The People’s Elbow #48 – Todos à Mesa

Bons dias, estimados leitores! Eis que vos surjo esta semana com novo artigo acerca duma notícia que dá conta do regresso de Jonathan Coachman à empresa dos McMahon.

Um envolvimento a tempo parcial tem sido discutido, indo trabalhar nos estúdios do canal da companhia onde passou 9 anos, tornando-se o anfitrião dum dos programas.

Vindo a ter contrato assinado para esta função, eu preferiria vê-lo como comentador ou figura de autoridade.

Vai daí (e com a percentagem de hipótese de o termos na mesa de comentadores ainda desconhecida) vou passar em revista a “Broadcast Team” e concluir se o Coach se infiltraria com facilidade nela.

O papel dum comentador de desporto de entretenimento é diferente do de qualquer outro pelo facto de que nos desportos de alta competição o narrador informa os espectadores ou ouvintes do que se passa, enquanto que na luta livre isso não basta.

O objectivo não é só descrever a acção mas entrar nela. É verdade que nos outros desportos a narração também pode passar emoção, euforia, alegria, consternação, como se o locutor estivesse a ser parte do espectáculo e, de certa forma, está.

Se essa transmissão de energia envolvente existe nestes desportos, fornecendo-lhes um carácter especial, mais isso se desenvolve na mistura de prova desportiva com entretenimento que é o Wrestling.

O comentador dessa modalidade manifesta-se numa personagem que é essencial para o seu modo de narração e para a sua isenção ou imparcialidade nos comentários.

É-lhe destinada uma caracterização e participação nos eventos televisivos que vão para além da normal designação dos golpes distribuídos pelos atletas.

Tem sido cada vez mais posta de lado essa vertente informativa por uma mais interventiva e voltada para a intromissão em feuds e storylines.

O comentador terá de ser a voz de comando do sucedido entre os protagonistas, evidenciando a sua inclinação pelo herói ou pelo vilão ou imprimindo o sentido de justiça pelos actos ocorridos.

Uma mesa de comentadores é composta por um “todo-o-terreno” e por 1 ou 2 ajudantes que completam cada afirmação do primeiro e que, dependendo da história que contem, estão de acordo ou não com ele.

A necessidade da atribuição de posturas heróicas ou vilãs aos comentadores aparece no seguimento da composição das lutas que ocorrem essencialmente entre faces e heels.

Logo, para não oferecerem um relato simplista nem para orientarem a sua atenção apenas para um dos competidores, dividem o apoio pelos dois. Se a equipa for constituída por três elementos, um defenderá o heel, outro o face e, por último, será o “play by play” a agir como moderador do “debate”.

Para quem gosta de futebol, isto será comparável a uma narração auxiliada pelos comentários de especialistas ou a um daqueles programas em que se combina isenção com clubismo.

Este cargo costuma ser a chance para um superstar recém-reformado não cortar o “cordão umbilical” duma assentada, permanecendo mais alguns anos ou décadas ao serviço do negócio.

Assim como um grande futebolista não dá sempre um treinador da mesma estirpe, um lutador poderá não se adaptar aos novos desígnios. Para suprir essas falhas, recorre-se à contratação de empregados fora do Wrestling, como repórteres, comunicadores, guionistas e demais oficiais de bastidores.

A voz é o instrumento de trabalho de todos eles e a sua capacidade de expressão será fundamental para o interesse duma história ou combate, cuja qualidade pode ser disfarçada pelos seus préstimos.

É a comunicação oral destes que gera a excitação que salva um encontro menos “escaldante”.

Estes intérpretes estão munidos duns aparelhos que lhes permitem receber ordens sobre o que devem dizer, para além das naturais anotações presentes em cima da mesa.

Costuma ser Vince o causador de algumas das frases mais descaradas que ouvimos sair-lhes da boca, com a intenção de mandar indirectas, testar ou apostar na valorização de determinado performer.

São criticados por certas atitudes para com figuras ilustres ou adoradas quando é o patrão que lhes exige isso em jeito de provocação.

Tendo isto um gosto amargo, pior é quando são desviados da sua zona de operação e inseridos em rivalidades que tiram tempo de antena e espaço aos que precisam de crescer.

Já aqui falei das diferentes facetas que compõem a mesa e dos atritos que há durante a transmissão duma luta na defesa dos seus preferidos.

Acontece que, com um plantel curto e sem mais ninguém a quem entregar protagonismo, a WWE decide às vezes ir buscar as suas “reservas” ao elenco dos comentários!

Repleto de jovens saudáveis e alguns que aprenderam a lutar por correspondência, é sempre uma solução válida desocupar um bocado os microfones e dar-lhes ritmo competitivo!

Parando a ironia, farei agora a análise individual que me dirigirá a essas perdas de tempo que observamos de vez em quando.

John Charles Layfield (nascido a 29 de Novembro de 1966) anunciou no One Night Stand 2006 que iria ocupar o lugar de Taz como comentador da brand azul, debutando no episódio de 16 de Junho.

Recuperou a actividade física a 17 de Dezembro de 2007, despedindo-se da sua cadeira.

Anunciou a retirada depois da sua derrota na Mania 25, retornando a 7 de Março de 2011 como a escolha de Michael Cole para árbitro convidado no seu combate contra Jerry Lawler.

Substituiu o “rei” (sofrera um ataque cardíaco) no Night of Champions 2012, assinando com a promoção e juntando-se à Broadcast Team a tempo inteiro.

A 26 de Janeiro de 2014, fez uma entrada surpresa no Royal Rumble, sendo eliminado por Roman Reigns.

A aproximação à mesa de comentadores deveu-se a uma lesão nas costas e, anos depois, à crise cardíaca de Jerry Lawler. Foi sentado que teve a chance de ser face pela primeira vez com esta personagem.

Muitos ficaram descontentes com a sua chamada ao combate de eliminação de Janeiro, todavia, não estava ali para um confronto corporal mas para ser mais um para a estatística e para o recorde de Roman Reigns

Nesse sentido, foi útil e cumpriu o seu dever nesta tradição que é o PPV receber aposentados para participar da contenda.

Michael Cole é um antigo jornalista e comentador todo-o-terreno da empresa de Stanford.

Foi para a World Wrestling Federation em 1997, sendo presença regular a partir de 1999 quando JR foi diagnosticado com paralisia facial.

Nesse ano, estreou a Smackdown e foi escolhido para desempenhar lá a sua função, em que raramente esteve envolvido em storylines, contando-se apenas algumas com Heidenreich, Stephanie e os DX.

O seu angle mais conhecido é o da “Heidenrape”, cena de violação idealizada por Vince.

Fez a sua estreia no ringue ao actuar ao lado de Jerry Lawler contra a Legacy Cody Rhodes e Ted DiBiase pelo World Tag Team Championship, no final dos anos 2000.

Tornou-se comentador do NXT, mostrando-se sinais de arrogância perante os lutadores faces, principalmente Daniel Bryan.

A 21 de Junho de 2010, estreou a sua nova frase feita “Can I have your attention, please? And I Quote…” por causa do General Manager anónimo da Raw e os seus e_mails.

A 29 de Novembro, interferiu numa TLC pelo WWE Championship, ajudando Miz a reter o título frente a Jerry Lawler. Este desafiou-o para um combate na WrestleMania 27 após a morte da sua mãe ter sido mencionada maldosamente.

Uma rivalidade para encher chouriços que terminou no Over the Limit com beijos nos pés do “rei”. Entrou no Royal Rumble e foi posto numa luta contra John Cena, a 4 de Junho de 2012.

Teve de se aguentar firme quando o seu amigo teve um ataque cardíaco ao seu lado, providenciando actualizações sobre a sua condição ao longo da emissão. Desde aí, tem feito a transição para face ao ser apoiado pelo seu gesto.

Goste-se ou não, tem de se dar o mérito e reconhecer a excelente prestação que tem tido na sua longa estadia na indústria. De todos é o melhor e o mais competente na componente extra-ringue.

Dentro dele, dá para rir com o seu fato laranja e nada mais, pois ele não é daqueles que veio duma carreira nas lutas. Pagou pelos seus “pecados” na rivalidade de comentadores, onde saiu muitas vezes por cima. Não será por isso que será recordado, mas como o digno sucessor e descendente da fornada de comentadores “box to box”.

Jerry Lawler (nascido a 29 de Novembro de 1949) começou a sua carreira como comentador em Dezembro de 1992. Do muito que há para dizer sobre a sua continuidade parcial no ringue, ficou-me encravado o dia 20 de Julho de 2009, quando derrotou Brian Kendrick.

A 29 de Novembro de 2009, desafiou Miz para uma luta pelo WWE Championship, continuando a feudar com ele até ao final do ano e, devo dizer, não se desembaraçando nada mal.

Competiu no Royal Rumble 2012 e foi derrotado numa Stell Cage por CM Punk.

A 10 de Setembro de 2012, teve um colapso, contudo, foi declarado medicamente capacitado a continuar a lutar, o que não lhe afasta o desejo de voltar a interagir no ringue (o que regularmente faz nas indies aos fins de semana quando não entra em conflito com o seu horário, que requer somente que trabalhe na Raw e eventos mensais).

Não sou fã dele enquanto face, mas como vilão aconselho os detractores a verem e a compararem. Não tenho nada contra ele, respeito-o, mas de minha vontade era ele quem eu dispensava para colocar outro.

Acho que se quer lutar devia fazê-lo no clima descontraído dos fins de semana, longe da empresa onde está. Ele precisa de descanso depois de quase nos ter proporcionado uma morte em directo.

Estes são os mais usados na programação, havendo ainda disponibilidade suficiente para espalhar o restante pessoal pelo NXT, Superstars e Main Event.

É aí que os “estagiários” mostram o que têm e recebem destaque posterior em segmentos de bastidores nos programas semanais, como entrevistadores.

Esta “malta nova” tem rodado muito aqui, tendo a prospecção verificado alguns colaboradores de curta duração por falta de paixão ao Wrestling, cujos nomes não perduram na memória.

Infelizmente, não é só de novas aquisições que se constitui o painel, pois nele figura Alex Riley, há muito afastado daquilo que pensaria fazer, e Josh Mathews, ultrapassado na condução quer da Raw quer da Smackdown (esta destituição não será tão grave quanto isso!…)

Byron Saxton é outro que voltou ao que sabe fazer melhor, ao contrário de Scott Stanford que desapareceu do mapa.

Contudo, a revelação é a linda Renee Young (nascida a 19 de Setembro de 1984), que assinou em Outubro de 2012, debutando nos ecrãs a 29 de Março.

Estou muito agradado com ela (qual é o homem que não está?!) e espero que salte a barreira para vir a ser comentadora integral.

Talvez pudesse começar pelo Superstars e Main Event e rezar para que não haja preconceito num futuro próximo, porque ela tem as bases necessárias para se fixar num nível superior.

Posto isto, continuo a querer o Coach a recuperar o seu lugar à mesa? Sim, e penso que quem liga importância aos comentários também o desejará.

O ano passado falou-se no desejo de Tazz voltar, o que não foi correspondido, por isso, gostaria imenso que viesse outro velho conhecido com igual valor.

Isso seria facilitado se as equipas fossem separadas pelas marcas, em vez de termos JBL e Cole na azul e na vermelha.

Jonathan Coachman (nascido a 12 de Agosto de 1972) é a “âncora” dos Sports Center da ESPN.

Começou como apresentador, comentador e entrevistador na World Wrestling Federation em 1999, envolvendo-se em segmentos com o “Most Electrifying Man in Sports Entertainment”.

Foi oficialmente adicionado à Raw Broadcast Team em 2005, tendo a posição de líder. A 29 de Maio de 2007, foi revelado que Vince McMahon o contratara para Assistente Executivo, agindo como General Manager interino, sendo removido dessa posição a 6 de Agosto de 2007.

Foi para a Smackdown a 4 de Janeiro de 2008, depois de JBL fazer o regresso ao ringue, entrando na ESPN em 2009.

Coach traria carisma a qualquer mesa de comentadores, mas ou muito me engano ou não o teremos aí. Ele não está desenquadrado dos interesses da empresa, mas também não é parvo ao ponto de deixar a estação.

Algum projecto brotará para ele nos estúdios da NetWork, o que é pena para quem o queria ver como anteriormente.

Despeço-me esperando a vossa opinião sobre o que foi aqui discutido. Cá estarei para a semana!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

2 Comentários

  1. Rodrigo Neves - há 3 anos

    Excelente Artigo Miguel,
    Sinceramente há um comentador que me deixa furioso porque sinceramente acho que está muito longe de nos satisfazer com os seus comentários.Já não gostava dele como wrestler mas ainda gosto muito menos dele como comentador.

  2. danielLP21 - há 3 anos

    Excelente artigo, e finalmente que alguém escreve alguma coisa sobre os comentadores! Há muito tempo que queria ler algo sobre este assunto.

    Concordo com a tua análise. Mesmo não sendo fã dele, julgo que o “Coach” acrescentaria mais à equipa do que o Lawler. Mas enfim, nada disso vai acontecer… Ah, e o Cole também é o meu favorito, apesar de nos últimos tempos andar a irritar-me um bocado.

Comentar

Login com Facebook

Editar avatar »

Notificações por email:

Wrestling.PT © 2006-2016 / Política de Privacidade / Disclaimer / Sobre Nós / Contactos / RSS Feed / Desenvolvido por Luís Salvador