The People’s Elbow #80 – O Rei Destronado

Nesta vida, há gente pela qual não se nutre simpatia, ou por preconceito ou por ilações preconcebidas retiradas da análise cerebral que se faz à pessoa.

Isto é algo explicado pela Psicologia sendo que, na vertente cultural ou desportiva, haverá de certeza aqueles actores, músicos ou futebolistas pelos quais não se sente qualquer atracção profissional.

Só que esta falta de proximidade com o que de mau vai surgindo das suas profissões é baralhada às suas vidas privadas, acabando por se atar nós difíceis de desprender.

Ora, esta conversa abrirá uma espécie de rubrica sobre aqueles que se adora odiar nesta indústria da Luta Livre. Irei iniciá-la, portanto, com Jerry Lawler, o rei que não larga a sua coroa desde 1970.

Vou tentar encontrar os pontos positivos para equilibrar a balança negativa que sobre ele recai, procurando justificações para o ódio e factos que o possam recordar de outra forma.

Jerry O’Neil Lawler (nascido a 29 de Novembro de 1949) já serviu de comentador “Color” e “Play by Play” depois de se ter retirado do ringue a tempo inteiro, tendo possuído quase 170 títulos ao longo da sua carreira, apesar de nunca ter usado à cintura o campeonato principal da companhia.

Enquanto trabalhava na cidade de Memphis como DJ, a sua habilidade artística atraiu a atenção dum promotor local de Wrestling, que se propôs treiná-lo.

Estrear-se-ia no longínquo ano de 1970 e ganharia o primeiro cinto no Verão seguinte. Tendo-se iniciado a Heel, passaria a Face no final de 1974.

Durante 1975, lutou ao lado duma variedade de parceiros pelo Southern Tag Team Championship, entre os quais Bob Orton.

Trabalhando para a Continental Wrestling Association, a 12 de Novembro de 1979, venceu Billy Graham para se tornar World Champion. Devido à fractura duma perna, estaria meses a recuperar para o seu regresso.

Perto do final da década de 80, venceu o AWA World Heavyweight Championship de Curt Hennig tendo, durante o seu reinado, feud contra o campeão da World Class Championship Wrestling Kerry Von Erich.

Unificaria os dois títulos a 15 de Dezembro de 1988, quatro anos antes de iniciar carreira de “announcer” pela World Wrestling Federation.

De 1993 a 1995, teria feud contra Bret Hart e o resto da sua família, tendo ela início quando interrompeu a celebração da vitória do Hitman no King of the Ring, exclamando ser ele o único verdadeiro rei.

A luta entre eles só se proporcionaria no inaugural PPV In Your House, donde sairia vencedor, originando o “Kiss My Foot” do King of the Ring 1995, ganho pelo “Best That Ever Will Be”.

Na décima WrestleMania, dar-se-ia a sua primeira aparição enquanto comentador. A seguir à breve feud contra Ultimate Warrior, seguir-se-ia rivalidade contra Jake Roberts, após ter gozado com os seus problemas de álcool e drogas. Isto conduziu a uma luta no SummerSlam 1996, da qual se ergueu triunfante.

No ano seguinte, esteve envolvida na relação da empresa de Vince McMahon com a Extreme Championship Wrestling, referindo-se à promoção como “Extremely Crap Wrestling”.

Os seus insultos frequentes levou à invasão da Raw em Fevereiro de 1997 e ao combate contra Tommy Dreamer no PPV de Agosto da ECW Harcore Heaven, no qual o “Original” levou a melhor.

Por esta altura, a empresa introduziu a divisão “Light Heavyweight” para fazer competição à “Cruiserweight Division” da World Championship Wrestling, sendo o seu filho Brian Christopher uma das estrelas, sendo realizado um “angle” onde era negada a sua relação familiar.

Nos derradeiros suspiros dos anos 90, focar-se-ia nos comentários e seria raro assistir-se a lutas suas. Vince McMahon havia-se tornado heel e abandonado a posição na mesa dos comentadores, possibilitando a forte química televisiva entre Jerry e Jim Ross, o que seria peça-chave na mudança da sua caracterização: embora ainda apoiasse os heels, exibiria o senso de certo ou errado, condenando as suas acções quando elas saíam do controlo, como quando atacou Tazz por estar a chatear Ross, defrontando-o no SummerSlam.

Em Fevereiro de 2001, a sua mulher Stacy Carter foi despedida e ele resolveu seguir o mesmo rumo como protesto, fazendo presenças no circuito independente.

A 19 de Novembro, foi reintroduzido como “color commentator”. Dois anos mais tarde, a “announce team” da Raw entrou numa feud contra a do Sunday Night Heat (Al Snow e Jonathan Coachman), tendo perdido no Unforgiven contra eles e, por consequência, o direito de comentar a Raw, recuperando-o na desforra.

A 31 de Março de 2007, foi induzido ao Corredor da Fama por William Shatner, contra o qual tivera uma memorável altercação num episódio da brand vermelha de Janeiro de 1995.

No Verão seguinte, fez dupla com Jim Duggan para enfrentar Ted DiBiase e Cody Rhodes pelo World Tag Team Championship, saindo perdedores.

A 23 de Março de 2009, desafiou Chris Jericho por causa do seu desrespeito pelos Hall of Famers, desistindo para o Walls of Jericho.

No final da noite de 7 de Junho de 2010, foi um dos muitos empregados atacados pelos Nexus e, a 26 de Julho, constituiu equipa com Mark Henry, Goldust, Yoshi Tatsu, Evan Bourne e a Hart Dinasty para uma Tag Team Elimination Match contra eles, sendo eliminado pelo Heath Slater.

A 29 de Novembro, celebrando as suas 61 primaveras, desafiou Miz no que seria a sua primeira oportunidade pelo WWE Championship, numa TLC.

O apresentador do Miz TV reteve após interferência de Alex Riley e Michael Cole, o que causou tensão entre os dois colegas de mesa.

A 20 de Dezembro, participou numa 6 Man Tag ao lado de Randy Orton e John Morrison contra Miz, A-Ry e Sheamus, tendo feito o pin no Miz.

A 10 de Janeiro de 2011, esteve ao lado da Víbora contra Miz e Alex Riley e, dias depois, conquistou outra chance pelo cinturão na Elimination Chamber, terminando a feud ao não ter atingido o sucesso.

Viria a competir no Royal Rumble 2012 e, a 30 de Abril, numa WWE Championship Number One Contender Match para o Over the Limit, sendo vencido por Daniel Bryan.

A 10 de Setembro, sofreu um colapso durante a luta dos Hell No contra os Prime Time Players, sendo as novidades sobre o seu estado providenciadas por Michael Cole.

Seria confirmado que sofrera um ataque cardíaco, não estando incapacitado de continuar a lutar, algo que faz aos fins-de-semana.

Achar grandes motivos de exaltação na sua carreira é quase como procurar uma agulha num palheiro, tal foi o decréscimo que obteve desde que trocou os territórios aleatórias pelo Império do negócio.

É verdade que nele prosseguiu as disputas contra as maiores vedetas de cada período, mas a imagem que fica é a do beijo nos pés do, para muitos, maior lutador que já existiu.

Isto viria evidenciar o facto de ser segunda escolha quando posto ao lado destes monstros sagrados e que o seu epíteto não passava disso.

A sua coroa nunca foi honesta e pautou-se por parecer uma menção honrosa pelo seu trabalho e pelos frutos que nunca viria a colher.

Talvez tenha tido importância no desenrolar do conteúdo adulto da Atitude Era pelo seu envolvimento com as Divas e maneira como as tratava.

Algo que terá de ser enaltecido é a sua prestação fantástica no papel de vilão quando sentado ao lado do “Good Old JR”, dando sequência ao enorme trabalho desenvolvido por outras magníficas duplas.

Quando optou pela quase total aposentadoria no aspecto televisivo, passou a ser incluído apenas nas storylines de segundo grau, como histórias contra outro pessoal de bastidores ou atletas nada confiáveis quanto ao patamar ocupado no roster.

Quando a qualidade dos adversários crescia, era quase certa a sua derrota, a não ser quando juntado à festa dos faces contra os heels.

Ultrapassada a recta dos 60 anos, foi desenvolvido o facto de nunca ter assegurado aquilo que o tornaria num rei mais coerente – o título maioritário da organização – para que arregaçasse as mangas contra Miz.

De modo surpreendente, não se mostrou nada mal preparado nos confrontos, só que a questão da idade e da opção para tal responsabilidade ter recaído sobre si e não qualquer elemento activo do plantel tapou a possibilidade de desfrutar de algo onde fez das suas fraquezas forças.

Continuaria a fazer parte do grupo que nunca deteve qualquer título mundial e ficava sobre brasas por andar para ali aos saltos sexagenário, logo, a sua capacidade no ringue não lhe trouxe qualquer ponto a favor e o seu esforço não seria reconhecido.

Não vou sequer buscar aquilo que se passou contra Michael Cole para não ficar indisposto, pulando para a parte onde onde por pouco não originava uma morte ao vivo pela TV.

Os avisos que se vinha fazendo ao não querer tê-lo a actuar no ringue parecia ter o efeito esperado, logo se entrelaçando o ataque cardíaco à actividade física.

O que suscitou preocupação nuns (com a devida distância), para outros seria a desculpa para o seu cessar de funções quer na luta quer por trás da mesa de comentadores.

Houve radicais a desejar a sua morte só para que se encontrasse substitutos da sua preferência ou para que ele nunca mais aparecesse nos seus ecrãs.

Aqui está o que escrevi nas primeiras linhas da introdução: a confusão entre o público e o privado.
Como se pode querer a morte duma pessoa só porque não se gosta do que ela faz ou não se concorda com os seus actos e decisões?

É verdade que, desde aí, não me recordo dele ter posto os pés no ringue para lutar, todavia, as notícias da sua boa saúde e da sua vontade de não se deixar afectar pelo ocorrido e levar a vida para a frente no que gosta de fazer piorou a paciência vinda das bancadas.

Sabe-se que teria feito força para o retorno e a resposta foi a permissão a participar de eventos não transmitidos na TV fora do horário regular.

Perguntava-se se ele seria parvo ou se queria falecer no ringue, não se entendendo esta opção egocêntrica à miúdo que faz o que quer e não se preocupa com as consequências.

Outra razão de escárnio e que me esqueci de referir foi a troca no seu finishing move:
quando o Piledriver (do qual foi dos maiores usuários) foi proibido, passou a utilizar o Diving Fist Drop, muito pouco convincente e até infantil.

Foi este o texto que vos pude trazer hoje, espero que tenha sido do vosso agrado e peço desculpa por qualquer coisa, é que tenho de ter este jogo de cintura pelo meu atraso significativo na programação. Antes da despedida, disponibilizo aqui aspectos e curiosidades acerca do rei.

Apareceu no filme “Man on the Moon”, protagonizado por Jim Carrey, durante o qual se despertou animosidade entre os dois, enviando-o para o hospital.

Em 1999, candidatou-se a Mayor de Memphis, focando-se na segurança das ruas e no aumento da qualidade da educação. Em 1993, foi acusado de ter violado uma rapariga de 15 anos, sendo a acusação retirada após ela admitir ter fabricado a história.

Foi preso a 16 de Março de 1999 por ter passado com a roda do carro sobre o pé dum polícia.

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

2 Comentários

  1. Mr. Money In The Bank - há 2 anos

    Que inveja dele quando ele olhou pra bunda da Paige!!! Ai como eu queria estar no lugar dele!!!

  2. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente artigo, Miguel.

    Essa parte de desejar a morte dele não devia, a meu ver, ter sido referida. Isso são comentários que se fazem por essa Internet fora de crianças que não sabem nada da vida, não liguemos a isso…

    Quanto ao resto, não suporto o Jerry Lawler. É fraquíssimo na função de comentador, sendo que as suas falhas ficaram evidentes desde que virou face. Como heel, ainda conseguia disfarçar algumas coisas e ser engraçado. Claro que a sua melhor fase foi ao lado do JR, tinham uma grande química.

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