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The People’s Elbow #5 – Lutar contra a Media

Mais uma semana, mais um tema no vosso espaço “The People’s Elbow”. Desta vez, abordarei a relação que o nosso desporto vem tendo com os meios de imprensa mediáticos.

Todos nós sabemos o peso que a opinião pública tem vindo a exercer em vários aspectos do nosso quotidiano.

Alguns poderão ter tido desentendimentos em casa por jogar jogos de vídeo violentos, outros terão preocupado os pais quando se decidiram quanto aos gostos musicais. A verdade é que toda essa preocupação e constrangimentos partem dos veículos de comunicação social e do que pretendem transmitir a quem lê jornais, ouve rádio ou vê noticiários.
As ideias preconcebidas fazem parte da cabeça de cada um de nós, dos nossos pais etc. Resta-nos duas opções: ou ignoramos ou mantemos o preconceito, não fazendo qualquer esforço para entender.

Seguimos o que as outras pessoas dizem e ficamos assim.

A possibilidade de ignorar pensamentos tendenciosos e tentarmos compreender verdadeiramente aquilo que sofre de preconceito dá-nos outra visão, aquela que é menos discutida e que menos pessoas conhecem.

Todas as coisas têm o seu lado bom e o seu lado mau, mas muitas vezes o mais evidenciado é o lado negativo, não havendo aceitação do que possa haver de bom ali. Um jogador de jogos violentos pode se tornar obcecado e começar a confundir o virtual com o real, isolando-se em casa e viciando-se no jogo para, mais tarde, sair à rua e disparar a tudo o que mexe.

É uma hipótese e já se verificou, na América, situações deste calibre.

O que não quer dizer que tenha sido o jogo a influenciar tais actos, mas antes a despertar o que o utilizador desse tipo de jogos tinha dentro de si.

Peritos dizem que estes jogos, quando usados de forma moderada e não obsessiva, ajudam a uma maior coordenação motora e a uns maiores reflexos mentais como, por exemplo, a tomar decisões em situações de risco, maior rapidez a agir.

Estudos comprovados vieram verificar que os ouvintes de música pesada demonstram em norma uma maior sensibilidade com o que os rodeia e que possuem níveis de inteligência acima da média, comparáveis com os dos apreciadores de música clássica. É tudo muito relativo, há pessoas boas e más tenham os gostos que tiverem, sejam do clube que forem, religião etc.

O que é preciso é saber gerir ficção e realidade, usar esses meios de entretenimento para nos divertirmos e não para libertar a nossa veia selvagem. Com o wrestling necessitamos exactamente da mesma coisa.

O wrestling profissional é uma forma de luta que mescla artes cénicas e elementos dramáticos com wrestling amador.

Os combates têm os resultados pré-determinados pela equipa criativa duma promoção, contendo coreografias e movimentos ensaiados.
Isto é o wrestling que vemos na televisão, quer queiramos ou não acreditar, quer nos custe mais ou menos a aceitar.

A definição de pró wrestling é esta e é esta noção que, mais cedo ou mais tarde nas nossas vidas de acompanhantes da modalidade, iremos encaixar nas nossas mentes e saber respeitar e admirar.

Todos passamos por uma fase de negação, em que achamos que aquilo que estamos a ver é tudo real e que aqueles indivíduos estão mesmo a desfazer-se uns aos outros, sem dó nem piedade.

Temos a certeza que o mau quer bater no bom porque os dois se dão muito mal, mas mais tarde vimos a descobrir que são os melhores amigos cá fora.

É um período de incredulidade e ingenuidade que acaba por passar.
Quando chegamos a um ponto em que estamos perfeitamente inteirados com aquilo e que, mesmo após todas as descobertas, continuamos a apreciar, chega a imprensa com a bomba: o wresling é falso!

Não posso, a sério?! Podiam ter dito mais cedo, isso já eu descobri!
Nos anos 90 e 2000, nos tempos extremos da WWE, Vince McMahon ia à televisão refutar posições contra a seriedade do que os lutadores faziam em ringue. Quem o viu e quem o vê! Vincent Kennedy McMahon, na televisão americana, a dizer a milhares de pessoas que o wrestling não era a fingir.

Hoje, com a inversão do produto, tem de afirmar o contrário, para não perder os espectadores mais novos, que poderiam ficar proibidos de assistir a tal violência pelos pais. Os média às vezes ficam sem saber onde pegar, o que torna tudo confuso. O wrestling foi acusado de brutalidade e de falsidade. Em que é que ficamos?

Tempos houve em que notícias sobre wrestling apontavam a sua intensidade física como desvio comportamental de alto risco para as crianças. A WWE foi obrigada a publicar aquele interessante aviso: não tentem isto em casa. Mas se o wrestling é falso como é que crianças se magoaram a imitá-lo? Primeiro: o wrestling é praticado por lutadores profissionais e treinados durante anos para fazer o que fazem.

Segundo: é usado um ringue, não um pavimento duro e inseguro!
A frase “o wrestling é falso” ou “o wrestling é a fingir” também tem muito que se lhe diga. Afinal o que é que é falso? As lutas ou as promos?

Muitos jornalistas maneiam o cliché “eles nem sequer se tocam” quando confrontam um espectador dum espectáculo de wrestling.
Ainda não percebi bem qual é a intenção deles, se provocar espanto, do género “não me diga? tem razão, nunca tinha reparado”, ou dar uma informação valiosa que vai fazer com que a pessoa interpelada se levante e saia dali depois de tão inacreditável verdade absoluta.
É que fazem figuras ridículas. Não devem por certo conhecer uma coisa chamada capoeira, que foi transformada de estilo de combate em dança!

O wrestling é aquilo que vemos, se percepcionamos golpes ao de leve ou que possam eventualmente nem tocar no lutador, é porque foi isso que ficou combinado na preparação do combate, por múltiplas razões possíveis.

Fica toda a gente indignada com isso, por os oponentes não se aleijarem uns aos outros, por não se rebentarem todos.

E eu pergunto: faz algum sentido ter a intenção de lesionar um amigo, um colega, fazendo com que a empresa perca um lutador durante não sei quanto tempo, sem poder competir e dar lucro?

Qual é a companhia de wrestling que deseja que, em cada combate, os adversários se espatifem todos? É que não havia plantel que aguentasse tanto pessoal no estaleiro! Ir ter com um adepto da luta livre e pregar-lhe com essas frases rascas e mal feitas, como se fosse alterar em alguma coisa o que essa pessoa pensa ou conhece, é duma mediocridade imensa, igual a ir ao cinema e bradar aos sete céus que o vilão não está mesmo morto ou que o que o herói fez é humanamente impossível!

É entretenimento, meus amigos! Cinema, música, wrestling, serve para nos entreter, nós não queremos estar com alguém ou falar com alguém que esteja sempre com “mas sabes que isso é falso” a buzinar aos nossos ouvidos. Deixem-nos desfrutar daquele período de tempo da melhor forma que possamos encontrar! Outro factor de desdém para com este desporto é porque é ensaiado, cada um sabe o resultado do combate e todos interpretam personagens. Vamos lá por partes.

Se eu for ver uma banda, um bailado, uma peça de teatro, que não tenha sido ensaiada e em que todos desconheçam o que é que cada um tem de fazer, será que sairá daí um bom espectáculo?

É tão simples quanto isto. Cada acção e cada movimento no ringue é pormenorizadamente trabalhado para dar o melhor combate possível ao público e para assegurar a integridade física dos intervenientes.
Se não tiver sido previamente encenado, o risco de lesões graves e de desagrado da plateia é maior e chega-se ao ponto em que cada lutador não sabe o que há-de fazer nem o que esperar do opositor.

Saber o resultado não significa que tanto vencedor quanto vencido não saibam esconder isso do público até ao final, criando o suspense e a motivação necessárias para que não se desvie o olhar do que está a acontecer no ringue. E mesmo que algum elemento do público perceba de antemão quem ganhará a disputa, não quer dizer que perca a atenção para ver até ao fim. Afinal, há filmes super previsíveis e não deixamos de os ver na sua totalidade. A interpretação de personagens pretende distinguir os lutadores uns dos outros, evidenciar as características individuais de cada um e tornar mais interessante e credível todas aquelas algazarras: a desavença do bem contra o mal resulta sempre!

Que explicação se daria para a formação dos combates e das rivalidades que não esta?

Quando o wrestling está numa situação de despudor em relação à veracidade do que apresenta, eis que surge algo que muda inteiramente esse estigma. Chris Benoit matou mulher e filho e suicidou-se em seguida, em 2007. De repente, o wrestling tornara-se a coisa mais monstruosamente brutal à face da terra, os wrestlers eram assassinos que desencadeavam reacções violentas. Não se foi procurar razões psicológicas do lutador em questão para tão bárbaro acto.

Para todos os efeitos, Chris Benoit era um assassino e se ele tinha sido capaz de fazer aquilo mais lutadores o seriam.

E a culpada era a WWE. Veio-se falar (ou voltou-se a falar) da utilização de doping nos balneários. Aos medicamentos, legais ou não, para alívio das dores, tinham-se juntado estimulantes, anabolizantes e hormonas

Mais uma vez, os meios de comunicação social entravam em contradição:
Se aquele desporto não passava de “luta de mentira”, para que é que os lutadores precisavam de recorrer a estupefacientes na sua profissão?

Parece que aquela brincadeira afinal não era assim tão fácil como diziam.

O desrespeito que tinham apresentado pelo trabalho daqueles homens, classificado como falso e irrealista, modificava-se para horizontes bem mais polémicos como o do uso de drogas para aguentar a carga competitiva

A WWE, para se proteger, apagou o apelido Benoit dos seus arquivos até hoje e não se espera que algum dia o volte a inserir nos seus ficheiros.

Era a atitude certa a tomar. Daí para cá, não existiu história tão chocante como esta, mas ela fez mossa no wrestling e não fez mais na empresa porque a WWE se defendeu.

Haverá sempre pais a proibir os filhos de ver wrestling por ser agressivo demais para eles ou exageradamente fantasioso. Estamos cá nós, apaixonados, para defender esta arte e levá-la avante.

Queremos que todos tenham uma oportunidade para se identificar com ela ou, pelo contrário, ir por outros caminhos.

Mas o importante é que o wrestling tenha uma divulgação decente nos veículos de informação, coisa que em Portugal não acontece.

Pelo contrário, o sorriso farsante estampa-se nas suas caras quando a notícia é sobre wrestling, como se nós fossemos uns palermas ingénuos e não soubéssemos o que estamos a ver e porque gostamos daquilo.

Cada um tem o direito de se envolver naquilo que gosta, desde que não desrespeite ou comprometa o bem-estar de ninguém. Deixem-nos estar sossegados e quando o assunto for wrestling informem-se melhor e preparem-se de maneira adequada e sem bajulação pessoal.

Dêem a vossa opinião, o vosso comentário, e não se esqueçam de nunca se deixarem intimidar por opiniões alheias. A vossa vontade determinará as vossas causas. Muito obrigado e até para a semana!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

3 Comentários

  1. Evandro Monari - há 4 anos

    Faço das suas palavras as minha , as pessoas vivem criticando os fã de wrestling porque é falso , combinado e tudo mais . E muitas vezes você vê algumas dessas pessoas todas aflitas para saber o que irá acontecer numa novela , inclusive ficam irritadas se acontecem algo de que elas não gostem .

    Outra coisa ridícula é dizer que os golpes não causam dor aos atletas , com certeza não viram combates tipo o Hell in a Cell da Wrestlemania 28 Undertaker vs Triple h .

  2. Rodrigo Kane - há 4 anos

    Concordo

  3. Anónimo - há 4 anos

    Verdade

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