Smoke and Mirrors #234 – “The Monster” Matanza

Esta segunda temporada de Lucha Underground tem sido tão boa quanto a primeira, e muitas graças à aposta em boas histórias e personagens cheias de personalidade, algumas delas novas. E dentro das novidades o principal destaque terá que ir claramente para o actual campeão de Lucha Underground: o Monstro Matanza Cueto, irmão do dono do tempo Dario Cueto.

Ele apresenta-se como uma forma dominante, sendo capaz de destruir de forma convincente a maioria dos lutadores do templo, graças à sua força, resiliência, e vontade de destruir tudo o que lhe seja colocado à frente. Ou seja, ao contrário do seu “irmão” Matanza não se move por fama, dinheiro ou sucesso, ele apenas quer ser “ o macho alfa” e derrubar e destruir pessoas.

Basicamente ele é uma versão melhorada do que a WWE nos apresenta actualmente com Braun Strowman: Matanza é o apocalipse para os elementos do roster de Lucha Underground, mas tudo na sua postura e personagem impõe medo e respeito. Por outras palavras, este monstro é um powerhouse com talento e enorme capacidade de o demonstrar, e sobretudo usa-lo a seu favor de modo a contar uma boa história no ringue.

E a verdade é que a sua história não podia ter começado melhor do que começou, e nem falo do facto de se tornar campeão no seu primeiro combate na companhia. Tudo começou com a forma misteriosa como apresentaram a sua personagem, alimentando-o dentro da sua “clausura” de forma a criar uma onda de devastação que o preparou para a sua missão no Templo.

Desse modo, no minuto em que se viu a primeira imagem completa do irmão de Dário Cueto foi imediatamente perceptível que estávamos perante uma personagem que teria impacto imediato mal colocasse os pés no ringue do templo. Ou seja, o conjunto imagem e mistério da personagem criaram uma aura de “Besta” na personagem de Matanza que o torna especial: ele é um monstro, mas não é apenas a sua imagem que é de monstro, também a sua postura condiz com a descrição visual da personagem.

Claro que a combinação postura e imagem não são suficientes para que a personagem resulte completamente, contudo para ser um monstro tens de parecer um monstro. E é exactamente isso que Matanza aparenta ser quando entra no ringue: ele tem um aspecto dominador e é dominador dentro e fora de ringue.

Aliás ele consegue combinar força e agilidade com bastante qualidade, impondo facilmente o seu ritmo de combate, que embora não seja muito rápido é fluido e sobretudo faz com que o mesmo jogue a favor da história do combate em questão. Matanza não é o típico luchador, pelo contrário ele é mais um powerhouse com talento e capacidade técnica.

Até porque ele tem conhecimentos de Wrestling amador, uma vez que a pessoa por detrás da personagem Jeffrey Cobb é um antigo wrestler olímpico pelo Guam, e foi igualmente parte do Performance Center da WWE durante algum período, tendo sido também campeão em algumas companhias independentes. Por outras palavras, o lutador que personifica o monstro é alguém com a competência necessária para que a personagem funcione na perfeição.

Claro que a qualidade enquanto actor de Dário Cueto ajuda muito à credibilidade da dupla, e sobretudo da história por detrás dela. Dário é a voz da história aquele que a verbaliza, enquanto Matanza é o instrumento que põem em práticas os seus objectivos.

E é essa a combinação que faz de Matanza um sucesso desde do momento da sua estreia. Claro que o facto de ter destruído e eliminado os principais nomes do roster na Aztec Warfare ( Prince Puma, Rey Mysterio, e Fénix),para se tornar campeão ajudou a dar impacto à sua estreia, e credibiliza-lo enquanto campeão. Não é fácil conseguir uma estreia tão perfeita quanto a que ele conseguiu, mas a verdade é que a vitória dele não pareceu forçada porque teve um propósito que foi justificado pela história que os criativos iniciaram naquele momento.

E nas semanas seguintes vimos um monstro a dominar e destruir todos os seus adversários com maior ou menor dificuldade. Seja contra Fénix, Prince Puma ou mesmo Pentagon Jr, vimos sempre Matanza como um campeão capaz de derrubar os principais adversários ao seu título , mas mais importante do que isso fê-lo sem que eles parecessem verdadeira uma ameaça com a habilidade de vencê-lo.

Ou seja, o que o booking da Lucha Underground nos tem apresentado é alguém praticamente indestrútivel e que foi capaz de destruir e “enterrar” a principal ameaça do templo: Mil Muertes e Catrina. E uma aliança com poderes místicos tão fortes quanto os seus não o conseguiram derrubar, a imagem que ficamos é que só aquele apenas quem possuir o segredo para a chave na posse de Dario Cueto o poderá derrotar.

Por outras palavras, quem quer que seja o patrão mistério que foi apresentado esta semana deverá conhecer esse segredo e deverá ser a pessoa a desencadear o princípio do fim do reino dos irmãos Cueto no Templo da Lucha Underground. Pelo menos foi essa a impressão que fiquei no último episódio, embora exista algo por revelar que irá envolver o Rey Mysterio à família dos Cuetos.

Assim, seja o Rey Mysterio o ou homem mistério acredito que a queda de Matanza será contada apenas na próxima temporada do programa. Até lá é importante que ele continue a ser apresentado como aquele monstro vilão imparável, o elemento central do produto e que todos desejam ver ser derrubado mas que consegue sempre encontrar uma forma de impor a sua força e domínio sobre o seu adversário.

Ele é sem dúvida uma máquina de força e de luta que protagoniza uma das personagens mais marcantes desta nova temporada, e embora Dário Cueto ajude muito na credibilização da personagem, a verdade é também a performance dele tem sido eficaz. E essa eficácia é presente tanto no ringue como no acting, e faz de Matanza o principal vilão da companhia. O tal vilão credível e imponente que muitos dizem não existir noutras empresas de wrestling.

Ser vilão é uma arte difícil, e não está ao alcance de todos os profissionais da indústria do wrestling. E a verdade é que esta dupla domina a arte de representar um vilão de forma espantosa, apresentando uma química interessante entre eles. E tudo isto podia falhar, porque é fácil juntar um talker e um powerhouse e esperar que tudo funcione bem, e acabar por ser um projecto falhado.

Contudo não foi isso que aconteceu neste caso, e não aconteceu porque as personagens e as suas personalidades combinam de forma natural, e a história anterior que os ligou é interessante. Ou seja, este é claramente daqueles casos onde o” bruta-montes” e o chefe poderoso combinam bem porque as personagens estão bem desenvolvidas, alias no wrestling não é possível atingir o sucesso sem uma personagem que seja credível e coerente.

E sem dúvida alguma que o Matanza é um dos casos que comprova o sucesso da Lucha Underground, pois combina personagem, talento enquanto wrestler e capacidade de representação. E por isso mesmo não tenho dúvidas que ele continuará a ter destaque mesmo depois de perder o título, dado parecer-me certo que encontrarão um novo propósito para ele nesse momento.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

8 Comentários

  1. Reigns one versus all - há 7 meses

    Bom artigo,José.
    O Matanza é realmente um caso especial no mundo do wrestling,é um wrestler muito grande mas mesmo assim tem uma mobilidade de fazer inveja a muitos wrestlers cruserweights.
    Quanto a personagem,assenta-lhe que nem uma luva,e encaixa muito bem com o Dário Cueto (que também é um ótimo heel).
    Quanto ao futuro da personagem,acho que depois de perder o título vai ter alguma feud(na próxima season )com um dos principais nomes da Lucha Underground (talvez o Rey ou o Fenix).
    Por fim,acho que ele vai perder o título no último episódio da season (Última Lucha) contra o Mil Muertes ou o Pentagon.

    • Marques - há 7 meses

      O Matanza não é assim tão grande quanto isso apenas mede 1, 78 (menos do que eu), os outros é que são muito pequenos. Era impensável um gajo deste tamanho desempenhar o papel de monstro noutro lado qualquer.

      • José Sousa - há 7 meses

        Isso também é verdade. Mas comparativamente é alto

    • José Sousa - há 7 meses

      Concordo contigo. Ele é sem dúvida uma besta de monstro de wrestling

  2. RFBM - há 7 meses

    Excelente artigo José, concordo com tudo o que referiste.

  3. Por acaso desta vez não concordo. Na minha opinião é o único erro do Lucha Underground na minha opinião. Nada contra o personagem em si mas faz-me confusão estas gimmicks de wrestlers completamente indestrutiveis, dá a imagem de que os outros não valem nada, que são demasiado fracos para lhes fazer frente e torna o booking muito complicado. É o mesmo erro com o Brock Lesnar na WWE, os comabtes deles acabam por ser o Lesnar a dominar por completo, dá a imagem de os adversários serem fracos.

    • José Sousa - há 7 meses

      Tens um ponto de vista compreensível. O pior destas personagens é o modo como são derrotadas é quase sempre de modo parvo.

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