o suficiente para aprender a cair como deve ser. Eu não sabia mais nada, por isso tive de descobrir as coisas sozinho.

Não haviam escolas de wrestling em Wolverhampton, por isso fui a um clube de Boxe para ficar em forma. Na escola, eu era um miúdo gordo. Com 10 anos, pesava 66 quilos. Mas comecei a ficar em forma no clube de boxe e tudo porque eu queria ser um wrestler. Eu estava determinado em arranjar maneira de entrar.

Ver os wrestlers em Wolverhampton, comecei a descobrir as formas de cair no ringue. Comecei a praticar em casa, no jardim. Montei uma placas de madeira, juntei um lençóis e um cobertor por cima para construir o meu “ringue” de wrestling, para onde me atirava de todas as formas e feitios para aprender a cair. Eu atirava-me de costas de paredes para a relva e voava por todo o lado.

Tudo isto apenas com um objectivo em mente. O meu pai dava-me moral, mas tenho a certeza que ele achava que era uma fase passageira, nada a que eu ficasse agarrado.

Rapidamente comecei a ficar mais alto. Pouca gente se apercebe que eu tenho 1.82 metros. Como vilão, eu tento parecer mais pequeno do que realmente sou. Eu quero que os fãs pensem que me conseguem vencer, pois eles cada vez me odeiam mais de sempre que eu consigo fazer alguma coisa de mal no ringue. É um dos truques que eu aprendi ao longo da carreira.

Eu era agora alto o suficiente para ser um wrestler, mas havia um problema: eu não tinha qualquer habilidade atlética. Nunca pratiquei desporto, nunca vi nenhum e nunca me importei com eles. Na escola, eu fugia deles sempre que podia. Rapidamente me apercebi que não podia ser um High-Flyer, mesmo sendo o meu estilo favorito. Eu não tinha habilidade para isso. Quando tentava voar, parecia um saco de batatas. Nunca fui um performer como o Rocco antes ou como o Eddie Guerrero ou Chris Benoit actualmente.

Foi aqui que eu decidi concentrar-me no wrestling no tapete e em entreter. Tornar os meus combates credíveis e fluidos era a minha obsessão.

Antes de avançarmos, quero esclarecer algumas coisas. Eu tenho um respeito tremendo pela indústria do wrestling. Deu-me todas as coisas que eu tenho, permitiu-me alimentar a minha família e levou-me a todo mundo. Mas eu devo-vos a verdade e isso implica dizer-vos coisas que eu não diria há 10 anos.

Quando eu comecei no wrestling, defender a legitimidade do nosso desporto fazia parte do nosso trabalho. Hoje em dia é totalmente diferente. Nos anos 90, a WWF deu a conhecer que o wrestling era entretenimento. Nada que muita gente já não soubesse ou suspeitasse. Hoje em dia as pessoas assistem ao wrestling pelo o que o wrestling é. Eles não sentem que a sua inteligência está a ser insultada. Mas, pessoalmente, não gosto da exposição da indústria – mais falaremos disso mais adiante.

Durante o livro eu vou falar honestamente sobre a minha vida e sobre a indústria onde estou. Vou explicar sobre certos aspectos que se passam nos bastidores. Por isso, vou começar por aqui – Sim, um combate de wrestling profissional é pré-determinado. Mas não é falso. É pré-determinado porque os participantes sabem como vai terminar antes de começar. Não é falso, porque a acção que vocês vêem é legitima – aleija verdadeiramente. Nós somos talentosos mas não somos mágicos. Faças o que fizeres, quando um homem de 130 quilos cai em cima de ti de uma altura considerável, vai magoar.

As pessoas dizem que nós sabemos cair, que nós sabemos cair de uma maneira controlada. Sim, conseguimos, mas num combate de wrestling, com tantas coisas a acontecer e com tantas mudanças de ritmo, existem demasiadas coisas fora do nosso controlo. Não existe forma de evitar cair de forma descontrolada. É por isso que vão ser discutidas tantas lesões neste livro.

Não só eu estava morto por ser um wrestler, eu estava doido por ser um wrestler em Blackpool. Sem surpresas, uma das minhas primeiras memórias de Blackpool envolve wrestling. Fomos lá quando eu tinha 9 ou 10 anos. Viramos uma esquina e demos de caras com um grupo de wrestlers. Eles pareciam monstros comparados com um miúdo como eu. Havia um India, um Viking, alguns mascarados e algumas mulheres. Estavam a lançar desafios ao público para entrarem no ringue com eles.

Anos mais tarde fiquei a saber a verdade por detrás destas pessoas. Radnor the Viking era um homem chamado Dave de Cheshire. Lutei com ele mais tarde. Quando eles desafiavam o público, eu estava convencido que eles estavam a desafiar o meu pai. Na minha cabeça, o meu pai era o maior e mais forte do mundo. Mas o Radnor era enorme e tinha um machado.

Naquele momento eu fiquei viciado. Eu vi aqueles homens no ringue, com o público na palma das mãos e pensei “Eu vou trabalhar aqui um dia. Voi ser um wrestler na Blackpool Pleasure Beach”.
E anos mais tarde, eu fui.

Eu lembrava-me do olhar do Radnor quando lá voltei anos mais tarde, com 15 anos. Novamente, a mesma experiência: virei a esquina e lá estavam eles e eu a pensar que queria ser um deles. Então, eu comecei como muitas pessoas começavam. Ia lá todas as semanas e andava por lá. O promotor, Bobby Baron, era um homem gentil que cuidava de mim. Passadas poucas semanas, ganhei coragem para contar ao Bobby o que ia na minha cabeça.

Fui ter com ele e soltei um “Eu quero ser um wrestler”

O Bobby tirou o cachimbo da boca e disse: “Eee”, que era como ele começava as frases, “Eee, aposto que sim miúdo”

“Não, quero mesmo”, insisti.

E isso levou ao meu primeiro combate. O meu adversário foi um homem chamado Shaun que mais tarde viria a tornar-se Colonel Brody. Mas naquele tempo ele lutava numa Gimmick Gay chamada Magnificent Maurice. Ele tinha quase 1.90 metros, um grande bigode e uma grande careca. Naquele período de tempo em que andei por lá, vi-o colocar alguns lutadores inconscientes. E agora estava lá eu, um miúdo de 15 anos.

Mesmo assim, entrei no ringue com ele. “Eu sei tudo o que há para saber sobre wrestling” pensava eu. Aquele treino no jardim ia fazer-me boa figura. Comecei por dar-lhes um murros fracos e falsos. Ele olhou para mim e….BAAAAM. Ele atropelou-me a nuca e eu fui ao chão. Ele pegou em mim e atirou-me pelo ringue fora como quis. Pouco depois, mesmo que para mim aquele combate tenha durado uma eternidade, ele prendeu-me num Single-Leg Boston Crab e eu desisti. Das duas uma: ou ele pensava que eu era outro daqueles idiotas do público ou o Bobby tinha mandado que ele me enchesse de porrada para se livrar de mim. Mas mesmo durante a sova, havia habilidade. Ele podia ter-me magoado a sério, mas não o fez. Em vez disso, humilhou-me.

Eu não ia desistir depois de apenas um combate. Eu voltei no fim de semana seguinte e continuei. Passadas algumas semanas, eles aceitaram-me. Havia gente que nunca se tornaram verdadeiros wrestlers, mas que estavam plantados no público e eles pensaram que eu poderia ser um deles. Quando eu podia, saltava para o ringue e tentava aprender algumas manobras.

Era assim que funcionava: Os wrestlers alinhavam-se cá fora enquanto o Steve Forest, o homem do microfone, aquecia o público. Toda a gente era desafiada a ir ao ringue com os wrestlers. Os combates eram de 3 rondas de 3 minutos cada. Quem se atrevesse ganhava 10 librar por cada ronda que aguentasse e 100 se conseguissem aguentar todas ou conseguissem vencer o wrestler.

williamregal

Steve pegava no microfone e usava sempre a mesma lenga-lenga: “Procuramos homens que lutem. Qualquer pessoa que queira lutar. Lutadores de boxe, wrestlers, Judo, Karate, maricas, bichas, pervertidos, fãs do Len Fairclough, qualquer pessoa que saiba lutar”.

No fim do Verão, tive de voltar a Codsall para terminar o ano de escola. Agora que eu tive um gosto do mundo intoxicante do wrestling, a escola tornou-se ainda mais secante. Quando finalmente fiz os exames, fi-los e fui-me embora. Nem sequer quis saber dos resultados. O meu pai, provavelmente, soube dos resultados, mas eu nunca lhes coloquei a vista em cima. Era 18 de Miao de 1984. Alguns dias depois do meu 16º aniversário e eu estava prestes a tornar-me um wrestler profissional.

See you next week, here on WPT

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Pensamentos”.

7 Comentários

  1. Joao Filipe - há 2 anos

    Boss

  2. zackryderfan - há 2 anos

    continua assim queremos mais pá semana

  3. Galloway - há 2 anos

    Muito obrigado por te dares ao trabalho de transcreveres a obra deste Senhor do Wrestling.

    Leitura absolutamente obrigatória, espero ansiosamente pelo próximo capítulo.

    Obrigado!

  4. Bill Rods - há 2 anos

    Muito obrigado, RicardinhoO! Bom trabalho!

  5. Cláudio Duarte - há 2 anos

    Cool, parece uma série isto :P

  6. danielLP21 - há 2 anos

    Espectacular!

    “‘O que é que vais fazer?’, perguntou ele, ‘Vais abrir uma loja?’. ‘Não’, respondi, ‘Vou ser um wrestler’. Ele expulsou-me do escritório e disse-me para voltar quando quisesse falar a sério. Espero que ele ainda lá esteja à minha espera…” Rei!

Comentar

Login com Facebook

Editar avatar »

Notificações por email:

Wrestling.PT © 2006-2016 / Política de Privacidade / Disclaimer / Sobre Nós / Contactos / RSS Feed / Desenvolvido por Luís Salvador