The People’s Elbow #56 – Dive

Olá, malta! Hoje vou pegar nas expectativas de alteração de estilo de Daniel Bryan e nos rumores de que poderá deixar de usar a Diving Headbutt.

Para evitar que a sua recente cirurgia provoque problemas longo prazo, Harley Race, que executava uma versão da manobra, recomenda que não a use devido ao impacto causado no pescoço.

Outro dos seus utilizadores foi Chris Benoit, aconselhado a desistir dela quando passou por uma cirurgia séria ao pescoço, logo, irá ser aqui recordado, tal como Dinamite Kid.

Diving Headbutt é um ataque aéreo usado nas lutas profissionais, requerendo muito esforço físico tanto do lutador que o aplica quanto do seu oponente.

É um dos golpes mais perigosos e arriscados, consistindo duma cabeçada após salto duma altura elevada. O usuário salta sobre o adversário atingindo a sua cabeça na parte do corpo que deseja causar dano.

Inventado por Harley Race, foi usado, entre outros, por Santino.

Harley Leland Race (71 anos) está retirado, tendo debutado nos anos 1960. É agora promotor e treinador depois de, durante a sua carreira, ter trabalhado para as maiores promoções de Wrestling. Foi o primeiro a deter o que é hoje o USA Championship.

Desde cedo fã da modalidade, começou a treinar enquanto adolescente no Missouri. Era visto como uma estrela e com um futuro brilhante no negócio, até que um acidente automobilístico o pôs fora de acção.

Não só a sua perna esteve perto de ser amputada, como a sua mulher grávida – Vivian Louise Jones – teve morte instantânea. Os médicos davam a sua carreira como terminada, perante a possibilidade de não voltar a andar, contudo, conseguiu recuperar na totalidade através de fisioterapia.

Regressou ao ringue em 1964, lutando no território do Texas e formando uma Tag Team com Larry Axe (pai de Curt Hennig e avô de Curtis Axel).

Apesar do sucesso no topo da divisão na American Wrestling Association, saiu para perseguir uma carreira de singulares na NWA, retornando em 1984 para defrontar Curt Hennig e o seu antigo parceiro.

Nos anos 1970, iniciou uma rivalidade com Terry Funk e venceu um título regional, sendo visto como dotado e pronto para uma “spotlight” global, viajando extensivamente pelo mundo.

Depois de incontáveis vitórias ao longo dos anos, foi perdendo relevância para Ric Flair, originando o primeiro evento Starrcade, onde perdeu o título para ele numa memorável Steel Cage.

A sua derrota foi perspectivada como uma passagem da tocha deste desporto, tendo o Nature Boy creditado-o como o iniciador da sua carreira.

Depois disto, envolveu-se na compra duma porção de territórios de St. Louis, até Vincent McMahon sénior começar a sua invasão na ambição de edificação duma promoção de Wrestling nacional.

Perdendo 500 000 dólares, apesar de saber que o seu auge havia sido finalizado e desejando retirar-se da competição, foi forçado a continuar para daí retirar rendimentos, continuando a viajar e assinando com a empresa daquele que o obrigara a não abandonar o barco.

Entrou em Maio de 1986, sendo orientado pelo amigo Bobby Heenan. Não reconhecendo a existência de outras promoções e as conquistas que fizera lá, os oficiais chegaram à solução de o pôr a vencer o torneio King of the Ring, dando a conhecer as suas potencialidades.

Passaria a feudar com Hogan e Jim Duggan até sofrer uma lesão abdominal em 1988 numa luta contra o Imortal, quando tentava atingi-lo por meio duma Diving Headbutt numa mesa fora do ringue.

Hogan saiu da frente e ele partiu a mesa com o abdómen. Durante os anos 90, desempenhou vários papéis nos bastidores, incluindo uma aparição no Over the Edge 1999, na noite da morte de Owen Hart.

No documentário sobre a sua vida, Harley Race afirma que Hart o procurou para dizer que estava desconfortável com o equipamento pelo qual faria a sua entrada de Blue Blazer.

Continuou a lutar até à Primavera de 1991, mais notavelmente na World Wrestling Council de Porto Rico, recebendo diversas Title Shots contra Lex Luger.

Como manager, conduziu imediatamente Lex Luger ao World Heavyweight Championship da WCW, fazendo o mesmo com Vader. Sendo veterano, obteve popularidade junto do novo talento da WCW, desenvolvendo amizades com Mick Foley e Steve Austin.

Em Janeiro de 1995, outro acidente de carro forçou-o a afastar-se. A sua última presença seria em Outubro de 1999 como ring announcer do combate tributo a Owen Hart entre Bret e Benoit.

Nesse ano, fundou uma academia e uma promoção independente, treinando Trevor Murdoch e criando fundos para causas solidárias.

A sua carreira notável garantiu-lhe a indução ao Hall of Fame 2004, retornando à televisão ao ser recrutado pela TNA para membro do comité.Apesar de ser uma figura da autoridade, nunca tomou decisões oficiais e só ocasionalmente aparecia. Foi o convidado especial da cerimónia de reforma de Ric Flair.

Como curiosidade, participou no “Exposed Pro-Wrestling’s Greatest Secrets” da NBC, preservando a sua identidade com a cara tapada.

Durante a sua estadia na World Wrestling Federation, removeu uma porção do intestino grosso, algo tratado com humor pelo Honky Tonk Man, dizendo que ele “had no guts”.

Isto levou a que o Dynamite Kid Tom Billington, admirador confesso do visado, o confrontasse violentamente para que nunca mais o desrespeitasse.

Será reconhecido por ter inovado os seus finishing e signature moves, como a sua joelhada, Bridging Cradle Suplex, Piledriver e Scoop Slam.

No seu percurso atribulado consta uma lesão no exercício da sua Diving Headbutt, criação que tenta agora remover do leque de golpes de Daniel Bryan após colagens negativas a outros dois superstars.

Tom Billington (55 anos) é mais conhecido pelo ring name Dynamite Kid e por ter sido metade da Tag Team British Bulldogs. Debutou a 24 de Dezembro de 1975 e retirou-se a 10 de Outubro de 1996.

Não sendo os estudos uma prioridade, foi suportado pelo programa desportivo da sua escola, ajudando-o a desenvolver uma forma física ágil, recebendo treino de boxe.

No final dos anos 70, foi fundamental no início da carreira da estrela de judo Chris Adams na luta livre, ao levá-lo para o Canadá.

Teve grande impacto pelos seus combates na Stampede Wrestling, apesar das diferenças para com Bruce e Bret Hart, que perdoou os comentários que fizera acerca de Stu na sua autobiografia, recordando-o como o maior lutador vivo.

Em 1979, começou a tomar esteróides quando Junkyard Dog o introduziu ao anabolizante Dianabol e Jake Roberts ao speed durante a sua estadia no Canadá.

Na sua primeira tour ao Japão, teve combates memoráveis contra Tiger Mask, numa feud lendária.

Fez a sua estreia em televisão pela World Wrestling Federation a 29 de Agosto de 1984, acabando por constituir equipa com Davey Boy Smith nos British Buldogs.

Dois anos depois, em Dezembro, foi submetido a uma operação às costas. Saindo do hospital contra a ordem dos médicos, lutou contra a Hart Foundation para lhes ceder os títulos de Tag Team.

Quase não conseguindo andar, precisou de ser assistido e, para evitar continuar no combate, para efeitos de história, foi atacado pelo megafone de Jimmy Hart.

Dali adiante, o duo nunca mais foi de primeira linha, quase se tornando jobbers.

Tom obteve inúmeros inimigos nos bastidores, como Honky Tonk Man, que fizera troça das lesões sofridas pelo seu amigo Harley Race, e a família Hart.

Estes desentendimentos conduziram à sua queda dentro da empresa, a qual muitos lutadores pensaram ser merecida pelo sua reputação de desestabilizador e dureza no ringue.

Tom nunca recuperou desta humilhação e os Bulldogs tiveram o seu último combate pela companhia no Survivor Series 1988, retornando à Stampede Wrestling para vencer o International Tag Team Titles.

Competiram com frequência pelo Japão, onde eram pagos a 20 000 dólares e tinham a liberdade de decidir quais as tours em que queriam participar.

Tudo parecia recompor-se quando, no ano 1990, Davey Boy Smith fez o seu regresso à empresa de Vince, fazendo com que a dupla saísse abruptamente do evento anual “World’s Strongest Tag Team Determination League”, fabricando a desculpa que Tom havia tido um acidente de carro e não estava apto a competir.

Esta falta de honestidade aumentou quando decidiu declarar para si o termo “British Bulldogs”, avisando os promotores para não associarem o antigo colega ao mesmo.

Esta traição e os anos de abuso de esteróides e cocaína levou-o a anunciar subitamente a sua retirada a 6 de Dezembro de 1991.

Durante este período, divorciou-se da mulher (irmã da esposa de Bret Hart, Julie), de quem teve um filho e duas filhas.

Como resultado disso, mudou-se do Canadá para Inglaterra com os seus pais. Seria na Florida que consumiria LSD, chegando a estar declarado morto mas sendo reanimado com choques de adrenalina pelos paramédicos.

Teria ainda o último combate a 10 de Outubro de 1996 contra Mil Máscaras e o seu grande rival Tiger Mask, numa época em que o seu corpo se tinha degenerado claramente.

No dia seguinte, enquanto esperava o regresso a casa no aeroporto, teve um convulsão e foi transportado para o hospital.

Em 1997, perdeu a sensação nas pernas, passando a circular numa cadeira de rodas e a ser cuidado pela segunda mulher Dot. A sua autobiografia foi publicada a 1 de Outubro de 1999.

Manteve-se recluso até uma participação de poucos minutos no documentário da CNN “Death Grip Inside Pro-Wrestling”, de 2007, onde discutiu os efeitos dos Sports Entertainment na sua vida.

O seu treino britânico, combinado a um arsenal aéreo desenvolvido no Japão, influenciou uma geração, da qual fazia parte Chris Benoit, que o idolatrava e adoptou um move set similar, onde incluiu a Diving Headbutt e o Snap Suplex.

Devido ao vasto número de lesões nas costas e nas pernas que sofrera ao longo da carreira, ficou inválido e nunca mais poderá andar.

Apesar de ter finishing e signature moves de alto risco, como o Reverse Piledriver, Superplex (inventado por ele), Leg Lariat e múltiplas variações de Suplex, é a Diving Headbutt a mais citada como responsável pelo seu estado de saúde.

O inventor Harley Race destacou arrependimento por ter inventado o move pelos problemas que provoca à coluna, factor contributivo para a situação de Tom.

Estando paralisado está igualmente mais vulnerável a problemas cardíacos, tendo sofrido um enfarte o ano passado.

Tendo sido alvo do seu reportório apaixonante em primeira instância, foi-o de seguida pela necessidade de dinheiro.

Este desgosto e o vício tornaram-no num homem violento no seio familiar e limitado a lembranças esporádicas na comunidade dos desportos de entretenimento, quando foi ele o pioneiro da técnica e ataques voadores.

Esteve mais evidente aquando do sucedido ao seu “imitador” Rabid Wolverine, com as câmaras a quererem comparará-los e a tentar encontrar explicação para os dois casos.

Para vos despertar o apetite para o que este senhor sabia fazer, deixo as referências necessárias: 5 Star Match contra Tiger Mask, Best Flying and Technical Wrestler (1984), Best Wrestling Maneuver (Dropkick, 1984), Match of the Year contra Tiger Mask (5 Agosto 1982) e Tag Team of the Year 1985.

Christopher Michael Benoit (21 de Maio de 1967 – 24 de Junho de 2007) foi treinado por Stu Hart no Canadá e é descrito como um dos lutadores favoritos dos fãs pelo seu incrível perfil atlético e habilidade. Popular e respeitado como um dos maiores lutadores técnicos, venceu o Royal Rumble 2004 para sair da vigésima edição da WrestleMania com o World Heavyweight Championship.

A sua última performance seria pela brand ECW, estando previsto ganhar o título no Vengeance: Night of Champions, o que não aconteceu devido à sua morte nessa noite.

A 22 de Junho, matou a sua esposa e o seu filho, enforcando-se seguidamente no dia 24. Deste este homicídio e suicídio, inúmeras explicações foram propostas, incluindo abuso de esteróides, casamento abalado e danos cerebrais causados pelo uso da Diving Headbutt.

Durante a sua infância e adolescência, idolatrara Bret Hart e o Dynamite Kid, cedo decidindo juntar-se aos seus ídolos na profissão, conhecendo-os e proclamando o desejo de ser igual a eles.

Encorajado pelo pai, foi para Calgary treinar na Dungeon, o que lhe proporcionou o desenvolvimento da força muscular.

Desde o início, as similaridades com os seus “role models” eram inegáveis, adoptando moves como a Diving Headbutt e o Snap Suplex.

De acordo com o próprio, a “cabeçada voadora” esteve perto de nunca ser utilizada quando, no seu primeiro combate, tentou fazê-la antes de ter aprendido a cair correctamente.

Foi sugerido que os anos de traumas cerebrais pela aplicação do golpe podem tê-lo levado a cometer o crime, com os resultados dos testes a comprovar o quão danificado estava o seu cérebro, sendo comparado ao dum paciente de Alzheimer.

Foi reportada uma demência avançada por múltiplas fracturas, contribuindo para severos problemas de comportamento que causaram o sucedido.

Durante a sua carreira, sofreu um monte de traumatismos, nos quais a técnica voadora tem uma percentagem de culpa, isto porque ele conectava a sua cabeça com a do oponente e não como é feita no geral (área do peito ou braço).

A isto é acrescentado uma variedade de momentos em que o ataque era aplicado para fora do ringue, com ele batendo com a cabeça na beira do ringue ou na mesa de comentadores após o desvio do adversário.
Dedicado e comprometido a dar tudo, chegou a executá-la do topo de jaulas e escadotes!

Culpar a entrega dele pelo horrível incidente não é justo, tendo sido argumentada a análise onde se verifica que ele aterrava sob os seus braços e peito, atingindo correctamente o tapete e provocando maior dano à zona estomacal e pouco ou nada à cabeça.

Por outro lado, outros suportam a tese que a sua loucura derivada da sua mente instável, junto ao que ele fazia, contribuiu para a chacina da família.

Doente mental ou assassino, não será apagado da nossa memória ao recordarmos os seguintes feitos: 5 Star Match 1994, Best Brawler 2004, Feud of the Year 2004 (contra HHH e HBK), Best Technical Wrestler (1994, 1995, 2000 e 2004), Match of the Year 2002 (contra Edge, Angle e Rey Mysterio) e Reader’s Favourite Wrestler (1997 e 2000).

A preocupação de que a execução do movimento possa afectar Daniel Bryan é legítima se continuar a sofrer concussão atrás de concussão, o que não tem sucedido.

Se sempre que tiver uma lesão tiver de tirar férias, Vince por certo o proibirá. Nas indies, ele lutava um estilo mais perigoso e continuava a ser seguro e a não se lesionar ou aos outros.

A WWE identifica e trata riscos de lesão com mais eficácia depois da tragédia, para não falar que o “Yes Man” não chega perto da insegurança e da radicalidade do seu homenageado.

Graças à triste notícia do Verão de há 7 anos, o ambiente de detecção e prevenção deste tipo de situação diminuiu o número de golpes sobre o pescoço ou cabeça.

Não há hipótese dele fazer o move se a empresa não confiar que ele a fará com segurança. Só se ele falhar é que a sua versão poderá ser negada, algo que evitará falando com o colega sofredor para um entendimento quanto à execução e recepção dela.

A chance de ficar lesionado por causa de repetidos head bumps existe, só que nunca comparado com o ocorrido ao lutador morto e ao paralisado.

As regras apareceram para proteger o talento e poderá ser uma óptima medida esta restrição ao move de Benoit, parecendo que o querem substituir e não esquecer.

Especialista em submissão, daria a entender ser uma cópia. Não o afecta ficar destituído duma táctica pouco original e, se o Piledriver foi banido, porque não poderá ser esta?

Este move excitante poderá ser substituído por outros que satisfaçam o público.

Foi sobre esta colisão horizontal susceptível a percalços que vos falei neste artigo. Deverá ser mantida no arsenal do American Dragon? A opinião é vossa e eu cá aguardo por ela.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

7 Comentários

  1. Hildo - há 3 anos

    Bom artigo Miguel. Eu acho que ele não deverá continuar utilizando a Diving Headbutt. pois a WWe não deve querer correr o risco de ter de parar a carreira mais cedo, ainda mais sobre contrato com a compania.

  2. John_3:16 - há 3 anos

    Pois acho que a wwe e em especial o bryan devem entender que este não deve executar mais essa manobra para sua proteção.

  3. Hildo - há 3 anos

    Sem falar que o Bryan não vai deixar de ser um dos melhores do mundo no ringue se deixar de fazer a Diving Headbutt.

    • Francisco Edge - há 3 anos

      Sem dúvida.
      Não é uma signature que vai fazer o Bryan melhor lutador.
      Ele com certeza vai arranjar outra signature interessante e credivél.

  4. Don_Ricardo_Corleone - há 3 anos

    Sejamos honestos, o Diving Headbutt é, como todos os moves do topo da corda, apenas show off. Tem um efeito visual muito bonito mas afecta tanto quem o faz como quem o sofre. Não é minimamente credivel. Uns golpes são mais perigosos que outros, sendo este um golpe que afecta a cabeça, pescoço e coluna, sendo um golpe que afecta a saúde fisica e mental de quem o executa (embora afastes o golpe como possivel causa da loucura momentanea do Benoit, bem à cabeça é não deve fazer), sendo que o Daniel Bryan já se lesionou e foi operado, claro que deve ser proibido.

  5. danielLP21 - há 3 anos

    Excelente artigo. Muito completo!

    Pessoalmente, também considero que esta manobra, não estando perto dos 100% de segurança (julgo que nenhuma será 100% segura, mas quanto mais perto, melhor), podia ser removida do arsenal do Daniel Bryan sem que isso prejudicasse a sua qualidade e a sua credibilidade como um dos melhores “wrestlers” de sempre. Que evite lesões e outras coisas ainda mais graves!

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