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Smoke and Mirrors #246 – WWE Cruiserweight Classic (1ª Ronda)

Esta semana o Smoke and Mirrors fala do torneio que servirá como rampa de lançamento de uma divisão que irá trazer acção, velocidade, talento e técnica às Raw a partir de Setembro: o Cruserweight Classic da WWE. E de facto creio que grande parte dos elementos que irão compor a divisão será resgatada deste torneio, fazendo com que subam directamente para o roster principal da WWE sem que tenham uma passagem no NXT.

Sei que muitos preferem que todos os novos talentos passem pelo NXT, mas a verdade é que esta divisão vai precisar de uma injecção de talento e isso só poderá ser feito pela inclusão directa dos melhores nomes deste torneio. Sendo que não penso que seja difícil para a WWE contratar pelo menos dez a doze destes nomes, de modo a construir uma divisão forte desde do inicio.

Nesta primeira ronda já assistimos a alguns bons combates, e vimos algumas boas surpresas em termos de talentos menos reconhecidos dos fãs deste tipo wrestling. Aliás, arrisco mesmo a dizer que alguns nomes que ficaram de fora logo nesta primeira fase são tão bons ou melhores do que alguns dos que se qualificaram para os oitavos finais.

Foram quatro semanas, onde se confirmaram favoritismos e onde surgiram alguns nomes que aguçaram o apetite dos fãs para o que será a sua performance na próxima fase. Assim sendo, o que irei apresentar nesta edição é a minha análise dos combates desta primeira fase, apresentando igualmente as minhas expectativas para o futuro dos wrestlers envolvidos na WWE.

O torneio iniciou-se com o combate de Gran Metalik e Alejandro Saez, e sinceramente não poderia ter começado de melhor forma, uma vez que ambos apresentaram um bom combate do ponto de vista técnico e de manobras de risco. Foi um combate onde o nome mais credenciado ( Metalik) venceu mas no qual Saez não saiu mal visto do mesmo. Porém só vejo Gran Metalik a assinar contrato com a WWE, e não me oponho a isso pois é verdadeiramente o melhor talento dos dois com o seu estilo Lucha Libre.

Os combates seguintes apresentaram escolhas com as quais não concordo totalmente. Isto porque se no caso do combate de Cedric Alexander e o francês Petiot, Alexander é claramente o melhor wrestler graças à sua capacidade técnica e estilo dinâmico. Já no combate entre Daivari e Ho Ho Lun fiquei com melhor impressão do irmão do antigo wrestler da WWE, do que propriamente do vencedor do combate. E não o vejo a ser um sucesso na WWE no futuro nesta divisão, ao invés de Alexander que acho que possui talento e potencial para surpreender alguns fãs.

O primeiro dia do torneio fechou com o combate de Sean Maluta e Kota Ibushi no qual o japonês demonstrou as qualidades que fazem dele dos principais favoritos à vitória final. Não que Maluta não tenha demonstrado o seu valor, mas o Ibushi com o seu estilo que conjuga “Strong Style” e High flying é absolutamente fantástico enquanto valor para esta divisão. Não existindo qualquer dúvida para mim que será das principais figuras da divisão quando ela arrancar na Raw.

O segundo episódio iniciou-se com o regresso de Tajiri a um ringue da WWE derrotando o australiano Damien Slater tal como seria previsível. Pessoalmente não desgostei da performance do veterano, mas não o vejo como ameaça neste torneio, aliás o mais provável é que seja apenas um veterano que será contratado para valorizar os jovens talentos da divisão.

De referir igualmente o bom combate de estreia no torneio de Akira Tozawa no qual apresentou algum do seu potencial enquanto wrestler de técnica aprimorada e capacidade de facilmente acabar um combate com um Suplex como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Sem dúvida um dos meus destaques na primeira ronda, mesmo que deva referir que Johnson mostrou algum potencial e gostaria de o ver mais uma vez para perceber o seu verdadeiro valor.

E falando em surpresas tenho de falar do paquistanês “Prince” Ali e do seu adversário Lince Dorado. Por um lado tivemos um Lince que é um wrestler habituado a holofotes no México, algo bem patente na sua performance e na sua segurança no modo como faz os seus golpes de Lucha Libre. Já Ali foi uma surpresa pela sua agilidade e técnica, destacando aquele Flip Bottom brutal que fez da corda superior, e mesmo perdendo gostaria de vê-lo a ter uma hipótese de ficar no roster desta divisão tal como o seu oponente.

Contudo e apesar de não ser o main-event do programa para mim o destaque foi todo para TJ Perkins, que se revelou como um enorme talento neste torneio, tornando-se num dos meus favoritos para a vitória no mesmo. Claro que já conhecia o seu trabalho como Manik na TNA mas nunca imaginei que fosse este prodígio técnico. Foi sem dúvida alguma a maior surpresa do torneio até agora.

A terceira semana teve igualmente alguns destaques positivos, entre os quais as vitórias com boas performances tanto de Tony Nese como de Drew Gulak. Ambos parecem ter o potencial para virem a ser bons reforços para a divisão de Cruserweight da Raw, e gostei bastante do estilo mais técnico e vilão de Nesse, tal como da combinação de técnica e submissão de Gulak.

Contudo não podia falar deste episódio sem falar do regresso a um ringue da WWE de Brian Kendrick, e fê-lo em grande estilo com um excelente combate contra Raul Mendoza. Sendo importante referir que Mendoza se revelou ser um bom wrestler, e merecedor de receber uma aposta por parte da WWE para reforçar a divisão.

Já Kendrick voltou com a mesma perícia técnica que todos conhecemos, perícia essa que concilia de modo brilhante com a capacidade de contar uma história no ringue, tal como foi visível no modo como criou a oportunidade para vencer o combate. É verdadeiramente um bom heel e gostaria muito de o ver nesse papel na futura divisão já que não o vejo a vencer o torneio.

Porém o destaque deste episódio vai todo para o “Feiticeiro” Zack Sabre Jr. Nada contra Tyson Dux porque sem dúvida mostrou qualidade enquanto wrestler, mas a técnica de Sabre é bastante acima da média. A sua performance e vitória comprovam o seu talento e favoritismo à vitória final do torneio, mas em todo o caso acho que ainda precisa de desenvolver o seu storytelling.

O último episódio da primeira ronda iniciou com a performance de um dos atletas mais irreverentes, carismático e divertidos de todo o torneio: Rich Swann. Nada contra o Jason Lee, mas a verdade é que o Swann é muito melhor atleta do que o seu oponente, e apenas vimos uma pequena parte do seu potencial. Contudo ninguém pode negar facilidade que tem em criar empatia com os fãs mesmo que não gostemos de funk, e prova disso é o facto de os fãs cantarem a sua música.

A noite continuou com as vitórias claras e esperadas de Noam Dar e Jack Gallagher, sendo que ambos apresentaram as credenciais que traziam para o torneio. E embora tenha gosto do estilo técnico do Dar, a verdade é que tal como referiu o Bryan é impossível não gostar do Gallagher, seja pelo seu talento, ou simplesmente pela sua personagem e personalidade tão diferente de tudo o que este torneio nos apresentou.

Contudo gostaria de referir que gostei dos Bollywood Brothers, e pessoalmente gostaria de os ver a serem contratados como equipa do NXT até porque é uma divisão bastante desfalcada. Quanto a Aichner não sendo tão bom quanto o Cage( da Lucha Underground) a verdade é que possui tanto talento, e gostaria de ver mais da sua combinação de técnica, agilidade e força.

Mas o melhor fica sempre para ultimo, pelo menos é isso o que costumam dizer. Porém neste caso foi verdade, e o derradeiro combate da primeira fase deste torneio ofereceu-nos um combate monumental entre parceiros. Em combates como estes não existem perdedores, e não tenho dúvidas que tanto o Gargano como o Ciampa irão bem mais fortes e credenciados para o Takeover de Brookyln depois deste fantástico combate.

Aliás, arrisco-me a dizer que este combate está no top 10 de combates deste ano da WWE a um nível muito próximo do que o Sami Zayn e o Kevin Owens nos ofereceram no Battleground, e isso é o maior elogio que posso fazer a este combate. É um combate tecnicamente espectacular mas que nunca deixa de contar uma história, e onde o estilo mais técnico do Gargano combina na perfeição com o estilo “Stiff” do Ciampa. Claro que foi o Gargano que venceu o combate, mas quando vejo combates deste calibre não consigo deixar de pensar que são os fãs e o wrestling que saem vencedores.

Assim e passado uma ronda este torneio tem sido exactamente aquilo que prometia, e acredito que as próximas rondas sejam de ainda maior qualidade. E é isso que espero a partir da próxima semana, semana na qual o Smoke and Mirrors irá antever o Takeover: Brooklyn II.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Smoke and Mirrors”.

16 Comentários

  1. 434 Days - há 4 meses

    Bom artigo José.

    Uma boa primeira ronda em que já tivemos destaques muito positivos. Nomes como o Ibushi, Sabre Jr. Gallagher, TJ Perkins e o Gargano estão já entre os meus preferidos. Adoraria ver um combate entre o Gallagher e o Sabre Jr., só de imaginar a classe técnica meu Deus. Espero uma segunda ronda muito boa.

  2. RFBM - há 4 meses

    Bom artigo José, penso que resumiste bastante bem o que se passou nesta primeira ronda do CWC, talvez a única coisa que não concordo na totalidade é acerca do combate entre o Ciampa e o Gargano, este é sem dúvida o melhor combate do torneio até agora, mas a meu ver, está ainda consideravelmente longo do combate entre o KO e o Sami.

  3. JoãoRkNO - há 4 meses

    Cada vez mais digo. O Gargano e o Ciampa vieram numa altura errada para a WWE, em que o NXT estava repleto de estrelas indi. Porque a WWE tem em mão duas peças raras, que funcionam perfeitamente como dupla, mas individualmente também são fantásticos. Espero ver um investimento neles nos próximos tempos.

  4. BRRM - há 4 meses

    Bom artigo.

    Estou a gostar bastante deste torneio. Aquilo que mais tenho a destacar é o combate excelente entre Garganno e Ciampa (que exibição fantástica deste último), a performance do Kendrick (não estava mesmo nada à espera que ele fosse ter uma exibição tão boa; heel work mesmo muito bom), o Gallagher (bela surpresa, espero que a sua ligação com a WWE não se fique por este torneio) e, num ponto mais negativo, terem havido wrestlers que já foram eliminados apesar de, a meu ver, serem melhores do que alguns que passaram à próxima fase. Estou a falar de Aichner, Mendoza, Prince Ali, etc. que, para mim, tiveram exibições bem melhores que Noam Dar, Ho Ho Lun e Lince Dorado, que me pareceram demasiado genéricos (pelo menos foi a impressão com que fiquei, posso estar errado…). O Ciampa, como é óbvio, tinha tudo para ir mais longe mas a situação dele é diferente. Por último queria só dizer que gostava de ver mais do Johnson. Fiquei sensibilizado pela história de vida dele e ele mostrou ter talento apesar de se notar que estava algo nervoso, o que acabou por afetar a sua performance. Seja como for, gostava de o ver no seu melhor.

    • José Sousa - há 4 meses

      Sim acho que cada um de nós terá os seus destaques neste torneio. Também espero ver mais de alguns destes nomes na divisão da Raw.

  5. Reigns one versus all - há 4 meses

    Bom artigo,José.

    Esta primeira ronda teve combates muito bons,fiquei a conhecer vários wrestlers bastante interessantes e que poderão vir para a divisão cruserweight da RAW.
    Destaco o Zack Sabre Jr,que demonstrou ser um wrestler espetacular(ja tinha ouvido falar muito bem dele,mas foi a primeira vez que o vi lutar),Noam Dar é um wrestler bastante interessante,o Rich Swann também demonstrou qualidade,e o Gargano e o Ciampa demonstraram mais uma vez que são wrestlers espetaculares e são ótimos combates.

    Por fim,acho que o Cruserweight Classic esta a ser um sucesso,grandes combates,e conhecer vários wrestlers com grande qualidade

  6. Meu destaque vai para o Jack Gallagher, o estilo dele me impressionou e seu personagem é altamente carismático e mutável para uma transição de Heel ou face. Porem, não sei se a WWE é o melhor território para um personagem como ele.

  7. KILL OWENS KILL - há 4 meses

    Artigo excelente.

    Tem sido um ótimo torneio, estou ansioso pela segunda fase, principalmente pelo Ibushi VS Cedric. Se puderes, acho que seria muito interessante, faça um artigo de predictions para o CWC… Quero saber em quem você aposta como finalistas e quais surpresas poderemos ter.

    Por fim, tenho que dizer que concordo totalmente sobre o que disse do Gargano VS Ciampa. Foi um combate de arrepiar… Eu torci pro Ciampa, mas como você disse, nesse combate não houve perdedores. E agora torço muito para que o Gargano chegue na final… Sério, fiquei boquiaberto com a história contada, até o último segundo de tela. Quando o Ciampa sai e em seguida volta pro ringue, quase me fez chorar. Muito lindo de se ver uma história dessas, contada em apenas uma noite, o que é uma baita prévia do que esses caras podem fazer com mais tempo. Brutal.

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