The Bottom Line #96 – Wrestling Nostalgia (24)

Olá a todos e sejam muito bem-vindos a mais uma edição do “The Bottom Line”. Na edição desta semana, irei apresentar um novo capitulo da minha fase como mark, onde assistia Wrestling todas as semanas na televisão por cabo. Para quem não percebeu ainda, o meu objectivo é partilhar com vocês algumas das minhas histórias como “wrestling mark”, que durou desde o momento onde comecei a ver wrestling (Novembro de 2004), até ao momento onde comecei a ter acesso á Internet com regularidade (Finais de 2009). Irei dar a entender como eu via wrestlers, certos programas e wrestling em geral durante esta fase, comparando o que eu pensava na altura, com o que eu penso agora.

Já faz muito tempo que não apresento um artigo, mas estou de volta com mais um capitulo do “Wrestling Nostalgia”. No artigo desta semana, iria analisar o PPV após o a Wrestlemania 23, o Backlash de 2007. Irei analisar este evento pois teve um bom card e por ser aquele que trouxe de volta os PPVs onde todas as Brands estavam envolvidas. Este evento promoveu-se atráves de 3 combates principais. Na Mania 23, John Cena defendeu o título com sucesso contra Shawn Michaels. Agora no Backlash, Cena teria de defender o título contra HBK, Edge e Randy Orton. Mas nem tudo é mau para o lado dos Faces, pois os Rated RKO estão em rota de colisão à entrada para o PPV. Na última Raw antes do Backlash, HBK venceu Cena num rematch da Mania, sem o título em jogo. Quem será que vai sair campeão?

Do lado da Smackdown, Undertaker é o novo campeão mundial. Na Smackdown após a Mania, Batista invoca a sua desforra e os dois irão se enfrentar no Backlash, agora num Last Man Standing Match. Por fim, temos Vince Mcmahon, que após ser humilhado da Mania 23, decide-se vingar de Bobby Lashley, o campeão da ECW. Apoiado pelo filho, Shane, e Umaga, o Bulldozer Samoano, Vince marca um Handicap 3 on 1, onde o título da ECW estaria em jogo. Claramente encostado contra a parede, Lashley tem o desafio da carreira no Backlash. Vamos então passar para a análise!

Depois de um bom promo package, dá-se então início ao evento. Todos os comentadores das 3 Brands encontram-se presentes, como de uma Wrestlemania se trata-se. O primeiro combate da noite é pelos Títulos Mundiais de Tag Team. Os Hardy Boys são os campeões e defendem contra Cade e Murdock. Matt e Jeff tornaram-se campeões na Raw após a Mania. Cena e HBK foram obrigados a defender os seus títulos em 2 Battle Royals contra uma série de equipas. Eles ainda ultrapassaram com sucesso o primeiro combate, mas foram eliminados na segunda Battle Royal. A decisão acabou por ser debatida pelos Hardys e por Lance & Murdock, com os irmãos a saírem vitoriosos e campeões anos depois. Nas semanas seguintes, Cade & Murdock foram nomeados os nº1 Contenders. Para ser sincero, este foi um bom combate. Teve mais de 15 minutos e as duas equipas tinham uma boa química. Gosto sempre de ver uma equipa High-Flyer sofrer o “heat” durante vários minutos de heels que são bem maiores que eles. Também o facto de os Hardys estarem “over” ajuda a que os heels tenham mais desprezo do público. Matt e Jeff mantém, mas não foi um combate fácil e a rivalidade não acaba por aqui. Bom Opener. +

No Backstage, o Shane está a encorajar o Umaga para o combate de mais logo. Vince aparece e está todo vestido de preto, com um lenço na cabeça para tapar a sua careca. Bom segmento pela figura do Vince.

De seguida temos um combate pelo Título Feminino da WWE e aquele, que na minha opinião, devia ter ocorrido na Wrestlemania 23. Melina defende contra a ex-campeã, Mickie James. A Melina nesta altura já começava a mostrar mais coisas no ringue, claramente evidenciando melhorias. Mickie está “semi-over”, tal como Melina. Digo isto, pois parece que este público está bem vivo e não sei se elas estavam a ter o mesmo tipo de reação todas as semanas. Apesar de a Melina estar a melhorar, o combate foi simples. Durou quase 10 minutos e as duas conseguiram fazer boas coisas até. A Melina mantém o título depois de arranhar a cara da Mickie e lhe aplicar um Reverse DDT. De um modo geral, foi um combate razoável, o que não acontecia muito nesta altura entre as lutadoras da WWE.

Noutro segmento de Backstage, Edge é entrevistado por Maria. Ele está pronto para o Main Event e diz que vai ganhar o seu terceiro título da WWE. Ele é interrompido por Mr.Kennedy, o vencedor do Money in the Bank. Ele deseja boa sorte ao Edge, dando a entender que ele poderá fazer o cash in após o combate. Para ser honesto, eu prefiro quando os vencedores do Money in the Bank não fazem este tipo de segmentos, para me fazerem esquecer que eles realmente têm a mala, para tornar tudo mais surpreendente no final.

O combate que se segue é pelo Título dos Estados Unidos. Chris Benoit defende contra MVP. Benoit venceu MVP na Wrestlemania de forma limpa, mas Montel Vontavious Porter tornou-se no nº1 Contender novamente. O que sempre gostei desta rivalidade é que o Benoit era um daqueles lutadores que tornava os seus oponentes melhores. O MVP, até então, era bastante limitado no ringue e esta rivalidade ajudou-o bastante. Aliás, durante este combate, ele pratica bom chain wrestling com o Benoit. Eu acho que este combate é bom, pois a psicologia é bastante bom, pois a história deste combate é que o MVP melhorou com os erros que cometeu no último combate e que está cada vez mais próximo de vencer o campeão. Mas não foi desta vez, pois Benoit ganha com um roll up. Chris mantem o título, mas quase não vencia.

No backstage, Cena tenta dar uma entrevista mas é interrompido por Orton, que lhe começa a tentar convencer a trabalhar em equipa no Main Event. O Cena tem muita piada neste segmento, algo que é raro com ele. Não vou spoilar muito este segmento, pois quero que o vejam por vocês próprios. But good stuff.

Agora temos o combate pelo Título da ECW, o Handicap 3 vs 1. Os heels são os primeiros a entrar. Algo que ajuda a justificar ainda mais a fúria de Umaga por Lashley é que numa edição da Raw, este último custou o título Intercontinental ao Samoan Bulldozer que o perdeu para um novato, Santino Marella. A história deste combate é bastante simples. Lashley nos primeiros minutos consegue dominar, mas assim que o combate vai prosseguindo, a sua vantagem vai diminuindo. Uma coisa importante de dizer é que os heels são obrigados a fazer o Tag. Lashley ainda dá conta do recado com o Shane, mas assim que Umaga entra, os heels começam a dominar. Quanto ao Vince, ele só entra para fazer os pinfalls, mas assim que falha, troca logo com um dos outros heels. O final do combate acontece quando Umaga, após múltiplos Splashs em Lashley, troca com Vince e este faz o Pin para conquistar a vitória. O novo campeão da ECW é Vince Mcmahon?! O combate deixou algo a desejar. Não foi mau, mas foi mais uma storyline do que propriamente outra coisa.

No Backstage, Vince encontra os ECW Originals, RVD, Sabu, The Sandman e Tommy Dreamer. Ele goza com todos eles e diz que é o lutador mais “Extreme” de sempre. Este segmento apenas serve para alimentar o ego do Vince, nada mais.

De seguida temos o combate Last Man Standing pelo Título Mundial de Pesos Pesados. Apesar de Batista ter direito à sua rematch, o build up para este combate deixa muito a desejar. Porém, o combate entre os dois na Mania foi bastante bom, por isso posso esperar o mesmo deste. Na altura que vi este combate pela primeira vez, eu ainda era um “mark” em relação ao Batista e por mais que gostasse do Taker, eu queria que o “Animal” o derrotasse. Este combate sofre daquilo que todos os Last Man Standing Matches sofrem, ou seja, quando há uma contagem o combate e a ação param. Sendo assim, na minha opinião, este problema consegue ser minimizado se existirem poucas contagens, ou então se as guardarem mais para o final do combate.

Este combate tem demasiadas contagens, mas o facto de este público estar bem vivo ajuda a minimizar esse problema. O combate é o que se esperava. O Batista tem a perna lesionada, criando um alvo para os ataques do Taker, enquanto que o Animal usa a vantagem da força para ganhar ofensiva. E também existe um festival de finishers de ambas as partes. O final do combate acontece quando ambos os lutadores estão numa das pontas do palco e o Batista aplica um Spear no Taker. Ambos caiem para uma plataforma com vários objectos, incluindo pirotecnia ao que parece (não me perguntem se isto faz sentido, não tirei esse curso). O árbitro começa a contar e nenhum dos lutadores se levanta. É um duplo K.O e não há vencedor, mas o Taker mantém o título. Não gosto deste tipo de finais, mas a WWE queria claramente fazer um terceiro combate e queriam justifica-lo. Bom combate de qualquer maneira.

Chegamos ao Main Event da noite. Fatal 4-Way Match pelo Título da WWE: Cena vs HBK vs Edge vs Orton. Edge e Orton não lutaram contra si na última semana antes do PPV, pois em storyline, o combate do Cena contra o Michaels ultrapassou o tempo da Raw. Porém, a verdadeira história é que o Orton teve problemas disciplinares envolvendo ele e o hotel onde estava alojado e sendo assim o combate durou o tempo que durou. O combate começa com os faces a fazerem equipa contra os heels, mas rapidamente HBK vira-se contra o Cena. A certa altura, Michaels atinge os 3 wrestlers com um Moonsault para fora do ringue. Os heels voltam a fazer equipa e fazem double team no HBK, com um Double Boston Crab (bom spot). O Edge introduz a cadeira no combate, atingindo o seu “amigo” Orton.

Outro belo spot é quando o Cena aplica o STFU no Orton e no Edge, mas o HBK é mais esperto e quando chega à sua vez, contra-ataca com um roll up. Uma série grande de reversal de finishers acontece, até que o Orton tenta o RKO no Cena, mas este faz o reversal, empurrando o Orton contra o Edge que lhe aplica um Spear. O Cena aplica um F-U no Edge e depois do nada sofre um Super Kick de Michaels. Todos pensam que o HBK vai ganhar, mas o corpo do Cena acaba por cair em cima do do Orton e o árbitro faz a contagem e o campeão mantém o seu título. Este combate é muito bom. Adorei as traições que foram acontecendo no combate, bem como os reversals. O final também é genial na minha opinião, com o Cena a ter a sorte de manter o título por ter caído no lugar certo e com Shawn Michaels a ficar ainda mais zangado por não conseguir se tornar campeão.

Apesar de ser um mark na altura que vi este evento na televisão, eu já ia percebendo muitas coisas e quando um possível turn estava para acontecer. Devo admitir que devido a todas as circunstâncias, espera um heel turn de Michaels para breve, mas isso não veio a acontecer. Grande maneira de terminar o PPV.

Concluindo, acho que este é um bom PPV para quem estiver interessado a ver. Só tem 6 combates, o que significa que todos têm o tempo necessário. Nenhum deles é mau e a maioria é pelo menos bom. O combate da noite é sem dúvida o Main Event, recomendo a todos. O menos conseguido, apesar de não ser mau, é claramente o combate Handicap. Se tivesse de dar uma avaliação de 1 a 10 a este PPV, daria um 7. Obrigado por ter visualidade este artigo. Espero estar de volta mais depressa do que tem sido nos últimos tempos. Até para à próxima!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The Bottom Line” e Ex- escritor do artigo "One on One". Acompanha Wrestling à 10 anos.

3 Comentários

  1. Rui Ribeiro - há 6 meses

    Foi um bom PPV. Na minha opinião todos os combates foram bons (o handicap e o combate feminino podiam ter sido melhores mas foram aceitáveis). Destaco também os finais dos dois últimos combates. 7/10

  2. Just Shh - há 6 meses

    Grande Krispin Waah,anda sumido,gostaria de vê-lo novamente em um combate contra o MVP…

  3. RFBM - há 6 meses

    Bom artigo. Em relação ao PPV, acho que valeu pelos main-events, sim, o Last Man Standing foi um pouco lento, mas o final compensou e o combate pelo título da WWE foi bastante bom. O Opener e o combate Feminino foram bons, mas nada de especial e o combate pelo título dos EUA contou uma bela história. Já o Handicap, apesar de não ter sido mau, até hoje me custa a acreditar que o Vince venceu o título da ECW, acho que foi um dos angles mais egoístas por parte do Vince.

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