The People’s Elbow #62 – Canadian Destroyers

Olá gente, aqui me apresento mais uma vez para novo artigo. Hoje vou falar dos anúncios das reformas de dois canadianos, cada um representando as maiores empresas da área e proporcionando produtos diferentes.

A 6 de Julho, no live event da World Wrestling Entertainment no Canadá (Toronto-Ontário), Santino Marella anunciou a sua reforma, causada pela sua terceira lesão no pescoço.

A 5 de Julho, deu-se o último combate de Pete Williams contra Chris Sabin, tendo anunciado que se iria retirar.

Como já percorri toda a carreira do falso italiano noutro artigo, vou evidenciá-la a partir do seu período como USA Champion (2012) e apontar as consequências para a sua última parceira de storyline.

De Pete Williams, para além da obrigatória pesquisa, apresentarei detalhes acerca do seu famoso finishing move – Canadian Destroyer.

Anthony Carelli (nascido a 14 de Março de 1979) derrotou o agora único Real American pelo USA Championship a 5 de Março de 2012.

Defendeu contra ele numa Steel Cage, obtendo sucesso de seguida numa Triple Threat que incluía Dolph Ziggler e contra David Otunga, a 16 de Abril.

Reteve contra Miz no Pre-Show do Extreme Rules e reuniu-se com Zack Ryder para enfrentar equipas como Primo e Épico e os Prime Time Players.

Feudou contra o ring announcer de Alberto del Rio – Ricardo Rodriguez – enquanto ia defendendo o título. A 19 de Agosto, perdeu-o para António Cesaro, contra o qual havia perdido uma luta a 27 de Julho. Ainda que estando na posse dum título pouco valorizado, sentiu o cheiro do main event.

É de louvar que, na interpretação deste tipo de personagens, tenha captado a audiência, motivada pelo efeito surpresa no Royal Rumble vencido pelo “Mexicano Aristocrata” e por ter sido o último eliminado da Elimination Chamber pelo Daniel Bryan.

Foi lutando contra os elementos do mid card mais perdidos e saindo vitorioso, sendo notório, no entanto, alguma acalmia quando foi recuperada a parceria dos CoBro e voltou a perder para aqueles que verdadeiramente eram as apostas dos guionistas.

O que foi dito foi que a sua gimnick o limitava a sucessos esporádicos e que seria melhor combiná-los com os acontecimentos cómicos e derrotas normais que ele acatava há anos.

Da mesma maneira, pôde ter sido um prémio para o fazer reentrar na programação dado que, a 1 de Setembro último à conquista do cinturão, lesionara o ombro esquerdo num acidente rodoviário, ficando inactivo durante semanas.

No episódio piloto do Main Event, os CoBro entraram numa Tag Team Championship Tournament e derrotaram o duo formado por Justin Gabriel e Tyson Kid, sendo eliminados na semifinal pelos Rhodes Scholars.

Depois desde desaire, começaram uma feud contra os 3MB, culminando no Pre-Show do Survivor Series. A 26 de Dezembro de 2012, foi retirado do ar devido a lesão no pescoço.

Retornou a 27 de Janeiro no Royal Rumble e voltaria a 1 de Abril. Nova paragem para regresso a 9 de Setembro, acumulando vitórias sobre António Cesaro e Damien Sandow.

Depois de novo hiato, regressou no início de 2014 e convidou Emma a juntar-se a ele das bancadas ao ringue numa Dance Competition contra Fandango e Summer Rae, contra os quais começaria uma feud.

Isto foi o método arranjado para a fazer subir às camadas superiores e teve tudo a ver com a forma com que o próprio havia pulado para a ribalta 7 anos antes.

Só que ele não será a maior das vias para uma estreante ser levada a sério e os dois terão consciência disso. A dança esquisita e a música de entrada até são engraçadas, agora uma associação ao Mister Cobra acaba com qualquer verosimilhança.

A miúda até pode ter entrado fiando-se nos seus fãs do território de desenvolvimento e, sendo certo que o NXT está a verter popularidade, não dá colo nenhum se a subida aos mais altos patamares não for estudada e acertada.

Santino como Pro não lhe possibilita mostrar a qualidade que uma pequena parcela de espectadores via nela na brand amarela. Não que não possa ser divertida, só que junto ao lutador cujo propósito é o de fazer rir isto passa a ser a prioridade.

Não duvido que possa ter nascido uma relação de simpatia e consideração, mas os dois saberão que não se ia acrescentar nada com isso.

Daí que seja grande a expectativa de ver se a loira entra firme na divisão que tem estado sob o controlo de AJ, Paige, Tamina e Alicia Fox.

Santino até poderia contribuir para isso na sua despedida ao afirmar, num segmento de bastidores a sós, que queria que ela mudasse de atitude por ele, fazendo-a perceber o lugar secundário das brincadeiras.

Ou, para não abandonar a quebrar a personagem, isto ser-lhe-ia segredado ao ouvido e confessado por ela numa promo no ringue, já passado alguns dias da saída do Milan Miracle.

Seria sob o conselho que se intrometeria na corrida ao título, ou então isto tudo ficará dependente do castigo que possa vir a sofrer pelo roubo que quase lhe custou a demissão.

A sua situação na época aqui discutida foi muito suave no sentido a que cada ausência quase não era notada e não se pode dizer que tenha feito falta nos planos de preparação de cada espectáculo. Quando não se é indiscutível, é mais fácil ser abonado com períodos de recuperação e tempo livre para se dedicar à abertura do seu ginásio de treinos de MMA e Wrestling.

A sua oferta à empresa era condicionada pelo que podia dar entre as cordas, tendo um número muito diminuído de indivíduos que, perdendo contra ele, não caíssem na lama.

Daí as condicionantes das suas vitórias e as facilidades consentidas nas suas derrotas.

Resta lamentar que o pensamento de Paul Heyman para Boris Alexiev não tenha avançado, sem ser preciso cair na verdade absoluta de que seria main eventer.

Certo é que foi nestes salpicos que se entendeu o valor dele, que como italiano pouco pôde desenvolver. Profissional exemplar, podemos agradecer a sua vertente cómica e as suas performances enormes, sabendo ser convincente nas mais variadas caricaturas.

Pode ter desperdiçado uma carreira nisto, porém, é de salientar que, se o objectivo era ter um pateta desprotegido, o seu move set era perfeito e adequado.

Não podendo lutar de igual para igual, os seus movimentos baseavam-se em parar os golpes do oponente ou deter o seu ímpeto durante manobras rápidas.

Os seus signatures exibem essa finalidade: Arm Drag, Hip Toss, Snap Suplex, STO…

Até a mal fadada Cobra, usou como finishers o Split Leg Stunner e o Snap Swinging Neckbreaker. Tudo isto aqui debatido foi suficiente para ter sido declarado Best Gimnick 2007 pela Wrestling Observer e privilegiado a tons dourados muito mais do que os seus antecessores cómicos.

Apesar de não ser nada significativo por ter acontecido nas suas fases péssimas, é de salutar ter inscrito o seu nome nos cintos USA, Intercontinental e Tag Team.

A preocupação agora é saber qual vai ser o futuro “stand up comedian” a utilizar nos “enche chouriços”. Ou qual vai ser o desgraçado com esta tomada de decisão…

Brodus Clay já lá não mora, daí que há excesso de talento e qualificação para algo tão embaraçoso… R-Truth e Xavier Woods podem ser os senhores seguintes…

Adam Rose não convence e é já considerado um fracasso, tendo tudo para que a sua “Party Time” se instale de maneira literal.

Fandango tem tanta falta de atenção que está lá próximo de ir parar, onde já se encontra o “Intelectual Saviour of the Masses”.

Os meus preferidos serão Heath Slater ou Ricardo Rodriguez, desocupados e com mostras dadas de competência no papel.

A volta de Zack Ryder para isto nada traria de novidade, apenas tempo de antena, e o Titus, que andava aí a vomitar, estará igualmente preparado para ir ladrar mais um bocado.

Não é pela saída do palhaço mais recente que os actos de comédia perderão espaço, eles serão sempre procurados para preencher remendos.

Daí que o meu receio seja uma má opção na entrega do galão “Levanta-te e Ri”. Para ser sincero, muitos dos referidos não mostra algo mais que boa desenvoltura no ringue, não sendo “pinos” mas não tendo atingido estatuto que seja comprometido pela atribuição destas tarefas.

Ou seja, não ficaria pior do que já está, apesar de ver mais qualquer coisa em quase todos que os pudesse safar desta… Algum terá de ser, e quanto mais depressa Damien sair dali mais rápido eu paro de me importar com qual seja.

Peter Williams (nascido a 26 de Agosto de 1981) é mais conhecido pelas suas aparições na Total Non-Stop Action, estando também ligado à Lucha Libre USA, onde possuiu o Tag Team Championship.

A sua alcunha “Canadian Destroyer” (a outra é “Maple Leaf Muscle”) é uma referência ao seu Front Flip Piledriver. Treinado ao lado de Chris Sabin, debutou no ano 2002 no circuito independente no Canadá.

A 25 de Fevereiro de 2004, foi para a TNA, vencendo o X Division Championship a 11 de Agosto numa Gauntlet for the Gold Match, ao obter o pin sobre Amazing Red.

Desde cedo no seu reinado, declarou que o Canadian Destroyer não podia ser evitado. Talvez o maior e mais poderoso finisher do negócio das lutas profissionais, ficou associado à sua pessoa.

Esta variante do Piledriver origina polémica, apesar de estar regularizada e ter sido eleita pela organização da Dixie Carter Finisher of the Year 2004 a 2006 e Best Wrestling Maneuver 2004 e 2005 pela Wrestling Observer.

O atacante coloca a cabeça do oponente inclinado sobre as suas pernas, apertando-lhe o abdómen e dando uma cambalhota para a frente, levando-o consigo.

O atacante cai sentado, pior ficando o sofredor, que o faz sobre a cabeça ou pescoço.

Após reter o título contra AJ Styles no Victory Road, a 7 de Novembro, Chris Sabin contrariou a teoria do antigo parceiro de treinos, todavia, foi incapaz de lhe tirar o X Division Championship no Turning Point de 5 de Dezembro.

A invencibilidade do seu golpe final foi desmentida e os adversários achando pontos fracos para se soltarem dele ou planear o seu contra-ataque.

No Final Resolution de 16 de Janeiro de 2005, o seu reinado acabou para AJ Styles.

Em Janeiro de 2009, foi informado de que o seu contrato não seria renovado, tendo o seu último combate a 10 de Fevereiro, sendo banido pela estipulação.

Começou a lutar pela Ring of Honor e pela Lucha Libre USA, onde ficou de 12 de Dezembro de 2010 a 21 de Abril de 2012.

Voltou à TNA a 12 de Janeiro do ano passado, virando Number One Contender pelo X Division Championship, recebendo a sua oportunidade mas não alcançando a vitória.

O anúncio da sua retirada parece ter partido duma decisão pessoal, pois a sua idade ainda poderia permitir mais uns anos de competição e não é conhecido nada de grave no seu historial clínico.

Os seus outros interesses ou o cansaço acumulado terão pesado nesta opção, até porque havia alturas de exclusão completa da TV, trabalhando noutras coisas como o bodybuilding e tocando guitarra e harmónica na banda “High Crusade”, que inclui Chris Sabin e Alex Shelley, lançando o álbum de estreia a 7 de Setembro de 2010.

Não sendo seguidor dele, nunca o vi como lutador a tempo inteiro: sabia da sua potencialidade para tal mas algo se intrometia para eu o ver dessa objectiva.

A fama do seu ataque e as notícias de retornos e abandonos fizeram-me crer num homem mais velho que fazia presenças e despertava o mito quando lhe apetecia.

Ele será falado como uma lenda quando isso será um peso demasiado pesado para carregar. Às tantas, isto pode ter influenciado na sua dedicação a outros assuntos.

Dois canadianos que terão de ser respeitados pelo amor à profissão foi do que vos falei nesta rubrica, peço que exprimam a vossa opinião e fiquem atentos à próxima Segunda-Feira.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

3 Comentários

  1. David Tiago - há 2 anos

    Um dos meus finishers preferidos! THE CANADIAN DESTROYER!

    Visualmente, se for bem vendido (ou não) é muito bonito de ser ver.

  2. João Neves - há 2 anos

    Se o objectivo desta “gimmick” era usar o cómico para captar o público, Santino Marella não podia ter feito melhor. Lembro-me perfeitamente do seu “debut” e admiro imenso o trabalho dele enquanto “enternainer”, e é uma pena que tenha de ir embora desta maneira. Em relação ao tema “Qual será o próximo?”, acho que, de entre os de mais que estão no “roster”, não vejo nenhum candidato a ficar com o lugar de Santino como “enternainer”. Portanto, se fosse o coordenador da companhia, não substituiria o Santino. Mas, se fosse algo obrigatório, Ricardo Rodríguez seria a minha opção “obrigatória”.

    Em relação ao Peter Williams, confesso que pouco sei sobre wrestling, portanto, resta agradecer ao Miguel Rocha por me ter apresentado o “Canadian Destroyer”

    Mais uma vez, um bom artigo.

  3. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente artigo, Miguel.

    O Santino é um dos melhores comediantes da História da WWE. Para mim, é mesmo o melhor a par do Al Snow (um lutador, mas muito!, subvalorizado).

    Em relação ao Peter Williams, vai ficar conhecido essencialmente pelo seu finisher. Não era o único aspecto interessante, mas foi sem dúvida através dessa manobra que se destacou dos demais.

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