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Shattered Dreams #8 – The Death Note

Pelos vistos, o “vosso” exageradamente persistente escritor está de volta, não definitivamente, pois nada foi acordado com a equipa deste maravilhoso site, mas apenas desta vez, desta vez sem exemplo que pode, ou não, influenciar o regresso do, em tempos, “Shattered Dreams”!

Enquanto contas não são ajustadas, eu limito-me a escrever novamente para vocês, de livre vontade e com o maior dos gostos, como sempre fiz. Como apresentações não são altamente necessárias, passemos ao que importa:

O tema de hoje é algo polémico, tema propício a gerar debate (receita que por vezes teima em falhar) e feito especialmente com a hipótese de ser a última vez. O tema de hoje é direcionado às massas “sabidas” da Internet e arredores, as massas arrogantes e, por vezes, poderosas a que chamamos de ICW (Internet Community Wrestling).

Para quem ainda não conhece, recomendo plenamente, mas para quem já ouviu falar o mínimo dos mínimos acerca deste assunto, sabe que “Death Note” é uma das maiores séries japonesas e com maior projeção a nível mundial. Uma série do estilo “anime” (desenho animado japonês), baseada em Thriller e Fantasia, que justifica da melhor maneira o popular ditado “as aparências iludem”: apesar do estilo gráfico ser tipicamente de animação, a série conta uma história excelente e com elevados níveis de interesse, não só para as crianças, a quem é supostamente direcionada, mas para todas as fachas etárias.

A história consiste num livro mágico chamado “Death Note”, com o poder de matar qualquer pessoa cujo o nome seja escrito nas suas folhas. Os episódios desenvolvem-se à volta de um estudante super-inteligente, que, ao encontrar o livro, faz uso do mesmo para matar todos os criminosos do mundo, tornando-se nele mesmo, um criminoso.

Mas deixando as descrições para depois e fazendo o “bichinho” da curiosidade habitar o vosso pensamento, passemos ao Wrestling, e em que se relaciona isto com Wrestling?

Pois bem, voltando à ICW, esta tem assombrado toda a Internet com os seus ditos “conhecimentos”. Os auto-intitulados “smart fans” invadem blogues, sites e fóruns com críticas negativas, apontando erros em toda a indústria, seja no atual produto da companhia, na importância de certos títulos, na manutenção de certas rivalidades e, mais acentuadamente, nos lutadores.

Focando-me na WWE (única empresa com quem me sinto 100% à vontade para explorar nos meus artigos), facilmente conseguimos formular uma lista de lutadores ditos “overrated”, cujo o seu estatuto/posição na empresa é superior ao que estes merecem.Entre tantos de tantos nomes, há que saber distinguir os que realmente são extra-valorizados, dos que ainda não conseguiram mostrar todo o seu potencial.

É aqui que os supostos “overrated” passam a “underrated”, sendo sub-valorizados pela ICW, que teima em não lhe reconhecer o devido talento.

O potencial pode não estar à primeira vista, e o público pode vir a ser convencido gradualmente, como aconteceu com Daniel Bryan, de que o lutador em questão tem o que é preciso, embora esteja escondido.

Casos não só como Daniel Bryan, mas como Bray Wyatt e Antonio Cesaro, são argumentos que sustentam a minha teoria de que o tempo é fulcral no wrestling. A evolução destes três talentosos Superstars está à vista, mas é precisamente por estar à vista, em demasia, que a ICW se verga, agora, perante os mesmos.

Antes desta grande evolução, os mesmos “smart fans” criticavam, desprezavam e enxovalhavam os antigos Bryan Danielson, Husky Harris e Claudio Castagnoli, criticando a falta de presença e carisma que os impedia de vingar no ramo. Tal vem permanecendo até aos dias atuais, e é grande a lista de nomes “cadastrados” na Internet.

A ICW é, por isso, portadora do seu próprio “Death Note”, onde escreve os nomes dos lutadores que, à primeira vista, não se conseguem adaptar tão bem ao seu estatuto e não conseguem transpor o seu verdadeiro talento, e quase os “matam” (no sentido figurado) para o resto das suas carreiras. A menos que a evolução seja impossível de negar, como no caso de Daniel Bryan, os lutadores “cadastrados” pela ICW vão ser lembrados negativamente até ao final das suas carreiras.

Caso mais “aberrante” desta minha teoria, é o de Bo Dallas. Confesso que escrever alguma coisa a apoiar uma figura como a de Dallas em plena Internet, é quase que pleno “suicídio”, e tenho perfeita noção dos riscos que corro ao escrever este artigo, mas não sou do tipo de fã que se deixa influenciar pela “onda”. Não é segredo, já considerei Bo Dallas o “cepo” tão grande que a maioria de vós considera hoje, porém, com o tempo tudo mudou.

Com o tempo, foi-nos apresentada uma nova faceta deste ex-campeão do NXT, uma faceta que conjugava a personagem “heróica” lhe atribuída com o seu comportamento irritante que o público fazia questão de destacar. Com isto, nasceu uma personagem vilanesca camuflada, começando a tornar-se mais óbvia tempos depois.

De facto, esta foi das melhores coisas que o NXT fez, na minha opinião. Se o despedimento de Kassius Ohno me levou a acreditar que a divisão pouco se esforçava para gerir os lutadores em desenvolvimento de acordo com as suas dificuldades, uma vez que em vez de tentarem explorar as dificuldades de Ohno, simplesmente desistiram do mesmo, a gestão que tiveram com Bo Dallas fez-me mudar rapidamente de ideias.

A equipa criativa soube aproveitar aquilo que Dallas melhor faz, que é irritar genuinamente o público, e criar um brilhante “heel”, ao estilo de, por exemplo, Damien Sandow.

Dallas concentrou-se em trabalhar as suas habilidades em ringue, das quais sempre fui fã, e no microfone, e rapidamente mostrou uma enorme evolução, que foi, mais uma vez, ofuscada pelo cadastro da ICW.

Outro caso é o de Big E. O atual campeão Intercontinental é também uma personalidade “cadastrada” pela ICW, da mesma maneira que Bo Dallas é, mas talvez num patamar de importância acima.

O título Intercontinental é de facto um dos títulos mais importantes da companhia. Talvez agora o seja mais do que nunca, uma vez que com apenas um título mundial,  o título IC tem de fazer a perigosa ligação entre o Mid-Card e o Main-Event, o que lhe altera imediatamente o estatuto.

Ao início, não era fã de Big E, assim como não era de Dallas e como a maior parte dos fãs não eram. As suas limitações em ringue faziam com que eu não o quisesse ver o título, e o seu carisma e potencial ao microfone ainda não tinha sido explorado.

Porém, com o tempo tudo mudou. Após ter assistido a fortes elogios a Big E, tentei explorar minimante o seu trabalho, uma vez que do pouco que a WWE nos tinha apresentado, eu não era fã. Recorrendo a vídeos, imagens e até a publicações no Tweeter, encontrei um Big E muito mais natural, extremamente cómico e suficientemente carismático para carregar o título.

A questão é: as suas habilidades em ringue não são as melhores,  mas a WWE já se preocupou em ensinar-lhe alguma coisa enquanto “in-ringue performer”? Já lhe deu tempo de antena para este mostrar o seu típico humor ao microfone? Já lhe criou adversários e rivalidades com pés e cabeça para o seu reinado? Já lhe atribuiu uma ligação com os fãs, como a “Five Count” que este fazia no NXT?

A resposta é claramente negativa e o seu potencial foi, mais uma vez, ofuscado pelo cadastro da ICW.

Por fim, quero usar mais um exemplo para sustentar todas estas cruéis afirmações, falando por isso nos extintos Prime Time Players.

Ao falar nesta recente equipa acabo por quebrar o conceito, uma vez que estes não foram tão marcados negativamente como os outros dois casos, e até têm um número considerável de apoiantes, mas não é mentira nenhuma quando se diz que estes foram sub-valorizados, não só na Internet, como dentro da própria companhia. Os Prime Time Players foram, a par dos Rhodes Scholars e dos Real Americans, equipas que acabaram cedo demais enquanto podiam ter sido lendas da divisão.

Talvez possa parecer exagerado, mas desde sempre gostei dos PTP e sempre os vi como potenciais campeões. Sejamos sinceros, para segurar os títulos de Tag Team não se pede alguém com o carisma dos DX, com a “gimmick” dos Wyatts ou com o talento dos Shield, pede-se uma equipa sólida e consistente, que esteja a passar por uma boa fase, de modo a aproveitar o seu ímpeto e de facto, esta era uma equipa bastante consistente.

A “catch phrase” dos “Millions of Dollars” encaixava lidamente nas suas personagens, assim como a sua “taunt” que rapidamente contagiou o público; as suas “promos” e segmentos eram bastante engraçados, usando o apito e o pente de cabelo para entreter o público; eram carismáticos acima de tudo e tinham uma enorme presença dentro de ringue,uma vez que comparada com os seus tempos no NXT, vê-se perfeitamente que o tempo tudo mudou, e este mostraram uma enorme evolução.

Pois bem, aqui na Internet, quase niguém o reconheceu, e talvez por isso os PTP tenham precocemente terminado. O que será de Titus O´neil e Darren Young agora? Nada, porque mais uma vez, o seu esforço foi ofuscado pelo cadastro da ICW.

Como podem ver, o Death Note da ICW é um objeto bastante perigoso e, mesmo que não exista no sentido literal da palavra, já fez pelo menos três vítimas. O que virá a seguir? Será que que a WWE se vai sustentar nas opiniões dos precipitados “smart fans”? Ou será que continuará a apostar nos seus homens conforme o reconhecimento que lhe atribuem? A incógnita prevalece e isso, só o tempo dirá.

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11 Comentários

  1. José Sousa - há 3 anos

    Welcome Back.

    Em parte tens razão, mas acredita que a WWE não aposta no Bryan por causa da ICW. Nem o Cesaro, nem o Wyatt. A WWE está borrifar-se na maioria das vezes para o que a comunidade online diz, eles apostam em quem vai dando provas.

    O Wyatt é uma aposta pessoal do Triple H por exemplo, e diga-se até agora tem sido bem conseguida. A prova que a IWC muda é o Reigns, eu vi toda a comunidade contra a Besta dos Shield no début, e agora conquistou um mar de fãs. Os fãs não gostam do Rowan e gostam do resto dos Wyatt, e é porque o Rowan é mau, ponto final.

    Eu percebo que por vezes os fãs são radicais de mais, não querem ver o talento da Emma e de Fandangos só porque têm determinadas gimmicks, e nisso tens razão.

    A questão do Big E é premente, porque nesta altura ou mudam a atitude com ele, ou o melhor é mesmo trocar de campeão. Ele não é péssimo(eu admito isso) mesmo não gostando dele, mas a WWE está a faze-lo parecer insignificante, e com isso o titulo também fica, mas acho cedo para passares uma Death Note.

    Sobre o Bo Dallas acho que não tiveste nenhuma note, honestamente já vi muita gente a mudar a opinião sobre o Bo e achar que o homem é bom heel. Eu acho que ele ainda vai para o main-roster sinceramente, por isso não vejo algum drama, nem Nota de óbito da ICW, até porque a WWE já comprovou que se quiser insistir em alguém faz.

    Mais uma vez um pouco exagerado. Eu gostava dos Prime Time como Tag, mas a nota de óbito não foi dada pela ICW, porque uma vez não acho que sejamos tão poderosos ao ponto de termos determinado o futuro deles. A morte deles deu-se no dia em que o Washington foi despedido como manager, eles iam ser campões nessa altura. Contra os Shield não poderiam ter sido porque não tinham ganho a credibilidade para tal, algo que os Usos conquistaram. O futuro deles é mau, porque simplesmente a solo não os vejo como forte, são outros Cryme Tyme. E nisso a ICW não tem influencia alguma.

    O que quero dizer é quo o Bryan é um fenómeno agora não por causa da ICW, mas sim porque a grande maioria criou um elo com ele. A WWE se quisesse podia ter esmagado o homem na Mania 28, agora é tarde demais. E vao apostar, porque ele é o segundo homem que mais produtos vende, e no fim do dia é isso que a WWE conta.

    • José Sousa - há 3 anos

      De resto, muito bem feito o artigo. O ve o meu comentário como uma opinião pessoal como é óbvio, não sou dono da razão.

      • Rubinho16@ - há 3 anos

        Antes de mais, obrigado :)

        Não sei se me expressei corretamente, mas relativamente ao teu primeiro parágrafo, eu quis dizer exatamente isso, ou seja, não só a WWE como a ICW dão crédito a nomes como o Bryan, o Cesaro e o Wyatt porque a evolução é tão palpável que ninguém pode negar, coisa que fizeram nas respetivas estreias dos três lutadores.

        A questão é do Big E é muito pessoal. Cada um é livre de ter a sua opinião, e eu admito ser dos poucos que vê algo de positivo no Big E, e o facto de as suas “ring skills” serem tão limitadas deixa-me frustrado pois sei que se não fosse esse aspeto, ele tinha tudo para brilhar. No entanto, compreendo quem não vê nada nele, mas se a WWE não nos mostra nada das suas qualidades, acho que deviam pesquisar o “outro lado” do Big E antes de o julgarem.

        Relativamente aos PTP, eu referi no artigo que estava a quebrar o conceito, pois estes não eram casos tão marcados negativamente como os outros dois, era mais uma questão de 50/50, relativamente a apoiantes e “haters”, mas mesmo os apoiantes, apesar de lhe reconhecerem algum, não lhe reconhecia todo o mérito possível.

        Mais uma vez obrigado e não levei nada a mal pois claro que são opiniões pessoais, e eu tinha noção desse ponto antes de escrever o artigo.

  2. andre - há 3 anos

    Excelente artigo concordo em tudo o que dizes

  3. Foto de perfil de Facebook

    Daniel "ThaGr8One" Leite - há 3 anos

    Bem, para começar devo congratular-te pela insistência que tens vindo a demonstrar, pelo facto de não desistires à primeira adversidade, e isso é de louvar.

    No entanto, e embora ache que a associação wrestling/Death Note tenha sido uma cartada muito bem jogada, acho que há pontos em que tens que melhorar, tanto a nível da ligação como a nível geral do artigo.

    Repara: Por mais do que uma vez tu referes a (and i quote) “ICW”, quando, na verdade, o nome correcto é representado por IWC (Internet Wrestling Community). Outra coisa que reparei foi o facto de falares das redes sociais quanto te referes a Big E, e, a par do erro de trocares as letras da IWC, cometes-te aqui outro erro. A rede social a que te referes chama-se Twitter, e não Tweeter. São apenas pequenos reparos que com uma pesquisa mais aprofundada e uma revisão se podem facilmente evitar :) (É apenas uma crítica construtiva claro)

    Quanto ao artigo em si, gostei bastante da associação que fizeste, acho que foi muito inteligente da tua parte e acho que revela bem que já andavas a planear isto há algum tempo, não foi algo que te lembraste de fazer só porque tinhas tempo livre e nenhum sítio onde ir. Podia ter sido mais aprofundado? Talvez pudesse, mas isso são coisas que se vão aprendendo com o tempo! Concordo contigo no caso dos PTP e do Big E, pois são lutadores dos quais eu gosto e que são algo postos de parte pelo IWC. Acho que têm todos muito boas capacidades, mas que não são bem aproveitadas. Quanto ao Bo nada posso dizer pois não acompanho NXT neste momento, ando apenas a par do que se vai passando de mais importante.

    Continua a escrever e vai aperfeiçoando a tua apresentação dos artigos com os conselhos que te vão dando, porque é a melhor maneira de aprender (falo por experiência própria). Como dizia o outro “Força aí na maionese” :D

    • Rubinho16@ - há 3 anos

      Muito obrigado, sabes que dou muito valor à tua opinião, por teres feito um percurso parecido com o meu e estares onde estás hoje, portanto não és um qualquer que diz que sabe do que fala :D

      Eu sei que é com as críticas que se aprende, mas fiquei envergonhado por ter escrito “Tweeter” xDDD Esta foi mesmo engano, pois sabia como se escrevia, quanto à IWC, sempre estive na ideia que se chamava mesmo ICW, mas são erros que acontecem.

      Mais uma vez obrigado e ainda bem que concordas comigo em grande parte :)

  4. bernardo - há 3 anos

    Excelente artigo
    Death note é altamente,aconselho!
    O Bray Wyatt até me faz lembrar o Kira ás vezes

  5. bernardo - há 3 anos

    Excelente artigo
    Death note é altamente,aconselho!
    O Bray Wyatt até me faz lembrar o Kira ás vezes

  6. bernardo - há 3 anos

    Excelente artigo
    Death note é altamente,aconselho!
    O Bray Wyatt até me faz lembrar o Kira ás vezes

  7. akujy - há 3 anos

    Bem-vindo (again) Rubinho e é de louvar a tenacidade com que persegues o teu sonho. Há realmente alguns erros e inconsistências que já foram mencionados, e também não concordo com tudo o que dizes (mas cada um tem a sua opinião, claro), mas nada que no futuro não possa ser melhorado num próximo artigo, quando tal acontecer. No geral um bom trabalho. Gostei da comparação com o Death Note (embora a mesma nem sempre tenha sido correcta) mas acho que podes ainda ser mais tu. No geral é um bom artigo, continua a evoluir, vais no bom caminho.

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