Top Ten #102 – “I Quit” Irregulares

Bem-vindos a um Top Ten que nos chega numa altura em que ainda existem bastante acontecimentos quentes! Num Raw que marcou bastante com Kevin Owens a aparecer de surpresa e a mostrar a John Cena quem manda, proporcionando o maior mark out da semana e o inquestionável maior momento do Raw, temos que recuar à noite anterior, ao Payback, ao que estava a fazer John Cena passar trabalhos. Era Rusev. E era um “I Quit Match”, que acabou com Rusev a expectorar lá uma data de profanidades indecifráveis na sua língua, sobrando a tradução para Lana.

Final algo contestado porque ninguém disse “I Quit” e as regras estão bem explícitas que é essa a condição do combate. Mas essa é que é a parte engraçada. Combates “I Quit” já acabaram demasiadas vezes de forma estranha ou diferente. Se parece incrível que se encham dez casos de combates “I Quit” que não acabam com “I Quit”, não se preocupem. Aqui a estranheza está em toda a estrutura do combate. Mas vejam lá o que distingue estes combates “I Quit” de todos os outros que conhecemos.

10 – AJ Styles vs Booker T, Sacrifice 2009

https://youtu.be/ZzNDSNSDagA

Se mal se lembram dos tempos em que havia um TNA Television Championship então mais caricato será regressar ao tempo em que esse cinto ainda era o TNA Legends Championship. Era esse o cinto em jogo e era AJ Styles quem o defendia contra o seu fundador, Booker T. Era já um rematch e não restavam muitas chances a Booker T, integrante dos Main Event Mafia, logo não lhe convinha nem um pouco dizer “I Quit”. O combate decorreu regularmente mas Booker T insistia em não desistir, mesmo perante as dores, obrigando a aliada dos Main Event Mafia, Jenna Morasca, a atirar a toalha para o ringue. Já o velhinho truque, bem gasto no boxe, de ter os managers a atirar a toalha ao ringue em desistência. Não é uma manobra nova… Mas ninguém disse “I Quit”. E o mais engraçado é que, como podem verificar mais à frente, nem é algo a que se recorra pouco o que faz questionar bastante a força e obrigação das palavras “I Quit”.

Nota: Com esta inaugural vitória, Styles viria a tornar-se uma espécie de John Cena da TNA em combates “I Quit”, vencendo todos os três em que participou.

9 – John Cena vs The Miz, Over the Limit 2011

https://youtu.be/OJ4iP5dCWTI

Com tanta participação, é claro que o Cena tinha que vir aqui parar. Aqui recorda-se o infame rematch pelo WWE Championship com The Miz no Over the Limit de 2011. Uma maneira de esfregar na cara o “Se já ninguém acreditava que o Miz ia ganhar isto…” a toda a gente. O combate não foi muito bem recebido e ainda é visto como um dos piores combates “I Quit”. Foi basicamente um combate de SuperCena elevado ao cubo: Miz e Alex Riley arrearam porrada velha, às quais Cena respondia com bocas acanalhadas e, no final, que nem um Popeye depois de espinafre, arruma o Riley, dá meia dúzia de canadas no Miz, prende-o no STF e está feito, o Miz a berrar que desiste. 25 minutos aqui resumidos. Mas o final está dentro das regras. Está, mas foi preciso recomeçar o combate devido a invenções de Miz que já tinha “vencido” ao usufruir de uma gravação de Cena a gritar “I Quit” numa promo, de modo a parecer que desistia no combate. Invenções a mais e não colou. Ainda pior que isso é que nem soube ser original. Ora continuem lá a ler e verifiquem onde foi ele buscar a ideia.

8 – Beth Phoenix vs Melina, One Night Stand 2008

http://dai.ly/x5oio8

Este correu muito bem, acabou normal. Teve duas boas lutadoras a dar uma boa prestação e a acabar da forma que era pretendido. Consta aqui, na sua estranheza, por ser apenas o primeiro caso de um combate “I Quit” entre duas competidoras femininas. Se calhar estavam mesmo a fazer-me falta algum ou outro para preencher as dez posições. Mas foi um combate pioneiro na sua área, apresentando pela primeira vez duas Divas à batalha, a tentar fazer a outra gritar por desistência. Actualmente não se procura disto com as Bellas e outras, apesar de já termos tido a Brie Bella a gritar as palavras há pouco tempo. Contexto diferente, consequentes segmentos viriam a doer mais que coisas que o Cena e o JBL fizeram no “I Quit” deles.

Curiosamente, foi o primeiro combate “I Quit” de Divas mas nenhuma foi a primeira mulher a integrar o combate. Para o caso de confusão, é apenas questão de continuar a ler para encontrar um caso extremamente bizarro!

7 – Alberto Del Rio vs Jack Swagger, Extreme Rules 2013

http://dai.ly/x1024ls

Um caso recente e que também recorreu àquela táctica que faria de um combate “I Quit” um “I Quit or Someone Quits for Me”. Mas este ainda deu mais voltas para dramatizar mais a coisa. Até se pode ler que talvez já tenham inventado demais. Primeiro fez uso da toalha branca, mas nem isso foi de maneira comum. Era Ricardo Rodriguez, manager de Del Rio, que levava a toalha branca e foi Zeb Coulter quem a atirou de modo a que parecesse que tivesse sido Rodriguez, enganando o árbitro. O combate até já estava dado por terminado quando o árbitro recorreu a um replay para verificar o sucedido, algo ainda menos usual e demasiado conveniente para esta altura e excluído para outras em que era igualmente necessário. Dá-se a última volta com um restart que já permitiu a Del Rio vencer e manter o título. Mas vá lá que aqui já ganhou de forma normal e não foi o Moe que resgatou o Swagger vindo do ar com uma hélice. Só para terem uma ideia das confusões que as polémicas de imigração causam!

6 – John Cena vs Rusev, Payback 2015

https://youtu.be/UpEs7lzA8IU

O tal caso recente que deu a ideia. Mas que não era dos mais imprevisíveis. Há semanas que eu e muitos mais previam que fosse a Lana a desistir por Rusev. Não só porque a história pendia para esse lado ou porque Rusev estava a ser vendido como tão difícil de desistir quanto Cena mas sim porque os combates “I Quit” já se mostraram como abertos a vários tipos de desistência, mesmo que se anuncie sempre como o tal em que devam ser pronunciadas as palavras “I Quit”. Basta ver que (quase) enchi um Top Ten disso. E sem tirar nem por, foi o que se sucedeu. Já depois de porradinha velha e pirotecnias avariadas, Rusev lá pregou a sabe-se lá quantos santos assim que Cena o prendeu num STF com ajuda da corda – estraga-se a pirotecnia, desfaz-se o ringue, rebenta-se tudo. Teve Lana que intervir e anunciar a sua desistência. Uma tradução, alega-se. Pelo nosso conhecimento, ele até podia estar ali a ditar uma receita de bacalhau à brás ou a recitar o catálogo de promoções da semana do Pingo Doce que não tinhamos como saber. Mas a Lana diz que desistiu, é porque desistiu. Até desistiu dela depois. Confirma-se: o “I Quit” é Universal e poliglota.

5 – The Rock vs Mankind, Royal Rumble 1999

http://dai.ly/x22fxlx

O tal combate que deu a ideia ao Miz. A diferença é que este foi montões de vezes melhor e teve uns níveis de violência não recomendáveis aos performers dos dias de hoje. Nos tempos em que The Rock se encontrava no topo da sua forma como Heel e membro da Corporation – sabem, uns Authority de outros tempos – e Mankind era o psicopata que toda a gente adorava – vá, só dão aqui o esticão até ao Dean Ambrose se quiserem. Nenhum levava ares de desistir. Nem com um dos golpes mais duros e difíceis de ver – o que até soa como uma piada, tendo em conta que envolve Mankind/Foley – que viu The Rock a enterrar cadeiradas bem stiff na cabeça de Mankind até este perder a consciência. Mas dava jeito para o decorrer da história e lá acabou por ecoar um “I Quit!” com a voz de Mankind pela arena toda. The Rock foi declarado vencedor e manteve o WWF Championship visto que, desta vez, o árbitro não verificou que se tratava de uma gravação de uma promo proferida por Mankind anteriormente. Vem a provar uma coisa: os lutadores deviam deixar de dizer tantas vezes “I Quit” antes do combate se já sabemos as palavras, porque estão a por-se a jeito. Tanto que, aprendendo a lição, assim que Foley enfrentou Ric Flair num grotesco combate do mesmo tipo no SummerSlam de 2006, evitou a todo o custo dizer as palavras em promos. Com erros se aprende.

4 – “The Taskmasker” Kevin Sullivan vs Brian Pillman, SuperBrawl VI.

http://dai.ly/xa9627

Na WCW, em 1996, durou cerca de um minuto e meio. A particularidade deste combate é ter sido uma variação do “I Quit”, que na verdade se tratava de um “I Respect You” Match. E tratava-se, na verdade, de um Strap Match. Logo não é um combate I Quit mas tem praticamente tudo para o ser enquanto não o é. Já me devem ter percebido. O combate tornou-se bastante notável e não só ou propriamente pela sua estipulação ou curta duração. Foi o último combate que Brian Pillman, o derrotado, deu ao serviço da WCW. E teve que sair com estrondo. Perdeu o combate pronunciando o “I Respect You”, mas não se ficou por aí, dizendo “I respect you, booker man!”, rompendo o kayfabe, dirigindo-se dessa forma a Kevin Sullivan, que era um dos principais bookers da WCW nessa altura. Sair com barulho, não sou contra. Se quisermos distorcer os livros de história, dizemos que Pillman estava muito confuso e achava, por momentos, que estava a lutar com Booker T. Nem que seja pelas parecências.

3 – Jimmy Rave vs Nigel McGuinness, Battle of the Icons 2007

Na Ring of Honor, em 2007, culminou-se uma feud bastante pessoal e intensa num combate “I Quit” que teve tudo de errado e nem a “I Quit” chegou. Se muitos já viam um grande problema num combate deste calibre a culminar uma feud bem pessoal e intensa a servir de combate de abertura, Jimmy Rave, em personagem, só tornou as coisas piores. Primeiro anuncia que aquilo era sem desqualificações, o que era suposto ser uma grande coisa, como se combates “I Quit” tivessem desqualificações alguma vez. E ainda lhe dobrou a estipulação ao torná-lo um “Kiss My Foot” Match por cima do “I Quit”, só para ser humilhação dupla, porque não se lembraram que já havia estipulação ou porque nem eles sabem bem. O que realmente enterra o pouco do combate que ainda estivesse à superfície foi o final. Com Nigel McGuinness preso num Ankle Lock que lhe podia partir o tornozelo, grita que nunca desistirá e que nunca o respeitará – agora já que estamos nisto, triplique-se a estipulação e vá-se lá resgatar o tal “I Respect You” – e tem que vir o árbitro parar o combate, antes que Rave lhe partisse o tornozelo. Exactamente, um combate “I Quit” acabou por paragem do árbitro, porque não há nada melhor que saber que num combate onde só perdes por desistir, podes perder mesmo que não desistas. Um combate muito mal bookado e que nunca chegou a cair no goto dos fãs da Ring of Honor.

2 – Vince McMahon vs Stephanie McMahon, No Mercy 2003

http://dai.ly/x29pyn5

Muitos até podem achar isto doentio, mas eu vejo isto apenas como mais uma coisa mesmo à Vince. Vários pontos a ter em conta. Stephanie é, então, a tal primeira competidora feminina a batalhar num “I Quit”. Não foi o primeiro combate feminino desta categoria porque ela teve logo que enfrentar o pai, valha-lhe a sorte. Foi mais um caso em que não houve “I Quit”, porque Stephanie também foi salva pela toalha. E, numa estipulação especial, Stephanie podia derrotar o pai por pin ou submissão regular. Ou seja, isto teve mais de espectáculo doentio e desconfortável do que combate “I Quit”. Mas lá encontrou o seu fim quando Vince já estrangulava a filha com um tubo de aço, até ter Linda McMahon que intervir com a toalha, porque todas as mães na sua vida chegam a um determinado momento da vida em que têm que fazer isso porque acontece sempre disto em qualquer agregado familiar. Outra estipulação acrescentada era a do abandono do cargo de poder por parte do derrotado, ou seja, Stephanie deixou de ser General Manager do Smackdown, seu posto na altura. E está registado na história que foi o pai que a estrangulou dali para fora. Caramba, é suposto nós defendermos isto às vezes!

1 – Magnum T.A. vs Tully Blanchard, Starrcade 1985

http://dai.ly/x32jse

Primeiro “I Quit” de que haja registo. O que tem de tão fora do usual? Precisamente isso, não se fazia disto na altura e era um conceito bem violento, ainda para mais na década de 80. Ocorreu no Starrcade pré-WCW, ainda pela NWA, produzida pela Jim Crockett Promotions, que tinha como evento principal a defesa do World Heavyweight Championship por parte de Ric Flair – ainda só o seu quinto, para verem o antiguinho que isto é – contra Dusty Rhodes. Mas com mais rouba-shows no card como a defesa do United States Heavyweight Championship por parte de Tully Blanchard contra Magnum T.A. num pioneiro combate “I Quit”… dentro de uma jaula. Foi um combate bem violento e sangrento, tornando-se bastante notável e que viu Magnum T.A. sair vencedor e Campeão já após muita maluqueira feita – uma tábua com um prego era por onde já se andava. Um combate muito à frente do seu tempo e que merece o primeiro lugar por apresentar um tipo bom de estranheza ao qual nenhum dos outros se consegue assimilar. Iniciou um legado que dura até hoje, tendo em conta que foi ainda no passado Domingo que vimos a disputa. É claro que nem sempre é preciso recorrer-se ao “I Quit”, como aqui demonstro, mas isso são pormenores.

Nota: Muito curiosamente também não se pronunciou o “I Quit” neste combate. Talvez apenas porque não davam tanto ênfase como agora à “pronúncia das palavras I Quit” que todos os lutadores dizem nas promos, contornando a ironia de dizerem as tais palavras milhentas vezes antes do combate em questão. Blanchard simplesmente se rendeu gritando “Yes! Yes!” para o microfone. Então se calhar não é boa ideia colocar o Daniel Bryan neste tipo de combate.

Mais um Top Ten que chega ao fim, mais uma situação em que são vocês os donos da palavra e disto tudo. Espero que tenham gostado do tema e que tenha sentido após a semana de loucos que foi esta que passou. Que isto ainda tenha alguma atenção. Agora só têm que enriquecer isto ao comentar estes combates e o que acham destas lacunas que arranjam num combate com um conceito que até nem tem nada de complexo. Até podem acrescentar mais alguma se houver mais que se lembrem. Quem não desiste sou eu porque planeio estar cá na próxima semana e com o propósito de vos trazer mais uma listagem de dez coisas cujo tema será também qualquer coisa. Algo que não seja tão penoso ao ponto de vos fazer desistir a vós, nunca faria isso. Então até lá divirtam-se, fiquem bem, aproveitem este calor que já se parece ter instalado a sério, bom Elimination Chamber e até à próxima!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Top Ten”.

4 Comentários

  1. cloudo - há 2 anos

    eu gostaria de te dar uma sugestão top 10 melhores momentos do nxt, eu acho que nunca teve um top dedicado a nossa queria brand amarela.

  2. Eu - há 2 anos

    Vocês concordam com a tal regra da toalha? Nunca me tinha apercebido disso mas acho uma coisa estupida, quem tá no combate é que devia de desistir, se bem que às vezes fica engraçado aquelas aldrabices tico no del rio vs swagger

  3. Reigns one versus all - há 2 anos

    Bom top ten,gostei do do tema.

  4. Wrestling Life - há 2 anos

    Como sempre, um Top 10 interessante e divertido.

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