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The People’s Elbow #40 – Goodbye to Romance

Bons dias! É no rescaldo da saída de CM Punk que vos venho apresentar um artigo de reflexão sobre os motivos desse abandono e como irá a maior empresa de entretenimento desportivo reagir à perda de uma das suas jóias. Irei igualmente desfazer a visão romântica da profissão de lutador profissional, pois tudo leva a crer que o cansaço acumulado, quer física quer mentalmente, fez transbordar o copo.

No Royal Rumble, Punk foi o primeiro a entrar no ringue, tendo a sua participação durado até aos últimos 4, sendo eliminado por Kane do lado de fora, visto que este já o tinha sido pelo Straight Edge.

Um combate como este, em que é cada um por si e não há amizades, é um descodificador de rivalidades. Facilmente a WWE duplica as suas ideias para histórias partindo daqui, seguindo com elas pelo menos até ao evento que celebra a sua trigésima edição.

Punk teria a esperança de vencer a luta de eliminação e surgir no Main Event da WrestleMania pelo recentemente unificado título na posse de Randy Orton, daí que uma feud com a Autoridade despoletada pela Big Red Machine não estivesse nas suas preferências.

Pois acontece que essa feud não teve asas para voar porque o atleta não compareceu na Raw seguinte e, apesar de ter sido avisado das gravações de Terça, também não marcou presença, pelo que a empresa parou de o contactar acerca dos futuros eventos.

O “The Wrestling Observer” reportou que ele teria legitimamente deixado a companhia depois de dizer a Vince McMahon que iria para casa, frustrando uma repetição do Verão de 2011.

Sendo difícil esquecer esse período quente, relembro que o seu contrato estava a expirar e não se mostrava receptivo a renovar.

A época da “Pipe Bomb” terá sido a mais marcante e a que perdurará na memória de todos nós, tendo sido capaz de detectar e expor os podres do negócio diante de todos e não se imiscuindo de pedir maior visibilidade para si.

Não tendo a sua cara estampada nas faladas “Ice Cream Bars”, a verdade é que foi tornado no campeão da WWE com maior reinado da era moderna, tendo segurado o cinturão durante 434 dias de 20 de Novembro de 2011 a 27 de Janeiro do ano passado, tendo ficado reconhecido como o sexto a deter o título por mais tempo. Isto para quem já tinha sido campeão da ECW uma vez, tido o World Heavyweight Championship três vezes, um World Tag Team Championship e Intercontinental, sendo o mais rápido a alcançar este recorde.

Ele foi igualmente o vencedor de duas malas Money in the Bank consecutivas, mais um feito único dele, e “Superstar of the Year” de 2011. Com tantas razões para festejar, pretendia o que vislumbrara impossível com o regresso de mais uma “solução-problema”: depois de ter o seu reinado desfeito para um actor, seria obrigado a assistir a um compromisso de honra que tornou a volta de Batista em realidade.

Ser wrestler exige, mais que vocação, comprometimento, sendo uma tarefa dura e que não se larga. Como diz o povo “o difícil não é chegar ao topo, é manter-se nele”. Se um lutador se esfalfa em ginásios e outros sítios de qualidade duvidosa e finalmente atinge aquilo com que sonhou, é aí, mais do que antes, que terá de aproveitar para mostrar serviço com unhas e dentes, sangue, suor e lágrimas.

Pode ser um bocado injusto, visto que noutros sectores de trabalho se pode ir ganhando mais e trabalhando menos. Seja isto verdade ou mentira, o certo é que o wrestling pode vir a ser muito bem pago para alguns, porém, esses poucos terão de calçar as botas todos os dias.

É quase inevitável que muitos comecem a ter dúvidas sobre quanto mais tempo aguentam aquele ritmo, perdendo a paixão e o fulgor de antigamente. Uns investem nos ecrãs de cinema, outros têm de dar o corpo ao manifesto pelas suas famílias.

Há, portanto, os que aparecem todos os dias nas arenas e os que fazem disto um biscate para propagar filmes. Não é de agora que as Road to WM se tornaram um antro de “once in a lifetime”, com idas e vindas constantes.

Então, ávidos de nomes sonantes, recuperam-se indivíduos, independentemente da sua condição física e da data de nascimento, que estão ali por causa do dinheiro ou porque algo correu mal noutros campos.

A WWE dá-se ao luxo de lhes oferecer um salário por objectivos que recheia qualquer carteira, ficando com storylines atrasadas sempre que um desses meninos vai para “vacaciones”.

Se quanto ao tecto salarial que Vince permite despender nestes casos eu estou-me pouco lixando, não posso deixar de me sentir ofendido quando eles vêm procurar conquistas, seja cintos seja vitórias em PPV’s temáticos. Como não se sentiria Punk quando teve de perder para um “People’s Champion” que só o foi também para dar a desforra a John Cena? E quando se vê a perder para Lesnar?

A última gota parece ter sido a libertação do Animal para limpar da jogada não só o próprio queixoso como outro dos preferidos das plateias – Daniel Bryan. De tantos planos e portas abertas para uma WM de transição, teremos Orton vs Batista a fechar os trinta anos da maior criação de Vince.

Podem-me perguntar se eu não gosto de ver estes já aqui destacados voltarem e eu respondo: sim, gosto! Alguns dos que têm retornado são dos meus favoritos mas, sendo um adepto consciente da modalidade, sei separar as coisas. Eles podem voltar e não ocupar o lugar de ninguém, basta saber escrever-se histórias que os dinamizem a eles e aos outros com quem se envolvem.

Ter deixado a sua pegada no trilho dos dinossauros do Wrestling não devia conceder-lhes o mesmo poder ou vigor dessa altura, mas situá-los perante as novas exigências da sua contribuição. Não é chegar, ver e voltar a vencer, passando à frente duma fila que terá de continuar à espera.

Façam-lhes lá o horário das 9 às 5, paguem-lhes a peso de ouro, mas não brinquem com quem lá está 300 dos 365 dias do ano. Não esmoreçam quem busca uma oportunidade, qual Jorge Jesus!

Não sendo Punk o “caçador de tesouros” mais evidente, ele acaba por perder com isto também, ele que é o “voice of the voiceless”. Ele anda nisto desde 1999 e não é para aquecer!

Punk tem-se dedicado de corpo e alma a isto desde tenra idade e sempre batalhou contra preconceitos e injustiças até desfazer totalmente as interrogações acerca do seu valor. Desde 2011 que vinha ameaçando uma retirada por estar farto, simplesmente.

Todo o trabalhador usufrui duns dias de descanso semanal para tratar dos seus momentos de lazer e assim pegar ao trabalho com maior produtividade. Nos desportos de combate ou entretenimento isso não sucede.

Quando não presenciamos algum lutador num determinado programa e calculamos que tenha sido libertado para descansar, isso pode não ser completamente verdade. Desde um Tensai ou Zack Ryder a um Alberto del Rio, cada ausência pode significar cura de mazelas, treinos, decoração de promos, representação da empresa num talk show ou rodagem de filmes dos estúdios WWE.

Sim, ser empregado da WWE não é só entrar num ringue e desferir uns socos e pontapés, para que isso saia bem há muito trabalho de casa, autocarro, quarto de hotel ou o que for! Quando Punk pede férias, pede-as a sério, não 2 meses para se restabelecer duma operação ou umas semanas há socapa de storylines

Para nós pode-nos parecer muito ficar sem ele uma ou duas semanas, mas só ele saberá o esforço que o impingiram fazer noutras tarefas fora da competição ou as noites de sono que o fizeram perder.

É muito complicado um wrestler estar em casa com a família ou na convivência com os amigos sem estar a pensar no toque de telemóvel a informá-lo do próximo voo que terá de apanhar. Uma coisa é repousar, outra é relaxar. Quantos deles podem chegar a casa, enfiar umas pantufas nos pés, vestir um robe, ler o jornal ou ver TV, no conforto do lar e junto dos que mais gosta?

Não é segredo que ele anda todo dorido e amassado há bastante tempo e mesmo assim é integrado em combates. É o preço a pagar por estar na mó de cima…

Aqui entra o facto de Vince e os oficiais não saberem criar estrelas como antigamente e estarem dependentes sempre dos mesmos 4 ou 5 nomes, estejam eles lesionados ou frescos como alfaces. Punem o uso de esteróides mas apressam o estado de saúde dos lutadores para que voltem rápido…

Mesmo quando parece que estão a ir bem com os jovens, chega uma altura do ano e pimba, toca a assinar contratos a tempo parcial a malta que não vem para ajudar, pelo contrário, desfoca o rosto já de si cinzento da nova geração…

Tenho estado a defendê-lo mas não acho bem que tenha expressado a sua revolta sem dar justificações e não tendo ao menos se despedido. Não demonstrou profissionalismo quando notou que as coisas não iam dar ao que previra. Ele devia entender que é sobremaneira complicado subir mais degraus que aqueles que já subiu e que há quem esteja a anos luz da sua posição de elite.

Para fazer o que faz e sem ter recurso às suas ambicionadas férias, ele pode pedir certas garantias, sejam monetárias ou em termos de personagem, contudo, não pode amuar sempre que as suas vontades não forem cumpridas. Muitos foram despedidos por menos, tendo ou não a mesma importância.

A WWE é a entidade patronal e os empregados têm de ter respeito quanto às afirmações que proferem, não podem andar por aí a dizer mal. Ele demonstrara também que não andaria eternamente pelas lutas, embora não tenha mais de 35 anos, por isso, não admito que nos 2-4 anos seguintes sonhe sequer num retorno.

Dependendo do seu alinhamento a pender para vilão ou herói, ele enfatizou diferentes aspectos na sua gimnick para arrancar reacção da audiência, sendo dos poucos polivalentes a receber tanto amor e ódio.

A frase “só faz falta quem está” não cabe aqui porque ele é um dos melhores e é uma perda inestimável. Vou sentir a sua falta, agora ele pode ir “go to sleep” na maior descontracção!

O que eu prevejo de menos mau é a reabertura de espaço a mid carders-main eventers que andam à deriva desde que o cinturão é só um, tal como Sheamus, Cody Rhodes, Damien Sandow e o mexicano aristocrata.

Que o fogo arda para sempre! Eu volto para a semana!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

5 Comentários

  1. Mario Magalhaes - há 3 anos

    Muito bom artigo Miguel.

    Você imagina Punk depois daquele reinado estupendo, acabar sendo derrotado por The Rock, depois Undertaker e mais adiante Brock Lesnar, depois ter que rivalizar com Curtis Axel e Ryback, claro que ése indignar.

    As rivalidades com Shield e Wyatt Family, foram boas, mas eu assim como ele sou totalmente contrário a um combate Punk vs Triple H. Ainda mais que o Ego do The Game, não vai lhe permitir uma derrota na Wrestlemania.

  2. Malco Canedo - há 3 anos

    Excelente artigo, Miguel.
    Acho que o Punk está zangado não só pelas dores e pelo pouco tempo que a WWE deu para descansar, mas também por estar perdendo para part-timers há vários meses (aliás, desde o começo de 2013, o único part-timer que ele derrotou num PPV foi, advinha…sim, ele mesmo, um dos poucos que se preocupa em valorizar a geração atual, Chris Jericho!!!), e o copo transbordou não quando ele soube que não iria ser o main-event da WM, mas sim quando soube que iria enfrentar HHH na Mania, ou seja, o Punk provavelmente sabia que o ego do HHH faria com que ele obrigasse o Punk a perder.
    Só eu notei que o nome dessa edição do The People’s Elbow também é o nome de uma música do Ozzy Osbourne?

  3. CfsN - há 3 anos

    Zack Ryder também fez protesto por colocarem na geladeira a uns 2 anos atrás. Quem não se lembra do “Z! True Long Island Story” onde ele fazia sátiras da WWE com relação a participação dele nos shows.
    Deu certo até conseguiu se tornar United States Champion e depois disso o que aconteceu? NADAAAAAA voltou a estaca zero!

    A WWE tem excelentes lutadores que grande parte das vezes não são bem aproveitados é simples e não é novidade nenhuma!

  4. akujy - há 3 anos

    Bom trabalho, Miguel. É verdade que o Punk é uma grande perda, mas na realidade estou tranquilo e confiante de que ele irá eventualmente voltar. Serei eu o único?

  5. Douglas - há 3 anos

    Se a saída de CM Punk se confirmar, infelizmente não veremos mais coisas geniais como essa: http://www.youtube.com/watch?v=Za2TcFM1mdE

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