The People’s Elbow #65 – Lost in Hollywood

Bons dias, cá estou eu para nova edição de início da semana. Desta vez o tema é a carreira de actor de John Cena. Devido às filmagens de duas películas, irá falhar vários eventos de luta livre, tendo-se especulado sobre o seu futuro dentro de poucos anos, dado o seu desgaste físico e o eventual sucesso fora de portas. Irá o até agora incansável John Cena começar a aparecer via satélite?

Para ajudar a entender esta troca, nada mais indicado que recuar uns anos até à saída do “Most Exciting Man in Sports Entertainment” para abraçar o cinema e ficar conhecido como Dwayne Johnson.

Nascido a 2 de Maio de 1972 na Califórnia, foi jogador de futebol pela Universidade de Miami, vencendo o campeonato nacional de 1991. Mais tarde, jogou no Canadá pelos Calgary Stampeders, saindo na época de 1995, levando-o a seguir as pegadas do pai e do avô no Wrestling.

Granjeou fama de 1996 a 2004 pela World Wrestling Federation e Entertainment, sendo o primeiro lutador de terceira geração da história da companhia e considerado um dos seus maiores nomes.

Perspectivado como promissor no futebol, declarou a sua intenção de se tornar lutador e enfrentou a resistência inicial do pai, que aceitou treiná-lo junto a Tom Prichard, prometendo não lhe facilitar a vida. Sendo elemento da família Anoa’i, era quase certa esta transição, habitual até hoje nos desportos de competição e nos de combate (boxe, Artes Marciais Mistas).

Este tipo de mudança tanto pode ser entendido como natural ou como capricho. A variedade de gostos pode ser positiva, só que, quando acontece isto, é visto como impaciência, desinteresse ou falta de estabilidade ou carácter do sujeito.

No ano de 1996, a sua descendência foi transposta para TV, sendo caracterizado como face e recebendo forte push desde o princípio, sendo o “sole survivor” no Survivor Series, apesar da sua inexperiência.

A popularidade alcançada pelo seu carisma e habilidade no ringue e ao microfone começava a dar cartas noutros horizontes, prevendo-se que as suas Catchphrases e as oportunidades de negócios fossem chegar a gabinetes que não os de Vince e seus funcionários.

Ainda que de forma lenta, a decisão repetia-se e a despedida duraria 2 anos (2002 a 2004) até que a tradição familiar fosse substituída pela profissão que lhe garante 70 milhões de dólares na conta bancária, neste ano de 2014.

Depois da participação na série “Caminho das Estrelas” e no filme “Longshot” (1999 e 2000) quase como representando a empresa e a ele próprio, começou a tirar períodos sabáticos, aproveitando suspensões indefinidas retiradas de storylines para actuar no “Regresso da Múmia”.

O seu papel de maior importância seria na continuação “Rei Escorpião” (2002), sendo pago no valor de 5,5 milhões de dólares, recorde para qualquer protagonista iniciante.

Retornando, seria para as feuds curtas e principais, declarando que o seu foco estava na sua carreira de actor e criticando os fãs, deixando claro quais as suas prioridades, estabelecendo-se como vilão.

Virou a sua atenção para Steve Austin, eleito “Superstar of the Decade”, levando ao combate final da sua longa rivalidade na Mania XIX, vencendo e tirando outro hiato pouco depois.

Daqui para a frente, as suas voltas seriam quase sempre para cumprir papéis fora do contacto físico, tornando-se face outra vez e entrando nas “One Night Feuds” contra heels como Christian e Chris Jericho

Ver-se-ia envolvido na feud de Foley contra os Evolution, enfrentando-os numa Handicap Tag Team Match no vigésimo aniversário do maior evento anual de desporto de entretenimento.

Depois disto, apareceria de maneira esporádica, sublinhando nas entrevistas concedidas não estar sob contrato. Algumas das presenças sucederiam na indução do seu pai e avô ao Corredor da Fama.

Se há coisa que o público desta modalidade aprecia é fidelidade e, não sendo estúpido, começou a vaiá-lo a seguir ao seu retorno da gravação do “Rei Escorpião”.

Ficou difícil travar a contestação ao People’s Champion, cuja entrega do cinturão a Lesnar foi aplaudida e apoiada, ainda que a sua postura até aqui tenha sido a de face.

Foi inevitável a mudança, indo na maré do “Heat” proveniente das bancadas, ficando heel quase por obrigação e indo buscar o desagrado que delas recebia para tornar a alteração sensata e verdadeira.

A transformação toldou-lhe a personalidade, tal como lhe permitiu a vitória contra a “Cascavel”, algo pouco claro de acontecer continuando face, trazendo equilíbrio na resposta à pergunta sobre qual dos dois personificou mais aquela Era sagrada, ainda que o saldo nos confrontos entre os dois seja negativo

A sua debandada anunciada não foi a duma pessoa que cospe no prato onde comeu, ele esteve 2 anos a dar sinais da sua retirada para outros projectos.

Despediu-se beneficiando de títulos, é certo, contudo, de igual maneira elevou aqueles que encontrou e que talvez o tenham feito pensar que a vida não pára e que o cenário apresentado cada vez que voltava estava entregue: a “Next Big Thing” foi um dos casos, a que se junta outros como Goldberg.

Ele esteve lá até não poder recusar a evidência da sua influência na cultura popular e os cheques chorudos no exercício daquilo que, vistas as coisas, vinha fazendo e tornado-se exímio: actuar, representar e entreter. Apenas fá-lo-ia para maiores públicos e de modo distinto.

Os mal agradecidos dirão que, aos trinta anos, ainda não estava na altura desta tomada de medidas, mas qual seria então a idade ideal para os cinéfilos tiraram partido dos seus 1,96 metros e 120 quilos?

Quais as conquistas e desafios que estariam à sua espera na Ruthless Agression? Seriam tão estimulantes quanto as apresentadas na sétima arte?

Afinal, nos menos de 10 anos de ringue, recebera prémios e campeonatos como o World Heavyweight Championship (2 vezes), o Undisputed (8), Intercontinental (2), World Tag Team Championship (5) e o Royal Rumble 2000, Match of the Year 1999 e 2002, Most Popular Wrestler of the Year 1999 e 2000.

Para além disto, foi distinguido como o segundo maior lutador do ano 2000. Tendo-se fartado ou não, saía de barriga cheia e de provas dadas, abrindo espaço a novas coisas na sua vida.

Algo presente após o seu abandono foi a gratidão por ter sido a World Wrestling Entertainment a fazer dele o que é agora, referindo o sucesso do episódio do Saturday Night Live que contou com a sua participação enquanto representante da fundação como a razão da chuva de convites dos estúdios cinematográficos. Continuou a actuar para audiências televisivas como convidado das séries juvenis Disney e ficou responsável pela produção de alguns filmes, tal como da função de intérprete musical.

Contracenou nos êxitos de bilheteira “Bem-Vindos à Selva”, “A Fada dos Dentes”, entre outros, podendo vê-lo como “Hércules” por estes dias.

Programado está o sétimo capítulo de “Velocidade Furiosa” e confirmada parceria com a DC Comics Entertainment para a transposição para as telas duma personagem de banda-desenhada.

A 14 de Fevereiro de 2011, foi revelado como anfitrião da Mania 27, endereçando insultos a John Cena e inspirando cânticos contra ele. Os compromissos de promoção ou filmagens de filmes conduziu a numerosas presenças via satélite, a confrontos e troca de injúrias entre eles.

Depois de ter dado como irrevogável o afastamento das lutas profissionais, o anseio de muitos foi concretizado. Sendo dos meus favoritos, fiquei alegre com este reaparecimento inesperado.

Acontece que ele não lutava há 7 anos e continuava preso ao ofício que fizera subir o seu nome próprio e quase esquecer as suas origens como “Rochedo”.

A sensação era a de que um actor queria pisar o ringue e não a de que o “Great One” estava de volta a casa. O pior foi a exclusão da importância do Miz como adversário do Mister “Hustle, Loyalty, Respect”.

O “Brahma Bull” não seria só o “Host” da Mania, não após tantos anos longe. Era óbvio que a feud havia sido criada contra aquele que ocupou o seu lugar e Miz iria lutar porque The Rock não estava preparado.

O main event foi reiniciado como No Disqualification e estava tudo dito: a vingança era servida através da interferência que permitiu ao Miz reter o seu Campeonato.

O inevitável seria proposto e aceite com um ano de antecedência: o “Once in a Lifetime”. A opinião generalizada era a de que seria o maior lutador de sempre se conseguisse bater Cena, juntando-o a Hogan e Steve Austin nas Manias anteriores.

Ao contrário do que o “Imortal” fizera naquele frente a frente de gerações, não foi Cena a sair vitorioso, o que palpitava que aquilo não acabaria ali, dados os intervenientes.

Honrado pela luta proporcionada, The Rock exprimiu o desejo de voltar a ser campeão, podendo começar-se a imaginar que os seus caminhos se cruzariam desta vez com o Championship na mesa.

Anunciou que travaria duelo com o Champion CM Punk no Royal Rumble, culminando o seu reinado de 434 dias, retendo o ouro na Elimination Chamber.

A 7 de Abril, na Mania 29, perdeu os seus 70 dias de glória para Cena, resumindo 2 anos de intrigas. Uma lesão abdominal pediu cirurgia e fez desprezar a desforra a que teria direito.

Desde Agosto passado, vem cogitando a reforma definitiva, apenas fazendo o segmento inicial da Mania 30

A pergunta é: valeu a pena este retorno? Se antes ele ia gravar filmes sob autorização e como lutador, agora ele viria fazer o esforço de agradecer aqueles gestos depois de verificar a agenda.

Parece injusto dizer que na temporada da sua volta estaria a atravessar fase menos frutífera como actor e que essa seria a razão da aceitação da oferta para reatar a sua ligação ao Wrestling, eu diria antes que foi uma troca de favores mal gerida, muito dinheiro à mistura e falta de aproveitamento dos curtos espaços de tempo que o senhor Johnson teria para disponibilizar.

O problema entre ele e Cena deveria ter sido solucionado na primeira ronda e pela vitória do trabalhador a tempo inteiro, porque a derrota não faria acreditar no lema seleccionado.

A seguir ao primeiro ano de história onde não pôde ser face ou heel completo devido ao oponente, dá as graças pelo privilégio que foi a partida contra aquele que havia ultrajado meses a fio…

Ainda que tenha tido boas promos e debates, como o concerto para a Vickie ou a celebração do seu trigésimo nono aniversário, foi metido no bolso contra o chato e monótono John Cena, quando o que se esperaria era magia verbal das duas partes todas as semanas.

Para não falar que nelas ficava vincado o sacrifício quando contava a falta das horas de sono para estar ali ou que tinha apanhado o avião desde o local de ensaios à arena do espectáculo, sendo infeliz na tentativa de demonstração de compatibilidade entre as duas tarefas.

A conversa de que nunca mais iria embora logo se verificou ser falsa e motivo de chacota. Para não se repetir a fórmula “One Year in the Making”, pôs-se o título mais importante da organização como cordão umbilical entre os dois, para isso mandando às urtigas a posse de mais dum ano do Straight Edge.

No “finisher contest”, as contas ficaram saldadas, Cena saiu do imbróglio com mais peso à cintura e o outro foi parar ao hospital…

Custa descrever os factos desta maneira, mas a realidade é que ele foi campeão ausente, causador do início do transbordo do copo para CM Punk, não electrificou tanto ao microfone e denotou a falta de físico que as idas ao ginásio nada pode preencher.

Como cronista, não me é permitido ver nele o ídolo e, sendo isento, é isto que tenho a escrever.

É pena que se tenha decidido há 10 anos atrás e feito a transição para outros lados para voltar a tentar satisfazer a gregos e a troianos.

Aqui, a palavra final não devia ter tido retorno. Vamos observar como será com John Cena…

Descrito como a face e figura divisora de águas na indústria há anos, realizou o álbum rap “You Can’t See Me” e protagonizou os filmes “Marine” (2006), “12 Rounds” (2009) e “Legendary” (2010).

Todos produzidos pela divisão destinada ao efeito, rendeu bastante a nível financeiro e na consolidação das facetas de “Chain Gang Soldier”, “Doctor of Thuganomics” e “Cenation Leader”.

No sentido oposto ao do anterior referenciado, John Cena não precisou de se afastar para se concentrar só nos filmes, era da sua responsabilidade dar conta do recado e desenvolver no ringue o que havia acabado de gravar. É de salientar a inegável contribuição do seu CD na rápida personificação de “mestre das rimas” e do “Marine” para aquilo que se tornou desde então.

O enredo de “Legendary” e o drama que nele é contado expandiu a sua relação com a campanha “Be a Star”, na qual motiva à prática de desporto como método de integração escolar.

John Cena foi ele próprio: os seus gostos, as suas ideias, tudo foi inscrito no grande ecrã, reflectindo as modas e os estilos dentro da sua caracterização.

Na altura do “Marine”, estava relacionado ao visual militar (calções camuflados, boné de soldado), como tributo às Forças Armadas.

Depois de “Reunion” (2011), está a filmar 2 filmes para 2015, num dos quais aparecerá como vilão. Não sendo prolífico quanto à realização de projectos fora de Stanford, este poderá ser o salto qualitativo que não dispõe nas críticas negativas aos seus filmes.

Aos 37 anos, não creio que saia já, ele é daqueles que se vê a fazer isto durante mais 10 anos. A sua perda neste momento cavaria um buraco enorme que seria difícil de tapar, não tendo os criativos ainda nada que permita suplantar a ausência de tão essencial peça.

Poderia ser discutida a marcação de férias e períodos de descanso para reabilitação corporal, algo que agora a incógnita quanto a Daniel Bryan veio a não sugerir.

O facto de amar o “business” e tudo apontar para a sua durabilidade não deverá impedir a ascensão de Roman Reigns, ele que é dos patrocinados como o futuro a longo prazo.

É fundamental encontrar ou fabricar o representante, a cara bonita associada à instituição, que saiba controlar plateias e seja suficiente na sua prestação no ringue.

Algo terá de ser feito para não apanhar ninguém desprevenido e evitar o derrube tremendo se Cena se recordar de ser egocêntrico.

Por hoje é tudo, espero a vossa receptividade ao artigo nos comentários e cá vos espera Segunda-Feira.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

6 Comentários

  1. JP - há 2 anos

    A WWE está a apostar na pessoa errada da maneira errada. Os fãs actuais já não querem o big guy que tem 3 manobras e é invencível. Por isso é que o Ambrose já é mais popular que o Reigns. Por isso é que o Daniel Bryan está tão over. Por isso é que a WWE tem que começar a apostar em wrestlers que, acima de tudo, saibam lutar no ringue e que tenham tido de lutar por tudo aquilo que alcançaram

  2. CESARO=BEST - há 2 anos

    a wwe tem alguem ideal a substituir o cena o CESARO

  3. heartbreak - há 2 anos

    Para mim, o desaparecimento do Cena da WWE para o mundo de Hollywood é inevitável e invariavelmente vai deixar um buraco na WWE a não ser que os criativos acordem… Mas pronto. O que acho que está mal é maior parte do pessoal detestar o Reigns. O gajo ainda tem muito tempo para crescer na minha opinião, não tem muita experiência mas tem ali potencial. Com tempo e bons combates ele vai crescer e aparecer (espero)! Não gostei de ele ter sido pushed de repente, mas acho que quando o Bryan se lesionou os criativos ficaram à rasca sem saber bem o que fazer e isso deu numas decisões um bocado rascas mas têm tempo para se salvar. Veremos

  4. mN - há 2 anos

    Reigns sabe combater sim, mas tem o defeito de ser um Power House, e a WWE aproveita-se disso.. Além do mais ele é muito profissional mas a WWE não pode continuar a apostar nele desta forma, que assim os fãs que tanto pedem por push’s a talentos fartem-se, porque já se sabe que o WWE Universe quando um wrestler tem um push elevado já começa com criticas, eu sinceramente nao percebo certas pessoas.. Eu vou continuar apoiar o Reigns porque quero o Cena pare de ser a face da WWE, não sou como alguns que se partam quando o wrestler tá a receber o push, isso não.. Boa sorte Roman Reigns!

  5. senju israel - há 2 anos

    acredito que a wwe tem peças para cobrir a saida de cena tem cesaro que é bom em ringue bray wyatt e ainda podem tirar muito de orton quanto a reigns acho que ainda é cedo para fazer dele o campeão prefiro que titulo ronde mas um pouco entre cena ,orton e lesnar e só depois podem da-lo a esta nova geração tembém acredito que ambrose e rollin a muito que se aproveitar neles

  6. senju israel - há 2 anos

    não vamos nos esquecer que ainda temos ai o zigler e o cody rhodes que merecem um bom push da companhia acredito que tem talento suficiente para cobrir a possivel saida de cena

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