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The People’s Elbow #28 – One of a Kind

The fear I see when I look in your eyes
Makes you believe I’m one of a kind (one of a kind)
The fear I leave in the back of your mind
Makes you believe I’m… One of a kind

Grande música! Dou-vos os meus bons dias aqui deste lado e convido-vos para mais uma leitura do vosso espaço de Terça-Feira! Como devem estar a imaginar, hoje é o One of a Kind RVD a merecer o meu comentário à sua carreira. De acordo com os últimos relatos, RVD irá regressar da pausa de 90 dias antes do Royal Rumble, PPV que a companhia realiza em Janeiro. Irei incidir particularmente no seu regresso à WWE, pautado pelo ciclo dos 90 dias de trabalho e descanso, transmitindo a minha opinião sobre o seu estado físico actual, os combates em que esteve envolvido, as vantagens de o termos de volta, os benefícios que este contrato entrega à sua carreira e o aproveitamento que se pode tirar dele a partir de Janeiro e o que demonstrou neste Verão.

Mais conhecido pelo seu ring name Rob Van Dam, frequentemente abreviado para RVD, é um actor e Pro-Wrestler que ganhou, no total, 21 campeonatos, distribuídos pela ECW, WWE e TNA. É também o vencedor do Money in the Bank 2006. A sua popularidade foi incrementada quando venceu o ECW World Television Championship, que manteve num record de 700 dias. Em 2002, a PWI posicionou-o no número 1 dos wrestlers mundiais e foi votado pelos leitores da revista como o wrestler mais popular de 2001 e 2002. Fez a sua primeira aparição na WWE em 1987, aos 16 anos, quando foi seleccionado da audiência por Ted Dibiase para entrar no ringue e beijar-lhe os pés. Isto foi incluído mais tarde no DVD “Before They Were Superstars” e “RVD: One of a Kind”. O nome Rob Van Dam foi-lhe dado em 1991 por um promotor na Flórida por causa da sua experiência em artes marciais e a sua semelhança com o actor francês. O seu debut deu-se em 1990, lutando em várias promoções independentes de Michigan.

Em Janeiro de 1996, assinou com a promoção ECW pela mão do Paul Heyman, que o tornou face devido à sua atitude de nunca virar as costas às situações desfavoráveis e ao seu estilo de luta pouco ortodoxo. A sua taunt puxava pela plateia ao apontar para si e pronunciar o seu nome em uníssono com os espectadores. Virou a atenção para si depois duma série de combates com o seu rival de longa data Sabu, tornando-se heel por declinar mostrar respeito pelo seu oponente, que lhe oferecera um aperto de mão. No entanto, RVD queria um parceiro de Tag Team e os dois uniram-se para formar uma das mais bem sucedidas equipas da história da ECW, contando com o Tag Team Championship no seu historial, derrotando Lance Storm e Chris Candido e, numa segunda vez, os Dudley Boys.

Meses depois do encerramento da ECW, assinou um contrato a curto prazo com a WWE e estreou-se a 9 de Julho de 2001, como heel. Mesmo sendo heel, tornou-se popular junto dos fãs, que estavam a par da sua reputação na ECW e lhe reconheciam atleticismo e manobras únicas. Derrotou Jeff Hardy pelo título Hardcore e, durante o tempo em que foi campeão, ultrapassou candidatos como Kane, Kurt Angle, Undertaker, Chris Jericho, The Rock e SCSA em combates individuais. Tornou-se face e perdeu o campeonato Hardcore para Undertaker, no Vengeance, entrando numa rivalidade pelo cinturão intercontinental, conquistando-o com um 5 Star Frog Splash em William Regal, em plena WM 18. Quando a WWE se dividiu em duas brands em 2002, foi draftado para a Raw, onde defendeu o seu título com sucesso contra Booker T e começou uma feud com Eddie Guerrero, perdendo o seu título Intercontinental para ele. No episódio da Raw de 27 de Maio, recuperou-o numa luta de escadotes. RVD e Brock Lesnar começaram uma feud e, a 21 de Julho de 2002, uniu o European Championship ao Intercontinental depois de derrotar o campeão europeu Jeff Hardy numa luta de escadote pela unificação dos títulos, resultando no abandono do título europeu. A 29 de Julho, perdeu o título Intercontinental para Chris Benoit. Na desforra no SummerSlam, venceu. A 26 de Agosto, uniu o Harcore Championship ao Intercontinental ao bater Tommy Dreamer numa luta hardcore de unificação dos títulos. A 16 de Setembro, perdeu o título para Chris Jericho depois da interferência do campeão mundial de pesos pesados HHH, com quem começara uma feud e contra quem se tinha tornado number one contender a 9 de Setembro. No Survivor Series, participou no primeiro combate Elimination Chamber pelo World Heavyweight Championship, que foi vencido pelo HBK.

Formou uma Tag Team com Kane em Outubro de 2002 e ganharam o World Tag Team Championship no ano seguinte. Perderam-no no Bad Blood para a La Resistance e dissolveram a parelha depois que Kane foi forçado a tirar a sua máscara quando perdeu para HHH, tornando-se heel. Os dois companheiros iniciaram uma feud. A 29 de Setembro, derrotou Christian numa ladder match para vencer o Intercontinental Championship pela quarta vez, perdendo-o para o Y2J a 27 de Outubro. Reaveu-o numa desforra numa Steel Cage e começou uma feud com Randy Orton, para quem perderia o título. Então, formou uma Tag Team com Booker T, com quem venceu o World Tag Team Championship aos Evolution a 16 de Fevereiro de 2004, tendo esta stable recuperado a 22 de Março. Nesse dia, RVD foi transferido para a Smackdown, fazendo o seu debut a 25 de Março, derrotando Charlie Haas, e começando uma feud contra os Dudleys, junto com Rey Mysterio, que teve fim no Judgement Day. Deixou a divisão de equipas em Junho e entrou na senda do USA Championship. Sem triunfar na procura do ouro, juntou-se novamente ao mexicano mascarado para garantir o Tag Team Championship. Em Janeiro de 2005, sofreu uma lesão no joelho e, para explicar a sua ausência, o título mudou de mãos, processo no qual se simulou a lesão.

Regressou aos ringues 6 meses depois no Royal Rumble e qualificou-se para o combate de escadote MITB, saindo vencedor do embate garantindo uma oportunidade por um dos títulos principais. A 29 de Maio, foi eleito por Paul Heyman para ser movido para a nova brand ECW. Cobrou o contrato da sua mala no One Night Stand em John Cena, conquistando o cinto máximo da empresa até o perder para Edge. Mais tarde, foi um mês suspenso, resultado da sua detenção por posse de drogas. Juntou-se aos ECW Originals Sabu, Sandman e Tommy Dreamer, começando uma feud com os New Breed (Elijah Burke, Kevin Thorn, Marcus Cor Von e Matt Striker), enfrentando-se numa luta na WM que os Originals ganharam. RVD reatou uma rivalidade com Randy Orton, a última antes de sair da WWE, devido à sua esposa ter sido diagnosticada com cancro. Ele voltou para o circuito independente, competindo pela APW – Associação Portuguesa de Wrestling. A 9 de Março de 2009, foi anunciado que estaria na tour europeia da American Wrestling Rampage. A 11 de Setembro de 2009, marcou presença num evento em Portimão pela WSW – World Stars of Wrestling. De 2010 até Março deste ano, representou a TNA, onde venceu o World Heavyweight e o X Division Championship. O contrato expirou e ele deu uma entrevista sobre o seu futuro, dizendo que estava a negociar com a WWE e a TNA para se decidir quanto a um regresso à TV.

Sem estar sob contrato, regressou no 15º aniversário da Raw, em Dezembro de 2007, num squash a Santino com um 5 Star Frog Splash. Fez uma aparição similar no RR de 2009. Em entrevistas, ultimava que a WWE seria a primeira escolha e que estaria definitivamente disponível para conversar quando voltasse a tempo inteiro ao Pro-Wrestling. A ambição dum horário leve para poder actuar no cinema e estar perto da família, bem como o seu consumo de drogas e apoio à legalização da marijuana, não se apresentava compatível com os compromissos apertados e a posição anti doping da WWE. Contudo, a saída da TNA trazia água no bico e o inesperado aconteceu a 16 de Junho no PPV Payback, onde seria anunciado que estaria de regresso no MITB como um dos participantes no combate de escadotes pela mala. Na noite seguinte, combateria pela primeira vez em 6 anos na Raw, derrotando Chris Jericho. O seu próximo combate seria na Smackdown, derrotando Darren Young. A sua primeira derrota após o regresso foi a 26 de Julho frente ao campeão mundial dos pesos pesados Alberto del Rio. Duas semanas depois, a desforra traria uma vitória para RVD. A 12 de Agosto, ganhou uma battle royal para ser declarado number one contender pelo USA Championship. Recebeu o seu title shot no pré show do SummerSlam, não tendo vencido o título. Na noite seguinte, aliou-se ao antigo ring announcer do ADR, Ricardo Rodriguez, para provocar o retorno da feud, e derrotou o aristocrata mexicano para adquirir uma shot pelo seu cinturão, combate esse que ocorreu a 15 de Setembro no Night of Champions, onde ganhou o combate por desqualificação, mas não o título. Recebeu outra chance a 6 de Outubro, mas foi derrotado de novo numa luta Hardcore. Desde aí, tirou um tempo de férias e cogitou-se que estaria insatisfeito pelo modo como vinha sendo usado, não sabendo se formularia nova ligação à empresa de Vince, algo que parece estar desmentido.

A postura robusta e simultaneamente atlética de RVD consolidou-o como pau para toda a obra. Enquanto wrestler hardcore, introduziu rapidez de pensamento e decisão na execução dos movimentos e incluiu traços high flyers a batalhas quase que exclusivamente sangrentas e duma fisicalidade e agressão de lutadores de rua. Ele definiu um novo estilo de combate em lutas que, quem assistia, sabia como se iriam desenrolar, quebrando aquela rotina pesada relacionada ao hardocre, em que contava a acção e não tanto a sabedoria do que fazer em ringue. Com ele, passou a existir momentos OMG que um lutador hardcore normal não seria capaz de fazer. Não só colocava o corpo em jogo como entretinha com spots variados e com a conjugação de hardcore e wrestling bem praticado. Não estava ali alguém que não tinha capacidade para mais do que luta levada ao extremo, estava um atleta que sabia como fazer as coisas e seria feliz em qualquer ramo da luta livre. Soube sempre o que quis e não considerou dar um passo atrás depois de estourar, estando constantemente no alcance de cinturões por onde quer que passou. Se teve a coragem de andar anos de promoção em promoção a seguir à melhor fase da carreira nas top leagues, não foi por certo por ir passar despercebido ou receber pouco dinheiro. Até aí sentiu o peso do cinto nos ombros, é assim que ele se sente bem. Atingido o topo da montanha, não se volta para baixo…

Teve também uma aprendizagem e um contributo na secção de equipas, onde não lhe faltaram títulos com os mais variados pares. Teve interferência na melhor época dos títulos secundários, em que estes eram disputados com unhas e dentes, juntando ao seu currículo alguns bons reinados intercontinentais. Ter sido mister Money in the Bank foi um dos seus maiores feitos e a marcação prévia do combate e o ambiente de apoio e hostilidade para com o seu adversário sublinharam a sua importância e o carinho que recebia naquela casa chamada ECW. Não fosse estar metido no meio da incrível feud Edge-John Cena e o seu reinado podia ter sido maior. Seja como for, mostrou que a mala podia ser cobrada por um face sem necessitar de virar heel. A seguir ao seu contrato expirar, tivemo-lo perto e pudemos vê-lo em Portugal, tendo até participado no programa da Sic Radical Curto Circuito. Experimentou a TNA e os comentários relacionados à sua pessoa era que se andava a arrastar em ringue, que estava lento e proporcionava combates de péssima qualidade. Daí terem sido poucos aqueles que ficaram agradados com o anúncio da sua volta seis anos depois. Eu não assisto TNA, por isso fiquei contente, porque, ao lado de Kurt Angle, é um daqueles por quem eu suspirava por ver regressar, e a verdade é que não desiludiu.

A comunicação antecipada do seu regresso ajudou a vender o maior evento do Verão e foi muito bem vista, pois qualquer um dos quatro grandes PPV’s tem tudo a favor dum retorno a curto ou longo prazo duma lenda ou veterano. Visto que não se têm realizado combates de qualificação e são os GM a decidir quem entra em que combate, a inclusão de RVD na ladder match não desaponta ninguém. A sua exibição foi a que habituou os amantes da WWE, apesar da lentidão da idade e de alguns erros que prejudicaram Sheamus, que se queixou no final aos oficiais. Algum nervosismo ou falta de entrosamento com colegas com quem nunca tinha lutado podem ser a justificação, mas no geral as falhas foram disfarçadas e ele estava no seu recreio que são os combates de escadote. A sua volta à programação semanal deu-lhe, naturalmente, algumas vitórias, tendo sido a disputa com o amigo Y2J uma demonstração da sua condição física e a perda das dúvidas por parte dos fãs sobre o que ainda rendia em ringue. Foi ganhando a alguns low e mid carders e enterrou Damien Sandow (cavou 6 palmos de terra, pelo menos…) até se perceber que seria ADR o primeiro concorrente a sério e que RVD era desafiante natural ao campeonato mundial dos pesos pesados, descredibilizado não só por culpa do mexicano mas pelo desinteresse dos argumentistas. O mais estranho foi esta feud ser interrompida para colocar RVD como oponente do campeão dos USA Dean Ambrose e, posteriormente, ser recuperada com o desprestigiado título on the line. A WWE tentou motivar e elevar dois lutadores com defesas do campeonato contra um wrestler cimentado, mas, por outro lado, RVD obteve sempre uma vitória contra cada um deles e nunca saiu desvalorizado, seja por vitórias via desqualificação seja por andar sempre à roda de que título fosse: não os ganhava mas estava lá! Não me parece que essa aposta tenha sido a melhor porque lançava suspeitas sobre o esforço que é preciso impregnar para ser number one contender.

Ter Ricardo Rodriguez a acompanhá-lo ao ringue e a ficar no seu canto foi completamente inusitado na altura da carreira que atravessa. Aos 42 anos e sem nunca ter sido grande coisa no micro mas também sem claudicar é que ele precisa dum acompanhante?! Está certo que Ricardo não faz as promos por ele, porém, RVD dispensa apresentações… Se ia ser ele a malagueta que iria deitar o fogo na rivalidade, ADR couldn’t care less, ele estava-se nas tintas e isso não era caso de irritação. No pouco tempo dispensado nesta história, tapada pela corporação de HHH e os McMahon, gostei do ataque de ADR nos bastidores e do Van Terminator. Quanto a esta promessa de trabalhar e repousar 90 dias, não permite grandes desenvolvimentos em termos de feuds longas, a não ser que cada saída sua seja justificada em TV por um ataque do inimigo e quando voltar procurar vingança. Isto exige um empenho redobrado dos bookers se querem aproveitar os três meses activos dele antes das férias. No entanto, entendo esta clásula e ele merece-a mais que um Brock Lesnar. Creio que tenha algum título assinado para o ano e muito me surpreendeu que não tenha ganho um até agora, pois teria servido na perfeição para o cash in de Damien Sandow. Deixo-vos com curiosidades sobre a sua vida e finishing e signature moves. Obrigado e até para a semana!

Apareceu em numerosos shows de televisão e filmes. Em 2000, entrou num episódio dos Ficheiros Secretos e em 2002 foi convidado para o vídeo clipe da música One of a Kind, tocada para si pela banda Breaking Point. Apareceu num episódio do Hulk Hogan’s CCW – Celebrities Championship Wrestling – ensinando o seu 5 Star Frog Splash numa aula sobre finishing moves. Em 2011, trabalhou num filme com o antigo wrestler Batista. No seu blog, anunciou que estava no processo de criação dum show online intitulado RVD TV, onde vai dar aos fãs pequenos vestígios do que é a vida no negócio do wrestling. Alguns dos seus amigos vão aparecer, como Sabu e Samoa Joe, que será filmado na sua casa na Califórnia. Em 2011, fez uma performance de stand up comedy. Em 2006, foi reportado que ele e Sabu teriam sido presos no Ohio, por posse de marijuana e Vicodin, e notificados para ir a Tribunal a 6 de Julho de 2006. De acordo com a Wellness Policy da WWE, uma detenção relacionada com drogas pode conduzir à demissão da companhia. Subsequentemente, foi suspenso por um mês.

Finishing moves: 5 Star Frog Splash (High Angle Frog Splash, mudando de posição a meio da queda); Split Legged Moonsault – 1991 a 1996, usado como signature move desde 1997. Signature moves: Van Daminator (Spinning Heel Kick numa cadeira posicionada em frente à cara do oponente); Van Terminator (Corner to Corner Missile Dropkick, com uma cadeira posicionada na cara do oponente); Discus Leg Drop; Diving Crossbody; German Suplex; Northern Lights Suplex; Standing Moonsault…

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

2 Comentários

  1. The Mentalist - há 3 anos

    Eu gosto desses artigos sobre as carreiras dos wrestlers e desse aqui gostei muito. Não conhecia muito do início da carreira do RVD e creio que no artigo ficou bem esmiuçado de como foi essa fase inicial dele.

    Parabéns pelo artigo Miguel

  2. MR Perfection André Santos - há 3 anos

    Primor este artigo!Parabéns pois foi muito completo!

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