The People’s Elbow #89 – Just Inevitable

Agendado para aparecer no Royal Rumble, Justin Gabriel demitiu-se. No episódio do Main Event de 14 de Janeiro, faria a sua derradeira luta televisiva, na qual saiu derrotado pelo Rusev.

Dia 24, foi reportado que desistira da WWE, especulação que durou até ao dia seguinte, quando o site oficial destacou a sua libertação.

Logo aí, assinou contrato pela Pro Wrestling Syndicate. De volta ao circuito independente, está na hora de recordar a sua trajectória, os falhanços e as razões para a queda deste sul-africano.

Lutador de segunda geração, foi, de início, treinado pelo seu pai, estreando-se aos 16 anos, decorria o longínquo ano de 1997.

O seu avô era pugilista profissional e Wrestler amador, tendo, por isso, crescido a vê-lo. Treinando e praticando no quintal da sua casa, formou equipa regular junto a Ray Leppan.

Em 2005, estrear-se-ia pela promoção World Wrestling Professionals e, dois anos mais tarde, assinaria acordo de desenvolvimento pela World Wrestling Entertainment.

Ficaria circunscrito ao território da Florida e, a 5 de Fevereiro, alterou o seu ring name para Justin Angel, pelo qual lutou contra DH Smith, Trent Barreta, Yoshi Tatsu etc…

Ao longo de Agosto, entraria numa onda vitoriosa, derrotando Alex Riley, Vance Archer e Sheamus. A 24 de Setembro de 2009, venceria o Florida Heavyweight Championship frente a Heath Slater.

Defendê-lo-ia sobre Eric Escobar, Drew McIntyre e o One Man Band, tendo o reinado de 6 meses sido cancelado por Alex Riley, perdendo a desforra a 20 de Maio.

No princípio de 2010 (16 de Fevereiro), foi anunciado que iria competir na primeira temporada do NXT, mudando o nome para Justin Gabriel.

Tendo Matt Hardy a monitorizá-lo, terminou no terceiro lugar no final da competição. A 7 de Junho, ao lado dos outros concorrentes do show amarelo, tornou-se vilão.

O grupo (denominado Nexus) teve o seu primeiro combate a 12 de Julho, contra John Cena, e foi Justin Gabriel a efectuar o pin.

O Mister “Never Give Up” seria forçado a juntar-se aos Nexus e, adicionando-lhe David Otunga, ganharia o Tag Team Championship. A 25 de Outubro, Justin Gabriel e Heath Slater foram colocados para os enfrentar, tornando-se os novos detentores dos cintos.

A 10 de Janeiro de 2011, desertou ao recusar participar das práticas de iniciação do novo líder, ajudando o antigo a formar os Corre. Nessa noite, sobressairia perante o World Heavyweight Champion Edge, após interferência dos outros membros.

A 20 de Fevereiro, na Elimination Chamber, seria pela segunda vez campeão de equipas com Heath Slater. Perdê-lo-ia para Miz e John Cena, recuperando-o minutos depois ao invocar a cláusula de desforra.

A 19 de Abril, o duo perderia o troféu e Heath Slater atacaria o parceiro, culpando-o pelo insucesso, proclamando o final dos Corre.

Apesar da dissolução, Justin Gabriel continuaria aliado a Heath Slater, iniciando feud contra os Usos, sendo mal sucedidos e trocando acusações no ringue.

O par desfazer-se-ia e o confronto seria ultrapassado pelo High Flyer, que faria a transição para face, garantindo várias vitórias no Superstars pelo resto de 2011.

A classificação obtida no NXT valerá pouco quando se trata de decisões preconcebidas, ficando isso claro pelo segundo lugar de David Otunga.

Atrás do Wade Barrett e do para a época insosso Daniel Bryan, ele era, afinal de contas, o talento que lhes mordia os calcanhares e dava nas vistas.

Não tendo as valias ao microfone do inglês, possuía carisma e aquele lado sedutor derivado das técnicas voadoras que fazia, prevenindo-se no seu 450 Splash dos defeitos impeditivos de querer ser mais do que discípulo do líder do que viria a ser os Nexus.

Esse refúgio do qual não sairia foi, no início, acrescento de confiança e importância, pois era o seu salto mortal que terminava com a esperança de reacção física de todos os atacados pela facção.

Entre eles, esteve John Cena, na tal luta desfavorável pela superioridade numérica dos novatos. Essa óbvia constatação dos factos implicava benefícios evidentes contra as suas vitimas, apanhadas sozinhas ou despojadas de auxílio que desse conta do recado.

Onde quero chegar é que a armadilha estava montada a seu belo prazer, parecendo quase rodinha de recreio.
Tantas vezes o cântaro foi à fonte que a acrobacia perdeu o seu encanto, dado que até Justin Gabriel pular das cordas o sofredor já havia sido joguete entre todos.

Depois dos seus exibicionismos, entre os quais o Wasteland, pouco havia a fazer senão dar retoques de circo, e lá ia ele recolher os restos.

Por entre tanta maldade, dei comigo muitas vezes a olhar para a cara dele e a antecipar ali futuro face. Antes disso, e sabendo os contornos que levou ao fracasso da história inicial, prezei a narrativa contada no alcance dos títulos de duplas por parte de Justin Gabriel.

Fez-se justiça quando, para prejudicar o aprisionado Mister “Hustle, Loyalty, Respect”, não se ligou pevide a David Otunga e este foi obrigado a deitar-se e a conceder o pin para outros dois integrantes.

Era a tirania e a ditadura amistosa do congratulado da primeira season do NXT que, no meio de individualidades tão fracas, soube seleccionar as melhores e aquelas que queria agraciar.

Engraçado que esta união foi apontada como culpada de o travar a solo, havia a exigência e a expectativa de observá-lo a despontar e isso estava a ser dificultado ao carregar Heath Slater às costas.

Se ele se destacava entre a mediocridade, teria a mesma visibilidade lançado aos lobos? Iria a sua reputação subir quando as suas fragilidades ficariam escancaradas?

Ironia do destino, o insuportável ruivo ainda lá está e colecciona apoiantes e a maldição que lançou sobre o companheiro coincide apenas com os seus melhores momentos.

No começo de 2012, o respeito mútuo entre ele e Tyson fê-los decidir formar parelha para desafiar Primo e Épico pelo Tag Team Championship.

A 1 de Abril, na WrestleMania, a sua tentativa saiu frustrada e, durante o combate, torceu o cotovelo, rendendo-lhe semanas de inactividade.

A 6 de Junho, reunir-se-ia ao parceiro, derrotando Johnny Curtis e Heath Slater. No PPV No Way Out, numa Number One Contender Fatal 4 Way Match, envolvendo Usos, Primo e Épico e os Prime Time Players (Titus O’Neil e Darren Young), o triunfo não esteve ao seu alcance.

No Main Event, o par perderia para os Cobro nos quartos de final do torneio para eleger os candidatos. A 17 de Abril, mereceu uma Intercontinental Championship Match contra Wade Barrett.

Daí para a frente, ficaria subjugado aos palcos secundários e a perder para António Cesaro, Darren Young, Fandango, Big E Langston e Damien Sandow.

Na Mania 30, teria a sua única luta nos PPV de 2014, que foi a André the Giant Memorial Battle Royal, cujos propósitos falharia (para não variar).

Passaria a competir mais no NXT, mas mesmo aí perderia todos os combates singulares televisivos, incluindo para Adrian Neville, Tyler Breeze e Hideo Itami.

A sua última vitória seria a 11 de Setembro de 2014 contra Sin Cara, no Superstars. Pensou-se que esta penúria seria reciclada ou pela junção a Tyson ou pelas curas milagrosas do Performance Center, só que não iria ser outro ofuscado a fazê-lo brilhar e aquelas instalações estão cheias.

A parceria entre ele e o marido de Natalya poderia ter sido refrescante se a divisão fosse tratada como há uns anos atrás, quando era a salvação das vedetas High Flyer ou Cruiserweight.

Só que esses malabaristas estão para a WWE como os nº 10 estão para o futebol – fora de moda – e a empresa não soube o que fazer a muitos deles.

Não existe procura intensa deste tipo de figurões desde que se ceifou a nova ECW, abrigo fundamental de tantos pesos leves, daí esta opção ter sido inevitável.

A responsabilidade será repartida, ele terá a sua quota parte: podendo estar no local errado para o seu perfil, não soube ou não quis adaptar-se.

Terá ficado farto e escolheu sair, o que não é usual entre os suplentes e reservas, chamemos-lhes desta maneira. Muitos deles têm a noção de que não serão nada fora dali e vão ganhando dinheiro até a safra pós Mania lhes bater à porta.

Aos 33 anos, foi corajoso e demonstrou atitude, que já está a ser exagerada na chuva de críticas à sua falta de utilização e quanto ao seu real potencial.

Ele era dispensável, Stanford não precisava dele e juntou-se o útil ao agradável, não lhe faltando trabalho quando é licenciado em Ciências do Desporto e desfila como modelo.

Entre barbas e cortes de cabelo, haveria pouco que pudesse oferecer, ele que foi o Wrestler mais odiado de 2010 para a Pro Wrestling Illustrated.

Desejando a melhor das sortes à South African Sensation, despeço-me, pedindo o vosso complemento na forma de comentário. Obrigado pela vossa atenção!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

4 Comentários

  1. daemon silva - há 2 anos

    belo artigo, eu gostava muito do justin gabriel, pena q a wwe não soube utilhizar ele.

  2. ddray - há 2 anos

    O Cena devia mudar o nome para Undertaker Júnior. Só o enterro que deu a estes jovens todos. Boa sorte Justino Gabriel.

  3. Damien Mizdow - há 2 anos

    Era bom lutador para a tag division acrescentaria imenso por ai mas nao mais que isso.

  4. danielLP21 - há 2 anos

    Com dois meses de atraso, mas ainda a tempo :P

    Com as qualidades que demonstrou em ringue, acho que podia ter dado algo mais na divisão de tag team. Mas, de facto, era dispensável para a WWE e, se foi ele que quis sair, juntou-se mesmo o útil ao agradável.

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