The People’s Elbow #54 – Mudar de Estratégia

Bons dias e sejam bem-vindos a esta nova edição do vosso espaço das Segundas-Feiras! Hoje vou inserir notícias recentes no contexto da mudança de estratégia da maior empresa de luta livre mundial no meu comentário semanal.

O tributo a um campeão muito especial, a perseguição ao Straight Edge mais famoso do mundo, a unificação dos títulos secundários e Sheamus nos Evolution serão aqui destacados.

25 de Abril é o dia da comemoração da liberdade no nosso país, tudo porque há 40 anos homens como Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e Salgueiro Maia muniram os canos das espingardas com cravos numa revolução pacífica, na qual se certificou que a cantiga é uma arma através das vozes de Paulo de Carvalho e José Afonso, entre outros músicos de intervenção.

Por mais que se evitasse o confronto, 4 pessoas não chegaram ao dia seguinte.

Enquanto nós saudávamos os heróis no ano do quadragésimo aniversário, outro perdia a batalha contra o cancro. O seu nome era Connor e não chegara à dezena de anos cumpridos.

Connor “Crusher” desenvolveu uma relação de amizade com Daniel Bryan em 2012, conhecendo-o aos 6 anos, através da Fundação Make a Wish e dum vídeo postado no Youtube pela sua família.

Parceiro fundamental na realização de sonhos, a WWE providenciou-lhe um dia memorável, no qual esteve no ringue com o inimigo do seu preferido e obteve a vitória.

Apesar de não poderem evitar o final da sua permanência na Terra, as superstars tudo fizeram para o alegrar com momentos comoventes que podem ser vistos no vídeo tributo ao pequeno grande lutador.

A sua paixão pelo Wrestling levou-o a comparecer à WrestleMania 30, a 6 de Abril, onde partilhou um momento especial com aquele com quem mantinha contacto há 2 anos, interagiu com todas as estrelas e derrubou Hunter Hearst Helmsley com um único murro antes do evento!

Após a conquista do cinturão, Daniel Bryan foi ter com ele e disse-lhe que ele era muito importante para ele e que o ajudara a vencer, pedindo-lhe que continuasse a luta contra o tumor cerebral.

O atleta, sabendo do falecimento, recordou-o como amável, honesto e apaixonante.

O seu pai acredita que aquela experiência prolongou a estadia do seu filho e não sabe como agradecer.

O falecimento de alguém é sempre um ponto sensível de se tocar. Não sabemos como controlar o sentimento e é difícil não vertermos lágrimas ao termos conhecimento das histórias.

Mais difícil é quando se trata de crianças. Perguntamos como é possível nascer-se ou adquirir uma doença quando a saúde devia abundar.

À falta de cura, tenta-se amenizar o sofrimento com a satisfação de pedidos como ir a concertos de artistas, jogos de futebol e por aí fora.

Pessoas por quem possamos não ter simpatia, como cantores românticos, actores de séries juvenis ou até mágicos da bola são os mais procurados para este tipo de iniciativas.

Da Europa para a América, pouco muda, à excepção duma coisa chamada Wrestling.

Enquanto cá o desporto de entretenimento aparece em Telejornais ou programas animadores de bairros sociais, na tentativa ridícula de sobrepor uma opinião de “simulação de luta” e para informar que um tal de Benoit matara a família, lá fora uma storyline ou um regresso são notícias válidas.

Essa diferente visão deu visibilidade a este miúdo, que cativou o coração das maiores estrelas da empresa.

Enquanto celebridades do mundo da música exibem o seu amor e consideração por quem lhes compra os discos e bilhetes através de meet and greet caríssimos, alguns onde uma foto é arrancada à força (Avril Lavigne), há quem, estafado de treinos, viagens e saudades dos entes queridos, satisfaça sem embaraço para o ego o último desejo dum pequeno ser vivo.

É nestes casos que os “coreógrafos de lutas” dariam tudo para que, com o seu finishing move, encostassem o cancro ao tapete e num “1,2,3” ele fosse derrotado…

Natalie Slater, amiga e antiga namorada de CM Punk, escreveu um artigo onde comenta a sua situação actual, falando das desvantagens da fama no seu quotidiano.

Desde que se reformou da modalidade, é incomodado pelas redes sociais e não pode ir ao centro comercial ou ao restaurante sem ser fotografado e perseguido.

Quando os apelos para autógrafos não são correspondidos, as queixas das pessoas atacam o orçamento do lutador, como se o facto dele ter dinheiro impusesse que tivesse de andar sempre de sorriso na cara e a responder a perguntas.

A discriminação aos ricos é das mais comuns de encontrar. Se alguém tem capital para investir, é um vigarista, um trapaceiro, entre outros adjectivos.

Se nasce rico, não o merece, se se torna milionário, é fútil e sem consciência.

Os pobres são todos honestos, os ricos nunca o são.

Se nalgumas ocasiões sou obrigado a estar do lado de quem trabalha sol a sol para pagar as contas, também não posso julgar a personalidade de quem não conheço.

As pessoas consideram-se donas dos seus ídolos, a ponto de viverem nessa ilusão. Temos sabido de histórias de perseguição, rapto e até morte.

A cantora Selena foi assassinada em 1995 pela presidente do seu clube de fãs. O músico Dimebag Darrel foi baleado no palco durante a apresentação da sua banda DamagePlan por Nathan Gale, culpando-o pela dissolução dos Pantera, 24 anos depois da morte de John Lennon à entrada do edifício onde vivia.

Segundo o reportado, Phil vive com medo de ser atacado e pergunta-se porque não o deixam em paz.

O exercício da sua função mediática e a sua saída tornaram-no exposto aos olhos de curiosos que querem saber quando volta à activa ou que, agora que o têm por perto, entendem que não faz mal nenhum ir bater-lhe à porta e fazer-lhe companhia.

A obsessão e a santificação em relação aos famosos propicia desastres como o da princesa Diana e aumenta estados depressivos pela pressão de superar as expectativas.

É ele que decide quem é lembrado e quem cai no esquecimento, porém, não deve haver exagero e ter o discernimento para saber separar o público do privado.

Tanto a glória quanto o desaparecimento possuem o seu lado positivo e negativo nesta sociedade de consumo imediato.

Se no exemplo anterior a estratégia deve ser mantida, com a WWE a investir em mais iniciativas de cariz humanitário e solidário, aqui deve haver mudanças.

O comportamento de cada fã deve ser de respeito e compreensão pelo espaço de cada figura pública. Para violência e calúnias basta o futebol…

A própria empresa está a pensar ser mais liberal, dando aos seus talentos mais descanso no futuro. No entanto, neste momento, a sensação é para não avançar, dada a inconsistência do plantel.

A preocupação é a de realizar house shows e a programação televisiva sem os principais elementos promovidos.

Todo o trabalhador tem direito a folgas e a férias e a passar tempo com a família e amigos. Isto é mal gerido nos Sports Entertainment, onde se aproveita uma lesão para mandar o lesionado repousar.

Eu oiço dizer que em equipa que ganha não se mexe, contudo, não se mexendo, não ganha sempre. Seja em que emprego for, ninguém rende o mesmo cansado do que fresco.

Lá porque são bem pagos, não quer dizer que aguentem 300 dias de intensidade física.

Esta apropriação quase “patrão-escravo” e o abuso que daí se retira faz-me certa espécie quando dou uma vista de olhos pelo balneário.

Sendo sincero, não vejo diferença substancial de qualidade para com as Eras passadas, onde mid carders e jobbers tentavam dar nas vistas pelo seu valor.

Quando leio “inconsistência” traduzo para “desaproveitamento”. Não se pode desvalorizar um plantel que tem tão bons lutadores.

O que se pode fazer é criar feuds e storylines onde eles sejam incluídos e tenham o tratamento que merecem. Porque lá dentro tem-se feito pouco para dinamizar os nomes actuais e muito para evidenciar essa falsa distância, com as chamadas de muitos retirados.

Quando os planos são bons e a resposta não é imediata, acabam por ficar pela metade. A falta de paciência para uns fica ainda mais estranha com a concessão de múltiplas oportunidades a quem não chega aos patamares pretendidos.

A aposta deve incidir nos lutadores certos, às personagens adequadas e às suas facetas. A divisão numa brand split podia ajudar no escoamento dos que cintilam e dos que se apagam.

Não só o tempo ficaria repartido como os espectadores poderiam tecer considerações sobre os representantes de cada marca.

Outra coisa que se está a pensar é na unificação dos títulos secundários. Se se quer concorrência entre os integrantes do roster, não me parece a decisão mais ambiciosa.

Com o título máximo a limitar o lote de main eventers desde a unificação, o que esperar se suceder igual com o USA e o Intercontinental?

Logo agora que esses campeonatos têm tido torneios para Number One Contender e combates de eliminação pela sua posse, não acho bem vir diminuir o prestígio dos seus competidores.

Não só o número seria reduzido como o de jobbers seria aumentado. Se se deseja promover esta geração, não é esse o passo a dar.

Quer o antigo campeão dos USA quer o Intercontinental parecem designados a outras andanças, ao contrário de muitos quando perdiam os cintos.

Dean pode ter sido ultrapassado enquanto prioridade dos Shield, todavia, tudo aponta para sair daqui um vilão de alto nível.

Big E Langston não tem tido sucesso como face, supondo-se que vire heel para ocorrer uma rivalidade contra John Cena este ano.

Afastado por causa do seu filme “Guardiões da Galáxia”, Batista pode ceder o lugar a Sheamus. Este poderá aliar-se à stable aquando ou durante a sua viragem para heel.

Não sei que significado poderá isto ter, por muito que o queira com traços iguais aos de 2010. Tanto Orton quanto o Game foram seus adversários, daí que talvez possa haver uma aceitação inesperada do irlandês ao convite, com o Assassino Cerebral dizendo que sempre o teve em vista e que viu potencial nele desde o conflito na Mania de há uns anos.

O Celtic Warrior retribuiria afirmando ter-se sentido privilegiado por tê-lo defrontado e que só o atacara por inveja dele e sempre quisera ser como ele.

Não estou convicto que isto se ocasione pela razão de não ver motivo nisto. A Evolution não tem o objectivo de 2004 e não me parece indicada para andar a contratar malvados.

Com isto termino, espero que tenham gostado deste formato que pretendeu andar à volta das mudanças de estratégia nos vários parâmetros que circundam a modalidade.

Um abraço a todos e conto com a vossa presença para a semana.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

7 Comentários

  1. Alexandre Romano - há 3 anos

    Excelente artigo Miguel, gostei de todos os temas e concordo contigo só não acho boa ideia o Sheamus juntar-se aos Evolution pois não era tão épico com Sheamus no lugar do Batista adoro ver os 3 juntos e não sei se ficariam tão bem com Sheamus no lugar de Batista visto que Sheamus nunca teve nenhuma aliança com os outros dois.

    Comprimentos, Alexandre

  2. Barrett is Back - há 3 anos

    Por muita qualidade desaproveitada que esteja presente no actual roster continuo a achar que em relaçao a eras passadas há um ligeiro defice de talento. Se com a geraçao actual era possivel fazer grandes coisas? Sim sem qualquer sombra de duvida! Mas continuo a achar que em relaçao há uns anos atrás no global a qualidade nao é assim tanta: antigamente despontavam nomes como Brock Lesnar, Randy Orton. Eddie Guerrero, Rey Misterio, Edge, John Cena, John Morrison, Hardy… enfim penso que apesar de na actualidade aparecerem lutadores extremamente talentosos penso que nao é comparavel com essa geraçao onde apenas mensionei alguns dos muitos superstars que marcaram uma das melhores gerações na historia da wwe. E até vou mais longe ao considerar que a quantidade de talento nessa epoca se superiorizou a Attitude Era. Lá havia dois nomes, The Rock e Stone Cold, que se superiorizaram a tudo o resto, que eram diferentes e que em muito tempo ninguem vai superar de tao completos que eram em tudo o que se lhes exigia. mas em termos de qualidade colectiva essa ruthless agression ofereceu-nos o que de melhor tinha para dar e nem que o booking fosse sobervo acho que a geração actual conseguiria igualar os feitos que essa era incrivel produziu na historia da wwe.

  3. Don_Ricardo_Corleone - há 3 anos

    Por mais que goste dos Evolution eles são parte do passado e esta feud com os Shield é para eles perderem e não se deve prolongar por mais tempo.

  4. John_3:16 - há 3 anos

    Bom artigo Miguel, gostei bastante das tuas apalavras e sim concord contudo mas não sei bem se o sheamus deve integrar os evolution, sinceramente tenho duvidas, até pra semana e continua assim.

  5. ygor - há 3 anos

    ótimo artigo Miguel,em questão do cm punk eu acho ele volta, mas não agora no payback mas é uma das possibilidades.

  6. Control - há 3 anos

    Um ótimo artigo,com um formato ‘novo’ com vários assuntos interlaçados gostei bastante.Fiquei feliz por ter lembrado do Dimebag Darrell(um dos maiores guitarristas que já existiu) que sou muito fã,quando tocou no assusto da obsessão por fãs coitado do Punk.Até gostaria de ver Sheamus no lugar do Batista(que poderia ser provisório ou definitivo),mas teria que ter uma boa historia pois se não ficaria sem sentido.

  7. cm punk TD - há 3 anos

    Excelente artigo Miguel.
    Concordo com todos os temas que abordaste.No entanto, não estou lá muito de acordo que o sheamus se junte aos Evolution porquê isso iria desvalorizar o título novamente, tal como aconteceu quando o Dean ambrose ainda era campeão.Sobre a situação do cm punk não tenho muita coisa a dizer, espero que ele saia de casa e volte para a wwe.

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