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The People’s Elbow #9 – Títulos Secundários

Ora sejam bem vindos a mais uma semana com o vosso The People’s Elbow! No artigo de hoje, falarei do último aspecto que falta mencionar acerca do que está para lá do main event: os títulos secundários. Quero desde já salientar que não falarei do título de divas porque as promos e combates que as envolvem são aquele pedaço do show que eu passo à frente ou aproveito para fazer outras coisas.

O tempo para ver wrestling é apertado e esta é a minha forma de ganhar minutos de sono ou ocupá-los de outra maneira qualquer. De referir também que ainda não vi o payperview do passado Domingo mas que, para um artigo apresentável e assente nos mais recentes acontecimentos, me informei sobre as trocas de títulos secundários nesse evento. Passando estas formalidades à frente, inicio o People’s #9 com um breve reflexo na forma como a empresa de Vince trata os títulos dos EUA, intercontinental e de tag team.

É mais que sabido que os cinturões da WWE e de pesos pesados são os principais representantes da companhia e aqueles que as maiores caras do entretenimento querem e irão disputar. Há uns anos atrás, mesmo sabendo da relevância destes títulos, ser campeão intercontinental, dos EUA e de tag team era, do mesmo modo, um motivo de orgulho e exaltação na carreira. Daí termos grandes nomes da indústria que nunca ganharam (ou poucas vezes) os major league titles e consolidaram a sua vida profissional nos outros títulos, com muito sucesso e reputação. Os títulos eram todos vistos como iguais. Se estiver a exagerar, ando perto da verdade.

Muitos wrestleres se consolidaram ao erguer championship belts com o maior orgulho e dedicação. Constato que o faziam porque a WWE, nessa altura, não despromovia nenhum dos campeonatos e dedicava-se por completo na construção de boas feuds e combates, o que levava a uma valorização quer dos seus colaboradores quer dos cinturões. Havia sempre espaço para destacar aqueles que eram os melhores, se não fosse com um cinturão era com o outro. Porém, como conhecemos pela canção, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Hoje, quantos main eventers consolidados veriam com bons olhos deixar de lutar pelos dois títulos principais para competir por um dos outros? E a nós fãs, não nos soaria estranho? É verdade que alguns de nós gostariam de visualizar um John Cena a deixar o título da WWE ao ombro de outrém para promover um título como o dos EUA ou intercontinental. Contudo, isso somos nós, os que percebem qualquer coisa disto e querem ver melhorias e novidades na empresa que dispendemos tempo a acompanhar, bem como um ressuscitar de certas divisões que um main eventer desocupado pudesse reerguer. É do conhecimento geral que para a WWE nós somos a minoria. Basta ler declarações de alguns lutadores e como eles nos catalogaram. O público alvo passou a ser outro de há uns anos a esta parte e é esse que tem de ser agradado. Como garantir verosimilhança pondo lutadores conceituados a discutir esse tipo de títulos sem que pareça uma desvalorização?

Se a WWE não quer (ou não quiser) mudar este panorama e continuar a dar a importância que dá a determinadas coisas, não é quem assiste que vai atribuir um significado diferente daquele que lhe é mostrado. Falo, novamente, do target Vince McMahoniano, pois os que lêm e visitam este site retiram a poeira dos olhos e sabem opinar sobre o que está mal e questionar o que lhes é exibido. Não percepciono como algo fácil voltar a dar reputação a estes títulos duma hora para a outra.

Se com supertars, Vince e seus compadres conseguem pegar neles e moldá-los à sua imagem, retirando lucro e fazendo as pessoas engolir as suas criações, com títulos que são usados como brinquedos é um bocado mais complicado. Não me parece adequado, para que se leve aquilo a sério, que não se faça o build up de rivalidades, que não se dê tempo para promar e ter combates de duração decente, que se ganhe um título e se perca no show a seguir, que se seja jobber para os do escalão acima, que se deixe de fora duma Wrestlemania os campeões “de segunda” ou que, quando aparecem nos eventos mensais, seja no pré-show, em que muitas vezes não temos conhecimento de quem vai ser o contender.

Ou se mete na disputa uma estrela em ascensão ou alguém que nos programas semanais derrotou o campeão um par de vezes seguidas. E não sei se não é mais ridiculo quando esse atleta que vence durante a semana não tem a hipótese de disputar o cinto nem reclama uma oportunidade com base em ter vencido o campeão. É que dentro daquilo que se faz nas divisões inferiores essa é a desculpa típica e, ainda assim, a que melhor funciona. Se um gajo se esfalfa todo durante a semana, ganhando combates sem o cinturão em jogo e mantém-se afastado da corrida, por vezes ultrapassado por um tipo que surge do nada, parece esforço em vão. Sendo correcto que não temos ali construção nenhuma, ao menos que vá lutar o gajo que mais andou metido com o campeão nos últimos tempos. Só para salvar a coisa e termos combates pelo raio dos títulos!

No meu afastamento (não premeditado) do que a WWE tem feito nos últimos dois meses com esses títulos, eis que, pelas notícias que leio, uma luz ínfima pode surgir daqui. Passo a explicar: aos anos que tínhamos presenciado o enterro da divisão de equipas. Quando já íamos a caminho da missa do sétimo dia, despontam os Hell No e uma alegria contagiante pela ressurreição dos tag team belts invade o espirito destes meros mortais que somos nós. Despachadas as restantes equipas (pouco trabalhadas para serem dignas vencedoras, tirando Cody e Damien), um valor mais alto se levanta: dois membros da stable The Shield conquistam o seu lugar entre o leque de campeões. A sério que pensei que fossem Dean e Seth a formar dupla e que recaísse em Roman a escolha para um campeonato individual. A WWE vinha mostrando decidir-se por ser ele o primeiro elemento a lançar.

Seja como for, qualquer um tem o valor preciso para dominar a concorrência em qualquer título e Dean desafiou o campeão de transição – o super rotulado Kofi Kingston, que antes tinha ganho e finalizado porque sim um longo, embora pobre, reinado do suíco Cesaro. No Payback, foi a Big Red Machine Kane o oponente pelo campeonato dos EUA. Vitória mais que sabida de Dean e novo passo na direcção certa. Os The Shield são main eventers com títulos secundários.

Depois de tudo o que fizeram e de todos os que destruíram, esperava-se a rota pelos títulos e imaginava-se quais seriam – os que estavam vagos. A dominância da stable teria de ser materializada em cinturões e penso ter sido uma boa jogada esta atribuição do ouro. Espero uma nova e bem sucedida caminhada do título dos EUA a um outro rumo e que os tag team titles sejam tão bem tratados quanto foram com os Hell No.

Esperança é igualmente o que deposito no intercontinental championship. Nas ruas da amargura desde o fantástico tratamento recebido com Cody, é Curtis Axel, que se estreou há um mês, o dono desse galardão, aproveitando a lesão do Fandango. Não compreendo uma inclusão tão rápida e espontânea do Paul Heyman guy num combate deste género, por mim, a solução seria um one on one e a decisão seria jogada entre Miz e Wade. Por outro lado, nenhum deles oferecia capacidade para conseguir dali alguma coisa com mais uma conquista forçada e mal pensada, por isso, assim como assim, meteram lá um novo oponente e deram-lhe o cinto.

É de lamentar que o antigo Johny Curtis se tenha aleijado numa altura em que ia ser reconhecido ganhando uma triple threat e continuar o percurso iniciado com Y2J. Mas entendia-se que Axel fosse a aposta mais óbvia, é novidade e tem agora a hipótese de mostrar de que material é feito. Peca na elaboração duma feud decente, ganha-se com um novo valor a despontar. Desta vez, uma situação que não estava nas contas e uma trapalhada da WWE na organização das habituais feuds, pode dar resultados. Quem sabe Fandango não volta face e assiste-se a dois jovens wrestlers a disputarem um título outrora consagrado. Para quem tanto pede sangue na guelra dos jovens atletas e da própria companhia, teremos os Usos como possíveis candidatos, Dean a campeão e Axel a almejar um futuro melhor daquele em que era o “Maguiligaitas”. Depende dos responsáveis não fazerem asneiras e aproveitarem o que se criou dum conjunto de circunstâncias inesperadas.

Acabo desta maneira a análise prolongada a que dei o nome “Para lá do main event”. Espero que tenham gostado e se tiverem algo a salientar façam-no nos comentários.

Despeço-me até uma próxima oportunidade que creio que seja para a semana, no entanto, deixo-vos uma palavra de atenção para o caso de não virem o meu-vosso artigo publicado como até aqui tem acontecido.

Devido a uma cirurgia e respectivo acompanhamento hospitalar, poderei não estar em condições de vos escrever com a mesma regularidade. Tudo farei para cumprir os prazos e cá vos espero para um novo encontro de opiniões.
Um abraço a todos e até qualquer dia!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “The People’s Elbow”. Nascido a 25/2/90 na margem Sul, fã desta modalidade desde 2009.

6 Comentários

  1. Rubinho16@ - há 3 anos

    Gosto bastante da rúbrica “The People´s Elbow”, e leio sempre todos os artigos, no entanto este artigo está menos bom na minha opinião. Não é que esteja mau, mas em comparação com os a que nos acostumas-te, este está abaixo da média.
    Não é que seja a tua opinião, mas secalhar o tema em si não tem muito interesse mas compreendo o teu lugar, pois também eu gostava de escrever artigos para o PT.Wrestling, e ainda só publiquei um devido à falta de temas.

    • wrestlingiscool - há 3 anos

      Nao e por nada Ruben, mas temas e coisa que nao falta. Este site oferece nos todos os dias uma grande variedade de artigos com temas diferentes. Nao vejo onde esta a dificuldade…

      • Rubinho16@ - há 3 anos

        Sim, até pode ser, mas quando eu falei, falei comparativamente a mim, pois sempre que tento escrever um artigo, não tenho ideias nenhumas.
        É claro que este site oferece uma grande variedade de temas mas eu falei por mim, é claro que o rocha pode ter mais facilidade .

    • rocha - há 3 anos

      É um orgulho saber que os leitores me incluem num patamar de exigência em que é possível comparar as minhas prestações.
      Eu tive de escrever sobre os títulos secundários para encerrar definitivamente o episódio “Para lá do main event”, a falta de temas não é problema, tenho até alguns tópicos apontados para desenvolver nas próximas rubricas.
      Obrigado por leres e comentares!

      • Rubinho16@ - há 3 anos

        De nada e continua a escrever ! :)

  2. Monari - há 3 anos

    O que falta para os títulos secundários, é as pessoas que tem o comando passar a dar valor neles e arrumar um tempinho mais para elaborar as historias

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