The People’s Elbow #76 – Agentes da Fortuna

Olá, pessoal, dou-vos as boas vindas a esta edição que abordará o tempo de antena dos agentes dos bastidores Jamie Noble e Joey Mercury como fantoches da Autoridade.

Os rumores de que voltarão a lutar poderão tornar-se realidade, o que me levará a tentar desvendar se esta utilização será permanente ou servirá apenas para matar saudades deles.

O facto de não possuírem o estatuto de outros e o papel que os espera conduzirá à pergunta da sua relevância para a actualidade, que será aqui discutida.

James Gibson, mais conhecido pelo seu ring name Jamie Noble, trabalha na empresa de Stanford como produtor desde que resolveu retirar-se como lutador.

Tendo actuado pela fundação de 2002 a 2009, uma severa lesão nas costas obrigou-o a abandonar a competição, a qual iniciara na divisão Cruiserweight da World Championship Wrestling.

Passaria pela Ring of Honor sob o seu nome verdadeiro, tendo vencido o World Championship durante a sua estadia nesta organização.

A sua exposição nacional dar-se-ia no ano 1999 pela World Championship Wrestling. Quando esta fechou, lutaria pela Heartland Wrestling Association e tornar-se-ia Cruiserweight Champion.

Teria, de igual modo, lugar na Independent Professional Wrestling, conquistando o título Light Heavyweight. Mais tarde, assinaria pela World Wrestling Entertainment sob o ring name Jamie Noble.

Faria a sua estreia como heel a 6 de Junho de 2002, atacando Hurricane, juntando-se a Nidia e tendo a gimnick “Trailer Trash”, estereótipo para pessoas pobres cuja residência é numa caravana.

Seria vencedor do Campeonato de Pesos Leves e iniciaria feud contra Tajiri, detendo o título por 147 dias até o perder a 17 de Novembro de 2002, no Survivor Series.

Sofreria uma alteração total ao receber uma herança, ficando rico e tornando-se face. Voltaria a ser heel, usando a parceira como escudo humano, protegendo-se durante as lutas.

Durante este período, teria feud contra Rey Mysterio pelo título Cruiserweight, tendo perdido no conflito. As trapaças contra a sua namorada levaria a uma Blindfold Match no No Way Out, tendo ele feito batota ao destapar a venda e percebido onde ela estava.

A 15 de Setembro de 2004, o seu uso de esteróides foi descoberto, tendo sido liberto do seu contrato a seu pedido, começando a lutar ao redor do mundo, incluindo Heartland Wrestling Association, Pro Wrestling Guerrilha, Ring of Honor e Italian Championship Wrestling, enquanto James Gibson.

Depois dum ano de ausência, foi confirmado que iria retornar à World Wrestling Entertainment, tendo antes alcançado o título maioritária da ROH numa Elimination Fatal 4 Way contra CM Punk, Samoa Joe e Christopher Daniels, a 12 de Agosto de 2005, perdendo-o para Bryan Danielson a 17 de Setembro.

O seu regresso concretizar-se-ia no episódio do Velocity de 17 de Dezembro, constituindo dupla junto a Kid Kash, ao lado do qual, durante Junho de 2006, estreou uma personagem que o fez usar coleira para cão, ladrar e morder, tendo sido face.

Ao virar heel, o par seria chamado “The Pitbulls”, entrando na caça ao Tag Team Championship e tendo desbandado a 27 de Setembro, quando o seu aliado foi despedido.

Voltaria à divisão Cruiserweight e, fora dela, seria jobber. Em Julho de 2007, não atingiria o sucesso numa Triple Threat pelo cinto.

Teria uma rivalidade contra Hornswoggle, contra o qual perderia por Countout e por Pin no The Great American Bash.

Daria início ao angle no qual seria vencido de modo fácil e rápido, como castigo por ter sido desrespeitoso para com a General Manager e viúva de Eddie Guerrero.

Seria esperado outro Squash quando foi colocado contra Chuck Palumbo, todavia, ele derrotou-o, o que originou uma feud entre os dois, envolvendo Michelle McCool.

A seguir à sua quarta vitória contra Palumbo, este ameaçou agredi-la, tornando-se heel, o que resultou no Double Turn, tendo Noble ficado face de novo.

Seria envolvido numa storyline onde tentaria impressionar Layla, não tendo o efeito desejado. No decurso da storyline, iniciou rivalidade contra Sir Regal, com Layla entre eles.

A feud seria finalizada quando ela encontrou no Inglês aquele que a merecia.

Resolvendo mudar de ares, pediu ao General Manager Theodore Long contrato pela ECW, tendo perdido contra o Boogeyman e sofrido lesão no pescoço, o que o hospitalizaria e afastaria por semanas.

A 2 de Novembro de 2009, teria a sua derradeira luta contra Sheamus, cuja brutalidade o levou a cair do lado de fora do ringue, lesionando as suas costas.

De acordo com Michael Cole, a sua recuperação seria de 5 meses, contudo, iria contraria as expectativas ao anunciar a sua retirada devido à lesão.

Após isto, continuaria a fazer várias aparições e a trabalhar como produtor. A 9 de Junho de 2010, lutaria e derrotaria Tyler Rex no território de desenvolvimento da Florida.

Dois anos passados, enfrentaria o World Heavyweight Champion Daniel Bryan num House Show. A 9 de Abril de 2012, tentou parar uma Brawl entre Lesnar e John Cena, junto a outros oficiais.

Este ano, faria outra aparição (desta vez acompanhado de Finlay e Joey Mercury) para ajudar a separar Brie e Stephanie McMahon. A sua presença causou os cânticos “Jamie Noble” vindos da plateia.

A 29 de Setembro de 2014, ajudou a Corporação a atacar Dean Ambrose.

A sua incursão inicial foi ditada pela sua fisionomia, que o dirigiu para a extinta secção dos pesos plumas, onde, desfrutando do facto de ser novidade, lhe foi dado impacto através do cinturão.

A sua aparência rural para os parâmetros dos EUA (pêra e cabelo curto despenteado) gerou a personagem de residente de bairro de lata ao estilo da série “O Meu Nome é Earl”.

Feitos os acertos e tendo o reinado durado uns bons meses, eis que não se continua esta boa fase ao virá-lo do avesso para algo banal.

Onde até se podia ter contado uma história interessante acerca da sua riqueza, descaracteriza-se o atleta para aquele tipo de vilão que se esconde debaixo das saias da mulher e que tira partido dela para alcançar os objectivos de antagonista cobarde.

Quão hilariante poderia ter sido vê-lo a gerir as suas abastadas finanças nunca se saberá…

Seguir-se-ia o conflito contra o maior High Flyer da História, só que seria Sol de pouca dura. Estava aí a prova de que o seu ar franzino era uma faca de dois gumes: quando dava para se bater contra as maiores potências do seu género, não era o suficiente para abrir clareira na direcção do topo do plantel.

Graças a Deus, não era toda a gente que pensava desta maneira e seria a viajar por esse mundo fora que teria exibições de deixar o queixo caído e contra todo o tipo de adversários.

Sendo a “casinha de chocolate” de Vince McMahon a tentação de todos os profissionais desta indústria, não se coibiu de voltar, tendo visto os planos gorados quando tal se deu no show secundário Velocity.

Para piorar o cenário, quiseram fazer dele não sei ao certo o quê quando lhe puseram coleira e correntes como se de delinquente de becos e esquinas se tratasse.

Quando se julgava não poder descer mais baixo, ainda havia uma cave para visitar sobre a forma anã de Hornswoggle, antecedendo Chavo na lista dos mais humilhados do século XXI.

O angle das derrotas rápidas e consequente recuperação de triunfos contra Palumbo poderia ter sido a bomba de oxigénio, para mais quando se proporcionou o Double Turn que o converteu em face.

A junção de raparigas ao enredo, a punição da Mrs “Excuse Me” e a reviravolta na sua situação deveria tê-lo salvo e dado apoio frente ao público.

Seria tentada a última hipótese: a ECW, substituta natural do acabado sector de Pesos Leves e local de integração valiosa para aqueles com a situação difícil no Card.

Para sua infelicidade, o pescoço e a coluna tornaram-se impeditivos de prosseguir ao nível competitivo exigido e não sei até que ponto a tareia do “Guerreiro Celta” não terá contribuído.

O ano 2009 foi o primeiro que passei como fã a sério desta modalidade e estava a descobrir o que era verdadeiro e o que era a fingir quando observei o massacre da nova contratação irlandesa contra o sujeito aqui citado. Fiquei estupefacto ao vê-lo ser lançado contra o chão e a pensar o que aquilo devia ter doído. Neste caso, gostava de ter sido ingénuo, não que tivesse qualquer afinidade contra o sofredor ou por ter vindo a evidenciar as suas poucas ou muitas qualidades, mas por se tratar da sua estabilidade.

A tarefa de jobber deverá ser porventura o oposto daquilo que está no nosso imaginário e que consiste num pequenote ir para ali apanhar porrada e, quanto muito, defender-se quanto pode.

Pelo contrário, a sua função é espelhar as virtudes dos outros e cada golpe que sofre e cada golfo de ar que inspira para poder fazer algo contra isso tem técnicas específicas de execução.

Daí que ache que não houve o cuidado do “Celtic Cross” em avaliar o que iria fazer na sua ascensão à brand encarnada e não controlou essa ansiedade de mostrar serviço.

Pagou aquele minorca cuja altura é quase metade do outro… Constata-se não ter tido uma carreira à medida da sua ambição, tendo sido protagonista duma bela época destes 15 anos da marca azul e figurante no que à globalidade do balneário diz respeito.

Outra curiosidade que destaca o que acabei de referir é o seu infindável recurso a Finishing e Signature Moves, o que no seu caso não abona a seu favor pelo desleixo e falta de preocupação na sua personalidade de ringue: Cross Armbar, Diving Leg Drop, Bodyscissors Dragon Sleeper, Fireman’s Carry Gutbuster, Paydirt, Reverse Piledriver, Sitout Powerbomb, Trailer Hitch (Modified Figure 4), Camel Clutch, Cloverleaf, Single Arm DDT

Adam Birch, conhecido pelo ring name Joey Mercury, teve a sua estreia nas lutas profissionais a 12 de Outubro de 1996, tendo começado a competir no ano seguinte pela Mid Eastern Wrestling Federation.

Ao longo da década, ganharia vários títulos individuais e de equipas pelas diversas organizações independentes por onde passou, como Extreme Pro Wrestling, Maryland Championship Wrestling e Phoenix Championship Wrestling, até iniciar o novo milénio a fazer performances para as três potências líderes dos Sports Entertainment: World Wrestling Entertainment, Total Non Stop Action e Ring of Honor.

Nos seus primeiros meses na antiga World Wrestling Federation, o seu destino foi o Velocity, onde travou duelos contra Lance Storm, Matt Hardy, A-Train e Último Dragon.

Depois de despender tempo no Centro de Treinos de Ohio, fez variadas aparições na Pro Pain Pro Wrestling, não parando de estar activo dentro da empresa de Stanford, perdendo para Rhino e Maven no Heat.

Por esta altura, estava, de igual forma, a competir na X Division da TNA, perdendo para Chris Sabin e fazendo parte duma 20 Man Gauntlet Match.

Em 2004, assinou acordo de desenvolvimento pela WWE, sendo mandado para o Ohio, onde formou uma facção junto a Johny Nitro e a manager Melina, vencendo o Southern Tag Team Championship.

Em Abril de 2005, foram chamados para integrar o roster da brand azul, retirando os títulos de equipas de Rey Mysterio e Eddie Guerrero no seu combate de estreia, tendo defesas de sucesso contra eles, Charlie Haas e Hardcore Holly, antes de os deixar cair para os LOD no The Great American Bash.

Haviam de recuperá-los apenas para fazer a transmissão para Batista e o “619”, tendo saído vencedores da desforra a 30 de Dezembro.

Surgiria a rivalidade contra Paul London e Brian Kendrick, para os quais veriam fugir o ouro a 21 de Maio de 2006, no Judgement Day.

O grupo terminaria quando os outros dois se voltaram contra ele, atacando-o. Porém, a razão legítima para o repentino final do conjunto foi revelada como sendo a reprovação de Mercury ao teste anti-drogas da Wellness Policy e a suspensão forçada de 30 dias que daí deriva.

O seu retorno surpresa seria a 27 de Novembro de 2006, reunindo os MNM contra os Hardy’s para o December to Dismember, luta ganha pela Team Extreme.

A feud continuou numa Fatal 4 Way Ladder Match no Armageddon, envolvendo Paul London e Brian e Dave Taylor e William Regal.

Sofreu uma lesão quando levou com um escadote na cara, partindo o nariz e o osso orbital e recebendo 30 pontos. Voltaria usando uma máscara protectora e o seu acidente serviu para o angle de vingança contra os Hardy Boys, contra os quais foram infelizes no Royal Rumble e no No Way Out, concluindo a feud.

A 26 de Março de 2007, o seu contrato seria rescindido e ele anunciaria a sua retirada devido à lesão. No entanto, a 20 de Abril de 2010, retornaria para perder contra Shelton Benjamin.

A 25 de Abril, no Extreme Rules, reapareceria como elemento da Straight Edge Society, interferindo no combate entre Punk e Rey Mysterio.

Em Setembro, passou por cirurgia ao músculo peitoral, começando os treinos no território de desenvolvimento da Florida para se reabilitar e, mais tarde, tornando-se treinador lá e produtor no main roster, no qual faria aparições ocasionais como parte da Authority.

Durante entrevistas, revelou ter consumido drogas desde os 15 anos, misturando cocaína e heroína ao álcool, entrando para a reabilitação no ano 2006.

Por causa da cara partida no final desse ano, ficaria viciado em analgésicos, sendo dispensado por acção directa de Vince McMahon, creditando-o por ter-se livrado dos seus vícios.

Terá sido este o entrave para não ter feito nada a solo mas, sendo sincero, ele era fraco quando comparado ao colega John Morrison.

Das três vezes que possuíram os cintos, duas das perdas foram escusadas, pois parece-me que só o falhanço contra Paul London e Brian merece explicação.

Tirando isso, não há dúvida que chegar, ver e vencer contra a dupla dos dois amigos mexicanos não é coisa pouca e os últimos cartuchos contra Matt e Jeff foram bem aproveitados.

De cabelo rapado, daria ares da sua graça na sociedade do “Go To Sleep”, tendo, como visto acima, motivos reais de sobra para justificar esta decisão.

Isto duraria pouco porque nova lesão o incomodaria, reaparecendo a opção por outras funções. Creio ter feito a escolha acertada, tendo podido ajudar os jovens e continuar a dar os seus frutos “behind the scenes”, visto que por ele próprio, pelos problemas analisados, não iria dar certo.

Aos 37 e 35 anos, e não sendo nada de especial, o que irão fazer ou trazer ao produto que nos é apresentado? Tudo leva a crer que serão marionetas contra tudo o que se oponha ao que é “Best For Business” e não terão outra utilidade que sofrer ataques e dar auxílio nas empreitadas do patrão.

Isto retira espaço a outros heels? Não estou a ver quais e não entendo isto sequer como volta à prática desportiva recorrente.

A falta de protagonismo é um factor a favor, pois nunca terão o que não lhes foi dado no passado, sendo fácil assimilar os seus infortúnios.

Eles serão os alvos a ultrapassar até chegar aos pretendidos, seja Seth Rollins ou quem vier adiante. Noutras condições, eles exigiriam mais quando olhadas as suas idades; não as tendo, este é o método de, não brilhando, acrescentar qualquer coisa ao panorama desenvolvido por Paul Levesque.

Considero caricata a forma como foram expostos anos depois da reforma: quando não se quer saber quais os seguranças trazidos para parar uma discussão ou um envolvimento físico, de repente umas cabeças sobressaem e lá estamos nós a apontar “aquele é o fulano tal”.

E lá nos apercebemos que indivíduos que não víamos há uma remessa de tempo afinal tem estado por ali. Para isso, já havia reparado na manutenção do visual, como que para estes casos passageiros onde cada espectador se pode divertir a contá-los e a divagar sobre eles.

Creio correcto a atribuição destes “tachos” aos que, por este motivo ou aquele, tiveram de cessar de fazer o que mais gozo lhes dava, sendo esta uma estratégia de permanência pelo negócio.

Entre o pessoal que trabalha “lá atrás”, estão ilustres como Dusty Rhodes, Gerald Brisco, Ranjin Singh, Finlay, John Laurinaitis, IRS, Arn Anderson, Pat Patterson, Michael Hayes, Joey Styles e os “ambassadors” Eve Torres, Shawn Michaels, Ric Flair, Piper, Hogan, Sgt Slaughter e Stone Cold Steve Austin

Para variar, vou fazer perguntas às quais poderão dar resposta. Obrigado pela vossa leitura e até breve.

O que achas destes regressos e qual o seu significado? Gostavas de ver novas lutas deles dois?
Irá isto influenciar o futuro de alguns lutadores? Querias ter Finlay de volta, seguindo-os?

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

3 Comentários

  1. MR Perfection André Santos - há 2 anos

    A história de Noble é bem, mais “rica” do que o Mercury.

    Acho que não será necessário entrarem em combates, dando-lhes somente este papel, tal como Finlay.

    Bom artigo Miguel.

  2. Don_Ricardo_Corleone - há 2 anos

    Porque não? Estão reformados, trabalham nos bastidores, sempre têm mais atenção e dão um rosto aos seguranças da WWE. Se calhar até eles gostam mais assim. Só não gosto quando dão a imagem de que eles são muito mais fracos e estúpidos que os wrestlers no activo. É certo que o Noble no fim era um jobber mas falamos de ex-campeões!

  3. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente artigo, Miguel. A tua escrita é soberba.

    Não me importava nada de os ver nesses papéis, mesmo que pareçam mais fracos que os outros. Na Attitude Era, o Pat Patterson e o Gerald Brisco também eram humilhados e também se tratavam de ex-campeões… Não é isto que lhes vai dar mais ou menos na suas carreiras.

    Em relação ao Finlay, é um pouco diferente. Sempre teve fama de durão e não é o mesmo que colocar um cruiserweight nesta posição… Que fique onde tem estado, visto que deve ser útil por lá.

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