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The People’s Elbow # 41 – Love at First Sting

Olá, malta! Esta semana decidi escrever sobre o possível final feliz da novela envolvendo a contratação do ícone Sting a tempo duma participação na WrestleMania 30 e do regresso do “Fenómeno” na noite a seguir à Elimination Chamber. Como podem perceber, estes “destinos cruzados” não são por acaso e todos temos água na boca para um confronto há muito aguardado entre estes dois senhores das Trevas.

Vou, então, definir um paralelo entre estes dois seres sobrenaturais, ponderar acerca dos próximos adversários do demónio de Death Valley no maior dos palcos e tecer considerações sobre a provável aceitação do “escorpião” em ser General Manager da brand vermelha.

Está muito perto de acontecer o duelo mais pedido dos Sports Entertainment e não tenho como não ficar exaltado após anos de angústia, espera e desilusão. Não está nada confirmado mas duvido que não seja desta que assistimos a este “confronto de titãs”.

A 16 de Janeiro de 2014, Sting desafiou Magnus para uma luta Título-Carreira, a qual perdeu e, como resultado, deixou a TNA. Ninguém acredita que ele termine a carreira sem o maior desafio da sua vida desportiva: ter uma hipótese pela streak do Dead Man

Mark William Calaway, nascido a 24 de Março de 1965, começou a sua carreira em 1984, juntando-se à WCW. Em 1990, assinou pela World Wrestling Federation, onde seria conhecido pelo ring name Undertaker.

Esta identidade de Deadman, cheia de tácticas macabras e assustadoras, debutou no Survivor Series. Foi no mesmo evento, em 1996, que renasceu como o gótico “Senhor das Trevas”. Em Janeiro de 1999, apareceu como o propagador dum ritual negro numa stable chamada “Ministry of Darkness”.

A entidade alternativa de Undertaker foi um motociclista (American Bad Ass), que representou desde Maio de 2000 até aos três anos seguintes. Desde aí, conseguiu formar um híbrido de todas as suas encarnações, o que o libertou de conotações como herói ou vilão, passando a sua personagem a não ter uma designação específica.

Relaciona-se com vários combates especiais, incluindo os Casket, Buried Alive, Hell in a Cell e Last Ride, aproveitando o facto de ser um “morto-vivo” para que os seus oponentes o queiram enterrar definitivamente. No entanto, a vingança servir-se-ia fria na WrestleMania, onde detém um recorde de invencibilidade de 21 vitórias.

Se no inicio, as vitórias no maior evento anual de luta livre não representavam nada por aí além, sendo somente uma consequência normal da aposta nele, a situação ir-se-ia alterando com o passar do tempo e com a evolução de estatuto de que ia sendo alvo.

A meu ver, é a partir do “Assassino de Lendas” Randy Orton que a streak começa a ser tida como valiosa, quase mais importante que qualquer campeonato.

Até então, adversários como Giant Gonzalez, Diesel, Kane, Big Boss Man e Ric Flair não aparentavam ser candidatos à quebra de qualquer corrente. Eles eram colocados no seu caminho sem ter isso em mente, era mais um desafio em que, por acaso, sairiam derrotados.

Com o Viper e, seguidamente, World Strongest Man, Batista, Edge, HBK, HHH e Punk a coisa passaria a ser diferente, todos eles a quererem a honra de quebrar aquela série interminável (se bem que os dois primeiros tenham recusado tão aliciante oferta).

Desde 2011, Undertaker tem-se alimentado dela, podendo lançar na mesa os trunfos que bem entender para conceder essas chances, como se viu aquando da reforma de HBK e no “End of an Era”.

Eu acho estritamente necessário que a WWE vá arranjando novas atracções para futuras WM’s, pois estas estão muito ligadas à emoção e ao sentimento que a streak desperta.

Vince tem-se fiado que terá Undertaker por bons anos e que até lá terá margem de manobra para preparar a sucessão, esquecendo-se que a pessoa em questão está nitidamente envelhecida e com o corpo por um fio.

Se conseguir fazer a vontade ao patrão, adoraria que ainda defrontasse Lesnar, Cena, Sheamus, Y2J e, claro, Sting, não necessariamente por esta ordem. Se daqui excluirmos o fora do baralho (pelos bons motivos) “Best in the world in what he does”, ficamos com mais 4 WM’s pela frente.

Eu sou a favor do final da streak para uma estrela em ascensão, porventura alguém que ainda não esteja sequer no plantel principal. O problema é que os maiores da indústria foram sucumbindo, sendo uma injustiça e algo até desprovido de sentido o quase cinquentão Mark Calaway vir perder tempo com novatos. Porém, seria um bom corte com o passado e o principio dum brilhante futuro para alguém…

Orton teria sido perfeito, mas a modéstia (!) impediu-o de aceitar… O respeito que o feito merece inviabiliza que se tome uma decisão de ânimo leve, o que compromete o suposto final do embate Sting – Taker que, não merecia ter um vencedor, ou seja, o resultado seria um empate, com o Deadman a permanecer invicto. Não creio, contudo, que se dê o desenlace já nesta WrestleMania 30, mesmo que esta possa contar com os préstimos do ícone.

A última construção de feud para WM de Taker foi em redor da urna e contra Sting pede-se mais tempo e criatividade no que se prevê que seja um combate de sonho, não tecnicamente, mas no desempenho das personagens e na narração duma história ao estilo “Alien – Predador”.

Steven James Borden, nascido a 20 de Março de 1959, mais conhecido pelo seu ring name Sting na WCW e TNA, teve uma performance na World Wrestling Federation no episódio final do Nitro, a 26 de Março de 2001, mas nunca assinou contrato com essa companhia depois que esta adquiriu a WCW, mantendo a lealdade para com a promoção. É declarado como a maior superstar a nunca ter alinhado pela WWE, algo que pode mudar brevemente…

Descoberto pelo patriarca da família Rhodes em 1987, foi em 1996 que mudou drasticamente a sua aparência, substituindo o seu cabelo loiro e curto da gimnick de surfista por um escuro e comprido.

Começou também a usar um casaco preto e uma pintura facial branca e a andar munido dum taco de basebol, numa atitude silenciosamente misteriosa, adoptando características inspiradas pelo filme de 1994 “O Corvo”. Ficaram famosos os seus “jogos mentais” nos telhados das arenas durante os segmentos de encerramento do Nitro.

A 26 de Março de 2001, no episódio final do Nitro, recusou um contrato com a empresa de Vince, afirmando não confiar na maneira como iria ser usado, depois de ver outros antigos colegas terem de começar por baixo. Então, esperou o seu contrato expirar e decidiu passar tempo com a família

Em 2006, na TNA, sofreu uma transformação centrada em referências bíblicas, estreando um híbrido dos estilos surfista e corvo. No final de 2010, o seu contrato expirava e muitos o apontavam à WWE quando surgiram vídeos semelhantes a uns da sua estadia na WCW, que afinal revelavam o regresso de Taker.

Sabe-se que houve conversações e eu diria até que esses vídeos se destinavam a promovê-lo e, quando as negociações não se encetaram, disfarçou-se a coisa. Retornou à companhia de Dixie Carter a 24 de Fevereiro de 2011.

Se como Corvo interpretara a personagem eficazmente e fazia lembrar algo de Cassey Jones (Tartarugas Ninja), representou uma caracterização maníaca similar à do Joker (ou Coringa), atormentando todos com essa nova e estranha personalidade.

As personagens de Sting e Taker são muito marcantes psicologicamente, sendo igualmente cinematográficas: o morto-vivo que parece despachado mas que volta sempre (Sexta-Feira 13, filmes gore, zombies, quinta dimensão) e o louco distante, observador e solitário (Corvo e Batman). Conseguimos sem esforço algum magicar na nossa cabeça o quão estas posturas se aproximam e o bom que era se se enfrentassem.

Steve não precisou de ultrapassar o meio século de vida para obter o respeito merecido – tal começou a desenhar-se apenas com a palavra “não” à maior promotora de Pro-Wrestling mundial. Foi a essas três letras que se segurou para rejeitar a compradora do seu grande amor vezes e vezes sem conta.

Aceito que ele possa querer que o reconheçam como um caso de sucesso extra-WWE e que isso o mova a não “trair” a sua defunta companhia, mas há que entender que nada poderá estragar um percurso destes. Estou convicto que possa acenar afirmativamente para colaborar com a empresa de Stanford a partir deste ano, ocupando o lugar de GM e podendo ter uns dois combates, enquanto prepara com antecedência o duelo contra outra alteza do submundo.

O “escorpião” daria um belo gerente geral do tipo que não cede à pressão e que não toma partido. Já pensaram como serviria para alguma história com os Wyatt? Ou com a Autoridade? Até Orton como está desde há meses proporcionaria um excelente cara a cara.

Espero sinceramente que ele tenha o “luto” completo e que não guarde ressentimentos, oferecendo ao público aquilo que ele quer ver e despedindo-se dentro de poucos anos sabendo que não ficou nenhum parágrafo por escrever na sua ilustre e grandiosa carreira.

Undertaker, até quando a saúde permitir, cá andará a praticar combates anuais que se tornam no melhor do ano, mostrando como se faz, embora não sendo o mesmo, nomeadamente no referido pequeno enfarte contra HHH, no “End of an Era” (perdoem-me, mas eu não gostei da luta, o simbolismo é diferente) e no sell que não deu aos ataques de Punk.

Ainda é cedo para apontar o candidato deste ano, mas julgo que será Lesnar, bastará ir buscar os olhares trocados na UFC e os próprios moldes de Artes Marciais Mistas de que os dois são compostos.

Quando estes dois se encontrarem, o impacto visual deverá ser enorme. A entrada de arrepiar com a marcha fúnebre a antecipar que alguém irá “descansar em paz”, o outfit de cavaleiro, samurai ou tirado dum Destruidor (Tartarugas de novo ao barulho!).

Sei que o corte de cabelo curto tem sido utilizado como sinal de aposentadoria total ou parcial, porém, quando a hora desta disputa chegasse, eu gostaria que o cabelo do “Fenómeno” estivesse grande. Já Sting poderia estar com a mescla de surfista e corvo.

Outro aspecto vulgarmente associado a cada um é o move set, com vantagem tangencial para quem tem como finishing moves o Chockeslam, Hell’s Gate, Last Ride (Elevated Powerbomb), Tombstone Piledriver (Reverse Piledriver) e como signature Old School, Big Boot, Suicide Dive, Snake Eyes…

Contudo, dou mérito ao ícone por se consolidar com técnicas finais conhecidas, às quais deu nomes que as projectaram e conectaram com o seu executante: Scorpion Death Drop (Inverted DDT) e Scorpion Death Lock (Sharpshooter). As signature moves mais vincadas são o Inverted Atomic Drop, Military Press Slam, Slingshot Crossbody, Sleeper Hold, Vertical Suplex e a inovadora Stinger Splash.

Foi este o artigo acerca de “dois amores à primeira vista” que nunca se interceptaram a caminho dum ringue que vos trouxe hoje. Para a semana há mais, eu aqui vos aguardo!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

12 Comentários

  1. José Sousa - há 3 anos

    Eu sinceramente também acho que vai acontecer. Já achei que não iria acontecer, mas algo me diz que é desta que o Sting vai mesmo para a WWE. E se tiver esse combate e o Hall of Fame não oponho, até porque depois iria ser tipo o GM da Raw e isso é um papel digno para ele.

    Se seria o combate mais espectacular de sempre? Não. Mas se fosse bem construído ainda poderá ser minimamente interessante.

  2. danielLP21 - há 3 anos

    Excelente artigo. Também faço parte do grupo de fãs que quer que este combate aconteça, mas sou contra o fim da “Streak”.

  3. jdias434 - há 3 anos

    Se não acontecer este ano (talvez seja Taker vs. Lesnar), espero que façam um build-up de 1 ano para na WM 31 termos o tão desejado match… Este é sem dúvida um dos meus dream matches (a par de SCSA vs. Punk). A “Streak” não pode acabar (na minha opinião), no entanto este deveria ser o último combate da mesma (terminaria com um apagar de luzes, seguido de fumo (o desaparecimento dos 2 do ringue) & pirotecnia) o que levaria a um Empate e há reforma destes 2 fenomenais ícones dos ringues… (após o match Brand Split; Sting = GM Raw & Taker = GM SmackDown)…

  4. dcastanho - há 3 anos

    Gostava que durante uma promo do taker as luzes se apaga sem e se ouvisse esta theme e depois ele aparecesse no topo da arena – isso seria espetacular mas isso sou so eu a sonhar alto na é
    http://www.youtube.com/watch?v=e6QWQBkssao

  5. don_ricardo_corlone - há 3 anos

    Bom artigo mas discordo em alguns pontos. Pessoalmente não queria o regresso do Sting. O personagem do Sting que a WWE irá resultar como GM (será que alguém nas arenas dos EUA, do que só vêm WWE se irá lembrar dele?), não se enquadra na posição de GM. No ringue já se viu que o Sting aguenta-se apenas. A sua feud com o Undertaker dará grandes segmentos mas um péssimo combate. Quanto muito seria um “segmento” como no Hell in a Cell com o Triple H, só cadeiradas a torto e a direito. Eu pessoalmente não gostei.
    Também discordo que não faça sentido o Undertaker enfrentar quem chamas de garotos. Se ele quer continuar a combater então que seja contra gente com futuro e que a streak acabe um dia, quando ele decidir terminar a carreira, como uma passagem de testemunho. O seu nome, legado e imortalidade estará sempre assegurada com ou sem streak. Mesmo perdendo será sempre conhecido como o wrestler que chegou, por exemplo, ao 22-0 na Wrestlemania, quem o derrotar será conhecido como o wrestler que venceu a streak. Sinceramente que não entendo essas rejeições em terminar a streak. Além disso, ele já derrotou todos os grandes nomes no activo e com um jovem ele poderá fazer um combate bem mais agradável.
    Este ano faria muito mais sentido Undertaker contra Roman Reigns, não quero os Shield a “lesionar” o Undertaker e ele voltar e esquecer isso, fazer de conta que nunca aconteceu. Infelizmente é o que deve acontecer mas não concordo. Detesto quando se faz de conta que algo nunca aconteceu.

    • don_ricardo_corlone - há 3 anos

      PS: Outro que devia entrar em feud com Undertaker para o ano que vem seria o Bray Wyatt.

      • Mindfreak - há 3 anos

        Bray Wyatt vs Undertaker era simplesmente épico. Os dois a usarem jogos mentais um com o outro ,as promos bizarras dos dois e para terminar um combate espetacular na Wrestlemania que podia ser um daqueles Hell In A Cell à moda antiga… sonhar não custa !

      • Mindfreak - há 3 anos

        Já me esquecia de dar os parabéns pelo artigo.De qualquer maneira, bom artigo ! xD

      • Miguel Rocha - há 3 anos

        Obrigado pelo teu comentário. À tua pergunta retórica sobre se alguém se vai lembrar dele a resposta poderá ser dada por uma apresentação de vídeos da WCW, cujo espólio foi comprado pela WWE, como sabes. Eu saliento também que esta rivalidade não seria de agora e isso é um dado curioso: sem nunca se terem enfrentado, há muitos anos que eles e nós acompanhantes do desporto desejamos um confronto pelo simples facto de as personagens se coadunarem tão bem.

        Sting, para a posição de GM, não poderá ser como Corvo ou Joker, como é óbvio, mas o tal híbrido de que falei mais do que uma vez entre a gimnick de surfista e algo mais humano.

        Eu também disse no artigo que não gostei do End of an Era, o embate anterior com o HHH tinha sido muito melhor.

        “Também discordo que não faça sentido o Undertaker enfrentar quem chamas de garotos.”

        Eu disse que queria que ele o fizesse, mas que a construção da streak de há uns 6 ou 7 anos para cá quase inviabiliza que se torne credível um novo valor bater-se de frente com o Dead Man no seu “Playground”, visto que ele nesses anos tem vencido os grandes nomes da indústria. Acabas por estar de acordo comigo. Eu sou a favor que ele encerre essa corrente de vitórias, mas quando o fizer, terá de ser no seu último combate. Outra solução para ele nunca sair derrotado seria um empate. E estou contigo quanto ao Bray

  6. Forçados - há 3 anos

    Orton and Henry… Ty!

  7. Timy - há 2 anos

    Adorei o artigo e também estou a favor de esse match

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