Top Ten #154 – Os Confins do Cruiserweight Championship

Sejam bem-vindos a um novo Top Ten. Costumo sempre fazer referência ao evento acabado de decorrer na passada noite com a incógnita de não saber o que aconteceu, devido à minha antecedência na escrita deste trabalho. Esta semana foi mais conturbada porque correm burburinhos que deixam um gajo sem saber se houve Bound for Glory sequer! Mas vá, sou um gajo positivo, viram todos o Bound for Glory? Excelente PPV!

Pronto, posto isso de lado, passamos para algo que não tem nada a ver: a divisão Cruiserweight. Nem um paralelismo com a X Division é procurado na introdução, está aqui por si, tem dado bastante que falar. Torneio concluído, Campeão coroado, título defendido, competição de trocar os olhos em pleno Monday Night Raw. Temos uma divisão! Hora de revisitar os grandes Campeões da antiga encarnação desse cinto. Mais ou menos. Há um certo masoquismo no Top Ten e vamos olhar para os nomes de rodapé da lista de Campeões Cruiserweight.

Nota curiosa: Sem insinuações, os Campeões na WWE são facilmente reconhecidos e recordados e não conto o Hornswoggle que foi vergonhoso mas infelizmente memorável. Daí que todo o Top Ten acabe por ficar composto por Campeões do tempo da WCW!

10 – Chris Candido

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Podem bem reconhecer Chris Candido mas não sabem dizer onde mais se destacou. Porque não se destacou em lado nenhum e passou por todo o lado, por pouco tempo. Apenas na Smoky Mountain Wrestling e na ECW conseguiu percursos com um mínimo de 3 anos. De resto, um anito na WWE, um anito na TNA (por razões piores), um anito na NJPW, um anito na ECW (Eastern), um anito, ou nem isso, na WCW. Mas esse “nem um ano” na WCW sempre rendeu qualquer coisa. Lá passou brevemente em 2000 e venceu o Cruiserweight Championship, competindo com mais cinco estrelas, no Spring Stampede. O reinado não lhe durou um mês, perdeu o título num Mixed Tag Team e pouco tempo depois já voltou a vaguear por aí. Infelizmente já não pode vaguear mais actualmente, tendo-nos deixado em 2005, trabalhava ele na TNA. Esteve lá até que uma lesão e consequente complicação na cirurgia se juntou a uma pneumonia, agravou-lhe a saúde e tragicamente lhe tirou a vida. Deixou uma carreira inconsistente mas com frutos.

9 – Alex Wright

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Então e esta lenda? Estou a marimbar-me, só pela dança dele já lhe dava os títulos todos que existem. E por acaso até teve mais títulos, chegando a ser Television Champion na WCW e Tag Team Champion também por lá. Claro, nem se pergunta, com o Disco Inferno. Roubavam o gajedo todo, estes. No Verão de 1997 chegou a ganhar o Cruiserweight Championship. E quem foi o cromo que largou o cinto para ele? Pasmem: Chris Jericho. O reinado só lhe durou um mês e foi Jericho quem recuperou o título. Até foi rápido em partir para outra e obter o Television Championship mas por essa altura já era ele um Stupid Idiot e com certeza que já faz parte da “List”. E tudo o que conseguiu foi… It!

8 – Madusa

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Pois… Não lhe chegava espetar lá com o Women’s Championship da WWE no lixo, ainda foi lá ganhar os títulos dos gajos. Não é que não fosse digna disso, esta Hall of Famer é das grandes de todos os tempos e dá cabo do canastro a muito homem feito e galardoado. Tanto que andou atrás do WCW World Heavyweight Championship! Eliminado do torneio, tornou-se manager de Evan Karagias, o Cruiserweight Champion. E lá o apanhou desprevenido, aliou-se a uma das Nitro Girls com quem ele andava a bater couro, esta fez-lhe um golpe baixo e a nossa Madusa fez o pin e roubou-lhe o título. Pena que tenha sido esse o método, até tinha tomates para o ganhar de forma mais séria. História já feita como a primeira Cruiserweight Champion feminina, perdeu o título um mês depois de forma terrível e desprezível. Vão por mim. Ou esperem um pouco.

7 – Evan Karagias

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Ah pois, ele. Falei dele no número anterior com a tal descontracção e à-vontade de quem espera que o reconheçam imediatamente. Não, eu já lá ia, sabia bem eu que ele não foi dos gajos mais notáveis. Nem de longe. Mas afinal, quem era Evan Karagias? Durante este seu tempo, ele era… Evan Karagias, gajo que ganhou ao Disco Inferno em 1997 para ganhar o Cruiserweight Championship. Não diz muito? Pronto, então consideremos que após perder o título para Madusa um mês depois, ele juntou-se ao Shane Helms e ao Shannon Moore para formar os 3-Count, histórica boy band da WCW e uns óbvios favoritos pessoais. Assim já vos diz algo mais? Espero bem que sim, ai de quem despreze os 3-Count!

6 – Crowbar / Daffney

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Se acharam estranho quando, também muito casualmente, falei de Chris Candido perder o título num Mixed Tag Team, fica mais estranho ainda. A equipa mista que venceu conseguiu constituir Co-Campeões. Andavam os outros a gritar individualmente “I am the Tag Team Champions”, enquanto estes podiam dizer que ambos eram os Cruiserweight Champions. Crowbar, que integrara a WWE por dois anos, na Attitude Era, como Devon Storm, e a bela Daffney já conhecida, também por uma notável passagem pela TNA, derrotaram Candido e Tammy Lynn Sytch – a nossa amiga Sunny – e venceram o título… Juntos. Co-Campeões. O assunto tinha que ser resolvido e uma semana depois, competiam pelo Campeão indisputado. A ideia seria Crowbar vencer facilmente mas Candido atacou e Daffney tentou reanimar o atacado… Obtendo o pin e o título sem querer. Porque claro que sim, WCW em 2000. Daffney ficou com o cinto e tornou-se a segunda mulher Cruiserweight Champion. Duraria pouco mais de uma semana, perdendo o título para o Lieutenant Loco. E se acham que esse é mais algum para esta lista, é apenas o Chavo Guerrero com uma gimmick que nem foi a sua mais estranha até agora. Caramba, que escrever sobre a WCW deixa um gajo cansado!

5 – Mike Sanders

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Daqueles nomes que não sobem à conversa tão facilmente. Ou que não sobem sequer. Teve passagens curtas e pouco amanhadas por territórios de desenvolvimento da WWE e pela TNA, mas na WCW ainda durou uns três anitos. Os seus finais. Lá foi Cruiserweight Champion e nada nesse seu reinado de dois meses foi normal. Ganhou o título a Elix Skipper – que tem uma carreira despercebida mas desvalorizada, ainda com os seus feitos, safando-o desta lista – quando Lance Storm chamava ao cinto o 100 Kg and Under Championship. Pronto, essa parte é genial. Mas ganhou o título com ajuda de Kevin Nash num combate “Handicap Powerbomb”, porque era a WCW e estávamos em 2000. Pelo meio do reinado ainda competiu em PPV em combates de Kickboxing. Eventualmente acabou-se a festa às mãos de Chavo. Também a carreira de Sanders chegou ao fim e actualmente dedica-se a stand-up comedy. Bem, ele esteve nos três anos finais da WCW, cheiinho de material deve estar ele!

4 – The Artist

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Sim, é uma referência ao Prince. Sim, o Goldust também a tinha feito. Era muito divertido fazer pouco do Prince na altura e essa até acaba por ser uma entre um milhão de razões para termos saudades dele. Prince Iaukea era ele e não, também não se vão lembrar muito do nome dele. À parte da WCW, apenas se conta um percurso mais esporádico por independentes. Mas era um talentoso wrestler amador, com cinturão negro em Judo, logo talvez seja alguém subvalorizado. O seu percurso na companhia de Ted Turner durou de 1995 a 2000 e em 1999 deram-lhe a gimmick de The Artist Formerly Known as Prince Iaukea. Como o Prince. Eventualmente ficou só The Artist. Como o Prince. Depois veio a ganhar o Cruiserweight Championship por duas ocasiões. Como o Prince. OK, talvez não mas gramava bastante, aposto que ele dava cabo do couro a muitos. O primeiro reinado conseguiu-o ao vencer um torneio pelo título vago. Perdeu-o um mês depois para Billy Kidman, num house show mas recuperou-o no dia seguinte. Pouco mais de uma semana depois foi-lhe retirado o cinto num angle em que Eric Bischoff e Vince Russo “retomavam” a WCW e retiraram os títulos a quase toda a gente. Porque ainda não se fazia isso vezes suficientes. Pouco mais se regista deste Prince que não era o Prince e, sinceramente, depois de tal banhada, até era de compreender que quisesse ir embora.

3 – Lenny Lane

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Os tais nomes que vos sobem à mente imediatamente. Quem era Lenny Lane? Alguém se lembra de uma Tag Team da WCW feita por dois indivíduos de tendências afeminadas e com uma ambiguidade muito ténue à volta da sua sexualidade, os The West Hollywood Blondes? Claro que não se lembram. Pronto, Lenny Lane era um deles. E como isto ainda foi há uns anos atrás e era Vince Russo a mandar em coisas, já podemos imaginar que tinham uma imagem muito favorecida. Lenny Lane, então, num angle de “upset”, conseguiu derrotar Rey Mysterio, em Outubro de 1999 para vencer o título. Foi-lhe imediatamente retirado sem menção ou explicação em TV. Tudo porque se viviam tempos avançados e, enquanto a comunidade gay protestava por difamação com o retrato apresentado, a Turner Broadcasting não aprovou a publicidade a esse “estilo de vida”. Que tempos! A resolução? Psychosis aparece registado como Campeão imediato, variando a sua vitória desde a um house show por aquela altura, até mesmo a ser premiado no mesmo Monday Nitro sem qualquer razão aparente. Ao menos eram bons a sair de alhadas!

2 – Brad Armstrong

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É quase uma lição de história. Brad Armstrong já fez um pouco de tudo mas poucos se lembram dele. Passou pela WCW ainda na década de 80 onde chegou até a encarnar um parceiro mascarado dos Freebirds. É também curioso que foi por essa passagem que venceu o WCW Light Heavyweight Championship – já em 1992 – aquele que é considerado a primeira encarnação do Cruiserweight Championship. Brad Armstrong conta como o quinto Cruiserweight Champion oficial. E devido a uma lesão, foi-lhe retirado o título sem que este tornasse a ser atribuído. Foi também o último Campeão até o título ser resgatado e renomeado em 1996. Venceu o título ao Scotty Flamingo, o que também não deixa de ser curioso. O Raven é um ex-Campeão Cruiserweight. Mais uma curiosidade só para o remate final: ainda chegou à WWE… Já em 2006. Longe da sua juventude, lutava em house shows da ECW, treinava talento jovem e chegou a ser comentador por um punhado de vezes até voltar à sua posição de produtor. Infelizmente devo concluir esta lição de história e curiosidades numa nota triste: o seu trajecto com a WWE durou até 2012, assim que acabou também o seu trajecto vital e nos deixou. Paz á sua alma e que seja lembrado. A sério, que seja um pouquinho mais lembrado que o que é, pelo menos!

1 – Oklahoma

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Mencionei que Madusa tinha perdido o título de forma terrível. O método em si até pode nem ter sido nada de extraordinário, mas perdeu-o para o personagem que destaco aqui na primeira posição e que considero, sem colocar grande dúvida, o pior Cruiserweight Champion de todo o registo. Pior que o Hornswoggle. Porque também tem que ser das piores gimmicks. Ideia e interpretação de Ed Ferrara, não podia ele deixar de ser amigalhaço e parceiro de Vince Russo, que também teve mão nisto. Oklahoma, uma paródia de mau gosto de Jim Ross, com um desrespeitoso exagero da paralisia de Bell de que padece JR. Como se não bastasse ainda ia ao ringue, como não lutador, ganhar o Cruiserweight Championship à Madusa, numa feud onde ela já o tinha chegado a derrotar num combate “Evening Gown”, em que teve que retirar um vestido a este artista, porque ela foi lá cuspir na WWE, deitar o cinto ao lixo para ter os seus talentos aproveitados desta forma. Foi-lhe retirado o título dois dias depois por exceder o peso permitido, algo que tanto pode ser uma saída fácil para retirar o cinto a um não-lutador, como pode ser mais uma posta a Jim Ross. Felizmente, tanto Ferrara como Russo admitiram o erro e já pediram desculpas a Ross que, como homem de bom coração que é, já os desculpou e vai mantendo uma relação de amizade com ambos. Mas ninguém apaga isto da história já…

Mais um Top Ten, mais uma caderneta de cromos, como aqui vai sendo muito o costume. Espero que vos tenha puxado a atenção e que tenham gostado. Porque agora vocês é que têm que continuar a conversa. Lembram-se desta malta? Quem mais acrescentariam aqui, e todo o trajecto do cinto? Vão todos dizer o Hornswoggle, não vão? Pronto, é aceitável. Se quiserem aproveitar para discutir um pouco sobre a actual divisão Cruiserweight, compará-la com a de antigamente e antever se existirão casos assim esquecíveis como estes ou se a coisa já está organizada de forma diferente. Como quiserem, isto é vosso mesmo que o trabalho seja todo meu. Que estejam cá na próxima semana também. É o que eu mesmo penso fazer! Até lá fiquem bem, comecem a despedir-se do Verão, mesmo que ele ainda traga aí uma vaga de calor ou outra e… Bom No Mercy? Agora é mesmo, não é?

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Top Ten”.

2 Comentários

  1. gomes - há 2 meses

    ótimo artigo

  2. Rui Ribeiro - há 2 meses

    Muito bom.

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