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The People’s Elbow #32 – N(e)XT Generation

Ora viva! Na edição desta semana vou falar do que é, de há algum tempo para cá, a montra do novo valor das lutas profissionais: a marca amarela NXT. De conceito prometedor a programa aborrecido e sem fundamento, a uma reestruturação que tem feito muitos de nós ansiar por novas estreias no plantel principal, o NXT respira saúde e vitalidade, daí merecer um olhar em forma de artigo. Dos mais valiosos superstars que de lá saíram aos que ficaram pelo caminho, dum vazio de ideias a uma plataforma de criação de talento, tudo será aqui debatido no decorrer do texto. Deixem-me então mostrar-vos a queda e apogeu desta terceira brand!

NXT é um programa de televisão de entretenimento desportivo produzido pela WWE. Teve a sua primeira exibição em Fevereiro de 2010, possuindo na sua primeira fase cinco temporadas, antes de substituir a FCW como território de desenvolvimento. Com uma hora de duração, foi descrito como a mistura entre realidade e um evento normal de luta livre ao vivo e tinha como objectivo, no seu formato original, uma vaga na primeira divisão da empresa, concedida ao vencedor de cada série. A equipa criativa buscava empregados do território de desenvolvimento e juntava-os a mentores do elenco conhecido com quem pudessem aprender e em quem pudessem confiar para uma mais segura subida ao principal escalão. Cada episódio apresentava os novatos sendo orientados pelos profissionais quanto às suas personagens e às suas habilidades no ringue e frente a uma plateia.

Desde a sua estreia, o tema de abertura é “Wild and Young”, da banda American Bang, o que evidencia claramente o que quis o criador Vince McMahon obter a partir daqui. A 2 de Fevereiro de 2010, o presidente da WWE anunciou um novo programa semanal que iria ser posto no lugar do cancelado ECW, cujo nome foi anunciado no Superstars de 4 de Fevereiro e o formato revelado a 16, numa conferência de imprensa. O padrão do programa foi remodelado no final da quinta temporada, passando a ser o território de desenvolvimento, após a desactivação da FCW.

A alteração da programação semanal, com o fecho da ECW e o arranque duma “academia de talentos”, magoou-me ao principio, ia eu no meu segundo ano como fã incontestado de wrestling, que acompanhava sem interrupções, depois daquela altura que todos tivemos em miúdos (RTP nos anos 90, Sic Radical e o falatório nos intervalos das aulas ali na época de 2004 a 2007). Essa perturbação deveu-se “àquela” ECW ter estado presente desde os meus primeiros dias de adepto em 2009 e de nutrir por ela um carinho inexplicável, muito antes de perceber que a verdadeira tinha sido comprada e encaixotada, sendo reaberta anos depois numa tentativa de copiar os momentos extremos que fizeram concorrência à sua detentora.
Lembro-me perfeitamente de Vince entrar pela rampa de acesso ao ringue e com a maior descontracção possível afirmar que o último episódio seria a 16 de Fevereiro de 2010 e que iria surgir com outro show dentro em breve. Voltou costas e foi-se embora, como se fosse assim tão simples, e aquilo revoltou-me. Abria-se um novo ciclo e eu pensei cá para mim “deixa-me ver o que vai sair daqui”.

A primeira impressão que tive foi de mistela com aquela programação manhosa que a TVI faz o favor de espetar nos nossos televisores, isto porque, para além das lutas, eram realizados desafios de competição para testar o físico e o intelecto dos candidatos a ascenderem ao plano maior da WWE. Depois entendi que aquilo não era nenhuma Casa dos Segredos, que desafios que incluem lutas com regras diferentes e promos sobre um determinado assunto eram dinamizadores de evolução e de exposição de potencial, e que os vencedores recebiam um prémio especial, como um segmento, luta ou entrevista num dos programas principais ou no site oficial. Um dos bónus frequentes assemelhava-se mais a esse belo programa de Teresa Guilherme – a imunidade – que impedia a eliminação nessa semana.

As votações eram realizadas para avaliar o desempenho de cada um e ir diminuindo o número de concorrentes até se encontrar o vencedor. Além desse tipo de eliminação, o lutador com menor pontuação era excluído, ou podiam ocorrer desqualificações por decisão do conselho executivo da empresa, como foram exemplo Daniel Bryan e Michael Tarver, por alegada falta de confiança neles dois. O prémio para o vencedor de cada edição é um contrato profissional e uma luta pelo título que desejar em qualquer PPV, o que se revelou falso e até ingénuo, comprometendo o futuro dos intervenientes, algo que lembra a falta de acompanhamento na carreira de quem cantou no “Ídolos”.

A primeira temporada terminou a 1 de Junho de 2010 com o vencedor a ser Wade Barrett, que após a vitória começou a actuar na Raw. Para esquecer a história do prometido combate por qualquer campeonato, criou uma aliança com os restantes participantes chamada Nexus, na tentativa de que todos assinassem contrato. A lógica é muito sobrevalorizada: então este vilão inglês, com poiso garantido entre os maiores da indústria e com a promessa de lutar pelo título, vai-se preocupar por outros irem para a rua?! Ele devia era ter-se sentido um vencedor, superior aos demais afastados, e partir logo para caça grossa. Todavia, lá se foi dando um guião consistente à stable (ver a invasão na estreia) e Wade decidiu utilizar a sua oportunidade numa luta no Night of Champions, onde acabou perdendo para Randy Orton.

Dos participantes, o detergente para a roupa Skip é agora um matulão a quem foi dada chance atrás de chance mas que não convence nem quando é o adversário a carregar o combate. Para ter dado os dois piores Hell in a Cell que eu já vi, mais valia ter mantido a gimnick cowboy, que parecia ser interessante. David Otunga devia ter seguido advocacia e é um daqueles casos em que ir atrás do sonho em vez de ganhar dinheiro naquilo para que estudou não resulta. Michael Tarver deve estar em casa a desejar chegar aos dedos dos pés de Roman Reigns no que à representação do poderio físico diz respeito. Isto com a boca tapada com aquele lenço, escondendo a vergonha. Heath Slater é um jobber de luxo e já se notou que quer aparecer seja de que forma for, oferecendo-se para enfrentar as lendas, o que só lhe fez bem, pois desde aí tem-se tornado mais suportável e com exibições regulares em ringue. Darren Young não aquece nem arrefece, é um trabalhador que está ali para a secção de equipas ou para fazer uma perna no mid e low card, o mesmo que Justin Gabriel, apesar de ser consideravelmente melhor. É daqueles lutadores a quem faz falta a categoria de pesos leves, porque ele amarra as pontas seja com que faceta for, e cedo se vislumbrou como um face bem adaptado. Mais comunicação com o público e pode ser que comecem a reparar nele

Wade Barrett e Daniel Bryan são main eventers em qualquer lado do mundo. O mal é que o primeiro foi destituído de líder da sua facção, formou outra só para andar ocupado, segurou cinturões por menosprezados períodos de tempo e quando volta é com uma música de entrada nova e com um movimento de finalização cada vez pior. O argumento escrito para si continua mau, ainda não tive oportunidade de ver o tal mensageiro de más noticias, mas sei que a Barrage e a postura de lutador de rua com que regressou da rivalidade com Randy Orton teriam sido perfeitas nas mãos de outros criativos. É que até uma ligação à corporação se perdeu, ele que do nada poderia virar campeão corporativo. Continua a ser o campeão britânico não coroado.

Daniel Bryan teve o seu contrato rompido legitimamente, após estrangular com a gravata o anunciador Justin Roberts, algo demasiado violento para a classificação PG. Graças a Deus que retornou dois meses depois, o que seria da companhia e de nós sem este magnífico atleta! Admirado por quem seguira a sua trajectória nas indies, chegou como um cromo à “Virgem aos 40”, de barba feita, penteado impecável e uma roupa de gosto duvidoso! Começou-se a esboçar uma história em tudo semelhante à da sua corrida pelo título da WWE: seria ele capaz de virar uma WWE superstar? Antes da barba, da eleição da face da WWE e do seu campeão, Daniel viu-se confrontado quanto às suas virtudes para estar a competir naquela empresa! O menino bonito dos circuitos independentes era um nerd sem carisma que parecia não ir convencer só com os seus dotes em ringue, foi preciso o pêlo facial começar a nascer, duas das mais básicas palavras serem vociferadas a plenos pulmões e uma inútil vontade de o fazerem quebrar um recorde para que o fenómeno se gerasse! Ainda quiseram acabar com aquelas palavras mágicas para que os espectadores não fossem levados pela maré, mas já era tarde, a onda já era maior do que aquela da Nazaré! Um ser humano com a vida dificultada desde o principio que o povo conseguiu manter junto de si, para desgosto de quem o tentara rebaixar e desmoralizar

Para a segunda temporada, os participantes foram revelados no final da primeira, com o vencedor a ser Kaval, que após a consagração assinou contrato e foi para a Smackdown, juntamente com Alex Riley, imediatamente promovido pelo seu Pro Miz. Um mês depois, os actuais Curtis Axel e Bray Wyatt fizeram a sua primeira participação no Hell in a Cell, interferindo numa luta entre John Cena e Wade Barrett, e ingressaram nos Nexus. Kaval usou o privilégio concedido pela vitória numa disputa pelo campeonato intercontinental, perdendo no Survivor Series, e teve a sua rescisão efectivada em Dezembro de 2010.

Aqui é que o caldo ficou entornado, com a seca de planos para alguém que tinha acabado de ganhar a segunda edição e tudo o que com isso vinha em seguimento. Foi lutando, teve algumas vitórias, alguns dissabores, lá pediu a luta a que tinha direito por um cinturão, mas percebia-se que era muita parra e pouca uva, que ele estava a ter o mesmo período de adaptação e de expansão normais aos recém promovidos e que isso não iria durar muito. Amigavelmente, chegou-se a um entendimento e ele foi embora. Alex Riley tinha uma gimnick muito boa: rapaz rico de colégio, popular entre as miúdas, bom aluno e com ar e de desportista, bem à maneira dos filmes juvenis que exploram a vida colegial americana. O seu corte de cabelo e o casaco marcavam ainda mais essa postura. Mesmo crescendo de dia para dia e arrancando heat, primeiro, e pop, depois da revolta contra Miz, das bancadas, ajudado pela música à main eventer que tem, não foi tendo seguimento por parte de quem controla os acontecimentos televisivos, não combatendo há muito em TV, onde o vemos somente na mesa de comentadores de programas inferiores.

Percy Watson não era nada de sensacional entre as cordas mas era um sujeito muito engraçado, na sequência de grandes actores cómicos como Eddie Murphy e de Dave Grohl, músico que deixou transparecer mais evidentemente a sua veia humorística nos vídeos dos Foo Fighters. Não soube manter a calma e a paciência que se pede a quem espera ascender aos quadros da empresa, e tal foi decisivo para que deixassem de contar com ele. Não que fosse armar grande agitação no seio de qualquer uma das brands, mas como comedy act calharia que nem ginjas. Lucky Cannon foi o que menos percebi ter sido dispensado, quando voltou como heel enrolado naquelas vestes e a cortejar Maryse estava a dar algo fresco, de que eu gostei bastante. Foi mesmo um disparate a sua demissão, feita à toa. As suas parecenças com Adam Cole são de salientar! Titus O’Neill é uma das forças brutas que mais aprecio no plantel, com Roman Reigns e Harper em conjunto, e julgo que se possa safar individualmente graças a isso. O latido que faz a imitar um cão nunca me estimulou, mas as pessoas parecem gostar! Bray tem o sucesso estampado na testa, com uma gimnick made in NXT, e o filho do Sr. Perfeito começa a ter razões para se preocupar quanto à sua preponderância para os objectivos de quem comanda as operações…

A terceira temporada iniciou-se a 7 de Setembro de 2010 e terminou a 30 de Novembro, sendo exclusiva para divas. Antes da sua exibição, a lutadora Aloísia foi removida por fotos sexuais suas terem andado a circular pela Internet. Ela estava a causar comentários acerca da sua participação pela sua elevada dimensão e corpulência fora do vulgar para alguém do sexo feminino. Quem acabaria por vencer seria Kaitlyn, que se começou a apresentar na Smackdown, exprimindo toda a sua beleza e sensualidade enquanto se afinava como lutadora, conquistando aos poucos a confiança de todos. Naomi foi outra que surgiu como apoiante de Brodus Clay e que já mostrou saber para o que veio, desenvencilhando-se com mérito em ringue. No entanto, seria AJ a provocar o maior alvoroço! Quem esperaria que uma miúda que aparenta ter 17 anos, muito frágil e tímida, se transformaria numa mulher louca de ambição e no maior exemplo recente de anti-diva? Para nossa sorte, a personagem saiu acertada e ela vai sendo posta à prova e superando dificuldades, como eram a reacção do público aos seus discursos e saber encará-lo sozinho.

A quarta temporada teve inicio a 7 de Dezembro de 2010 e terminou a 1 de Março do ano seguinte, retornando a uma equipa masculina, com o vencedor recebendo uma oportunidade pelo título de duplas, ao lado do seu Pro. Com esta alteração, a WWE destruiu a fachada que tinham sido todas as cobranças falhadas pelos campeonatos individuais, oferecendo mais alento e probabilidade de conversão com esta junção “aluno-professor” no cenário a pares. O vencedor foi Johnny Curtis, e Brodus Clay, segundo colocado, foi enviado para a Smackdown como protector de Alberto del Rio. Curtis foi vetado ao abandono, aparecendo em promos em que despejava leite em cima de si ou outras coisas sem sentido, adiando a sua estreia. Foi como Fandango que vingou, sendo apadrinhado com uma vitória no seu primeiro PPV sobre um dos maiores do negócio.

Brodus Clay, antigo guarda costas de estrelas da música, ia tomando o seu espaço ao deixar o seu corpo falar por si. Achei exagerado o foco no seu penteado, que simula um corno de rinoceronte, para o elevarem como dominador, porém, conseguiu estar um tempo sob a tutela do aristocrata mexicano, até ser deixado para trás e retornar do planeta Funk. Eu penso que há lugar para ele e que uma gimnick mais voltada à que tinha antes seria preferível. Byron Saxton era meu conhecido por ter sido comentador do NXT, não sabia sequer que lutava e, sendo honesto, essa não era a sua praia. A sua cara divertida e o olhar simpático não o afectam quanto a uma posição fora do ringue e é lá que ele deve estar. Conor O’Brian era um tipo caricato, com aqueles dentes e aquela barba esquisita que o faziam parecer um rato. Segue firme nos Ascension. Derrick Bateman foi mais um que ficou para jobber até acabar por ir embora. As cenas de bastidores com Daniel Bryan eram uma paródia e o próprio me recordava o Jim do American Pie. Podia ter dado mais se o tivessem permitido e não tivessem tido uma atitude precipitada para com ele.

A quinta série, chamada Redemption, trazia participantes das edições 1, 2 e 4, em que o vencedor deixava de receber uma oportunidade pela disputa dum título para ter vaga certa na sexta temporada. Se finalmente se ultrapassava aquele teatro da ascensão meteórica do vencedor com a mudança no prémio, o show começou a ser esquecido. A ideia de redenção era boa e serviu para quem não fazia falta nos eventos principais ir acumulando combates e experiência de volta a casa. Só que, dada a paragem no funcionamento correcto do programa, este começou a servir para que astros do mid e low card marcassem presença e aumentassem o número de aparições em TV, sem qualquer outro objectivo senão o de não ficarem parados.

Felizmente, adoptou-se um novo formato e o programa serve como território de desenvolvimento desde 17 de Maio de 2012, derrubando o aspecto “reality show”. Tem como figuras de autoridade William Regal (coordenador), Dusty Rhodes (comissário e gerente geral) e os treinadores Billy Gun, Joey Mercury, Ricky Steamboat e Terry Taylor. O NXT como está de momento é um projecto pessoal de HHH e, honra lhe seja feita, o trabalho tem sido incansável. Lutadores como Aiden English, Alexander Russev, Chase Donovan, CJ Parker, Corey Graves, Leo Kruger e divas como Paige têm os dias contados nesta acção de formação e preparam-se para causar alarido em palcos maiores. As subidas graduais e temporizadas têm-se revelado decisivas na afirmação de novos lutadores, que antes vêm moldados e preparados para as grandes lides.

Temos aqui ovos para fazer omeletas e uma geração para dar continuidade a esta modalidade, basta querer. Se no inicio não tivesse existido aquela brincadeira da “terra prometida”, ou seja, dos mundos e fundos de que os ganhadores iriam beneficiar, o NXT não teria andado tão mal como andou. Ainda bem que alguém agarrou nisto e nestes dias podemos contar vários empregados que de lá brotaram, alguns deles tendo ganho dinâmica renovada aquando duma segunda prova de fogo. É de realçar que muitos estão a ser aproveitados porque a existência deste programa os desviou do desemprego. Cá estarei para comentar mais estreias que venham a surgir daqui, despeço-me desejando-vos uma óptima semana!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

6 Comentários

  1. Silveira9 - há 3 anos

    Ótimo artigo!

  2. RuiFerreira222 - há 3 anos

    Gostei do artigo! :)

  3. Nani - há 3 anos

    Chase Donovan ???

  4. The Beard - há 3 anos

    Adorei 5*****
    Muito bom mesmo.

  5. danielLP21 - há 3 anos

    Já o tinha lido ontem, mas esqueci-me de comentar o artigo na altura, vá-se lá saber porquê. Excelente artigo Miguel, mais uma vez.

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