The People’s Elbow #2 – Angry Giant, Gentle Giant

Olá a todos! Eu sou o Rocha e aqui estou para vos trazer mais um artigo à Terça-Feira. É já o 3º da minha parte e o 2º com este nome , por isso, habituem-se ao “The People’s Elbow” semanalmente no Universo.

Depois de na semana passada ter lançado um olhar sobre a ROH, hoje trago-vos de novo a WWE e um atleta que alguns querem ver terminar a carreira este ano e outros consideram que ainda faz falta ao plantel da companhia de Vince McMahon.

Pegando nestes dois pontos paralelos, tentarei chegar a uma conclusão acerca do que ainda poderá dar o “the world’s largest athlete” The Big Show à WWE e a quem gosta de wrestling.

Paul Donald Wight, mais conhecido como Big Show, nasceu em 1972 (tem 41 anos) e estreou-se no wrestling profissional a 16 de Julho de 1995 na WCW, onde permaneceu até 1999, com o nome “The Giant”. 1996 parece ter sido o seu melhor ano, pois a Pro Wrestling Illustrated considerou-o nessa época novato do ano, lutador do ano e colocou-o na 2ª posição dos 500 melhores lutadores individuais de 1996. Em 1999, teve a pior rivalidade do ano com The Big Boss Man e, segundo a Wrestling Observer Newsletter, foi o pior lutador de 2001 e 2002 e o mais embaraçoso deste ano de 2002.

Com 2 metros e 12 centímetros de altura e 220 kgs, Big Show teve e ainda tem de se adaptar e fazer alguns ajustes em ringue, de modo a usar o seu corpo e moldá-lo a cada tipo de luta e de adversário. Se a sua imponência física mete respeito e é completamente credível quando desfaz os oponentes em combates de curta duração, quando ocorrem derrotas é preciso saber explicá-las bem, principalmente se elas acontecem para alguém com metade do seu tamanho e componente física muito inferior.

Não sendo, portanto, o homem mais fácil de se trabalhar (quer por parte de quem com ele feuda quer dos guionistas que lhe arranjam as storylines), que utilidade pode (ou não) ter Big Show nesta altura da sua carreira? É o que tentarei aprofundar de seguida.

Big Show não teve um começo fácil na WWE.

Devido ao facto de não conseguir perder peso, a WWE chega a colocá-lo na OVW! Se teve rivalidades com todos os maiores nomes que foram passando pela empresa e conquistando todos os títulos em disputa, foi também a principal escolha quando o assunto era entreter plateias, muitas vezes ridicularizando-se, e para perder combates contra personalidades de fora do wrestling na Wrestlemania. Quanto a mim, a personagem de Big Show saiu penalizada destas recorrentes situações, nunca se afirmando como uma ameaça séria enquanto heel nem se destacando como face.

Todo este tempo, temos visto constantes mudanças de gigante zangado para gigante simpático e amistoso.

E quando se dão os turns, a explicação não sai desta lógica:

ou diz que precisa do apoio do público e que está ali para os entreter, ou reitera que, depois das humilhações e das figuras de parvo por que passou por causa do WWE universe, quer ser aquilo que não o tinham deixado ser – um gigante dominador.

Vira-se o disco e temos o lado A e o B.

Do Big Show já sabemos o que esperar quantos a estas duas facetas, nunca tendo havido uma inovação que saltasse à vista e que tenha provocado nos fãs algum tipo de estímulo.

Daí eu achar que a sua personagem é aborrecida.

Ele não é bom ao micro (ou não quanto baste) para ser um heel de primeira categoria e como face será sempre posto para trás dum John Cena, Sheamus ou Randy Orton.

E a sua representação tem também muito que se lhe diga (mais como heel). Eu escrevo este artigo como alguém que segue esta indústria, e consequentemente, a carreira de Big Show, há 4 anos.

As minhas críticas ao seu desenvolvimento neste período de tempo pode perder o fundamento quando recuado à sua estadia na WCW ou até a WWE se ter tornado PG.

A verdade é que Big Show tem limitações que pode não ter tido no seu auge, ou que, não seriam tão evidentes nessa altura.

Quando vejo combates dele, seja dos tempos gloriosos ou destes actuais, fico impressionado com o que o homem é capaz de fazer, dadas as circunstâncias corporais com que tem de lidar.

Big Show foi importante quando apareceu, ao provar que mesmo alguém da sua estatura e condicionantes a nível de peso consegue lutar e tornar-se alguém dentro duma empresa de luta livre.

Se dermos uma vista de olhos aos lutadores mais altos e pesados que punham os pés principalmente na WWF (Vince sempre gostou deles grandes e gordos… os lutadores, salvo seja lol), descobrimos ali autênticas nódoas que nem lutar sabiam.

Big Show foi talvez o superstar mais importante incluido neste lote, a seguir a André The Giant.

Tenho, e acho que devemos ter todos, grande respeito por ele e por aquilo que, gostemos ou não, trouxe ao wrestling.

Para além de que parece ser um tipo afável, aquilo a que se costuma chamar “um gajo porreiro”.

Mas terá ele hoje em dia capacidades para continuar a lutar?

Dará ele alguma coisa à WWE nos tempos que correm?

É isso que passarei a analisar abaixo.

No desporto a que assistimos, visionamos alguns indivíduos mais entradotes que ainda despontam nos ringues (e outros que não querem sair de lá mesmo não tendo nada para mostrar, mas isso é outra conversa). O nome mais velho que continua a ser fulcral para a empresa que representa é o de Sting (nascido a 20 de Março de 1959). Tivemos na WWE casos de wrestlers que, vendo-se a distanciar dos 40, resolveram deixar de lutar, acabar em glória, do que andar a arrastar-se pelos ringues.

Mesmo que alguns ainda pudessem ter continuado por mais uns anos ou preferir um horário menos pesado, decidiram que era a altura de parar, para grande pena nossa (Shawn Michaels).

Ora, se a WWE tem no seu balneário gente até mais velha que Big Show (Kane, Undertaker e Chris Jericho são os que vêm à memória), porquê esta implicância com a reforma dele?

A resposta é que a constituição física de Big Show não permite que ele siga lutando com qualidade que a WWE se preocupa (ou devia preocupar) em passar aos seus seguidores, nem o coloca no mesmo patamar que os outros que mencionei.

Kane aguenta uma média fantástica de combates por semana, Chris Jericho só pára quando entra em tourné com a sua banda e Undertaker, o mais desgastado pelas lesões e nitidamente envelhecido, vem uma vez por ano mostrar como é que se dá espectáculo numa Wrestlemania.

Big Show é chato. Ponto. A sua personagem está estagnada e mude mais não sei quantas vezes de face para heel e de heel para face a situação não vai melhorar.

Enquanto Kane e Undertaker estão estabelecidos firmemente no mundo do wrestling e não precisam sequer de ter estampado se são faces ou heels, e Chris Jericho tem valor para inovar e meter o público a comer na palma da sua mão qualquer que seja a posição que ocupe, Big Show não tem essa multiplicidade de factores a apoiá-lo. Onde ele pode ser relevante é a elevar jovens, mas nem isso tem acontecido. Vejamos os últimos 2 anos deste superstar.

No TLC 2011, derrotou Mark Henry pelo título mundial de pesos pesados numa chairs match. No entanto, após o combate, Daniel Bryan usou o seu contrato de Money in The Bank, derrotando Big Show e conquistando o título, no que foi o reinado mais curto da história (45 segundos).

Big Show foi usado como campeão de transição e, pelo pouquíssimo tempo que deteve o cinturão, foi, mais uma vez, gozado em storylines. Em 2012, começou uma rivalidade com Cody Rhodes, após este exibir momentos embaraçosos dele em Wrestlemanias. Big Show teve o seu momento Wrestlemania (merecido, depois de tudo por que passou) ao derrotar Cody Rhodes e conquistar o título intercontinental.

Após um mês de reinado, perderia o título para Cody Rhodes no Extreme Rules, numa luta de mesas.

Em Outubro, recebeu uma luta pelo título mundial de pesos pesados no Hell in a Cell, onde derrotou Sheamus, perdendo para Alberto del Rio, numa luta Last Man Standing, na SmackDown.

A sua segunda conquista do campeonato mundial de pesos pesados frente a Sheamus foi a que mais me desiludiu.

Se a primeira não tinha durado nem um minuto, esta foi uma maneira da WWE recompensar Big Show (acto que eu percebo e acho justo), contudo, não fiquei contente com a decisão.

É verdade que a temporada que Sheamus passou com o cinto foi secante e que ela nem começou da melhor forma, mas Big Show não foi a escolha acertada para segurar o título.

Lançados os dados na mesa, o que eu posso retirar daqui é que Big Show, a prosseguir carreira por mais uns anos, devia sair do main event. A WWE possui “bestas” ou “monstros” que lhe podem suceder como heel. Devia ser afastado da luta pelos títulos e começar a destacar jovens valores, perdendo combates e saindo por baixo nas rivalidades. Se não for assim, ele não está lá a fazer nada. Está na hora de deixar outros brilhar e trabalhar para que isso aconteça, o que não é vergonha nenhuma nem tem de o ser.

É verdade que o booking da WWE não foi generoso com ele quando devia ter sido, mas agora é tarde.

Muitos hall of famers nunca ganharam prestígio pelos títulos que tiveram nas mãos, muitos nunca chegaram sequer a deter o principal título da companhia.

Acredito que Big Show um dia esteja no corredor da fama.

Por agora, ou se altera as suas funções ou ele estar lá ou não estar é me indiferente.

Chegamos ao fim do artigo, espero que tenham gostado, se tal não aconteceu não tenham problemas em escrever na parte dos comentários. Dêem a vossa opinião acerca do protagonista desta edição e, mais importante que isso, vejam wrestling!

Até para a semana, cá vos espero a todos!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

11 Comentários

  1. Roberto Barros - há 4 anos

    Realmente também acho que Big Show poderia se aposentar, mas de vez em quando ele supreende aquela luta com Sheamus no Hell in Cell foi muito boa, acho que o mesmo se aposenta na Mania 30 até uma boa data para tal.

  2. Evandro Monari - há 4 anos

    É por ai mesmo, a personagem dele não consegue despertar interesse. Mas ate essa ideia de usar ele para valorizar outros superstars nao acho que seria benéfica pra imagem dele, porque ele ja foi tão humilhado em sua carreira, que ficar sofrendo derrotas para lutadores de pouca bagagem so iria piorar a situação .

  3. Evandro Monari - há 4 anos

    Bom artigo

  4. GJD - há 4 anos

    Big Show na minha opinião é um dos que merecem a aposentadoria mas tem uma meia dúzia que já deveriam ter parado faz tempo: Khali, Triple H, Rock , Regal(que já deveria ser hall da fama, por ter treinado grandes lutadores que hoje estão na companhia) e etc.
    A carreira do Big Show foi marcada pela humilhação , pelos títulos para compensar as humilhações e pelos turns infinitos.

  5. Junior Brooks - há 4 anos

    Desde dos meus 6 anos quando eu comecei a acompanhar a WWF/E,sempre gostei do Big Show e hoje com 17 anos,ele continua a ser meu superstar favorito..nao acho que ele deva se retirar no momento,ainda acho que ele mereça um reinado como wwe champion ou world heavyweight champion,pois isso seria uma forma da wwe agradeçer por tudo o que ele fez na empresa..Lembrar tambem do Sting,Rey Mysterio,Kane,e o Jericho ja deveriam ter se retirado tambem,e a wwe aproveitar os jovens talentos do roster.

  6. don_ricardo_corleone - há 4 anos

    O Big Show é muito bom no micro, é bom na teatralidade (na minha opinião), tem carisma e mexe-se muito bem no ringue tendo em conta o seu tamanho. O único problema dele é que, precisamente devido ao seu tamanho e peso, é muito difícil ter um bom combate com ele. Só por isso é que não gosto dele, tornam-se combates chatos. E claro, há muito melhores que ele.

  7. danielLP21 - há 4 anos

    Tema e artigo fantásticos!

    Concordo absolutamente com o teu ponto de vista. O Big Show já devia estar reformado há 3 ou 4 anos. Quando vejo combates dele nos primórdios da sua estadia na WWF/WWE, fico impressionado e colado ao ecrã quando vejo o que ele fazia. Com o peso dele, fazer o que ele fazia, era fantástico.

    O problema é que já estamos em 2013. O tempo passa, e o Big Show simplesmente não acrescenta nada à WWE. Elevar jovens? Talvez, mas eu acho que já nem isso resulta. Então em vez de perder com o Cody na WrestleMania, a WWE prefere colocá-lo a vencer o Título Intercontinental e dar-lhe um reinado de um mês?! Isso não é compensação nenhuma! A prova do que eu estou a dizer? Simples: as pessoas continuam a lembrar-se mais das humilhações que ele sofreu do que das conquistas que ele teve no últimos tempos. Logo, chego à conclusão que não foi bom para ele nem para o Cody.

    Por acaso até acho que este 2º reinado como Campeão Mundial foi a decisão menos má que a WWE tomou com ele nos últimos anos. Acabou com um reinado do Sheamus ( e o Sheamus voltou a ser o que era antes) e elevou o Del Rio… Ainda assim, já não devia lutar há muito tempo.

    A última vez que gostei realmente do Big Show ( apesar de nunca ter sido fã dele) foi em 2006/2007, quando ele esteve na ECW. A imagem que colocaste aí no topo fez-me sorrir, porque recordei os bons velhos tempos, não só do Big Show ( na altura, era um Paul Heyman Guy), mas também da WWE e da ECW…

    • rocha - há 4 anos

      obrigado, Daniel. Se queres que te diga, a ideia para falar sobre este superstar partiu da tua opinião sobre a sua aposentadoria e a do Frederico sobre o Big Show ainda fazer falta à WWE. Eu quis combinar os prós e contras do que Big Show é hoje na companhia e o que tem ele para oferecer.

      Tens razão, o declínio do título intercontinental começou aí, porque o 2º reinado do Cody foi mais fraco, se não estou em erro perdeu para o christian um mês ou dois depois, quando este voltou e fez seu face turn ao escolher o título intercontinental de Cody do que o dos USA do Santino.
      Realmente não compensou todos os anos de “maus tratos” ao Big Show em Wrestlemanias, mas eu também sabia que ele não manteria o campeonato por muito tempo e que este voltaria para Cody, pois a feud deles prosseguiu e tiveram uns quantos combates. Quanto ao de pesos pesados, se era para ser Big Show o campeão preferia que Sheamus não tivesse perdido o cinturão.

      Não fui eu que meti essa foto no inicio do artigo, foi o Kapitas, o meu texto foi publicado por ele. Eu mandei-lhe uma imagens por e_mail, mas ele escolheu essa que não é minha, e ainda bem que o fez, ficou nice e pelo menos alguém gostou.

    • danielLP21 - há 4 anos

      Eu queria dizer “acabou com um reinado chato* do Sheamus”.

      Não, não estás em erro. Foi exactamente aí que o Título Intercontinental voltou àquilo que era antes do 1º reinado do Cody.

      Ah pronto, então o Kapitas tem bom gosto. Escolheu logo a imagem de um grande momento da carreira do Big Show.

  8. Evan Callaway - há 4 anos

    Bom, artigo. Ótima mistura entre contar história e dar opinião, essencial quando o artigo é focado em alguém. Apesar disto eu discordo. Não acho que por um lutador chegar a certa idade, deva deixar o main event (é mais um fator pra ficar lá). Quanto ao Show, hoje é meu terceiro lutador favorito na WWE (dos que atuam full time), depois de Mark Henry e Kane (curiosamente dois que já tem certa idade). Acho que ele tem boas mic skills, excelentes ring skills considerando seu tamanho e um bom carisma, seja como face ou hell. E se sua personagem não ajuda, acho que é mais culpa dos writers do que dele mesmo.

  9. Victor - há 4 anos

    Eu gosto do Big Show.

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