Smoke and Mirrors #198 – Ultima Lucha

É impossível ficar indiferente a um produto de excelência. E foi exactamente isso o que a Lucha Underground nos apresentou no último episódio da primeira Season: Excelência. Claro que essa excelência surgiu muitas vezes ao longo da primeira temporada deste produto inovador, mas o conjunto de episódios finais com a duração total de 3 horas foi um dos eventos de wrestling onde assisti a harmonia entre a história que me foi contada, mas simultaneamente com wrestling de elevada qualidade técnica.

Claro que não deveria ficar surpreendido com esta consistência do produto da Lucha Underground até porque ela foi sempre a imagem de marca desta companhia. Dai que este último capítulo foi o culminar de um percurso onde se criou uma linguagem e estilo próprio, mas igualmente um conjunto de estrelas próprias. Aliás, a magia do produto esteve na forma como valorizou ao mesmo nível as estrelas mais reconhecidas (Chavo, El Patron, Mundo, Big Ryck), mas ao mesmo tempo valorizou ao mesmo nível as Estrelas Lucha Underground.

Tendo em conta essa combinação, o episódio final “Ultima Lucha” foi extremamente coerente com o que nos foi apresentado anteriormente. Aliás, as historias que nos foram apresentadas não podiam ter tido melhor conclusão do que as que tiveram, porque deixaram ângulos em abertos em alguns casos, e noutros acabaram com a rivalidades de forma surpreendente, mas ao mesmo tempo correcta.

Mas cada um dos combates merece que descrimine o que gostei mais ou menos nesta espécie de PPV da Lucha Underground. Até porque ele ficará nos registos dos fãs de wrestling como um dos melhores eventos de wrestling do ano de 2015, aconteça o que acontecer no que resta deste ano.

Assim sendo a primeira “noite” do evento foi um episodio regular da Lucha Underground, onde tivemos três combates de boa qualidade, mas onde os holofotes estiveram claramente no opener. Claro que o combate entre Drago e Hernandez foi agradável, mas mesmo assim cumpriu o objectivo de castigar o Hernandez pela falta de respeito pelos fãs do Templo, os mesmo que ajudaram o Drago a vencer este combate e esta rivalidade numa decisão acertada.

O combate pelo título de Trios foi mais um momento interessante, e onde tivemos mais um combate ao nível do que nos foi apresentado por esta divisão ao longo do tempo, mesmo que muitos dos fãs não esteja habituado ao conceito de Tag Team de Trios. E este combate não foi excepção, oferecendo spots brutais e igualmente qualidade técnica, concluindo com a vitória dos Disciples of Death. Numa vitória que marcou o inicio da valorização da melhor stable heel do Lucha Underground, dando inicio a era da “Morte” na companhia.

Contudo o destaque da primeira noite esteve todo no Falls Counts Anywhere entre The Mack e Cage, e este foi sem dúvida alguma um excelente combate do género. Digo isto porque combinou momentos de excelente qualidade técnica com momentos mais hardcore, ou pelo menos mais irreverente, como por exemplo o Stunner à Stone Cold do Mack.

Mas uma vez mais, o que me surpreendeu neste combate foi a audácia da Lucha Underground em dar a vitória ao heel, e sobretudo dar-lhe do modo convincente e brutal que lhe deu com aquele Curb Stomp no naquele “tijolo”. Passando a mensagem que de facto, e mesmo que não gostemos dele o Cage é uma máquina de wrestling e uma das figuras desta primeira season. E que espero que continue a sê-lo na próxima porque o homem é verdadeiramente um “monstro” tanto fisicamente como tecnicamente, e é sempre um gosto vê-lo a lutar.

No entanto, o melhor ainda estava para vir e a verdade é que a segunda noite trouxe-nos um programa de excelência, e com um booking praticamente perfeito. E que não podia ter começado melhor do que com o combate que concluiu a rivalidade entre Johnny Mundo e Alberto El Patron. Até porque era daquele tipo de combate que tinha tudo para ser muito bom: uma boa rivalidade, e dois excelentes executantes.

E a verdade é que assim foi, e os dois proporcionaram-nos um excelente combate tanto no que diz respeito ao storytelling como no ponto de vista técnico, mesmo que isso não seja surpresa alguma. Surpresa seria se não tivesse correspondido às expectativas, e o resultado tivesse sido algo de qualidade duvidosa, para tal acontecer com estes dois era quase impossível.

Mas mesmo assim conseguiram surpreender-me com a vitória do Mundo com ajuda da Melina, porque seria a última pessoa que esperava ver a auxilia-lo devido aos problemas entre ambos com o fim da relação pessoal deles. No entanto, em termos de wrestling é sem dúvida a parceria acertada, e espero que continuem a explorar este duo nos próximos episódios.

Além disso, e apesar da vingança de El Patron no Pós-combate, este resultado surpreendeu porque ele seria à partida a escolha mais previsível para vencer o combate pela história desta rivalidade. Contudo, e ao contrário do que seria expectável, a estratégia criativa pretendeu defender os dois no final desta temporada, não deixando verdadeiramente nenhum deles desvalorizado mesmo dando a vingança que Alberto necessitava.

Mas se muitos julgavam que o spot do combate anterior foi Hardcore, então que falar do combate épico entre Vampiro e Pentagon Jr, que foi um verdadeiro clássico deste tipo de combate. Aliás, estaria a ser muito redutor se avaliasse este combate somente pelo lado Hardcore, porque ele não foi apenas isso. Muito pelo contrário ele contou uma história, e fê-lo de modo absolutamente notável.

A forma como cada spot foi apresentado foi como se tratasse de um ritual de passagem, e de facto foi exactamente isso o que nos quiseram apresentar. Ou seja, mais do que um rival, o Vampiro durante o combate apresentou-se como mentor, claro que é mais fácil afirmar isto depois de se ter visto o combate todo e assistido à revelação que o Vampiro era o mestre do Pentagon.

Mas na verdade, se analisarmos a história que nos foi apresentada essa revelação fez todo o sentido, e sobretudo foi um momento tão surpreendente quanto foi bem introduzido por parte da equipa criativa. O que pretendo dizer é que a vitória de Pentagon contou uma bela história, história que espero que esteja ainda longe do fim, uma vez que gostaria de ver mais desta aliança na próxima temporada até porque ela parece-me ter um conceito que poderá trazer rivalidades e ângulos interessantes.

E depois deste combate seria difícil elevar ainda mais a bitola no que restava do evento, porém não existiram impossíveis neste evento, mesmo que os dois combates que antecederam o main-event tenham sido apenas entretidos. Claro que o combate pelo título de Gift of Gods foi interessante, mas não foi um momento marcante neste evento, não pela falta de qualidade do combate mas porque os dois primeiros embates foram de uma qualidade tremenda que seria difícil superá-los.

Tendo em conta o combate foi efectivamente agradável de se assistir, com bons spots até porque estávamos na presença de excelentes performers do estilo high flyer, à excepção do Big Ryck. Além dessa qualidade técnica, tivemos apresentação do ângulo do raptor louco da Sexy Star, algo que me pareceu que poderá vir a ter desenvolvimentos curiosos no futuro. De resto, devo afirmar que concordo com a vitória do Fenix e espero que me contem uma história curiosa com este título, sobretudo no que diz respeito à oportunidade pelo título máximo da Lucha Underground.

Já no combate entre o Texano e o Blue Demon não tenho muito a dizer até porque foi provavelmente o ponto baixo de um evento que foi quase perfeito. Digamos que aquela vitória por ajuda num combate com muito pouco tempo acabou por o tornar no momento menos interessante do evento, mesmo que entenda que tudo aquilo até fez sentido em termos de storytelling.

Todavia, esse capítulo menos positivo foi rapidamente esquecido pelo extraordinário main-event, onde tivemos um combate extraordinário entre o campeão Prince Puma e Mil Muertes, e no qual o segundo tinha a oportunidade de dar o pleno de títulos à Stable que é liderada por Katrina. Stable essa que recebe o poder da pedra da morte que está na posse da vilã, e que na verdade sempre foi um dos focos mais interessantes e misteriosos que a companhia nos apresentou ao longo desta temporada, a par do beijo da Morte da Katrina.

No entanto, não só de misticismo viveu este combate, até porque ele foi muito mais do que mais um combate com uma história brutal e onde o factor Katrina foi fundamental. Porque por mais que ele se tenha feito sentir, ela não foi um factor decisivo para a conquista do Mil Muertes. Pelo contrário, essa vitória foi mais limpa do que se poderia imaginar, e esse facto valoriza ainda mais a conquista do vilão porque o credibiliza enquanto wrestler de grande qualidade.

Não que fosse impossível que conquistasse a vitória com ajuda e fosse ao mesmo tempo credível, porque era possível, até porque para isso bastava que tivéssemos o mesmo combate, mas com um final menos limpo. Em todo o caso, o facto de a vitória ter sido limpa e em grande estilo fez com que a conquista se tornasse mais especial, porque demonstrou que não precisa da ajuda da bela Katrina e dos “seus lacaios” para vencer o título principal.

Sendo que o facto de ter feito contra alguém do nível do Prince Puma só valoriza ainda mais esta conquista, pois aconteceu contra um dos melhores wrestlers mundiais e principal face da companhia. Aliás, a imagem final com a stable toda com títulos é perfeita, e demonstra o quão bom foi o booking deste especial foi, uma vez que não tiveram medo de dar muito aos vilões.

Pelo contrário foi um show muito heel, porque era a decisão mais acertada para que se pudesse desenvolver arcos de histórias para a segunda temporada. Ou seja, pelo menos naquela situação aquelas foram as decisões mais correctas, e aquele vídeo final provou exactamente isso. Além disso, o epilogo deixou-nos igualmente de água na boca para o que poderá ser a segunda temporada de Lucha Underground, algo que ainda não está completamente confirmado mas que espero que o seja o mais brevemente possível. Até porque seria uma pena caso isso não acontecesse, devido ao sucesso que foi a primeira temporada.

Assim sendo, dou por concluída a edição desta semana. O Smoke and Mirrors voltará na próxima semana com novo tema e debate da actualidade do wrestling.

Perguntas da Semana

Qual a tua opinião sobre a Lucha Underground?

E quais foram para ti os principais destaques do especial “Ultima Lucha”?

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

20 Comentários

  1. Reigns one versus all - há 1 ano

    Ótimo artigo,José.

    A primeira temporada da Lucha Underground para mim foi qualquer coisa de brutal,é um produto completamente diferentes e que me cativou pelos grande combates,ótimas histórias e sobretudo a regularidade da qualidade de cada episódio.

    Eu destaco o domínio da stable liderada pela Katrina,eles que acabaram por mostrar o seu domínio no final da temporada.
    E destaco o combate do vampiro e do Pentagon Jr.,que foi um combate espetacular e o final foi 5 estrelas.

    • José Sousa - há 1 ano

      Sem dúvida. Esses foram sem dúvida os meus momentos preferidos dessa edição da LU; embora todo o episodio tenha sido mto bom.

  2. Alguem me pode dar link para ver o show?
    Obrigado.

  3. João Malheiro e Bruno Castro - há 1 ano

    Grande artigo!

    Resumiste perfeitamente o fantástico produto que foi esta Ultima Lucha.
    Agoa é esperar ansiosamente que se confirme a 2ª temporada, que esperemos seja de tremenda qualidade!

  4. Eu adoro o Lucha Underground. Tem uma qualidade fora de série e é algo que surge como uma verdadeira alternativa, pois é algo realmente diferente. Sem dúvida que vale a pena ver o Lucha que é bastante superior a outras companhias mais conhecidas. Até esqueço o pormenor que não gosto muito que é o dos personagens demasiado cartonizados e das mulheres a lutar com homens, que não é muito realista. Só mudava isso, criava uma divisão feminina.
    A alta qualidade não é só no ringue, é também fora dele numa qualidade de realização fora de série. Os meus favoritos são a Ivelisse, o Son of Havoc, o Angelico, o Prince Puma, o Alberto El patron, o Johnny Mundo, o Mil Muertes, o Cage (uma besta daquelas não é suposto mover-se tão bem) e claro o grande Dario Cueto (ao nível do Vince McMahon e do Eric Bishoff).
    Só tenho pena que o Lucha funcione num sistema de temporadas como uma série, são muitos meses sem o Lucha.

    • José Sousa - há 1 ano

      Sim eu também não sou fã do género cartoonizado, mesmo sendo fã de BD. Mas em Wrestling não vou muito há bola com a maioria das personagens do género. E sim ninguém devia ser suposto de se mexer e lutar como o Brian Cage.

  5. gonçalo"the best" - há 1 ano

    Excelente artigo!
    Lucha Underground é a par do NXT quem apresenta não só melhor wrestling como melhor historias.
    Tanto ROH e TNA cairam bastante( a ROH para mim ja não é o que era e a TNA nem se fala).
    Parabens Jose e ainda bem que escreves-te um artigo sobre o Ultima Lucha.

    • José Sousa - há 1 ano

      Sim a ROH por mim vale pelo Jay Lethal, e o Adam Cole e pelas parecerias com a NJPW. Em termos de historias não está tão interessante. Este artigo era para ter sido na mesma semana da Ultima Lucha, mas foi a tal semana onde não pude fazer o Smoke.

  6. RFBM - há 1 ano

    Excelente artigo. Pode ser uma questão de gostos, mas a Lucha Underground tem o wrrestling e as história que eu quero ver, sendo a minha preferida, passando a ROH e a WWE na minha lista de programas de wrestling. É um produto inovador e com lutadores de alto calibre como o El Patrón, Mack, Mundo, Pentágon, Puma, etc.

    Conquistou-me quando a partir de personagens que não me despertavam muito interesse como o Chavo, passaram a encantar-me. No Ultima Lucha destaco o Falls Count Anywere, o combate entre o Alberto e o Johnny Mundo e aquele que eu gostei mais, Pentágon vs. Vamiro (grande storyline).

    Restam-e apenas esperar para a 2ª temporada, e que venha com pelo menos a mesma qualidade da primeira.

  7. José Sousa - há 1 ano

    Sim. O que mais gostei foi o Pentagon e Vampiro e Puma vs Mil Muertes.

  8. João Paulo - há 1 ano

    Ótimo artigo, estava espera de um grande artigo sobre a Lucha Underground pela sua excelente qualidade apresentada na 1 temporada

    Qual a tua opinião sobre a Lucha Underground?
    Lucha Underground para mim foi o melhor show de wrestling desse ano, pelas suas regularidades desde o 1 episódio até o último, pela qualidade do seu roster com grandes wrestlers conhecidos do EUA e do México, pela qualidade apresentada nas feuds tantos em segmentos e promos, e principalmente pelos espetaculares combates que teve nessa 1 primeira temporada.

    E quais foram para ti os principais destaques do especial “Ultima Lucha”?
    Na primeira noite do Ultima destaque para sensacional Falls Counts Anywhere entre The Mack e Cage com spots muitos bons por parte dos dois durante o combate, e na segunda noite do Ultima Lucha os destaques foram, o grande combate entre Johnny Mundo e El Pátron concluindo a ótima feud que eles tiveram, destaque para o combate brutal entre Pentágon e Vampiro com spots muitos fodas e se tiver mesmo a 2 temporada espero que o Pentágon com o Vampiro de seu manager vá em busca do Lucha Underground Championship, destaque para bom combate pelo título de Gift of Gods com o Fênix vencendo, e destaque para main event com excelente combate técnico entre Mil Muertes e o fantástico Prince Puma, e no final do combate foi muito legal ver o Mil Muertes&Catrina e sua Stable comemorando com os títulos da LU

    • José Sousa - há 1 ano

      Sem dúvida é um produto diferente e especial. E tal como tu espero que tenha segunda temporada porque seria um prémio para um excelente trabalho tanto dos wrestlers como da equipa criativa.

  9. Miguel Carlos - há 1 ano

    Lucha Underground é um produto muito especial. A TNA vai de mal a pior. O NXT, por muito seja fenomenal, eu acho que o produto só é interessante nas semanas que antecedem o Takeover e no evento em si, sendo aborrecido nas outras alturas. A WWE é um produto que não nos deixa indiferentes, mas que têm bastantes defeitos. E nos dias de hoje, a LU é um show espectacular e super original. Consegue juntar tudo o que um fã de wrestling gosta, bons combates, boas storylines, fantasia, realidade, violência, lucha, wrestling americano e muito drama, como se fosse um filme, e com isso agrada a todos os fãs. A única coisa que eu acho que falta à Lucha Underground é criar estrelas, e distinguir claramente quem é main-eventer, mid-carder, low-carder… Mas é normal que eu ache isso, pois ainda vamos na 1ª temporada.

    • José Sousa - há 1 ano

      Vai.se percebendo. Mas sim as divisões podiam ser bem mais nítidas. Acho que isso ajudaria os fãs na distinção entre quem é uma grande estrela ou apenas alguém da zona intermédia.

  10. Dolph Ziggler - há 1 ano

    Excelente artigo, José. É um produto fantástico. Já disse várias vezes que a Lucha Underground foi o melhor produto de wrestling que já vi nos últimos anos. Mesmo o próprio NXT, por muito bom que seja, não consegue chegar ao nível da LU. Combates brutais, altas histórias, personagens carismáticas, bem desenvolvidas e com conexão com o público e também um grande público para ajudar à festa.

    O destaque para mim tem de ser o final do combate entre o Pentagon Jr e o Vampiro, fiquei em choque. Não estava mesmo nada à espera daquele desfecho, foi lindo. Já não me surpreendia assim com uma história há bastante tempo, foi tudo tão bem feito.

    Outros destaques também foram o combate entre o Cage e o Mack e muitos dos spots do Angelico.

    Espero que a LU volte para o ano. Se não voltar, fica na a memória um produto de excelência.

  11. victor k99 - há 1 ano

    LU sem duvida nenhuma foi muito bom e espero que tenha a 2° temporada.
    De Wrestling em Geral só assisto Tna,Lu e NXT só O Takeover.

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