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Smoke and Mirrors #202 – Don’t you dare to Sour

Se existe um motivo neste momento para acompanhar todas as plataformas da WWE, então sem dúvida que os New Day são esse motivo. Tudo o que a WWE apresenta com eles é entretenimento puro, e cada segmento, entrevista de bastidores, vídeo ou mesmo tweet em que pedem para salvar as mesas vale a pena ver porque é será sempre algo único e onde química dos três elementos da stable é visível.

Sendo impressionante a orgânica de funcionamento desta equipa, uma vez que parecem ser quase como um corpo em todos os órgãos funcionam de modo diferente mas que acabam por combinar na perfeição. E o New Day é exactamente isso, uma entidade que começou por ter desajustes e que parecia destinada ao fracasso, mas que acabou por encontrar a sua dinâmica e neste momento seria um crime separar estes três pois significaria um rombo no produto da WWE.

Assim, e como forma de reconhecimento do talento e da importância deles no produto actual, esta semana escolhi dedicar o tempo e espaço aos New Day. Até porque não vale a pela lutar contra eles, mais vale sentir o poder da positividade, e prestar tributo aos reis do improviso da WWE actual.

Claro que também eu já fui crítico dos New Day, aliás dediquei um artigo a eles a criticar o booking da WWE com eles, e a referir que eles nunca resultariam porque ninguém iria gostar de alguém que está sempre contente. Porém, a realidade tratou de dar uma lição a todos os que os criticamos inicialmente, porque aqueles que eram os “Anti-Shield” tornaram-se no momento que todos queremos ver semanalmente em todas as Raw´s.

Se foi um erro o julgamento inicial que lhes foi feito? Possivelmente sim. Mas também se eles tivessem resultado inicialmente com aquela postura face, e com aquela gimmick possivelmente nunca teriam evoluído para a atitude actual, ou pelo menos demoraria muito mais tempo. Dai que por mais que não seja agradável para eles, os cânticos “The New Day Sucks” foram a melhor coisa que lhes podia ter acontecido enquanto Stable.

Porque na verdade quando esses cânticos surgiram existiam rumores de uma possível separação da equipa, uma vez que o conceito inicial não tinha tido o sucesso que previam e não se notava nenhum benefício em mantê-los juntos. Claro que a solução mais fácil teria sido essa, mas ai o booking da WWE acertou e usou o New Day Sucks a favor deles e criou algo que não tinha acontecido até ai: os fãs reagiam a eles.

E porquê?  Porque estavam a bater palmas tal como eles pediam.

Claro que reagiam porque não gostavam deles, mas a insistência da WWE neste conceito e o sentido de risco que os três tiveram foi notável numa situação onde tudo jogava contra eles, e onde o mais fácil teria sido eles deitarem a toalha ao chão. No entanto, também eles sabiam que estavam numa situação no roster que era de “tudo ou nada”, e onde outro falhanço possivelmente poderia atira-los para o desconhecido ou mesmo para fora da companhia.

Basicamente os New Day tinham que funcionar, mesmo que aparentemente não tivessem o público ao seu lado, eles sabiam que conseguiam porque tinham uma química enquanto equipa que mais tarde ou mais cedo iria acabar por ser reconhecida. E o reconhecimento desse facto é a grande conquista deles, porque conseguiram passar do nada para o topo e conseguiram por mérito próprio e contra tudo e todos. E isso é algo que ninguém pode contestar, porque muitos serão aqueles que viam este potencial de entretenimento nos membros desta equipa, e quem disser o contrário estará possivelmente a ser politicamente correcto.

Claro que já existiam fãs do Big E, do Woods e do Kofi, mas não podemos dizer que a grande maioria confiava neles ou gostava do conceito inicial dos New Day, porque quem diz isso estará possivelmente a mentir. A verdade é que todos eles nos surpreenderam de uma forma única, e que poucos esperaríamos que alguma acontecesse, tanto que muitos acharam injusta a forma como a WWE retirou o titulo da sua posse no primeiro reinado como campeões de Tag Team.

Contudo a companhia não deixou de colocar o foco da divisão neles, e com isso os fãs foram criando uma ligação com eles, e é nesse momento que a magia surge e inicia-se o fenómeno de popularidade que eles são neste momento. Porque pela primeira vez desde do inicio de facção a ligação entre booking e o publico foi atingida, e podiam arriscar em protege-los e dar-lhes total liberdade criativa.

Essa liberdade tem sido fundamental para o sucesso actual do conceito, porque nota-se que ela existe porque confiam nas ideias que os três apresentam pois irão ser bem sucedidas e bem recebidas pelos fãs, por mais que algumas delas até possam parecer parvas. Todavia, como essas ideias são apresentadas de modo divertido acabamos por aceita-las devido à nossa aceitação do conceito New Day, caso o contrário dificilmente aceitaríamos se os atores fossem outros.

Quem aceitaria o conceito do trombone se ele não viesse por parte deles? A grande maioria iria achar que eram um grupo de idiotas, e ia desejar que o segmento terminasse o mais rapidamente possível. Mas com os New Day isso é apresentado com uma linguagem tão própria, orgânica e funcional que o lado mais “cómico” acaba por passar ao lado dos fãs, ou pelo menos não é criticado.

Assim o segredo do sucesso dos New Day está focado nos seus elementos, e na forma como eles se complementam de forma natural. Dai ser obrigatório falar da evolução de cada um deles para que se perceba o que mudou no espaço de um ano, até porque de facto a transformação que as suas personagens sofreram foi enorme, tal como é completamente diferente o modo como os fãs olham para eles.

Como por exemplo, ninguém diria que alguém como o Xavier Woods conseguiria fazer o click com os fãs, sobretudo se tivermos em conta as anteriores gimmicks dele no período pré-New Day na WWE. Na verdade a personagem “Power Ranger” ou mesmo aquela imitação do Brodus Clay nunca foram particularmente algo muito cativante, ou seja, estavam distantes do que ele poderia apresentar-nos enquanto performer.

Claro que é o menos bom wrestler da equipa, contudo ele compensa isso com as suas promos absolutamente acutilantes, ao tocar trombone, com a sua postura fora do ringue, e pela forma como interfere a favor dos seus parceiros nos combates. Evidentemente que isso o torna o alvo mais fácil quando é preciso atacar os New Day, mas também é verdade que eles não seriam os mesmo sem o seu “chato” de serviço.

Os New Day podiam funcionar sem que ele não se calasse? Até podiam, mas não era a mesma coisa.

Tal como não seriam iguais se não tivessem o melhor Kofi de sempre, ou pelo menos esta é a personagem mais interessante dele durante toda a sua carreira na WWE. E isso é uma conquista dele, porque ele já tinha um estatuto dentro do roster de elemento relevante no midcard, contudo nunca tinha criado este tipo de reacção no público. Ou pelo menos, já não o fazia desde da rivalidade com Randy Orton, e desde dai que ficou “congelado “.

Não que fosse alguém indiferente aos fãs, mas era mais conhecido pelos seus inúmeros reinados sem sentido algum e pelos spots loucos no Royal Rumble. Mas isso não era suficiente para ele, e os New Day foram a hipótese que encontrou para arriscar e fazer algo que marcasse os fãs de wrestling, e ao mesmo tempo o tirasse do marasmo em que a sua personagem se encontrava.

Foi um risco pois era uma escolha praticamente de tudo ou nada, e onde ele podia ter falhado, e desse modo colocaria a sua própria estadia na WWE em risco. Mas felizmente, essa opção acabou por ser revelar acertada pois traz a esta Stable tanto a sua fantástica performance técnica, como igualmente revela uma capacidade de entretenimento e representação que nunca nos tinha sido revelado, e que se enquadra na perfeição com o estilo do Woods e do Big E.

E por falar de Big E, o que dizer da sua evolução enquanto performer enquanto membro dos New Day, ou pelo menos esta aliança foi o momento em que os fãs finalmente começaram a perceber o talento que possuía. Claro que já sabíamos que não era um mau wrestler, no entanto só agora é que começamos a ver todo o seu potencial, e perceber a forma como combina de modo correcto força com agilidade, tudo isto com competência técnica bastante aceitável.

Mas se as performances dentro do ringue têm sido convincentes, então o que dizer das suas promos absolutamente notáveis e que demonstram um enorme carisma de sua parte, algo que não tinha revelado no seu reinado como Campeão Intercontinental. Claro que todos eles trazem um aspecto interessante às promos da equipa, mas a forma como o Big E combina comédia e momentos mais sérios é assinalável, e é esse o motivo pelo qual em parte é considerado a “estrela dos New Day”.

Eu não chegaria a esse ponto, até porque os três são as estrelas da equipa na perspectiva que sem um deles este conceito não funcionaria da forma que funciona, nem teria o sucesso que tem neste momento. Aliás, este sucesso que tem tanto de mérito como de surpresa, tem sido comparado ao do Edge e Christian, e em parte compreendo a comparação embora existam diferenças.

Porém, ninguém pode negar que neste momento eles estão overs, e qualquer decisão que implique uma derrota ou perda por parte dos New Day tem que ser feita sem que afecte a credibilidade e popularidade que conquistaram. Não que tenham de ser imediatamente main-eventers depois de perderem os títulos para os Dudleys, mas a WWE tem que encontrar um modo de os manter relevante e sobretudo evitar cair na típica tentação de terminar com a equipa.

Se me perguntarem qual seria a minha solução? Possivelmente daria o título dos Estados Unidos a um deles( que é o mesmo que dar aos três), pois eles seriam os nomes mais capazes de manter o título no mesmo nível de destaque que o Cena trouxe. Pelo menos neste momento eles seriam bem mais credíveis que o Ziggler, pois ao contrário dele eles enquanto Stable não estão marcados por reinados de transição.

Quanto a planos de main-event, neste momento parece-me prematuro falar disso para qualquer um dos três membros desta Stable. Contudo, e se um dia a WWE arriscar num deles como estrela de topo creio que a escolha recairá sobre o Big E, uma vez que é o membro da Stable com mais potencial de topo e que melhor combina os atributos que a WWE procura num main-eventer.

Porém ainda demorará até que essa decisão surga, até porque o cenário do título Mundial até à Wrestlemania deverá ter outro tipo de protagonistas. Quem também terá outro protagonista para semana é este artigo, quando analisar outra das principais figuras do pró Wrestling em 2015.

Perguntas da Semana

Qual a tua opinião sobre a evolução dos New Day enquanto equipa, e de cada um dos membros da mesma?

Que o futuro que perspectivas para eles na WWE?

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

12 Comentários

  1. Eu vou ser sincero, não sou fã dos New Day, é um humor muitas vezes infantil e não tenho grande pachorra. Até estranho todo este sucesso quando existia uma stable que considero mais engraçada, os 3MB, com melhores wrestlers mas que não ligavam nenhuma. Provavelmente coincidência.
    No entanto ao mesmo serviu para dar destaque ao Kofi Kingston que andava perdido no card e para dar popularidade a 3 superstars que ninguém prestava atenção, quando isso acontece a única coisa a fazer é continuar.

  2. BRRM - há 1 ano

    Muito bom artigo.

    Eu já nem tenho adjetivos para descrever o trabalho que estes três têm feito mas mesmo assim não me canso de falar sobre isso. Vê-los a destruir o Cena, o Ziggler e os Dudleyz no final da Raw passada foi espetacular e fez-me sentir que a WWE confia verdadeiramente neles e tenciona fazer deles grandes estrelas. Sendo assim eu só peço que isto não mude.

  3. Vitor Oliveira - há 1 ano

    Excelente artigo. O New Day para mim é uma das principais revelações do ano, eles realmente tem grandes qualidades

  4. Dolph Ziggler - há 1 ano

    Bom artigo, José. Só uma correção: É “Don’t you dare be sour”.

    Quanto à sua evolução enquanto equipa, é o que acontece quando a WWE dá mais liberdade às personagens para crescerem organicamente e quando as deixam ser elas próprias em vez de algo mais forçado. Como já sabemos, o humor ou a tentativa de humor da WWE é horrível portanto foi e é importante que lhes continuem a dar liberdade. A evolução é realmente notória – eu, pessoalmente, odiava-os enquanto grupo quando eram babyfaces mas assim que eles fizeram o turn, as coisas mudaram drasticamente e realmente tornaram-se no melhor act da companhia. O dia em que eles se separarem será o dia mais triste na história do pro-wrestling!

    Quanto ao futuro deles como equipa, vejo-os a ter mais uns reinados como campeões de tag-team. Devem perder os títulos para os Dudleyz no Hell in a Cell, mas acredito que vão recuperá-los ainda antes do fim do ano.

    Quanto ao futuro deles individualmente, penso que o Big E vai levar o push maior até porque sempre ouvi dizer que o Vince é grande fã dele (é cá dos meus!).

    • MrCareca - há 1 ano

      Então será: don’t you dare to be sour

      • Anónimo - há 1 ano

        É “Don’t you dare be sour”. Eu vivo nos Estados Unidos e aqui é comum falarem assim, é uma situação em que se usa uma espécie de calão… linguagem corrente, ou seja não é formal…

  5. Ryback Rules - há 1 ano

    Sempre que leio artigos referentes aos New Day, lembro-me sempre dos 3MB. Estes tinham potencial para serem tão bons como os New Day.
    Assim como os membros dos New Day, os membros dos 3MB não tiveram sucesso com as suas gimmicks iniciais.
    Começando pelo Heath Slater, este era apenas mais um dos lacaios do outrora denominado Wade Barret. Ainda foi capaz de conquistar os títulos de tag team em conjunto com o Justin Gabriel, mas o reinado pouca relevância teve porque foram apenas campeões de transição. Após isso, foi só mais um jobber entre os vários no roster, sendo este um lugar que ainda ocupa nos dias de hoje.
    Drew McIntyre começou como a grande aposta no Vince Mcmahon e pouco depois ganhou o título intercontinental. Posteriormente à perda deste título, conseguiu ser campeão de equipas junto com o Cody Rodes. Infelizmente, ambos os reinados foram de baixa qualidade e de fraco booking e após este acontecimento, a sua carreira virou um fiasco.
    Jinder Mahal começou a sua carreira com uma gimmick muito conservadora da sua religião e cultura e desempenhou um papel de o “todo poderoso” em relação ao The Great Khali. Mas rapidamente a seu poder sobre o Khali extinguiu-se e isto resultou no falhanço total da sua gimmick e desta forma, começou a perder consecutivamente os combates em que participou.
    Quando estes 3 lutadores se juntaram, desapegaram-se das suas gimmick anteriores e formaram uma equipa com um conceito muito porreiro mas os planos da WWE não incluiam um futuro sorridente e sendo assim não passaram de jobbers insignificantes e em que a sua função era serem uma alvo fácil de chacota e humilhação.

  6. RFBM - há 1 ano

    Excelente artigo, concordo com tudo o que referiste. No início, quando eram faces não gostava nada dos New Day, mas a partir do momento em passam a ser heels e vencem os títulos de Equipas, são uma das melhores razões para ver o Raw.

  7. Reigns one versus all - há 1 ano

    Ótimo artigo.

    Eu pessoalmente adoro os New Day, acho que eles são espetaculares,especialmente nas promos,onde eles são brutais.
    Acho que eles se complementam enquanto equipa,juntando os pontos fortes de cada um.
    Para mim uma das melhores razões para ver o RAW.

    Começando pelo Big E,ele é o powerhouse da equipa e para mim o que tem mais talento em ringue.Na qualidade das promos,acho que ele é bom,não é mau mas não é nada por aí além.
    O Kofi é muito bom tecnicamente,consegue fazer bons combates,em termos de promo é o mais fraco entre os três.
    O Xavier é o que mais gosto nos New Day,as promos dele,ele durante os combates dos New Day a falar é qualquer coisa de brutal.Há uns largos meses não dava nada por ele,agora…

    Basicamente,os três complementam-se uns aos outros.

    Acho que os deviam deixar continuar como equipa,a separarem-os,a WWE deve ter algo para eles planeado,de forma a não se perderem.
    É melhor eles ficarem como estão.

  8. Miguel Carlos - há 1 ano

    Excelente artigo. Eu estou a gostar bastante dos New Day . Gostei da sua primeira fase em que se afirmaram como heel’s com a feud com o Cesaro e o Tyson Kidd em que inclusivé deram um grande combate no Payback, na minha opinião, e estou a gostar ainda mais desta sua segunda fase, em que parecem ter mais liberdade, e estão a rivalizar com uma equipa credível (ao contrário dos Prime Time Players). E não te preocupes em tê-los julgado no início, ninguém diria que eles chegariam até aqui e se nós não nos tivessemos feito ouvir pelo nosso aborrecimento com os New Day como faces, a WWE nunca teria apostado neles. É engraçado pensar que um eterno mid-carder como o Kofi Kingston, outro mid-carder sem rumo como o Big E e um jobber com o Xavier Woods conseguiram tornar-se tão relevantes, e isto só prova que todos os wrestlers da WWE têm talento escondido dentro de si, seja com comédia ou outra coisa qualquer, e esse talento tem de ser aproveitado nem que seja para os jobbers, para termos um plantel mais interessante e com combates mais relevantes. Mas isso já é outra história.

    Concluindo, os New Day são uma stable interessante, mas não espero que dominem o produto e lutem no main-event com os Nexus ou os The Shield, são mais uma equipa para lutar na tag team division. Até porque eles não são um conjunto de potenciais main-eventers, são um conjunto de lutadores que estavam perdidos no card. Aliás, o único que pode ter futuro individualmente é com certeza o Big E. Infelizmente, pelo que a WWE nos educou, daqui a algum tempo, os New Day vão perder o fôlego, tal como aconteceu recentemente com o Bray Wyatt e o Kevin Owens, e aconteceria com o Daniel Bryan se os fãs deixassem, e eventualmente eles vão separar-se. Mas ao menos vamos tirar proveito destes meses e acredito que pelo menos até à WrestleMania eles continuem a dominar a tag team division, com ou sem os títulos.

  9. Ronaldo EDGE - há 1 ano

    Bom artigo. Concordo com o que disse-te.

    Eu também não era fã dos New Day mas eles conseguiram-me fazer mudar de ideias

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