Top Ten #156 – O Zé-Ninguém ganhou!

Bem-vindos a um novo Top Ten! Fico satisfeito por ter conseguido mais algumas aclamações de volta na edição anterior e estou prontíssimo para ter todas essas reacções totalmente invertidas esta semana. Ou então não, se calhar até vos trago um assunto divertidíssimo, espero eu.

Pelo menos pegando no passado Smackdown, devo admitir que foi muito divertido o combate entre AJ Styles e James Ellsworth com Dean Ambrose a arbitrar, dando uma surpreendente e suja vitória ao pobre jobber de 20kg. Quem se espumou todo e usou palavras como “enterrar”, vá tomar um chazinho e dormir um sono, isto sempre foi assim e é suposto haver alguma diversão para desanuviar. Como disse, isto sempre foi assim. De vez em quando, sempre em circunstâncias diferentes, lá chega um jobber, um local, um estreante e ganha a uma estrela consagrada e fica com aquele marco na carreira. Nem que seja o único. Recordemos:

10 – James Mason

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Tudo como parte de uma storyline de MVP em que este tinha uma streak de derrotas que já durava meses. A razão para isso seria castigo? Não parecia, havia um propósito por trás das derrotas, como mencionar os bónus que vitórias lhe davam ao salário que lhe obrigavam a mudar a entrada. Era uma storyline cómica de castigo ao Heel, que viria a culminar mais tarde num mudar de atitude e Face Turn. Pelo meio teve uma pequena feud com o Great Khali e aí sim já parece castigo. Mas foi United States Champion pouco depois, logo não foi difícil de se resolver. Pelo meio, durante a sua rivalidade com Khali, estendeu a sua streak de derrotas aos jobbers. Numa visita ao Reino Unido e com uma ajudinha de uma distracção do gigante, até o local James Mason conseguiu uma surpreendente vitória. Melhor sorte para a próxima MVP, nem que seja na TNA, onde tens os combates e segmentos todos cortados devido a disputas contratuais de outros lutadores alheios!

9 – PJ Walker

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Justin Credible, conhecemos esse gajo. O mais próximo de uma glória Lusitana nos ringues grandes – despachem-se com a Shanna – como o “Portuguese Man O’War” Aldo Montoya. Ele tem mesmo descendência Portuguesa, podia ter-lhes dito que “Montoya” não é o mais Português dos nomes. Mais tarde também se fez conhecido pela sua passagem na ECW, onde ainda é recordado como um dos ECW Champions menos favoritos dos fãs até hoje. Antes de tudo isso? PJ Walker, um jobber de elevação das estrelas durante a primeira metade da década de 90. Isto até ter a sorte de enfrentar um I.R. Schyster demasiado convencido e brincalhão com Razor Ramon por este também ter perdido para um desgraçado pré-ascensão. Serviu para o “Bad Guy” distrair o contabilista e permitir uma vitória a PJ Walker. IRS não teria muito com que se preocupar também. Os seus filhos viriam a somar muitas mais derrotas que anulassem esta sua.

8 – Ron Shaw

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Estou um pouco relutente comigo mesmo quanto à baixa posição deste exemplo. Se não é dos mais lembrados actualmente, é, para mim, dos mais interessantes ou o mais interessante. Envolve uma espécie de Screwjob antes de haver o Screwjob… Mas com os papéis estranhamente invertidos. Confusos? Eu explico. Tenho que voltar no tempo até meados da década de 80, tempos em que David Sammartino, filho do lendário Bruno, competia na WWF, por vezes acompanhado do seu pai. Teve o seu sucesso mas parece que não era grande fã do Vince. Ainda para mais com as tensões que existiam entre ele e o pai. David Sammartino decidiu cometer uma loucura. Num combate, em 1985, contra o jobber Ron Shaw, é rapidamente preso num “Bear Hug” e desiste imediatamente, deixando tanto o jobber Shaw como o árbitro perplexos de surpresa. O tal final não era planeado e David Sammartino “improvisou” aquele final como protesto pelo escárnio que sentia por Vince e acabou abandonando a companhia. Já percebem a tal analogia inversa com o Screwjob? Pronto, até hoje, ainda este combate é conhecido como o “Phantom Submission Match”.

7 – The Brooklyn Brawler

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Como se esta lenda não tivesse feito algo para constar aqui com a sua carreira de décadas. Sim, mais recentemente ele andou a ganhar aos 3MB mas não é isso que o traz aqui. Já esses eram tão ou mais jobbers do que ele. Recuo a 2000, quando ele conseguiu um pin importantíssimo. Qual o midcarder que teve o azar? Qual era o pré-jobber que começava a sua estrada para a desgraça? Quem é o desgraçado esquecido? Nada disso. Triple H, logo! Até podia estar em vantagem, com Triple H a usufruir da sua “cockyness” para competir num Handicap de eliminação contra 3, Brawler e dois dos Kaientai. Era uma vantagem ilusória apenas. Então talvez se deva dar um pequeno destaque a uma interferênciazinha de Chris Jericho, com quem Triple H rivalizava na altura. E talvez não fosse só um favor ou uma distracção pequena, talvez se deva mencionar um Lionsaultzinho que saiu dali. Mas que importa? Brooklyn Brawler obteve o pin e a vitória! E o Jericho não o deve ter, hoje, na “List”!

6 – Duane Gill

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Bem, parece que temos todas as condições para termos o Gillberg de volta à TV da WWE! Nem sei qual seria o castigo que eu apanhava do bom povo que aqui me lê se anunciasse, com toda a honestidade, que estaria muito mais entusiasmado para o regresso do Gillberg do que do daquele que já tem presença marcada esta noite. Mas já Gillberg tinha como gimmick uma básica paródia com base no… jobbing. Com a ideia de somar 173 derrotas consecutivas e ter “Who’s first?” como catchphrase, tudo do mais genial paralelismo referencial. Mas ele já era jobber antes de ser essa a sua cómica personagem. Era apenas um jobber regular, como os outros e utilizava o seu nome Duane Gill. Até já fazia parte do famoso J.O.B. Squad. E se até teve uma vitória sobre Marc Mero, quando este anunciou que acabaria a sua carreira se não conseguisse derrotar Gill – não o fez – não é esse momento que aqui destaco. Foi pouco depois, em 1998, e pouco antes de se tornar o Gillberg: uma surpreendente e gigante vitória sobre Christian pelo Light Heavyweight Championship, que lhe ficou a pertencer… Por muito tempo. Até hoje, ainda essa derrota assombra Christian, qualquer espectador do “Edge & Christian Show” o sabe!

5 – James Ellsworth

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O nosso amigo tinha que merecer o seu lugar aqui. Não fosse ele a dar a ideia. Só temo estar a contradizer o meu título quando afirmo listar “Zé Ninguéns” e apresento aqui uma lenda deste calibre. AJ Styles não chegou para ele. O WWE World Championship já o espera. Uma arroba inteira de poder e supremacia. Só perdeu o Styles por não o ter aceite como parceiro de equipa anteriormente. Ralavam tudo juntos. James Ellsworth não foi resgatado de uma creparia qualquer, há passado em independentes e registam-se aparições na CZW. Apareceu na WWE como um dos amigos do Braun Strowman e agora anda a vencer main events no Smackdown. Vão as más-línguas dizer que foi o Dean Ambrose que ajudou, como se um árbitro fosse fazer alguma coisa. #EllsworthforChampion

4 – Maven

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Talvez este sim possa fugir um pouco ao tema do título. Porque este era para se tornar alguém mas nunca chegou muito longe. Não vinha como um jobber, não vinha como um “enhancement talent”. Mas vinha como um rookie do Tough Enough, ainda a aprender. Só que a aprendizagem deu assim um passo mais para o gigantesco quando elimina o Undertaker da Royal Rumble. Podia vir a streak a seguir mas ainda não era assunto. Calhava que Undertaker era Hardcore Champion e era isso que ia armar estrilho. Especialmente quando Undertaker e The Rock não eram os melhores amigos e aqui a nossa estrela de Hollywood até nem se importava de o tramar. Maven conseguiu usufruir da distracção para conseguir um gigante pin sobre Undertaker e vencer o Hardcore Championship. É, claro, uma “upset” que considero aqui. Porque talvez o registo apontasse apenas uma vitória surpreendente de uma Superstar sobre outra, mas o que nos resta é uma vitória daquele gajo que ganhou ao Undertaker sobre o Undertaker. Não é muito mais rico que muitos artistas desta lista.

3 – Barry Horowitz

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Um caso diferente. Contou mais ou menos como um push. E se calhar falar em vitórias sobre o “Skip” Chris Candido não pareça um feito assim tão enorme hoje em dia mas isto já foi enorme no seu contexto da altura. Barry Horowitz era um “enhancement talent” da altura, tal como o Brooklyn Brawler, como o Duane Gill, como todos aqueles pacóvios que viam no ringue a levar porrada como os locais de hoje mas que não eram locais porque viajavam sempre com os restantes, a levar porrada assídua. Horowitz era um desses e Candido tinha a mania e desafiou-o para um combate. Correu mal. E a dimensão do acontecimento é notável pela reacção de Jim Ross: “Horowitz wins! Horowitz wins! Horowitz wins!” História feita. Especialmente quando ele tornou a vencer. Mas não, Horowitz não se juntou ao midcard dali para a frente. Voltou ao seu velho ofício, ficou este como o seu momento. Dos maiores neste contexto histórico aqui listado, não lhe podia falhar o lugar no pódio. Muito menos com um JR tão histérico.

2 – The 1-2-3 Kid

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Não podia falhar apesar de também se formar uma Superstar mais tarde. Sean Waltman era um mero pequenote que lá marcava presença nos primordiais episódios do Monday Night Raw, conhecido meramente como “The Kid”, normalmente com algum adjectivo variável pelo meio. Um dia apanhou Razor Ramon no topo da sua confiança e distracção e pronto, venceu-o. Acontece não é, afinal listo vários aqui. Mas Ramon não ficou contente e ainda gozavam com ele, com cânticos – encorajados por Bret Hart ou Randy Savage – de “1 2 3” para o atiçar e dando nome ao tal moço com sorte. Deu origem a uma bizarra Face Turn para Ramon – maneira estranha de começar a acção – quando os Money Inc. começaram também a fazer pouco do “Bad Guy” e, assim, conseguiram virar o público para o lado defensivo daquele que anteriormente humilhavam. Razor inverteu a sua exasperação para respeito por 1-2-3 Kid e este tornava-se numa Superstar adorada por todos. Até coisas X-Pac acontecer…

Nota: Nesta brincadeira dos Money Inc. a gozar com Ramon, este também foi custar um combate ao IRS. Numa outra enorme “upset” em que o Sr. Wyatt Sr. perde para PJ Walker. Soa familiar? Ainda bem, a vossa memória ainda não padece de nada!

1 – Santino Marella

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Ah é este o primeiro lugar? Um bicampeão Intercontinental, ex-United States Champion, ex-Tag Team Champion, segundo classificado na Royal Rumble e numa Elimination Chamber pelo World Heavyweight Championship. É este o nosso Zé Ninguém-mor? Já estou a descambar do assunto totalmente. Não, não estou assim tão tolo. Não nos foi apresentado como um Superstar formado quando apareceu a primeira vez. Nem quando ganhou o título Intercontinental, que foi logo aí! Santino Marella era apenas um mero membro da plateia que Vince McMahon trouxe ao ringue, a responder ao desafio de enfrentar Umaga pelo título Intercontinental. Lá está, é no que dá não ter muitos amigos, Bobby Lashley foi lá fazer asneiras e Santino derrotou a besta Samoana e roubou-lhe o cinto. Um mero membro da plateia Italiana. Que coincidia ter treino em wrestling, mas não é para pensarmos nisso. E se o viram anteriormente na OVW, a treinar para ser uma WWE Superstar, estão a confundi-lo com alguém. Sim, ele ficou como um competidor e tornou-se uma adorada personagem cómica. Mas naquele dia, Umaga foi derrotado por um rapazito Italiano e ambicioso do público!

E são estes dez Hall of Famers que compõem o Top Ten desta semana. Que sirva para alimentar o sonho. Um dia, também um de nós terá a oportunidade e conseguirá um pin sobre um Brock Lesnar! Espero que tenham gostado e que tenha sido um tema minimamente a gosto, não queria perder muita da minha aclamação recente, o meu ego ainda é mais pequeno que os destes dez artistas. Medirei essa aclamação com os vossos comentários que espero receber, estão à vontade para comentar estes casos, os que se lembram, acrescentar mais algum que se lembrem e não conste aqui. Para a semana há mais, é assim que planeio! Até lá fiquem bem e acho que não há nenhum PPV, sigam em frente, desculpem a minha justificável paranóia semanal!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Top Ten”.

4 Comentários

  1. KILL OWENS KILL - há 2 meses

    Ótimo artigo.

  2. Rui Ribeiro - há 2 meses

    Como já é habitual, mais um Top Ten muito bom. O 1º classificado é sem dúvida um clássico. Aliás, se formos a ver, toda a carreira do Santino teve um toque de classe xD

    Estou a ver que não sou o único a estar super-ansioso para o regresso do Goldberg lol

    #EllsworthforChampion

  3. Eu amo lixo - há 2 meses

    todos mitos.
    #EllsworthforChampion

  4. Gomes - há 2 meses

    Ótimo artigo. Santino é uma Lenda.

    #EllsworthforChampion

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