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The People’s Elbow #63 – Big in Japan

É de novo no formato musical que inicio mais uma rubrica, desta feita sobre a assinatura de KENTA pela maior fundação de luta livre mundial.

A 27 de Janeiro de 2014, entrou no Performance Center de Orlando-Florida para tryouts, no desejo de concretização do sonho que, a 27 de Junho, se realizou e, a 12 de Julho, foi oficializado durante evento no Japão durante segmento envolvendo o “Imortal” Hogan.

Será colocado nos treinos do território de desenvolvimento, ficando a aguardar chamada aos maiores palcos

Irei enumerar os seus maiores feitos no seu país e pela Ring of Honor antes de avançar com as perspectivas da sua utilização por cidades americanas, tentando desvendar se será desta que os lutadores japoneses começam a dar nas vistas pelas terras do tio Sam.

KENTA (nascido a 12 de Março de 1981) debutou a 24 de Maio de 2000, tendo ficado mais conhecido por ter trabalhado na Pro Wrestling Noah.

Depois de iniciar a sua carreira na All Japan Pro Wrestling, teve envolvimento com a organização Global Professional Wrestling Alliance e lutou pela promoção Ring of Honor.

Devido à potencial confusão ao seu mentor Kenta Kobashi, estilizou o seu nome, escrevendo-o com letras maiúsculas.

Antigo praticante de lutas amadoras e basebol, teve na sua variedade atlética uma influência no seu estilo “Shoot”, baseado em contra-ataques e pontapés.

A sua estreia seria contra o futuro aliado e rival Naomichi Marufuji, competindo na divisão Júnior da AJPW, onde não esteve muito tempo, trocando a companhia pela Pro Wrestling Noah, formada pelo antigo presidente da All Japan. Foi deixado de lado pelas lesões no primeiro ano, voltando em Julho de 2001, tendo um acréscimo de popularidade ao se juntar à facção do seu mentor Kenta Kobashi.

No ano seguinte, fez equipa com Naomichi Marufuji, entrando no torneio pelo Campeonato Júnior de Tag Teams, vencendo-o. Para que fosse comprovada a sua aptidão a integrar o lote de estrelas estabelecidas e na tentativa de elevar o seu estatuto, esteve numa séries de 7 combates contra, entre outros, Juventude Guerrera, enquanto ao lado de Marufuji ia defendendo o título.

O sei reinado chegaria ao final após 2 anos, tornando possível a sua rivalidade, em Outubro de 2005, numa série de confrontos violentos.

A 5 de Março de 2006, o seu maior desafio apareceria na forma de Kenta Kobashi.

A isto, seguiu-se a atenção no Heavyweight Championship, desafiando Naomichi Marufuji, perdendo numa luta que recebeu numerosos elogios da media.

Passou a maioria do ano 2007 no catálogo Tag Team e 6 Man Tag Team, onde descobriu o sucesso e teve combates aclamados pela crítica contra uma variedade de competidores, incluindo da Dragon Gate e Ring of Honor, devido ao acordo de intercâmbio de talento da Global Professional Wrestling Alliance: Briscoes, Bryan Danielson e Davey Richards.

Depois da perda dos cintos de equipas, retornou à competição singular ao derrotar Bryan Danielson pelo Júnior Heavyweight Championship, o que o levou ao reencontro com Marufuji, que havia vencido o World Júnior Heavyweight Championship, para a unificação dos títulos.

O combate terminou empatado no final dos 60 minutos, mantendo-se cada título nas mãos do respectivo dono, obtendo revisões favoráveis da media.

Perderia o título em Fevereiro de 2009 para o rival, recuperando-o no mês seguinte e, em Outubro, foi forçado a deixá-lo vago por causa duma lesão no joelho, que o afastou por 7 meses.

O seu regresso foi a 6 de Junho de 2010, perdendo para Naomichi Marufuji numa Júnior Heavyweight Championship number one contender’s match.

A 29 de Janeiro de 2011, tornou-se heel e juntou-se à stable Desobey, alterando o seu visual e atitude. A 5 de Março, seria removido do grupo, refazendo-o sob a designação “No Mercy”, a 12 de Março.

Em Novembro, entrou na Noah’s Global Tag Team League e desenvolveu uma nova “submission move” a que foi concedido o nome “Game Over”.

Em Dezembro, torceu o joelho, sendo forçado a outra cirurgia e anunciado que estaria fora de acção por 6 ou 7 meses. Apesar da lesão, foi nomeado “Technical Wrestler of the Year” pela imprensa de Tóquio.

O seu retorno seria a 22 de Julho de 2012, perdendo para Naomichi Marufuji. Em Outubro, ele e Maybach Tanigushi, de quem se tornara porta-voz, derrotaram Magnus e Samoa Joe para deter o Tag Team Championship, perdendo-o duas semanas depois. Em Novembro, foi o vencedor do Global League Tournament.

A 27 de Janeiro do ano passado, alcançou o Heavyweight Championship, sendo roubado, a 9 de Fevereiro, pelo Maybach Taniguchi, que se revoltara contra ele.

Isto aconteceu para que fizesse parte duma tour pela promoção Alianza Latino-Americana de Lucha Libre, onde ganhou o Torneio Latino Americano de Lucha Libre, vencendo Super Crazy na final.

A 10 de Março, fez a sua primeira defesa do título contra Maybach Taniguchi e, a 11 de Maio, fez parte da luta de despedida de Kenta Kobashi.

A 7 de Julho, nova defesa contra Naomichi Marufuji, terminando o longo reinado a 5 de Janeiro de 2014.

De seguida, a sua rivalidade contra Maybach Taniguchi culminou numa No Disqualification Match, de onde saiu vitorioso. A 30 de Abril, numa conferência de imprensa, anunciou a sua resignação, tendo o seu combate de despedida a 17 de Maio.

À parte da competição pela Pro Wrestling Noah, esteve nos USA a fazer aparições pela Ring of Honor, defendendo o Júnior Heavyweight Title como “fan favourite”.

A 25 de Março de 2006, com Naomichi Marufuji, derrotou a equipa de Samoa Joe e Bryan Danielson. A sua primeira derrota apareceria numa Tag Team Match contra os Briscoes, o que levou a mais combates entre eles, com KENTA acompanhado por parceiros relutantes.

No Glory by Honor V, recebeu outra oportunidade pelo título de Danielson, desistindo para a signature hold Cattle Mutilation.

Retornou a 11 de Maio do ano seguinte para enfrentar Delirious e competir contra Davey Richards e Nigel McGuiness. Estava agendado voltar em Novembro de 2009, mas teve de cancelar após sofrer a lesão no joelho.

Subindo até ao vídeo que postei no começo do artigo, farei uma análise histórica da frase que dá nome à canção e o contraste com os desportos de entretenimento.

“Big in Japan” é a expressão usada para descrever as bandas Ocidentais que atingiram o sucesso no Oriente. A popularidade destes grupos (do Pop ao Metal) no Continente foi a rampa de lançamento noutras audiências. Isto tornou-se o sinal positivo para a entrada no mercado Mainstream.

A letra da cover tocada pelos Guano Apes reivindica que é fácil ser grande no Japão. Quererá isto dizer que é o público menos exigente e intransigente?

Não tendo as dificuldades que a Europa e a América tem ou tinha na altura da composição da música (anos 80) na aceitação do consumo musical, o Japão era atractivo na recepção das novas modas e cooperante na aquisição dos formatos físicos disponibilizados nas lojas e na actualização das notícias dos seus ídolos favoritos, seguindo-os a cada excursão.

Lá porque não se faziam rogados a engolir o produzido fora da terra do Sol nascente, não queria dizer que tivessem de esbanjar o seu dinheiro e ficar insatisfeitos.

Eles são fervorosos e não são permitidas acalmias, daí ser exigido faixas bónus dos CD que lá são vendidos. Não são parvos e são conhecedores do prestígio que lhes dão ao ser o maior público ou o mais dedicado. A retribuição ocorre na gravação de espectáculos ao vivo para CD ou DVD, sendo itens essenciais na discografia de muitos conjuntos e na lista de maiores álbuns ao vivo.

A cultura japonesa adopta a luta livre como arte, tendo o seu estilo recebido o nome “Puroresu”.
É tratado como desporto de combate misturado com artes marciais, englobando maior contacto físico e movimentos complexos e perigosos.

Há duas variantes dominantes asiáticas: o estilo “Strong” baseado em “submissions” e o “Catch” (captura, isto é, incorpora “submission holds”, “grapples”…).

Os grandes lutadores do Japão são tratados como heróis e representantes nacionais. Por qualquer motivo, não é costume algum conseguir singrar fora do seu país.

A dureza, a língua, os golpes de risco e a tradição vincada do local originário são obstáculos à sua imposição, tal como a forma de tratamento oposta à celebrada entre os seus compatriotas.

Os japoneses são povo virado para os seus, daí que a contratação de alguns deles seja fonte de receita para cada empresa que os acolha.

Só que acontece a gradual descaracterização deles e a falta de aposta que os desponte para cada camada de espectadores, já que o que cada população gosta de ver difere.

Penso que o consenso seria na construção de personagens não tão genéricas quanto as de japonês simpático e na adaptação dos artifícios identificadores da região (máscaras, penteados, saudação) para algo moderno e inserido no clima americanizado que nos rodeia.

Para não haver nada tão radical ou superficial e achar o ponto de equilíbrio, seria fulcral que o “apêndice” das manobras não fosse só os pontapés (veja-se os finishers do Tajiri ou Yoshi Tatsu).

Se a investida japonesa fosse igual à mexicana, tirar-se-ia maior aproveitamento do que lá é ensinado.
Não havendo tanta restrição e sendo permitido a exposição nipónica como é a do México, o lugar de Tatsu estaria salvo. Se não é isto que sucede, não percebo outra coisa a não ser a qualidade ultra-dimensional deste atleta de 33 anos.

Por certo terá de haver uma assimilação ao tipo americano de luta, não sendo necessário o corte umbilical ao que o lutador estava habituado no seu local de nascimento.

Até porque não fará sentido não tirar proveito de algo típico de cada região do globo e ver o que cada nacionalidade pode oferecer.

Não creio que se vá enaltecer demasiado as origens dele, elas são evidentes, caso contrário, poderá ser mau para a sua aceitação à nova realidade.

Cada correcção terá de ser estratégica, como na alteração dos finishing e signature moves, alguns iguais aos dos recentes astros da empresa de Stanford.

A sua Running Single Leg é muito parecida à de Daniel Bryan, John Morrison ou Regal, o “Game Over” é a Omoplata CrossFace do “Beard One” e é ele o criador do “Go 2 Sleep”.

Não sendo a repetição de técnicas a preocupação maior nos bastidores, duvido que seja apresentado como inventor da finalização do antigo líder da Straight Edge Society.

Alternativas há por entre Octopus Stretch, Bridging Tiger Suplex, Sitout Suplex Slam, Fisherman Buster, Slingshot Leg Drop, Standing Sitout High Angle Powerbomb…

Tendo sido alvo de todas as honras junto da sua comunidade, está na idade do tudo ou nada, estando agora entregue aos criativos que têm ficado de olhos em bico na hora de privilegiar os Orientais de algo palpável.

Pelas entidades desportivas locais e pela Wrestling Observer foi galardoado como Best Tag Team e Tag Team of the Year 2004 (Naomichi Marufuji), Outsanding Performance, Best Technique 2011, Best Wrestling Maneuver 2006 e 2007 (Go 2 Sleep).

Fico à espera de vê-lo no ringue e do vosso comentário. Até para a semana.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

3 Comentários

  1. Tiago Gomes - há 2 anos

    Já tinha ouvido falar muito bem dele

  2. THE_WOLVERINE - há 2 anos

    depois desses lances, procurei mais sobre este Kenta e posso afirmar que ele é um dos melhores wrestler que vi lutar , espero q a WWE saiba aproveitar o talento do garoto :)

  3. TheManWhoGravityForgot - há 2 anos

    Carreira bastante interessante que o KENTA tem.
    Não conhecia bem a carreira dele, mas já vi que ele já teve combates com o Daniel Bryan (Bryan Danielson), Davey Richards, e Super Crazy.
    Gostava que ele tivesse sucesso na WWE porque ele merece.

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