Smoke and Mirrors #236 – Flawless

Esta foi uma semana onde a WWE praticamente não cometeu erros nas suas decisões criativas, seja no PPV como na Raw, ou mesmo no anúncio das mudanças na Smackdown. Claro que ainda é cedo para festejar e perceber se estas mudanças serão feitas de modo a melhorar o produto, ou mesmo se esta mudança de atitude e postura da WWE para com o seu roster veio mesmo para ficar.

Contudo não podemos negar as melhorias que estes dois últimos dois meses trouxeram ao produto da WWE, e isso só foi possível através de uma aposta num booking mais forte e no qual mais wrestlers foram promovidos. Histórias fortes e cativantes, seja no midcard como no main-event têm ajudado e muito a que o produto esteja bastante melhor e apelativo aos fãs.

Boas decisões consolidam histórias, criam expectativas para os episódios seguintes, e sobretudo criam a sensação de evolução no ranking de um wrestler mesmo que este não vença um combate. Tem tudo a ver com a capacidade de “saber fazer perder” um combate, ou seja, é possível perder sem que se perca credibilidade e isso tem sido um dos trunfos da WWE na temporada que arrancou depois da Wrestlemania.

E mesmo não sabendo o que trará a nova Brand Split, o seu modelo e implicações no produto, a verdade é que esta é uma boa altura para acompanhar a WWE. Mudanças que não esperávamos estão acontecer, e sobretudo temos histórias bem construídas que nos permitem ver o produto e não ficar chateados caso as decisões não coincidam com o desenho que tínhamos previsto, pois a escolha alternativa acabará por ser tão aceitável quanto a que teríamos previsto.

E foi esse o principal trunfo do produto da WWE nesta semana, e foi visível especialmente no Extreme Rules onde as decisões foram muito coerentes do inicio ao fim do evento, incluindo no pré-show. Mais do que apenas bons combates, tivemos decisões que fizeram avançar histórias no caminho correcto.

Como por exemplo nenhum de nós previa que a rivalidade do Ziggler e do Corbin continuasse para um terceiro PPV, mas a verdade é que vai e tudo graças ao “golpe Baixo” que Corbin usou para derrotar o Ziggler. E embora ela pudesse estar já concluída a WWE preferiu que ela continue para um terceiro combate, o tal combate técnico, onde o desafio será convencer os fãs que o Corbin consegue derrotar o Ziggler de modo limpo, embora não seja certo nesta altura que o Corbin vencerá a rivalidade.

No caso do título dos Estados Unidos podemos dizer que a companhia optou por recuperar o”velho Rusev”, que verdade seja dita nunca deveria ter deixado de existir. Por outras palavras, apenas o Rusev dominador e destruidor poderá ter sucesso na WWE, e para isso ele precisa da Lana enquanto manager. Pois por mais popular que ela seja popular, acho que o último ano provou que a Lana “face” e cool não resulta e é uma aposta falhada.

Pelo que é importante que a dupla se mantenha junto durante bastante tempo, e que esta seja uma verdadeira aposta nele e não apenas um passatempo que acabará com nova rivalidade com o Cena, e com um novo reinado do Cena. E nada contra o Cena, e os Open´s Challenges, mas a verdade é que não gostaria muito de ver o Rusev ter um reinado de pouco tempo com o propósito de entregar o título ao Cena.

Já a divisão feminina continua num momento interessante, pelo menos na minha opinião, uma vez que tenho gostado de ver o desenvolvimento da Charlotte enquanto vilã. E esta semana ela esteve muito bem tanto no combate, como na promo da passada Raw no qual se separou do seu pai.

Com essa decisão a WWE finalmente colocou os holofotes na Charlotte que agora pode começar a marcar a sua identidade, mesmo que tenha a ajuda da Dana Brooke para defender a defender. Aliás, a escolha da Dana enquanto enforcer foi positiva, porque permite que a mesma não se perca e sobretudo se desenvolva ao lado de uma wrestler talentosa. Aliás, se tivesse que apontar um defeito ao booking da divisão neste momento será sobretudo a incerteza de quem será a próxima contender ao título da Charlotte.

No que diz respeito à divisão de Tag Team esta continua onde as novas equipas estão a ser incluídas, e que por isso mesmo a equipa criativa continua a preferir apresentá-las lentamente ao invés de colocar uma delas a derrubar de surpresa os campeões, os New Day. E embora uma vitória surpresa até pudesse beneficiar o impacto de uma equipa como os Vaudevillains prefiro que estes sejam construídos lentamente, até porque eles não ficaram com a sua imagem danificada depois do combate no Extreme Rules.

Até porque como estamos num tempo de mudanças na WWE é importante que várias equipas fiquem credíveis, dai a equipa criativa ter sido impecável na forma como protegeu tantos os derrotados Usos e Vaudevillains, como os vencedores Gallows e Anderson, ou mesmo os SAWFT. Isto porque estas quatro equipas em conjunto com os New Day vão ser o futuro da divisão, e é importante que a mesma se mantenha forte e coesa, e isso inclui os Usos por mais que alguns fãs não gostem da faceta face deles.

No caso do título Intercontinental não só protagonizou o melhor combate do PPV, mas igualmente lançou as bases para o combate de Money in the Bank. Isto porque todos os membros do combate, à excepção do Miz, vão estar presentes nesse combate e com reais possibilidades de vencer o mesmo. E isso só é possível graças ao trabalho que o booking teve na valorização de todos nesse combate, nomeadamente no caso da rivalidade do Sami Zayn e do Kevin Owens.

Sendo que no meio disto tudo a WWE ainda conseguiu recuperar o Miz, que neste momento é um campeão  fantástico e um heel credível, algo que seria impensável há uns meses. E verdade seja dita, e apesar do trabalho da Maryse, ele tem muito mérito no modo como têm aproveitado este reinado como campeão.

Claro que não são os principais candidatos, mas ninguém poderá negar que possuem algumas hipóteses, e que pela primeira vez em anos temos um combate pela mala com várias hipóteses credíveis para vencedores do mesmo. Obviamente que o Ambrose é o principal candidato depois da vitória face ao Jericho, porém a vitória dele não é algo que possamos dizer que é certa, até porque não seria a primeira vez que um favorito não venceria o combate .

Gostaria igualmente de elogiar a coragem do Jericho no PPV de fazer aquele spot com aquela idade. Aquele tipo de momento é sempre algo arriscado e doloroso, e o facto dele se ter sujeitado ao mesmo só o valoriza enquanto profissional de elite.

E numa semana onde não existiu praticamente erros nas decisões da equipa criativa, o main-event do Extreme Rules não foi excepção e ofereceu-nos a conclusão de uma história e o inicio de duas novas rivalidades. Aliás, se tivesse que apresentar algum erro no booking desta semana diria que ele aconteceu neste combate por nos oferecer algum overbooking, mesmo que tenha sido um combate fantástico que demonstrou a enorme química que Reigns e Styles possuem.

No entanto, e ao contrário do que muitos imaginariam não tivemos o turn do Club a AJ Styles, pelo contrário foi ele que terminou a sua parceria com os seus amigos afirmando que eles são os responsáveis pelo facto de não ser campeão da WWE. E apesar de esta semana não ter trazido qualquer vingança por parte de Gallows e Anderson estou convencido que ela irá acontecer na próxima semana, e de que algum modo este será o ângulo de entrada de Bálor no roster principal da WWE.

Por outro lado o campeão da WWE Roman Reigns continua a sua caminho de modo sólido mesmo que o seu reinado não seja consensual junto dos fãs, mas a verdade é que nunca o será, e talvez por isso é que um heel como o Rollins receberá apoio nesta rivalidade. Não quero com isto dizer que o Rollins não seria um bom face, muito pelo contrário gostaria de ver esta rivalidade na dinâmica oposta.

Contudo isso não quer dizer que ela vá ser má somente porque não é nessa dinâmica, embora saiba que dificilmente o Reigns alguma vez conquistará a totalidade dos fãs sem que fazer o heel turn, mas mesmo assim existirão sempre fãs que não gostarão dele tal como não gostam do Cena. E é nesse cenário que surge o regressado Rollins, como se fosse o prometido que pode “salvar” os fãs que não gostam do actual campeão mesmo que ele faça de tudo para colocar os fãs contra ele.

E sinceramente gostei do regresso do Seth Rollins e do facto de manter a sua personagem, a verdade é que neste momento a WWE precisa de top heels e ele fã-lo de modo exemplar , e a um nível que poucos conseguem neste momento. Ele é credível, carismático e tem impacto, e por isso mesmo não tenho dúvida que alguma que esta rivalidade será um sucesso, e que mesmo que não vença o titulo, por certo que acabará por ser das principais apostas de uma das brands .

Em suma, vivem-se tempos de mudança na WWE e nas quais os fãs começam a ver verdadeiros motivos para acreditar que a Nova Era pode ser mesmo uma realidade, mesmo que ocasionalmente seja invadida por veteranos. A verdade é que os efeitos da melhoria do booking começa-se a sentir-se um espírito mais positivo junto dos fãs da companhia. E é com boas expectativas que me despeço até à próxima edição do Smoke and Mirrors.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

18 Comentários

  1. Excelente artigo José.
    Como dizes, a WWE parece ir no bom caminho para se afastar destes últimos anos que foram de inconsistência constante no booking e falta de aposta nas novas estrelas e nos títulos de mid-card.
    Falando de todas as melhorias que apontaste ao produto, acho que é de salientar, mais uma vez, o Miz. O Miz é absolutamente, como ele diria, AWESOME. A cada oportunidade que a WWE lhe dá, ou ao mínimo push, o Miz faz maravilhas. Como é que alguém passa por campeão da WWE, o expoente máximo da empresa, passa por uma personagem como a que teve com o Sandow, e por fim tem este reinado de IC (fora tudo o resto que fez, embora para mim estas tenham sido os 3 principais momentos dele) e desempenha tudo com o mesmo brilhantismo, com aquela classe dele. O Miz é dos melhores heels que a WWE já teve, passa tempos em que parece um completo jobber, e de repente recebe uma oportunidade e faz isto. É espantoso.
    Quanto ao resto, concordo e tudo, estou especialmente curioso por ver quem vai tirar os títulos aos New Day e ver a rivalidade deles com os SAWFT.

    • José Sousa - há 7 meses

      Pessoalmente acho que será o The Club, mas nunca se sabe co ficara a divisão com a brand split. Quanto ao miz subscrevo por completo

  2. Reigns one versus all - há 7 meses

    Bom artigo,José.

    Desde a Wrestlemania que temos visto um booking muito melhor,com histórias mais coerentes,com muitos wrestlers credibilizados e combates de ótimo nível.
    Tem sido uma altura muito Boa para acompanhar a WWE e espero que continuemos com este booking durante muito tempo…
    Quanto ao futuro,temos o regresso da Brand Split a caminho é espero que não haja diferença de tratamento entre o SD e o Raw e que dividam o roster de forma correta,algumas das maiores estrelas para o Raw (part-timers e main eventers) e no SD pessoal mais jovem (Owens,Ambrose,…).

    José,queria-te so fazer uma pequena pergunta.
    De que forma dividirias o Roster?Como disse acima ou de outra maneira?

    • José Sousa - há 7 meses

      Eu acho que a divisão tem de ser o mais igual possível. A smack vai ter de ter alguém importante, talvez o Cena. Além disso tem de ter título novo de topo. Caso o contrário será difícil dizer que a smack e importante. Mas depois do draft falarei disso.

  3. Vitor Oliveira - há 7 meses

    Ótimo artigo, muito bom

  4. Concordo que há melhorias no booking, principalmente se tivermos em conta que estes dois meses coincidem com o período em que a WWE se desleixa no que ao booking diz respeito. Este ano tal não tem acontecido, talvez seja pelo enorme talento que entrou na WWE graças ao NXT e alguma mudança de atitude, será que o Vince está finalmente a ouvir o Triple H? Será do regresso do Shane McMahon? Não sei, mas há melhoras sim.
    Contudo, tenho de indicar três desilusões pessoais:
    1) Ainda vamos ver no que dá mas o final da feud entre o AJ Styles e o Roman Reigns acaba por sofrer do mesmo mal do fim da streak do Undertaker, ou seja, não consigo perder a sensação de que “a montanha pariu um rato”. Nem a afirmação do The Club, nem a formação do Roman Empire. No fundo ficou tudo na mesma, apenas tivemos uma promo do AJ Styles a dizer para o deixarem lutar as suas batalhas sozinho. Confesso que esperava mais, vamos ver no que dá;
    2) A forma como foi anunciada a brand split, tenho o mesmo problema que disse em cima. Tanto esperei desde a Wrestlemania a brand split com origem numa feud entre os McMahons, fosse a compra kayfabe, fosse uma guerra entre irmãos…acaba por ser anunciado na internet como mera decisão administrativa de pessoas de negócios…Fico contente que a WWE tenha aberto os olhos na necessidade de dividir o enorme talento que têm no roster, mas queria de uma outro forma, tal como queria que o fim da streak tivesse surgido no fim da carreira do Undertaker e com um segmento cheio de misticismo, acabei por ter as expectativas defraudadas nesse sentido. Veremos contudo como será feita a brand split, se não for com os titulos que existiam e nos moldes de 2004/2005 não fará grande diferença;
    3) Por fim, não foi dada continuidade ao combate pelo titulo feminino na Wrestlemania. A Sasha Banks desapareceu da TV, embora se diga que está lesionada e por isso deixo passar, mas e a Becky Lynch? Eu percebo a necessidade de apresentar a Dana Brooke como uma lutadora forte e uma ameaça, mas não acho que a Becky Lynch tenha sido protegida, pelo contrário, desde a Wrestlemania que noto que a WWE a colocou de lado e até descredibilizou perante os fãs, com as derrotas contra a Emma e contra a Dana Brooke.

    • José Sousa - há 7 meses

      No caso do styles acho que a história não fica por aqui. Ou seja, tenho a certeza que ira ter continuacao e deve dar origem ao balor club.
      No caso das divas concordo que a becky está mais apagada.

  5. RFBM - há 7 meses

    Excelente artigo José, não podia estar mais de acordo.

  6. Na minha opinião ficará assim..

    no Raw: Roman, Ambrose, Orton, Owens, Sami, Del Rio, Corbin, Rusev, Neville, Titus, Ryder (Mojo entrará), New Day, The Club (Finn entrará), Sawft, Shinning Stars, Goldentruth, Social Outcasts, Aries (mais tarde entrará), Jericho/Lesnar (ocasionalmente)

    no Smackdown: Cena, Seth, Aj Styles, Cesaro, Samoa (entrará) Miz, Wyatt Family, Ziggler, Sheamus, Apollo, Darren, Swagger, Vaudevillains, Usus, Dudleys, Lucha Dragons, Breezedango, American Alpha (entrará). Triple H (ocasionalmente)

  7. Artur - há 7 meses

    Bom artigo José. Já agora, quem colocarias como Main-Eventers da Raw e SmackDown?

    • José Sousa - há 7 meses

      Colocaria o Rollins e o Cena na Smack e o reigns e o Ambrose na RAW. E complicado adivinhar isso agora.

  8. Anónimo - há 7 meses

    O retorno da brand split vai acontecer depois do MITB?

  9. Afonso Santos - há 7 meses

    Excelente artigo José!

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