Smoke and Mirrors #189 – Weak Enough

Esta semana fica marcada pelo regresso à antena da WWE do formato que a mesma apelidou do “ oportunidade de ouro “ para ser uma WWE Superstar. Não que essa citação corresponda completamente à verdade, porque não, no entanto essa é a fábula que a companhia conta como promessa que o vencedor desse programa poderá um dia ser main-eventer da Wrestlemania, e um dos principais nomes da companhia.

Na verdade um Alumni deste programa, o Miz já esteve num main-event de uma Wrestlemania, mesmo que na verdade o foco tivesse estado no inicio do confronto entre o Cena e o Rock. Aliás, se analisarem o percurso do Miz depois desse reinado como WWE Champions acho que não será difícil de se perceber que ele nunca mais recebeu verdadeiramente um tratamento de main-eventer.

Porém, é sem dúvida alguma o maior exemplo de sucesso do Tough Enough na WWE, embora não seja claramente aquele que mais potencial tinha enquanto wrestler e performer de topo. No entanto, mantenho a minha opinião que o Miz podia ter sido um fantástico top heel da WWE, uma vez que não o considero tão mau wrestler quanto muitas vezes acaba por ser retratado pela comunidade online.

Mas voltando ao Tough Enough, devo admitir que foi com indiferença que recebi a notícia do seu regresso até porque ele não me pareceu ser muito pertinente. Aliás a ideia que fiquei é que iria servir como modo da WWE recrutar um talento mais “Big Guy” e uma “Diva Modelo”, e não propriamente enquanto um formato que irá verdadeiramente encontrar o talento do futuro da WWE.

Claro que poderia estar enganado, e ainda posso, mas fiquei com muito má impressão do que vi no primeiro episódio da nova Season do Tough Enough. E não, não tem nada a ver com a troca do Jericho pelo Stone Cold, porque isso na minha opinião nem afectou muito a qualidade do programa. E nem sequer me incomoda muito a postura dos júris à “American Idol” que a WWE definiu, porque isso seria algo que facilmente conseguiria contornar.

O que me realmente irritou foi o elenco que a WWE escolheu e a forma como o apresentou. Pareceu-me uma apresentação à “Total Divas”, e isso não me agradou nada minimamente porque sendo um reality show acaba por se focar nos conflitos entre eles do que propriamente em apresentar o seu potencial enquanto futuro wrestlers.

Sei que esse lado mais sensacionalista teria que aparecer e seria inevitável, no entanto dispensava que fosse o foco do programa embora o seja quase sempre neste tipo de formatos. Provavelmente por causa disso é que não me cativam porque me parecem sempre mais do mesmo, e sempre com o mesmo de tipo de personalidades nos concorrentes. Isto tudo sem que surja alguém em que percebas que existe ali algum potencial, nem que seja no campo do acting.

A impressão que fiquei é que todos eles parecem que foram escolhidos porque correspondem a determinado estereótipos previsíveis: seja nas mulheres como nos homens. Sendo que os perfis vão da “típica brasileira”, “loira giraça”, a “emotiva” e “noiva dividida” nas mulheres. E no caso dos homens são quase todos protótipos de atletas fitness, e ainda temos o arrogante que faz tudo o que os outros não fazem, e ainda o enterteiner que é um jovem que luta com crocodilos.

Este naipe à primeira vista pareceu-me de muito mau gosto, e sobretudo incapaz de dar dinâmicas interessantes ao programa. Todos os conflitos, momentos de lazer pareceram-me excessivamente previsíveis e sobretudo apresentados de forma muito desinteressante. Uma vez mais, fiquei com a ideia que estava a ver o Total Divas com “Recrutas” e com ainda pior actores e actrizes.

Se tiver que fazer um resumo do primeiro episódio ele não seria de todo positivo, porque tal como a Natalya referiu num comentário no Twitter não nos foi possível perceber quem poderá ter a capacidade de ser wrestler ali. Não basta demonstrarem um monte de exercícios de cardio e força para que se perceba ali que alguém pode vir a ser um nome com algum impacto na WWE.

Por isso e para quem não viu o primeiro episodio vou fazer um breve resumo do primeiro capitulo desta temporada do Tough Enough. Basicamente tivemos exercícios físicos em estádio e ringue, e onde o Tanner arrasou e depois gabou-se disso, além de gabar-se do seu cabelo bem cuidado (como se isso me interessasse muito). Esse tipo de atitude despoletou conflitos com todos os outros concorrentes masculinos, à excepção de ZZ, mas também esse é a “personagem “ do grupo e nunca se dará mal com ninguém.

No lado feminino destacou-se a Dianna e a brasileira Gabi, mas sendo muito sincero nenhuma pareceu ter uma personalidade diferente das que normalmente temos na WWE. E por isso estou convencido que a vencedora feminina será usada como a grande maioria das Divas do main-roster, e dificilmente vejo a alguém daquele elenco com potencial para ser excelente wrestler, aplicando-se o mesmo para o lado masculino.

O programa concluiu-se com a expulsão de Hank, algo que qualquer um via quando os conflitos com Tanner despoletaram, porque era óbvio que iam eliminar alguém que criticou o concorrente com melhor performance. Mas, isso não é o mais relevante no meu ponto de vista porque no fim da história seria importante que quem vencesse fosse alguém com potencial, e duvido muito que isso aconteça.

Estamos a falar do show que nunca trouxe verdadeiramente grandes talentos para a WWE, sendo possivelmente o Morrison o único exemplo de excelente wrestler que passou por este formato. Claro que tivemos nomes como Ryback e Miz no Tough Enough mas na verdade eles nunca foram conhecidos como grandes talentos, ou pelo menos demoraram muito até se afirmarem na WWE após a sua participação neste programa.

E o que dizer de Maven que teve alguns meses de destaque e depois desapareceu do mapa, e que terá como marco da sua carreira na WWE a eliminação do Taker no Royal Rumble de 2002. E se ainda faltarem provas da inutilidade do formato para o futuro da WWE, posso acrescentar que a única participante da última edição com contrato com a companhia foi a Cameron, e isso não é necessariamente algo muito positivo.

Espero estar errado e no final desta edição ter uma surpresa agradável com os dois vencedores, no entanto não creio que vá acompanhar fielmente este produto. É não vou não porque ele seja péssima, apenas não tenho paciência para este tipo de formato de Reality Show mesmo que este aborde o wrestling, pois sinto que não trará nenhum benefício para o futuro da WWE.

Em suma, a apesar de esperar que esteja errado vou esperar pelas performances dos vencedores no NXT para retirar as minhas conclusões. Até lá, espero que vença o mais forte, mas eu não irei acompanhar o programa porque numa altura onde a oferta de entretinimento e wrestling é tão abundante o Tough Enough não faz por certo das minhas prioridades.

Tenham uma óptima semana com o melhor wrestling aqui no W.PT.

Pergunta da Semana

Qual a tua opinião e expectativas para esta edição do Tough Enough?

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

27 Comentários

  1. Reigns one versus all - há 1 ano

    Excelente artigo,José.
    Para mim o tough enough não é um programa assim muito bom mas também não é muito mau.
    Também como ainda só vi um episodio ainda é cedo para avaliar a qualidade do programa,que acaba por ser tipo aqueles reality-shows que passam cá em Portugal.
    Eu pessoalmente ate gosto de ver reality-shows,e se tiver wrestling a mistura melhor ainda.
    Agora não espero que sai daqui a próxima grande estrela da WWE,nem nos masculinos nem nas divas.
    Vou continuar a acompanhar,porque para mim é um tipo de programa que me interessa.

    • José Sousa - há 1 ano

      Lá está é mesmo uma questão pessoal, não tenho tolerância para Reality Shows não consigo mesmo ver quando é focado neste tipo de coisas. Mas compreendo e respeito quem goste.

  2. Fábio Peres - há 1 ano

    Considerando-se que a WWE está trabalhando cada vez menos com pro wrestling, e mais com uma storyline bem contada para agradar o público, o Tough Enough até que faz sentido: é um reality show no qual luta-livre é apenas um detalhe.

    Se lutar é apenas um detalhe, e o mais importante é gerar empatia, o vencedor poderá ser tudo, menos um bom wrestler. Interessante, contudo, é ver quem vai ter mais personalidade para ser contratado “por fora” do programa, e permanecer na WWE pelos méritos, e não pelo concurso.

    • José Sousa - há 1 ano

      Sim. A WWE não trabalha menos com o Pro Wrestling, apenas não o chama como tal. Se assim fosse o KO não seria uma aposta porque ele é um Pro Wrestler e de enorme qualidade e um futuro main-eventer.

  3. Wrestling Life - há 1 ano

    Estou exatamente como tu.
    Acho o Tough Enough um enorme flop que nunca trouxe ninguém à WWE. Os participantes que mais tarde entraram na WWE, conseguiram-no mas não foi por causa do reality-show.

    Enfim, é ver que ganha e esperar até ser despedido.

    • José Sousa - há 1 ano

      Exacto. Quem trouxe foi o Morrison, para mim foi o único enorme talento a sair de lá. O Miz também gosto dele mas não foi pelo TE que chegou lá, aliás teve um trabalho enorme para tirar a imagem de Reality Show Guy.

  4. Mr. Money In The Bank - há 1 ano

    Se contratarem outra Cameron da vida, nem valerá a pena…

  5. Tunes9 - há 1 ano

    Bom artigo.

    Compreendo o que dizes e percebo quem não goste, no entanto eu confesso que sou fã deste tipo de reality shows e não vejo mal neles, no “Total Divas” é diferente porque, por vezes, interfere com as histórias principais da RAW e Smackdown além dos intervenientes serem as “Divas” do Main-Roster, aí sou contra e não gosto, agora um reality-show que apenas tem um anfitrião (reformado ou lutador a part-time) e um júri, sendo que os intervenientes são desconhecidos e estão a lutar por um lugar na WWE, aí não sou contra e admito que sou fã e gosto de acompanhar, além disso não é obrigatório ver e não faz parte da WWE em si, claro que os vencedores vão entrar para a companhia mas começam de baixo para cima e portanto é como se fosse um programa à parte para entreter e no fim contratam os vencedores e eles terão que adaptar-se e evoluir e antes de irem subindo, já se sabe que estes programas são um pouco previsíveis e até “feitos” mas pelo menos são divertidos e interessantes, o problema principal é o facto de haver programas em que não há ninguém minimamente talentoso e depois o vencedor nem um combate faz e é despedido e contratam Camerons ou outros que já tinham sido eliminados que não dão em nada ou acabam a jobbers, se o reality-show fosse como é e escolhessem verdadeiros talentos, aí valeria a pena, nesta temporada até vejo alguns com potencial como Tanner, ZZ (este se melhorar o físico), Gabi e Sara Lee, agora resta esperar e ver como evoluem e o que conseguem mostrar até ao fim.

    Acrescento que em 2015 e com as novas tecnologias, mudança de mentalidade, etc, etc, é natural que o programa seja menos um programa de “caça-talentos” e seja mais um reality-show puro, pelo menos dá para entreter como disse acima e vou continuar a acompanhar, agora espero que algum dos participantes se possam tornar mais-valias para a NXT, senão tudo terá sido em vão, ainda assim tenho esperança que 1 ou 2 nomes daqueles que falei acima possam fazer algo decente.

    Bom trabalho José Sousa. :-)

    • José Sousa - há 1 ano

      Eu espero que estejas certo. Mas o NXT vai precisar é de wrestlers indys para manter o hype, porque foram eles que lhe deram isso e com a subida dos principais ao main-roster será necessário que surgam novos nomes no NXT com impacto.

      • Tunes9 - há 1 ano

        Pois, agora resta esperar para ver se terei razão ou não. :-)

        Quanto ao resto, subscrevo, eu acho que há espaço para os vencedores deste Tough Enough (se os que eu penso demonstrarem verdadeiro talento e vencerem, até agora estou a gostar mas é muito cedo para tirar conclusões, vamos aguardar e ver) na NXT (primeiro no performance center e depois no roster) mas concordo que é preciso trazer 2 ou 3 lutadores das Indys com talento, algum passado/experiência e nome para termos um roster equilibrado na NXT e depois o booking misturado com o talento fará o resto.

      • José Sousa - há 1 ano

        Eu duvido que se for o Tanner ele seja o pro wrestler que imaginam. Sim poderá saber algumas coisas do MMA, mas não sabes se a especialidade dele no MMA era wrestling ou outra. É sempre complicada essa transição.

      • Tunes9 - há 1 ano

        Sim, isso é verdade e nunca o vi a lutar, no entanto gostei da sua aparência, confiança em si próprio e capacidade atlética, agora falta ver o resto mas estou a gostar, continuo a acreditar que 1 ou 2 vão safar-se na NXT, posso estar errado, apenas nos resta esperar e ver o que acontece.

  6. ShowOff - há 1 ano

    Excelente artigo José, concordo com tudo o que disseste.

    Neste primeiro episódio confesso que apenas deu para ver uns pequenos apontamentos e detalhes de alguns concorrentes, pasreceu-me que o Tanner vai sair vencedor ou pelo menos vai ficar até muito perto do fim, assim como o Joshua. Vejo neles carisma suficiente para lá chegar, mas como ainda não os vi no ring não posso tirar conclusões. Quanto às mulheres, não vejo ali nada de mais. Parece-me tudo dentro do padrão do que temos no Roster, e não sei até que ponto temos ali uma Top Diva capaz de vingar na WWE.

    Estou interessado em ver o programa, mas gostava que este fosse mais próximo de um programa de Wrestling do que de um Reality Show, acho que só assim cativaria mais interesse. Mas vou esperar por ver os vencedores no NXT.

    • José Sousa - há 1 ano

      Exacto. O único programa do género que gostei foi o NXT Season 1, e foi porque o Miz e o Bryan roubavam o show. Caso o contrário não teria sido muito positivo além do Bryan,, Gabriel e Barrett.

      • Don_Ricardo_Corleone - há 1 ano

        O NXT não era bem a mesma coisa, de reality show teve muito pouco.

      • José Sousa - há 1 ano

        Sim era um Challenge Show.

      • ShowOff - há 1 ano

        Na minha opinião esse formato devia ser aplicado ao Tough Enough. Ou seja, o NXT mantinha-se como está, obviamente, e o Tough Enough passava a ter esse formato. Acho que seria algo muito mais interessante.

  7. Don_Ricardo_Corleone - há 1 ano

    É exactamente a minha opinião. Eu nem o primeiro episódio vi, odeio reality Shows, demasiado show off e soa tudo demasiado a falso. Estes reality show são previamente escritos como uma telenovela, eles criam os personagens, as tensões e já sabem quem vence, podendo alterar conforme a audiência. No fim lançam um deles no roster, usam-no enquanto o reality show estiver fresco na nossa memória e depois desistem deles. Basta lembrar o Maven que chegou a eliminar o Undertaker e a lutar contra os Evolution no main event do Survivor Series, o Morrison que demonstrou enorme qualidade ou o Miz que depois de um reinado de campeão longo desapareceu do mapa, wrestlers que já foram referidos.

    • José Sousa - há 1 ano

      Exact. Mas o Morrison foi único e não voltaremos a ter alguém a sair de um programa destes com o talento que ele tem.

    • Tunes9 - há 1 ano

      Concordo com o teu comentário e, na maioria das vezes, não dá mesmo em nada estes reality-shows mas eu vejo porque dá para entreter e pelo menos tem algo a ver com um pouco com Wrestling.

  8. Vinícius Nunes - há 1 ano

    Nunca me interessei pelo TE, nem agora com uma brasileira, e pelo artigo, acho que tomei a decisão correta em não ver isso.

    Obrigado José, pela confirmação xd

  9. Diogo7 - há 1 ano

    Já vi que fiz bem em não ver o Tough Enough. É um formato que não me interessa minimamente.

    Bom artigo, José.

  10. Stone Cold - há 1 ano

    Pelo contrário eu considero este programa como uma oportunidade unica de oferecer a um atleta masculino e a outro feminino uma oportunidade unica de entrar para o roster da companhia. Aliás considero que nem todos os que vem para a wwe tem que ser wrestlers com nome feito e que os esforçados e que querem aprender também merecem uma oportunidade ou não tivessem saído desse programa o The Miz e o John Morrison. No geral são grande fanático de ambos mas nao coloco o John acima do Miz por um motivo muito simples. Porque a companhia wwe nao se destina apenas ao wrestling. Destina-se também ao entertenimento e fazer grandes moves não é suficiente para se chegar ao topo da companhia. John Morrison era invejavel no ringue. Miz era no microfone. Acho que os dois se complementavam na perfeiçao, nas carencias um do outro e ambos estão no mesmo nivel, avaliando tudo aquilo que uma wwe superstars precisa e esquecendo o conceito de “wrestler” onde Morrison está muito acima ou o de “talker” onde Miz vence claramente. Em relação a Ryback considero-o mesmo um erro de casting.

    É pena que o investimento à volta deste programa nao se traduza numa real oportunidade e na criação de um novo talento com potencial para estrela. Não faz muito sentido criar este programa e depois nao possibilitar sucesso aos vencedores ou conceder-lhes essas oportunidades pois isso retira o brilho e o interesse ao programa. Acho sinceramente que deveriam dar maior destaque a quem o vence de alguma forma e mostrar que a vitoria garante pelo menos a oportunidade.

    Do pouco que vi apenas posso referir que nao gostei do Tanner minimamente nem da atitude dele e que espero que seja eliminado quanto antes. Quanto aos outros ainda nao tenho uma opinião formada mas nao vejo porque nao possam evoluir e ter sucesso. Estamos na era da oportunidade e quem sabe algum deles a possa agarrar.

  11. Sorlei Rui Oltramari - há 1 ano

    Ótimo artigo, José. Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre o Tough Enough.

    É um programa que me parece fraco e não faz estrelas como era suposto. Os vencedores tem destaque por um tempinho para mostrar o ideal do programa, mas estes desaparecem logo depois. Gosto da iniciativa de treinar pessoas que gostariam de se tornar pro wrestlers, mas os exemplos que tivemos nos provam o contrário. Miz, Ryback, Morrison, Melina, Maria, entre outros conseguiram chegar a WWE, mas não devido ao programa.

    Alem disso, essa espécie de reality-show não me agrada. Tanto as edições anteriores do Tough Enough quanto os primórdios do NXT fracassaram em seu propósito original.

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