The People’s Elbow #66 – Medal of Honor

Bons dias! Neste novo início de semana, vou falar sobre a não renovação pela Total Non Stop Action do “Gold Medalist” Kurt Angle. O contrato expira no final do Verão e, existindo proposta para renovação da parte da Dixie Carter, Angle ainda não assinou.

A sua assinatura será a última e, aos 45 anos, espera pela opção de voltar à companhia de onde saiu há quase 10 anos. Apesar disto, a World Wrestling Entertainment está pouco interessada nele senão para treinador. Por outro lado, “Double J”, fundador da empresa a que Angle está ligado, quer construir a Global Force Wrestling à sua volta…

São estas as hipóteses que a “Machine” terá em carteira e serão aqui todas analisadas, privilegiando o que poderia dar nesta altura à maior organização de luta livre mundial.

Sendo o único medalha de ouro olímpico na História do Pro-Wrestling, viu-se envolvido nas lutas amadoras durante o liceu e Universidade.

Depois de concluídos os estudos é que dispôs do ouro ao pescoço, nos World Wrestling Championships de 1995, competindo depois nas Olimpíadas de Verão 1996, onde venceu outra, na cidade de Atlanta.

Treinado por Dave Schultz e Tom Prichard, durante o ano de 96, sofreu uma severa lesão no pescoço, fracturando duas vértebras cervicais, ganhando as provas e só depois dispensando atenção ao repouso e reabilitação, que havia sido descurado para poder estar apto a competir, reduzindo as dores pelo recurso a injecções, tornando-se viciado no analgésico Vicodin.

Em Abril de 2011, revelou estar a planear o regresso às lutas amadoras para as Olimpíadas de Verão de 2012, em Londres, sendo anunciado que não estaria disponível devido a lesão no joelho.

A 26 de Outubro de 1996, foi convencido por Shane Douglas a participar da gravação do evento “High Incident” da Extreme Championship Wrestling, onde providenciou comentários.

No entanto, saiu do seu lugar depois de Raven fazer sangrar Sandman com arame farpado, ficando chocado e temendo que as suas perspectivas de carreira ficariam associadas àquele incidente controverso.

Dois anos depois, assinou pela World Wrestling Federation, começando a treinar no território de desenvolvimento, tendo a sua primeira aparição na televisão sido a 7 de Março de 1999, no Heat, e a sua vitória inaugural seria contra Brian Christopher, a 11 de Abril.

A preparação para a sua estreia televisiva acabaria a 14 de Novembro de 1999, no Survivor Series, permanecendo invicto por várias semanas, até perder para Tazz no Royal Rumble.

A sua caracterização seria a de herói americano, baseada nas suas conquistas anteriores, apresentando-se como modelo de trabalho para realizar sonhos, sublinhando as palavras “Intensidade, Integridade, Inteligência” para que tal se concretize.

Apesar de associado aos “Good Guys”, o seu ar arrogante permitia-lhe agir como vilão. Em Fevereiro de 2000, venceu o European e o Intercontinental Championship, perdendo-os numa Triple Threat Match para Edge e Chris Benoit, na WrestleMania.

Feudou contra os Too Cool e garantiu o sucesso na final do torneio King of the Ring, seguindo-se a feud contra Hunter Hurst Helmsley, desenvolvida pelo triângulo amoroso que envolvia Stephanie McMahon.

Perdeu para ele no Unforgiven, todavia, iniciou-se no alcance do título principal, derrotando The Rock no No Mercy, retendo-o até ao final do ano em combates contra Undertaker no Survivor Series e Hell in a Cell. Depois de bater o Game no Royal Rumble, viria a perder o título para o “Brahma Bull” no No Way Out, feudando a seguir contra Chris Benoit, dele obtendo a vitória na décima sétima edição do “Greatest Stage of them All” e saindo derrotado na “Morte Súbita” da “Ultimate Submission Match”.

Na continuação da feud, derrotá-lo-ia de novo, no Judgement Day. Na “Invasion”, tornou-se “fan favourite” e uniu-se a Steve Austin para repelir a aliança formada pela ECW e a World Championship Wrestling. Capitaneando uma equipa de cinco superstars contra outros tantos da Aliança, Austin traiu Angle, possibilitando o pin vitorioso dos adversários.

Angle derrotou a “Cascavel” no Unforgiven para deter o título prioritário pela segunda vez, devolvendo-o ao Mister “Hell Yeah” e tornando-se vilão, reclamando a responsabilidade pela destruição da Aliança.

Durante a feud contra Edge, a “Rated R Superstar” ajudou os fãs na divulgação dos cânticos “You Suck”, de acordo com a música de entrada do “Submission Expert”.

No decurso da rivalidade, a perda capilar de Angle foi disfarçada ao perder uma “Hair Match”, tendo o capelo rapada no Judgement Day.

A storyline teria continuação quando surgiria de peruca e a insultar os carecas, levando à feud contra o pouco abonado Hogan.

No ano 2002, seria o primeiro oponente de John Cena, vencendo o combate, e os Tag Team Championships junto a Chris Benoit, no No Mercy. Sendo o duo problemático, os títulos cairiam para Edge e Rey Mysterio, conquistando o seu terceiro reinado como campeão maioritário pouco depois, sendo ajudado por Lesnar contra o “World’s Largest Athlete”.

Ganharia os serviços de Paul Heyman e constituiria a “Team Angle”, iniciando feud contra a “Besta”, que havia vencido o combate Royal Rumble e viria a ser main event na Mania 19, retirando o cinto a Angle.

A 11 de Abril, seria submetido a cirurgia ao pescoço para reparar danos nos nervos vertebrais, optando por algo menos convencional, alternativa que lhe reduziria a reabilitação dum ano para três meses.

Retornou como face, reavendo o seu pertence numa Triple Threat no Vengeance e ficando sem ele numa Iron Man de 60 minutos, cada qual formando equipas de cinco para o Survivor Series, saindo vitoriosa a do especialista do “Angle Slam”.

Então, vir-se-ia envolvido contra Eddie Guerrero, para o qual perdeu no vigésimo aniversário da Mania. Sofrendo de problemas no pescoço, a resposta foi fazê-lo General Manager da brand azul, sendo a sua ausência do ringue atribuída às lesões sofridas.

Continuando a sua feud contra o “Latino Heat” ao longo de 2004, custando-lhe o Championship contra JBL no Great American Bash. Seria despedido pelo Vince, iniciando a “Kurt Angle Invitational”, segmento onde lutadores locais o desafiavam, prometendo dar a sua “Gold Medal” ao primeiro que durasse mais de 3 minutos no ringue contra ele, o que foi conseguido pelo Eugene.

Derrotou Shawn Michaels na Mania 21, perdendo no Vengeance. Mais tarde, desafiou o Mister “Never Give Up” pelo World Wrestling Entertainment Championship no Unforgiven, onde venceu por desqualificação.

No Taboo Tuesday, outro esforço não recompensado, desta vez numa Triple Threat incluindo Michaels. Em Janeiro de 2006, foi eleito para possuir o vago World Heavyweight Championship, tornando-se face e retendo no Royal Rumble contra Mark Henry, no No Way Out contra o “Dead Man”, antes de se desprender dele para Rey Mysterio na Mania 22, numa Triple Threat que contou com Randy Orton.

A 29 de Maio de 2006, foi draftado para a recuperada ECW, fazendo um desafio livre para o One Night Stand, aceite pela “Víbora. Angle derrotá-lo-ia e perderia a desforra no Vengeance.

A 25 de Agosto de 2006, foi libertado do seu contrato por razões de saúde, destacando o seu pedido por há muito não ter férias e estar a trabalhar magoado.

Deixaria a mensagem que a sua desistência seria a perda do talento de topo para Vince e seus sócios.

Assinaria contrato pela TNA, visto como falta de preocupação pela sua saúde quer dele quer da promoção. A 24 de Setembro de 2006, a presidente Dixie Carter anunciou a sua contratação no segmento de fecho do No Surrender, o que seria o “Moment of the Year”.

A 14 de Outubro, faria a sua estreia, confrontando Samoa Joe. A sua primeira luta aconteceria a 16 de Novembro, derrotando Abyss. No Genesis, sobrepor-se-ia ao “Samoan Machine”.

A 20 de Junho de 2014, foi nomeado “Executive Director of Operations”.

Citado pelos críticos como um dos mais dotados tecnicamente neste desporto, está perto do final e aspira a que tal seja realizado de onde saiu para a sua actual casa.

O seu desejo de ser Jim Ross a estar na mesa de comentadores na sua última performance abriu as portas à aproximação das duas partes, ainda que entretanto “Good Old JR” já esteja fora do barco.

Agora é a própria WWE a não querer acolhê-lo como “in ring performer”, talvez motivada pelo comportamento do atleta na sua saída, que não foi aproveitada para se curar como ele afirmara.

A atitude presa à personagem foi mal vista e revelou falta de consideração para os que o resgataram dos ginásios e clubes.

Seria boa ideia mais esta excepção no que a entradas de veteranos se refere e ao encosto dos novos valores? Depende, pois isto tem sido regular, então na época dos “Big 4” não se fala…

Se já se foi buscar tantos que pouco dão e cujos horários são desrespeitosos para os que estão o ano todo na estrada, porque não render-mo-nos às evidências e permitir-nos ter o “Herói Americano” de novo?

Poderia ter contrato de dois anos como Batista e faria a mudança para treinador logo a seguir…

Resta saber qual a disponibilidade dele para ser utilizado de modo a promover os jovens, ele que à saída se queixou de ter lutado contra todos os bons e que não ficava motivado ao interagir com os outros, revelando John Cena e o “World Strongest Man” como não estando à sua altura ou dos restantes oponentes. Ele foi muito protegido e beneficiado: quando uma storyline não se encaminhava para tê-lo como destaque, viria outra que o colocava no devido lugar, seja por qualquer cinturão ou não.

Outro assunto por resolver seria aquele que o levou a abandonar: os períodos de descanso. Se é para ter outro “part-timer” dispenso, a não ser que fique tudo acertado desde início.

Ele poderia reiniciar-se como face contra Rusev, depois deste perder para o Mister “Hustle, Loyalty, Respect” e estar a precisar de crédito.

Outro projecto natural, lá mais para o final, seria o ajuste de contas “Angle Lock” – “Patriot Act”, debatido por ele anos atrás quando o “Real American” Jack Swagger integrou este golpe ao move set.

Ele considerou falta de respeito e isto viria lá para dentro para, como heel, elevar o agora revigorado “All American”. Para não falar da cópia óbvia de personalidade nacionalista que seria o tempero ideal.

Contracenando na programação semanal, poderia ter grandes “bate bocas” contra Alberto del Rio, Big E Langston, Cesaro, Chris Jericho, Fandango, Heath Slater, Miz, RVD, Sheamus, Titus O’Neil…

Eu gostava de o ter de volta, adoro-o e aproveitado como deve ser seria uma despedida em beleza. Estando longe de poder decidir isto, fico à espera de novos desenvolvimentos.

Estive a falar sobre ele considerar a sua posição no plantel para poder voltar, mas há quem queira fazer dele o pilar da construção da Global Force.

O antigo dono da TNA – o quarentão Jeff Jarrett – quer elaborar a sua fortaleza à volta do colega. Não sei se o “Bald One” irá querer partir do nada nesta fase…

Como se costuma dizer: Amigos amigos, negócios à parte, e a verdade é que o esboço do Jeff não existe enquanto algo palpável.

Ou Angle terá a falta de humildade e discernimento para aceitar esta oferta e fará parecer estar nas capacidades de há 15 anos, ou agradece o convite e recusa-o.

Não se sabe o que irá sair daqui: será Angle a estrela pelo estatuto ou servirá isto para atrair gente das indies que serão os tijolos da edificação?

Porque se for para ser o maior entre gajos consolidados que vão para ali para não estar a jogar ao dominó não parece valer a pena.

Ou sai daqui algo que mereça atenção ou uma colectividade género “canal memória”…

O “não quero saber” duns e a falta de concretização do papel para a realidade de outros poderá influenciá-lo a ficar na casa onde se sente às mil maravilhas.

Creio que irá acontecer isto e não poderei segui-lo como gostava. Aconteça o que acontecer, estará na recordação de todos e continuará a satisfazer os adeptos seja de que fundação for.

Fico por aqui quanto ao artigo, terminando por hoje com curiosidades da sua vida íntima e profissional.

A 4 de Novembro de 2004, durante um segmento não escrito do Tough Enough, desafiou os finalistas para competição, partindo as costelas ao primeiro e fazendo-o desistir.

O próximo – Daniel Puder, das Mixed Martial Arts – trancou-lhe o braço numa Kimura, tentando Angle o pin, tendo o árbitro contado demasiado rápido para acabar a contenda, desprezando o facto dos ombros de Daniel não estarem por completo no tapete.

O novato reclamou que se o árbitro não tivesse abordado a situação daquela maneira, ele ter-lhe-ia partido o braço, fazendo-o dar “Tap Out” ao vivo na televisão.

Isto valeu comentários de Dave Meltzer e Dave Scherer quanto à realidade do sucedido: Angle não conseguia livrar-se do ataque que fizera muitos lutadores desistir de imediato.

Não podendo dar “Tap Out” por razões óbvias, o árbitro tentou evitar a catástrofe, porque seria inevitável a cirurgia se Daniel não parasse a “Hold” e quase seria forçado à vergonha de se submeter perante o participante do Tough Enough.

É um fã de longa data das Artes Marciais Mistas, tendo falado do seu desejo de competir, com o presidente da UFC Dana White a confirmar conversações, as quais não avançaram por chumbo nos requisitos médicos.

Tem expressado interesse na carreira no cinema depois de se retirar dos Sports Entertainment, tendo revelado que se tornaria lutador a “part-time” anos atrás para se focar neste objectivo, algo que não
levou avante.

A 6 de Março de 2007, foi reportado que o seu nome fora encontrado na base de dados de clientes dum centro na Florida suspeito de de distribuição de drogas de aumento de performance.

A revista Sports Illustrated alegou que recebera prescrições para esteróides anabolizantes, tendo respondido que estava tudo documentado e que todos os tratamentos estavam sob os cuidados e supervisão dos médicos.

No ano 2007, foi detido na sua casa por condução sob influência do álcool, depois de ter sido reportado um quase atropelamento à saída dum restaurante, tendo negado a acusação.

A 25 de Março de 2011, foi acusado de estar no controlo dum veículo enquanto intoxicado, sendo sentenciado a 20 de Abril a um ano de avaliação de dependências químicas e a pena suspensa de 10 dias.

A 4 de Setembro, foi preso por conduzir sob influência de substâncias, sendo libertado no dia seguinte e entrando num centro de reabilitação.

Para nós, espectadores desta incrível modalidade, o que conta é isto:

Feud of the Year (2006-2007) contra Samoa Joe e Match of the Year 2007 contra Sting no Bound for Glory de 14 de Outubro, pela TNA; Best Gimnick 2000, Best Technical Wrestler 2002, Feud of the Year contra Lesnar, Match of the Year contra Chris Benoit, Edge e Rey Mysterio no No Mercy 2002, Most Improved 2000, Most Outstanding Wrestler 2001, Reader’s Favourite Wrestler 2002, Wrestler of the Decade, Wrestler of the Year 2002 pela Wrestling Observer.

Feud of the Year 2000 contra HHH, Feud of the Year 2007 contra Samoa Joe, Match of the Year contra Lesnar na 60 Minute Iron Man a 16 de Setembro de 2003, Match of the Year 2005 contra Shawn Michaels na Mania 21, Most Hated Wrestler of the Year 2000, Most Inspirational of the Year 2001, Most Popular, Best Wrestler 2001 pela Pro Wrestling Illustrated.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

6 Comentários

  1. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente artigo sobre um dos melhores de sempre e um dos meus wrestlers favoritos. Adorava que ele voltasse à WWE, um regresso no Royal Rumble 2015 era o ideal. Em casa, num combate que costuma ter grandes regressos…

    A personagem dele em 2000/2001 era fantástica :D

  2. Roberto "THE VIPER" - há 2 anos

    Torço para que Kurt Angle regresse a WWE. Como o Daniel disse num regresso no Royal Rumble 2015 seria um bom momento para ele regressar. ANGLE LOCK!

  3. THE_WOLVERINE - há 2 anos

    Lutador muito técnico mas nunca gostei dele, mas admito que é um grande lutador

  4. Hildo - há 2 anos

    Excelente artigo!
    Angle é um dos meus favoritos de sempre, sua personagem de 2002 e 2003 me agradava muito, Seus combates contra o Chris Benoit, Shawn Michaels, The Rock, Brock Lesnar, Steve Austin foram muito bons, são combates que ficam na memoria de nós, fans para sempre.

    Gostaria de ver ele na WWE antes de se aposentar, ouvir aquela musica no Royal Rumble de 2015 seria incrível.

  5. MrW0lfe - há 2 anos

    O que gramei mais nele foi o rap contra o cena x) “East Side”

  6. you suck - há 2 anos

    eu cá acho o Angle muito bom para andar metido com o swagger e com o rusev. ele tem e de ir atras dos peixes grandes como o lesnar, o orton, o batista ou o rock

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