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The People’s Elbow #1 – Alternativas procuram-se!

Olá a todos! Escreve-vos de novo Miguel Ângelo Rocha, que daqui em diante se apresentará apenas pelo apelido para facilitar a comunicação convosco.

Depois dum primeiro embrião que foi bem recebido por vós, volto com novo tema e novo artigo. Agradeço todos os comentários e desejos de boas vindas ao site da vossa parte e só espero continuar a agradar-vos. Semanalmente à Terça-Feira, aqui estarei com novas abordagens ao assunto wrestling. Posto isto, avancemos.

Atravessamos um período (que já vem de algum tempo) em que o produto que a WWE nos serve não nos agrada ou não nos satisfaz completamente enquanto fãs da indústria do sports entertainment e da própria empresa de Vince McMahon. Muitos simplesmente deixam de perder o seu tempo a ver os programas da WWE e desligam-se da modalidade.

Outros, os sobreviventes, os resistentes, os optimistas quanto a mudanças na companhia, seguem, com mais ou menos aborrecimento, os shows, os combates e as histórias (storylines) a par e passo (mais ou menos como os sportinguistas que acreditam que a sua equipa há de melhorar lol).

Este artigo visa aqueles que, não ficando agradados com a WWE, param de ver wrestling e os que continuam a assistir mas sempre criticando o que vai de mal por aquelas bandas. Há vida para além da WWE e, porque alternativas precisam-se, hoje falarei sobre a minha 2ª companhia de wrestling preferida e aquela que, na minha opinião, melhores lutas e lutadores apresenta: ROH (Ring of Honor).

A ROH é uma promoção de wrestling profissional, fundada em 2002, considerada como a terceira maior empresa de wrestling profissional nos EUA, atrás da WWE e da TNA. Possui três títulos a ser defendidos em programa semanal e Pay per views realizados ao longo do ano: o campeonato mundial, o TV e o Tag Team (duplas).

Os PPV’s com mais destaque são o Best In The World, o Glory by Honor e o Final Battle, além dum torneio chamado “Survival of the Fittest”, em que o último sobrevivente dum combate de 6 homens ganha a chance de disputar o título mundial.

Apresentada a empresa dum modo mais “wikipediano”, passarei agora à minha análise mais pormenorizada e pessoal acerca da ROH. A primeira coisa a fazer é tentar distinguir a ROH da WWE, tendo em atenção as disparidades dimensionais que as envolvem. A ROH apresenta shows todas as semanas num recinto pequeno, comparado com as arenas enormes que a WWE utiliza para os seus espetáculos.

Essa “pequenez” constitui uma base fundamental para o sucesso da ROH junto dos seus fãs. Assim como quem prefere dirigir-se a um bar e ouvir uma banda rock, blues ou whatever para desfrutar da música e ter uma experiência mais reservada e intimista, em vez de escolher pagar bilhetes caríssimos e ir a um estádio ver bandas com produções milionárias, a ROH proporciona um ambiente familiar a quem se desloca aos seus shows. Se muitas vezes nos queixamos das plateias mortas que a WWE ressuscita por meio de falsificações antes de lançar o programa para tv (falo da smackdown, que é gravada), a crowd da ROH é “fucking awsome”, apoiando o face, vaiando o heel, aplaudindo as promos, cantando “olé, olé, olé”, é um gosto ver aquele público vibrar, tendo em conta os poucos meios que a ROH lhes apresenta. Porque o mais importante é a qualidade das lutas e dos lutadores, cada pessoa que pague para assistir ROH sabe ao que vai, cada uma delas é entendida em wrestling, ninguém ali pega na família e vai ver ROH só porque sim, como sucede com a WWE. Sendo importante que a ROH continue a crescer e que para isso tenha de aumentar as instalações onde os shows são exibidos, eu só espero que aquela aura que o público transmite e que tão bem caracteriza a ROH não acabe por se perder. A título de curiosidade, a ROH procura envolver os seus fãs através do seu site, querendo dinamizar cada vez mais o aspecto social que liga quem gosta de wrestling a quem o organiza. Desse modo, qualquer pessoa que acompanhe a ROH pode se tornar um “ringside member”.

Confesso que isso possa dar uma ideia de figurantes, senhores do público que estão ali a ocupar as cadeiras e a encher o recinto, mas acho que é uma medida que pretende uma fidelização por parte das pessoas. Estas continuam lado a lado com a empresa e esta dá o seu melhor para que o pessoal não se farte e não se afaste. Outra diferença para com a WWE é a falta da componente do entretenimento, compensada com a valorização dos combates e da performance individual e colectiva dos lutadores dentro de ringue. Para quem adormece ou se chateia com promos e segmentos de bastidores nos programas da WWE e está à espera é dos combates, a ROH é a solução ideal.

Pouca conversa e mais acção. O entretenimento que se tem é na parte das promos, de resto, os lutadores “resolvem” tudo no ringue. Acho que se poderia ter mais atenção à escolha das entrance songs dos lutadores, pois podiam causar mais impacto nas personagens de cada um. A única que me fica na cabeça é a de Kevin Steen. Isso podia ser mudado, mas convém saudar a promoção que a ROH faz às bandas (na maioria metal) que tocam as themes, todas elas pequenas e com pouca expressão e que lembra o que a WWE outrora fez com Union Underground, Drowning Pool, Breaking Benjamin e outras que podemos ouvir nos jogos mais antigos para as consolas.

Para além da música, as entradas também são simples, os heels dirigem-se ao ringue e provocam os espectadores e os faces sorriem e cumprimentam-nos. Nada de taunts, catchprases e pirotecnia durante as entradas. Este estilo minimalista não poderá ser trocado até que a ROH se estabeleça em palcos de maiores dimensões visto que, nas condições que a empresa nos vem exibindo, ficaria ridículo muita espectacularidade num ambiente tão íntimo e restrito. Falei da caminhada dos lutadores em direcção ao ringue, mas afinal quem são esses lutadores que lutam dentro dos ringues da ROH?

A ROH tem o condão de reunir gente jovem formada na casa com lutadores conceituados por estadias nas top leagues e quarentões e cinquentões que ainda vão dando uma perninha rodeados pelas 4 cordas. Isto é, quem quiser ver sobressair novos wrestlers terá aqui uma óptima oportunidade, dado que a ROH privilegia sangue novo e ajuda a fazer desses jovens futuras estrelas, nem sempre os deixando sair para uma WWE ou TNA, resguardando as jóias, mas incutindo-lhes a paciência e lealdade a quem tão bem toma conta deles.

Para quem quer voltar a estar a par das carreiras de antigos ídolos, a ROH selecciona um lote de grandes figuras para o seu plantel. Figuras essas que ajudam os mais novos e que, ainda estando em forma, vão ganhando uns títulos de maneira a dar outro prestígio aos cinturões. Por último, atletas reformados e alguns que realmente querem ajudar a construir o futuro, dão um pezinho na ROH, em combates esporádicos ou aparições para confrontar algum heel e elevá-lo.

Não tem mal nenhum uma pessoa continuar a gostar de lutar, desde que tenha a noção que, devido à sua idade e forma física, não está em condições de continuar numa grande companhia.

Então, vai fazendo um combate aqui e outro ali, matando saudades, interagindo com fãs de longa data e, mais importante que isso, perdendo os combates para os oponentes da nova geração. Um indivíduo com uma carreira de 20 ou mais anos que consiga reconhecer o seu novo papel dentro da indústria que ama merece todo o respeito e mais algum.

É pena que nem todos sejam assim e vão continuando a alimentar egos com papéis desnecessários dentro de empresas que deviam estar a formar futuras caras deste desporto.

E o que fazem esses lutadores dentro dum ringue? Arte! Os combates na ROH são absolutamente maravilhosos de se ver! A ROH tem a particularidade de libertar os seus lutadores a um grande nº de golpes, isto é, enquanto na WWE há superstars com arsenais fracos e limitados de manobras, até por medo de se repetir moves entre cada lutador, na ROH tal não acontece.

Há ataques que são usados normalmente durante um combate na ROH e que na WWE finalizaria logo a luta (exemplo, super kick do hbk terminaria uma luta de tempo normal numa raw; na ROH, os lutadores chegam a trocar super kicks entre eles sem cair ao chão e sem sofrerem o pin). Esse uso extensivo de golpes, por outro lado, não permite compreender facilmente qual ou quais são os finishers de cada atleta. Há manobras sensacionais em que quem as sofre resiste ao pin e, instantes depois, recebe um golpe aparentemente mais fraco e perde. Eu penso que isso transmite realismo à coisa, na medida em que o lutador vai enfardando porrada da grossa durante o combate (na ROH, pode ultrapassar 1 hora de duração em certas situações) e acaba por se deixar abater pelo cansaço. O que é certo é que muitos destes moves ditos normais para quem combate na ROH dariam excelentes finishing moves na WWE (em vez de andarem a distribuir finishers mais que batidos pelos superstars do roster).

Um dos problemas com que me deparo com os lutadores que actuam na ROH é o das súbitas e constantes mudanças (turns) nas suas personalidades. Tão depressa se é face como heel e a plateia tem aqui um poder decisivo. As reacções do público a uma promo ou às atitudes que um lutador toma perante o seu adversário são muitíssimo importantes e concretizam o turn. Mesmo que este não tenha sido planeado, acaba por se concretizar por influência externa. Algo que acontece na WWE com punk e Dolph Ziggler, heels que recebem ovações, e John Cena, face que é vexado. Só que aqui a WWE não aproveita o que a audiência tanto pede.

Em feuds longas, há trocas de heel e face de combate para combate. Apesar da ROH conseguir justificar isso, torna-se confuso para quem está a ver.

Falando ainda das suas potencialidades de crescimento, seria bom para a ROH se conseguisse arranjar maneira de fazer passar a sua programação ao maior nº de telespectadores possível, apesar de ser difícil um acordo com alguma cadeia de televisão, pois o espírito indy é muito evidente e as fragilidades a nível de espectáculo para grandes audiências televisivas atrapalham substancialmente esses possíveis planos. Assim, os shows e eventos da ROH são gravados no formato DVD e encontram-se em venda online no site oficial e os pay-per-view são aí exibidos ao vivo, mediante aquisição prévia.

O texto aproxima-se do seu fim, pois está um bocado extenso. Quis com este artigo dar espaço à ROH e enumerar algumas razões que considero que vos possam cativar a ver ROH. Os primeiros 10 anos têm muita coisa boa para contar e acredito que daqui para a frente possa haver uma subida gradual, desde que não comprometa aquilo a que a ROH habituou quem a segue.

Deixo-vos em baixo alguns nomes ligados à companhia e que vos possam fazer despertar a atenção ou a curiosidade de vir a saber mais sobre ela. Não se esqueçam de comentar, criticar ou debater o que aqui vos foi exposto. Quanto a mim é tudo, até para a semana e acompanhem a ROH!

Promessas/confirmações: Adam Cole, Caprice Coleman e Cedric Alexander, Davey Richards e Eddie Edwards (American Wolves), Homicide, Jay Lethal, Kevin Steen, Michael Elgin, Mike Mondo, Roderick Strong, Briscoes

Estabelecidos: BJ Whitmer, brutal Bob Evans, Charlie Haas e Shelton Benjamin, Jimmy Jacobs e Steve Corino (scum), Matt Hardy, Mosh e Trasher (the Headbangers), Rhino

Comentadores: Kevin Kelly e Caleb Seltzer

Ring announcer: Bobby Cruise

Matchmaker: Desmond Wolf (Nigel McGuiness)

Managers: Truth Martini (House of Truth) e Prince Nana (The Embassy)

Produtor executivo: Jim Cornette

Booker principal: Delirious

Ex-empregados: The Amazing Red, Austin Aries, Chris Hero, Chris Sabin, Christopher Daniels, Colt Cabana, Matt Sydal (Evan Bourne), Paul London, Raven, Samoe Joe, Tyler Black

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

4 Comentários

  1. GJD - há 4 anos

    Roh eu vejo a pouco tempo, mas gostei bastante , achei o Supercard of honor excelente .o público é fantástico, sobre as entradas eu gosto também da entrada dos American Wolves, sobre os finishers concordo na primeira luta que eu vi foi assim mesmo agora acaba contagem até 2, agora acaba nem tem contagem e do nada um golpe mais fraco acaba.
    Sobre as transmissões de Tv eu li boatos que o show semanal da Roh estava dando boa audiência se aproximando do Impact .
    Sobre os turns um exemplo é o face turn do Steen .
    Espero que no ippv que se aproxima a roh não erre em dar o título ao Matt Hardy.

  2. danielLP21 - há 4 anos

    Para quem não sabe, o Tyler Black é o Seth Rollins…

    Eu vejo a ROH como a melhor escola que um wrestler pode ter. CM Punk, Daniel Bryan, Samoa Joe, Austin Aries, AJ Styles, Seth Rollins… Tantos lutadores que passaram por aquela empresa e está hoje no topo do mundo do Wrestling ( apesar de alguns não estarem na WWE, não deixam de estar no topo do mundo do Wrestling, porque um main-eventer da TNA já é olhado com outros olhos hoje em dia.)

    Bom artigo Rocha.

  3. Evandro Monari - há 4 anos

    Nao acompanho ROH nao, mas confesso que fiquei curioso para conhecer. Principalmente se tiver bons combates mesmo .

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