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The People’s Elbow #3 – Como ser a face da WWE

Ora boas, caríssimos leitores! Mais uma Terça-Feira, mais uma edição do People’s Elbow. Desta feita, resolvi abordar o método que a WWE utiliza para escolher a “sua cara”, aquele que lidera o pelotão, o que se destaca (ou o que a WWE quer que se destaque), o relações públicas da empresa, enfim, o representante da companhia dentro e fora da indústria do wrestling.

Para isso, deixarei a minha opinião e um pouco do que penso ser os critérios de selecção e as bases para construir um main eventer sólido e capaz de se tornar no símbolo da sua geração. Comecemos, então!

Dentro dum plantel duma companhia de pro-wrestling, existem lutadores talhados para obter o máximo de destaque pela sua qualidade em ringue, sentido de interpretação, carisma ou o vulgarmente chamado “it factor”, que o diferencia de todos os outros colegas de balneário. Se o atleta conseguir conciliar tudo isto, temos a maior superstar de sempre, mas sendo isto quase impossível, quais serão as principais características que quem quer fazer dele uma estrela há-de ter em consideração?

A profissão de pro-wrestler é uma das mais exigentes e massacrantes, quer do ponto de vista físico quer psicológico.

Quem quer fazer vida neste ramo tem de conseguir suportar dores corporais intensas e prolongadas e, mais importante que isso, saber gerir o seu estado psicológico, de preferência longe de substâncias tóxicas. A “cabeça” que um trabalhador nesta área tenha vai ajudar a elevá-lo aos seus objectivos ou a jogá-lo ao chão num instante, ficando a sua carreira condenada ao fracasso.

O lutador que sonha em vir a ser o principal trunfo da companhia para a qual trabalha tem de estar na disposição de renunciar a parte da sua vida pessoal e demonstrar empenho e dedicação à causa que resolveu abraçar. Não há volta a dar, é um contrato extremamente exigente e que nem todos cumprem.

Os que se entregam à vida com que realmente sonharam, sem hesitações nem arrependimentos, serão recompensados pelo booking. Este grupo de guionistas e escritores decide o destino dos lutadores, sendo preciso a cada dia que passa, a cada luta, a cada promo, mostrar que se é merecedor da posição cimeira que se ocupa ou que se merece uma oportunidade para voos mais altos. Aqui é como no futebol, nem todos os miúdos que começam nas escolas dum clube vão ser jogadores profissionais. Uns atingirão o estrelato conseguindo chegar aos seniores, outros conseguirão jogar em clubes de menor nomeada ou divisões inferiores e haverá alguns que ficarão pelo caminho e se dedicarão a outra coisa qualquer.

Numa empresa de wrestling, não há espaço para todos figurarem entre as principais apostas, pelo menos ao mesmo tempo.

Sabemos que para um espectáculo de luta livre funcionar terá  de haver os main eventers, os midcarders e os jobbers.

Se os main eventers têm lugar estabelecido, os midcarders quererão subir e agarrar um lugar entre eles, enquanto que os jobbers terão a tarefa inglória de perder combates para todos esses. Quando se dá  um push a um lutador, permitindo a sua subida ao main event, muito estará em jogo.

A confiança para essa “repescagem” dum atleta por parte do booking terá de ser devolvida pelo trabalho que ele desenvolverá a partir daí dentro de ringue, que será cada vez mais observada e pressionada. Quantos bons lutadores não ficaram na sombra da bananeira quando lhes foi dada a oportunidade que tanto almejavam? Veja-se o caso de Jack Swagger quando ganhou o título mundial de pesos pesados, através da mala MITB.

Eu até fui gostando das suas rivalidades e das suas defesas do título, mas para a WWE não foi o suficiente, pois considerou que ele não se esforçou para ser um bom campeão nem evoluiu nada no tempo que teve o título em mãos.

Jogadas de bastidores e tensão no balneário são outras razões que podem arruinar as esperanças a ascender ao estrelato.

John Morrison e Alex Riley são disso exemplo. Um com más mic skills como face mas com uma capacidade em ringue fantástica, outro bom em promos, razoável em ringue e com facilidade de captação da plateia, não alcançaram posições que seriam suas devido a certas atitudes por eles tomadas e também alguma embirração por quem toma as decisões.

A distracção com as políticas da empresa (uso de substâncias ilícitas) é outro factor bastante comum para que se deixe de confiar num lutador, depois de lhe ter sido dada a chance de provar tudo o que vale.

R-Truth e Evan Bourne desperdiçaram oportunidades únicas quando estavam a ser bem utilizados e Randy Orton, com as suas recaídas, tem sido deixado para plano secundário quando comparado com outros colegas seus.

Existe igualmente o caso de um midcarder não ter estofo para subir mais na carreira. A indecisão que assombra The Miz quanto ao seu papel dentro da WWE não especifica que importância tem ele dentro da programação que a WWE leva às nossas televisões.

Foi-lhe concedido o estatuto de main eventer entre 2010 e 2011.

A partir daí, Miz não satisfez e voltou a ser midcarder.

Kofi Kingston é o eterno midcarder e de lá não sairá, pois apresenta falta de carisma para “booms” maiores.

A sua performance em ringue é espectacular e até interage bem com o público por meio da sua entrada e das suas taunts, mas houve tempos em que sempre que eu o via descer a rampa pensava para mim “este outra vez…!”.

E assistia a combates maravilhosos dele, de deixar o queixo caído, mas não tinha aquele “sal” que outros lutadores destacados têm, para além que ser o possuidor ou o candidato aos títulos secundários vezes e vezes sem conta não abona nada a seu favor e só desprestigia o resto do elenco do midcard.

Analisado em parte o estofo físico e mental que se tem de ter para singrar neste desporto e referidas algumas características não muito aconselháveis a quem ambiciona chegar ao topo, está na hora de finalmente responder à pergunta deixada acima sobre o que é preciso ter ou fazer para “tocar o céu”, como se costuma dizer. Como já muitos reparámos pelo histórico de caras que a WWE foi apresentando ao longo dos anos, a capacidade atlética ou a qualidade no decorrer duma luta não são os aspectos essenciais para se subir a pulso na empresa.

Muitos nos queixamos de lutadores absolutamente sensacionais não estarem inseridos no main event ou não serem a principal figura da companhia, esquecendo-nos que a WWE privilegia mais a noção de superstar e entertainer do que a de wrestler.

Não basta deixar sangue, suor e lágrimas no ringue e partir todos os ossos do corpo se for preciso. A verdade é que para se ser uma grande estrela é preciso representar a personagem que nos concederam, de modo a receber reacção do público e interesse deste nas histórias em que nos virmos envolvidos.

António Cesaro é um estupendo atleta a quem falta muito disto.

É necessário saber contar uma história durante uma rivalidade ou uma luta, passar as emoções e os sentimentos a quem assiste, tornar aquele pedaço de tempo no mais excitante possível para quem o está a acompanhar. É importantíssimo conseguir deixar a audiência a salivar por mais, a querer saber mais e a ficar na expectativa do que ainda irá acontecer.

Claro que aqui também entra a equipa de escritores e a qualidade das histórias que escrevem, incluindo os intervenientes que destacam para cada storyline, porém, se os protagonistas estiverem aquém do esperado, o público pressente isso.

Tanto já tivemos acontecimentos absurdos que envolveram superstars que não mereciam aquele “filme”, como spots sensacionais em que os “actores” não deram tudo o que podiam.

Saber actuar perante uma plateia já está, que mais se segue?

O carisma, as expressões faciais, os jeitos que se vai desenvolvendo na personagem, os pequenos tiques, a postura e o alcance da voz ao microfone diferenciam o “chosen one” dos que terão de ficar a aguardar a sua vez e a desenvolver-se se algum dia quiserem ocupar tal lugar.

Em todas as suas diversas eras, a WWE sempre elegeu para seu representante alguém que se pudesse dar como exemplo, que fosse seguido pelas massas. Desde super heróis a anti-heróis, a rebeldes por uma causa, a desfavorecidos que conseguem ultrapassar os obstáculos que se põem no seu caminho, a indivíduos que clamam por justiça e respeito, a WWE tem lançado as suas “imagens de marca”, todas eles com grande sucesso, destinadas aos aficionados deste desporto ou ao imaginário infantil e familiar.

Tenho assim a concluir que os grandes pilares da empresa de Vince McMahon se têm construído com solidez nos ringues e envolvência com o público.

O prémio que se ganha por tantos anos de dedicação é uma experiência e um reconhecimento que se estende para lá do wrestling: convites para programas de televisão, séries e filmes, embaixador de causas sociais, divulgação do seu nome na media.

Ao carregar nos ombros a responsabilidade de divulgar a companhia, representá-la e levá-la para fora da zona de conforto que em tempos foi o wrestling, promove-se a si próprio e isso é bom para angariação de fãs do sports entertainment.

Quantos não acenderam a TV, sem gostar de wrestling, para ver individuo X que aparecera num talk show qualquer a dizer que é lutador? Quantos não viram filmes ou compraram discos porque fulano tal do wrestling está lá?

É uma promoção que beneficia as duas partes, mas que também nos levou o The Rock em 2002 definitivamente para Hollywood (2004 foi o seu último ano como lutador, ninguém acredita que o seu regresso em 2011 foi como The Rock, mas como Dwayne Johnson, o actor de cinema). Essa exposição mediática de desportista para figura pública é perigosa caso se perca o controlo e se proceda a mudanças de objectivos profissionais.

Novos gostos são sempre bem recebidos, convém é conciliar com o que já se gosta e com o que se fazia antes.

Bom, penso que da minha parte é tudo, dêem a vossa opinião na caixa de comentários, para a semana voltarei com novo tema.

Até lá, vejam wrestling!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

4 Comentários

  1. Cadu Ito - há 4 anos

    Em particular, acho que a WWE está fazendo as coisas pelo lado contrário… ela vem com o lutador novo, atacando todo o plantel, sendo um heel odiado (The Miz, Alberto del Rio) e depois quer transformá-lo em face??? Dificilmente alguém engolirá isso…

    Acho que tem que construir alguém desde sua entrada já com sendo um face considerado… e a partir daí começar dar push para esta pessoa, perderam uma boa oportunidade com o Daniel Bryan (ainda acho que dá tempo)

  2. cena_vs_rock2013again - há 4 anos

    muito bom o artigo!!!!!!!!

  3. Duarte_WWE - há 4 anos

    Isso tudo que disseste é o que distingue um grande wrestler e entertainer do resto e para se a face da WWE tem que se saber conciliar as duas coisas senão vais acabar por ser um cesaro ou um riley!
    O artigo está muito bom quer em termos de conteudo como em escrita parabens!

  4. Evandro Monari - há 4 anos

    Bom artigo, acredito que esclareceu tudo sobre o assunto

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