Smoke and Mirrors #226 – The Rise of The Fénix

Afinal e ao contrário do que parecia indicar esta temporada de Lucha Underground não será totalmente dominada pelo domínio de Mil Muertes. O reinado do “homem mas mil mortes” foi sem dúvida um dos principais destaques do produto nesta primeira faz, no entanto o último episódio revelou que afinal ele e sua aliança com Catrina pode ser derrotada.

Desse modo, abriram as portas a uma mudança no produto com esta decisão , isto porque passamos a ter um campeão Underdog ( Fénix) que terá que defender o mesmo título no Aztec Warfare da próxima semana. Ou seja, ele vai precisar de ter muita sorte para conseguir manter o título mais do que uma semana.

Em qualquer caso, a próxima semana irá revelar e muito a direcção que muitas rivalidade de Lucha Underground tomarão. No entanto quero acreditar que a coerência criativa continuará até porque têm sido uma imagem de marca, e duvido que a abandonem completamente nos próximos tempos.

Ou seja, no Templo mesmo as coisas mais inexplicáveis acabam por ter explicação mais cedo ou mais tarde, até porque é uma das maiores preocupações de Robert Rodriguez no produto final. Ele quer uma história dinâmica, espectacular, cheia de acção e bons combates, mas que igualmente justifica todos os passos que são dados nas rivalidades.

Dessa forma consegue-se manter a mesma qualidade e entusiasmo num produto diferente, e que cativa pela forma como preserva a génese do mesmo sem deixar de arriscar em novas direcções. Em síntese, Lucha Underground teve uma primeira fase da temporada que decidiu contar a ascensão e queda de Mil Muertes e dos seus aliados.

Claro que tivemos outros focos de interesse, até porque a capacidade de desenvolver múltiplas histórias é um dos principais trunfos da companhia. De seguida irei analisar sucintamente as principais rivalidades, destaques e desilusões da primeira fase da segunda temporada de Lucha Underground.

Em termos de histórias admito que aquela que mais me desiludiu foi sem dúvida aquela onde está envolvido o PJ Black, sobretudo por ser a sua primeira na companhia e dai esperar que ele tivesse tido um arranque mais forte e com vitórias. Mas pelos vistos as ideias para ele são diferentes, e em princípio está ali para valorizar os nomes “da casa”: Aerostar e Drago. Contudo gostava que ele e o Jack Evans saíssem credíveis desta história como dupla, até porque gosto da evolução da gimmick do Evans e eles tem todo o potencial para serem uma grande equipa.

Outra história que considero ainda estar numa fase morna é aquela que envolve Texano e Chavo Guerrero, que apesar de transitar do temporada passada parece-me ainda longe do seu final. No entanto, gostaria que usassem o abandono da Crew ao Chavo para iniciar uma nova rivalidade entre eles, e deixar o Texano para outro oponente por mais que a tentação até possa ser fazer o Chavo vingar-se dele em breve e culminar a rivalidade num combate com estipulação, ou pelo menos com uma mais cativante do que Bull Rope Fight. Até porque mesmo que faça sentido simbolicamente, acabou por ser um combate desinteressante para o que é normal no Lucha Underground.

Contudo, a maioria das rivalidades têm sido de boa qualidade, e as rivalidades de Mundo e Cage, e de SexyStar e Mack face Mario Martinez e Mariposa são exemplos dessa mesma qualidade. Sendo facilmente identificável as características especificas de cada uma das rivalidades, até porque estamos a falar de diferentes estilos de personagem.

Assim, quando falamos da rivalidade de SexyStar falamos de algo “negro” e com uma acentuada componente psicológica proveniente da gimmick mais negra e psicopata de Martinez e da sua “irmã. Essa apresentação tem sido feita de forma cuidada, demonstrando a tortura que a dupla fez à wrestler, e ligando Mack à rivalidade através de um vínculo que criou com Sexystar quando ela escapou do seu cativeiro.

Sendo o mais importante é que o mesmo foi feito de forma coerente, num ritmo que permite as pausas necessárias para criar algumas surpresas e isso só pode jogar a favor do futuro da rivalidade.

Já no caso da rivalidade “americana” até agora ela tem sido bastante interessante, com bons combates, segmentos e ataques por ambas partes. Ou seja, a ideia que o Cage é uma máquina tem sido preservada mesmo quando perdeu o combate contra o Mundo, uma vez que este necessitou de auxílio da sua nova aliada Taya para o conseguir. Sendo que foi a mesma que sofreu a fúria da Máquina, como se servisse de exemplo para o que irá acontecer a Mundo quando Cage tiver a sua vingança.

E sinceramente espero que as próximas semanas mostrem um intensificar da violência da rivalidade, pois acredito que com um heel cobarde como o Mundo e um face dominante podemos ter uma rivalidade com enorme potencial. E sobretudo uma rivalidade que culmine com um combate brutal e agressivo na edição deste ano do “Ultima Lucha”.

Além destas histórias gostaria de referir que tenho curiosidade para acompanhar o desenvolvimento de algumas novas personagens: Kobra Moon, Rey Mysterio e Dragon Azteca, e o irmão de Dário Cueto: Matanza. Destas todas a personagem que mais me despertou curiosidade é o Matanza pelo seu look brutal, devendo ser uma besta violenta dentro do ringue o que irá proporcionar momentos interessantes desde do momento em que se estreie.

Não que não veja talento na Kobra porque vi bastante potencial, e mesmo a dupla Mysterio e Azteca parece-me ser interessante, contudo fiquei com a sensação que a família Cueto vai regressar pela porta grande e com impacto, sobretudo se tivermos em conta que a Aztec Warfare é para a semana e será pelo título principal.

E com isso chego à análise do main-event da companhia que teve quatro protagonistas até agora: Mil Muertes, Prince Puma, Pentagon e Fénix. Claro que King Cuerno também teve um papel importante nesta primeira fase, contudo serviu sobretudo como rampa de lançamento e valorização do Fénix para que este chegasse ao topo da hierarquia do Templo. E numa temporada mais “negra” e agressiva foi exactamente o que assistimos nos combates entre eles, sendo de realçar o fantástico Ladder Match que tiveram pelo Gift of Gods.

Gostaria igualmente de referir a boa história secundária entre Angélico, Son of Havoc e Ivalisse e os Desciples of Death, que apesar de não estar directamente ligada ao main-event acabou por ser parte do processo de queda do “Reino de Catrina”. E nesse sentido, o facto de terem conquistado os títulos de Trio primeiro fez com que os fãs acreditassem que o reino da Morte poderia estar perto do fim.

E essa crença era importante para o main-event do último episódio, sobretudo quando Mil Muertes tinha defendido de forma dominante na última semana contra Pentagon e Prince Puma. Aliás, esse combate foi mais um dos exemplos de wrestling de elite da Lucha Underground, porque além de um combate fantástico apresentou-nos o final de uma rivalidade, pondo um travão à ascensão de Pentagon ao topo da pirâmide.

Não digo que esse dia não iria acontecer, porque possivelmente irá, mas nota-se que a companhia está preocupada em trabalhar esse momento de forma lenta para que a reacção dos fãs seja enorme nesse momento. Já no caso de Prince Puma, penso que será bom algum período afastado do título e focando-se em rivalidades mais pessoais, até porque ele tem a capacidade de fazer de qualquer combate ou rivalidade algo fantástico graças ao seu talento.

E o facto de terem falhado proporcionou a oportunidade de uma Fénix renascer e conquistar o seu sonho, mas sobretudo esta foi a história do típico underdog que finalmente obtêm os seus objectivos e vinga-se do seu principal rival: Mil Muertes. E a verdade é que o combate contou exactamente isso: uma rivalidade intensa, violenta, e dois homens capazes de tudo para derrotar o outro.

Dai ter sido mais um fantástico combate entre estes dois nomes que já na temporada anterior nos tinham apresentado clássicos de lucha libre , mas que mesmo não sendo o primeiro confronto entre eles conseguiram inovar e apresentar um combate deluxe. E no qual Fenix derrubou o campeão e o domínio de Catrina, e tal como referi inicialmente isso vai incendiar o fogo da vingança a partir de agora, e será interessante perceber se este foi o ponto final na rivalidade entre eles, ou apenas uma paragem.

Em todo o caso, e pelo menos até à próxima semana os fãs de Lucha Underground podem celebrar porque esta primeira fase da temporada contou-nos a queda de um reino, e ascensão de um underdog ao topo. E a imagem final do episódio desta semana conta toda uma história de aceitação e reconhecimento de talento e esforço.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

11 Comentários

  1. Miguel Carlos - há 9 meses

    Muito bom artigo. Fiquei um bocado confuso com a perda do Lucha Underground Championship por parte do Mil Muertes. Não é que não nos tenham contado uma grande história, e até acho que ele e o Fenix já quase que conseguiram criar uma “rivalidade eterna”, pois os seus combates são sempre especiais e mostram um grande ódio entre os oponentes. Mas o reinado do Mil foi curto e pouco dominante. É claro que o Aztec Warfare irá esclarecer o rumo que a Lucha Underground terá, e por isso não posso tirar conclusões precipitadas, até porque como referes poderemos estar perante um regresso em força do Dario Cueto e companhia. Já agora, esta temporada de LU também vai ter o mesmo número de episódios e acabar em Agosto? É que já vão começar a gravar a 3º temporada…

  2. Reigns one versus all - há 9 meses

    Bom artigo,José.
    Tenho gostado desta segunda temporada do Lucha Underground, as histórias continuam a ser muito bem contadas e rivalidades muito interessantes,ao nível da 1°season.
    Indo a feud do mil muertes e do fénix,acho que no último episódio acabamos por assistir a queda da catrina e do seu grupo,começando com os títulos de trios e depois com o título principal.
    No Cage vs Mundo,é o típico face destruidor contra o heel que foge para não sofrer a sua vingança,aliás,o Mundo é um excelente heel.
    Esta feud deve de ir até ao Última Lucha,onde talvez tenhamos um combate tipo Last Man Standing ou algo assim.
    Gostava de ver uma feud entre o pentagon e o Puma brevemente,até pelo que aconteceu no combate pelo título entre eles e o Mil Muertes.
    A Aztec Warfare vai criar algumas feud,creio eu

    • José Sousa - há 9 meses

      O Mundo é excelente ponto final. Sempre gostei bastante do Morrison na WWE, e sempre me pareceu ter potencial para mais do que foi.

  3. RFBM - há 9 meses

    Excelente artigo José. Tenho apreciado bastante esta primeira fase da 2ª temporada da Lucha Underground, penso que nos tem apresentado boas rivalidades como Cage vs. Mundo e Mack/Sexy Star vs. Mariposa/Moth (esta rivalidade espelha bem o objectivo desta temporada de tornar o Templo um lugar mais sombrio). Em relação ao PJ Black, também estava à espera de um pouco mais, mas acho que ainda nesta temporada terá o seu destaque. No main-event, destaca-se a vitória do Fénix, depois de este ter tido uma série de bons combates com o Cuerno.

  4. Ultimate Opportunist - há 9 meses

    Muito bom artigo José.A primeira fase da LU realmente não decepcionou e manteve o nível da 1 temporada,gostei muito da construção do Fenix até o topo,o King Cuerno teve uma grande contribuição nisso,espero que tanto ele como o Pentagon Jr sejam LU Champion,pois o reinado do Fenix não deve durar muito.Fora isso estou a adorando a feud entre o Mundo e o Cage,e espero que após a AW 2,esta feud tenha um desfecho,aliàs o Cage e uma ótima pedida para primeiro adversário do Matanza(que parece muito o Jason Vohess).Por fim e incrível que o Mil Muertes tenha feito na mesma noite foi dos melhores combates do ano.

  5. Um bom artigo. O Lucha Underground continua a ser o melhor programa de wrestling. Por acaso ainda não estou a gostar da rivalidade da Sexy Star e do Mack, ainda, mas de certeza que vai melhorar.
    De resto, nada a dizer, continuam os melhores, mesmo não sendo tão grandes. Espero que o Fénix não perca já o titulo.

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