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Top Ten #70 – United States Champions lá de baixo!

As habituais boas-vindas aqui ao Top Ten. Na altura em que escrevo isto, aproxima-se o Night of Champions e pela altura que saiu, já ele decorreu e ainda se encontra fresco e vivo nas nossas memórias. Chegando a esta altura do ano em que todos os títulos são colocados em jogo, dá-nos aquela amarga sensação: é só nesta altura que o United States Championship importa porque assim tem que ser? O pobre título do midcard já viu grandes dias, mas actualmente vê-se muito à rasca. Não por culpa dos Campeões, mas sim da atenção e importância que lhe dão, bookando-o de vez em quando e por obrigação.

Sheamus é um Campeão perfeitamente legítimo – ou Cesaro, dependendo do resultado do PPV, também o é – e o anterior, Dean Ambrose é das melhores coisas que lá caminham – ou caminhavam enquanto ainda aparecia, antes destas “férias”. E já grandes nomes, gigantes do wrestling tiveram a honra de ter este cinto na sua cintura. Mas nem sempre. De vez em quando lá aparece um que tinha o cinto para segurar as calças, para dizer que tinham alguma coisa, para tentar dar relevância a alguém que não foi feito para a ter, que nem teve mais nenhum para além daquele. Digamos que, o “lá de baixo” do título não é qualquer referência geográfica e este Top apenas vos trará alguns United States Champions da história que não se lembram ou não se lembrarão.

10 – Santino Marella

Este ainda se lembram dele. Mas também se lembram de não ter sido dos Campeões mais dignos da sua altura. Nada a ver com o seu skill, mas sim com a sua personagem. Existe uma certa dificuldade na WWE, actualmente, em criar personagens cómicas que ainda sejam legítimas em ringue. Santino podia sê-lo mas optaram por não o fazer. E encontra-se aqui no fundo da tabela porque até nem era assim tão ilegítimo em termos de currículo. Já tinha dois prestigiosos títulos Intercontinentais e um título Tag Team na bagagem. Mas pouco a nada fez àquele título além de reduzir-lhe o valor, até o perder para Antonio Cesaro que conseguiu restaurar alguma atenção nesse empobrecido cinturão.

9 – Magnum T.A.

Um nome que também aqui se encontra pela possível falta de familiaridade que tenham com ele e por infelizes acontecimentos. Magnum T.A. podia hoje ser um nome mais recordado e galardoado mas ficou com dois United States Championships, ainda da NWA, como seu principal ou único ganho significativo numa curta carreira. Magnum iniciou a sua carreira aos 18 anos e aos 25, em 1984, já era chamado para a Jim Crockett Promotions da NWA para disputar o título e vencê-lo contra Wahoo McDaniel – se este nome também não vos é familiar, é importante por ser um notável lutador Nativo-Americano e por partilhar o segundo maior recorde de 5 reinados com Lex Luger, Chris Benoit e Bret Hart. Perderia o título para o Horseman Tully Blanchard mas recuperaria-o num combate “I Quit”, somando dois reinados. Após perder este segundo para Nikita Volkoff, Magnum ver-se-ia envolvido num grave acidente de automóvel que quase o paralisou da cintura para baixo – chegando a paralisar o lado direito do seu corpo temporariamente. A sua carreira foi acabada à força quando haviam grandes planos para ele e quando podia vir a tornar-se grande e possivelmente um Hall of Famer hoje reconhecido. Foi fazendo aparições como comentador ou manager, mas a sua carreira já lá ia, mais curta que o que devia e com poucos troféus a mostrar. Hoje podia ser muito mais recordado se a desgraça não o retirasse do ringue e, progressivamente, da memória de fãs menos agarrados ao lutador Americano.

8 – Orlando Jordan

Dele lembram-se de certeza e também é possível que se lembrem deste eterno midcarder chegar a carregar ouro. No entanto, não se vê o seu nome a ser assim tão citado no que toca a United States Champions antigos ou recentes. Tal conquista deu-se em 2005 e não ganhou a qualquer um nem perdeu para qualquer um. Perdeu-o para Chris Benoit e retirou-o a um jovem, um tal de John Cena. Mas Jordan parece ser daqueles tipos que não foram feitos para a grandeza e a relevância não era o seu forte. Precisou de uma bela ajuda de JBL para conquistar este ouro que nem todos lhe viam merecido. Se é recordado hoje em dia, será por aquela vez em que ele andava com o cinto ao contrário!

7 – Konnan

Konnan não é propriamente um lutador de baixo calibre e até chegou a ganhar mais títulos na WCW – como um de Tag Team e um Television Championship. No entanto, Konnan é um exemplo de um lutador que nunca conseguiu igualar o sucesso que tinha no México, onde lhe chegavam a chamar o “Hulk Hogan Mexicano”. Na sua passagem pela WCW teve vários feitos como juntar-se à nWo – numa altura em que tudo ia lá parar e aquilo era um exército – ser Campeão de Tag Team com Rey Mysterio e derrotar Chris Jericho pelo Television Championship. E pelo meio disso ainda foi United States Champion por uma vez só, título que perderia para Ric Flair. Até é uma carreira de respeito. E longínqua o suficiente para o voltar a fazer Campeão de Tag Team anos mais tarde na TNA. Mas porque é que não é tão bem lembrado como um ex-Campeão dos Estados Unidos ou um ex-Campeão sequer? Possivelmente pelas relações azedas que ficaram na sua curta passagem pela WWF onde introduziu o personagem… Max Moon. Esse mítico personagem pertencia a Konnan, que o criou, mas nada disso o impediu de ser substituído por Paul Diamond na altura da sua saída, azedando ainda mais a relação entre a companhia e o lutador. E porque talvez eles não queiram lembrar que o Max Moon – que já foi candidato ao título Intercontinental de Shawn Michaels no primeiro Raw da história – já tenha sido Campeão. Por muito que eu adore essa ideia!

6 – Zack Ryder

Um caso de muita pena. Porque na altura em que venceu o título, aquele cinto teve um tremendo “boost” em valor, que foi caíndo ao longo do seu reinado, até o perder. E do reinado curto. Entra aqui pelo estatuto que Ryder tinha antes e pelo estatuto ainda inferior que tem agora. O título foi a resposta a todos os “We want Ryder!” que existiam em 2011 e parecia que tínhamos nele uma estrela. O valor daquele título quando o venceu, parecia que tinha vencido o título Mundial! Reinado muito curto, de se perder ao pestanejar e que mandou Ryder de volta para o sítio onde estava antes. Um pouquinho mais fundo aliás. Por muito engrandecida que tenha sido a sua vitória, temos que ver as coisas no presente – olham para o actual Zack Ryder e vêem ali um ex-Campeão dos Estados Unidos, que derrotou o actual Campeão Intercontinental e Campeão Mundial por 2 vezes, Dolph Ziggler? Pois…

5 – One Man Gang

Se liam o texto de Konnan e pensaram “Mas ele era um grande lutador!” e chegou à parte em que disse que tirou o título ao One Man Gang e perguntaram “Quem? Porque é que não está este em vez do Konnan?”, calma. Era mesmo a guardá-lo para uma posição mais cimeira. O homem de muitas gimmicks e nenhuma memorável também já foi um United States Champion em 1995 – mesmo ano em que o perdeu para Konnan – e não consta nas melhores tabelas. Aquilo de que ele pode ser lembrado – e lembrado à força – são as suas passagens como One Man Gang na WWF, onde era jobber para as estrelas com momentos como quase vencer a primeira Royal Rumble e participar no torneio da Wrestlemania IV, com uma gimmick de… “one man gang”? Seguiu-se a sua passagem mais infame como Akeem, o estereótipo Afro-Americano andante, interpretado por um branco. Bem jogado. Ainda se aliou ao Big Boss Man e formou os Twin Towers. Nada disso o levou a algum lado. Foi para a WCW tentar a sua sorte mas começou com um ritual de Kevin Sullivan que “enterrou” o Akeem e “ressuscitou” o One Man Gang, logo já deve dar para perceber o quão bom prometia ser. E conseguiu ser United States Champion, derrotando Kensuke Sasaki. E nem isto se pode dizer com entusiasmo, tal foi o estatuto com que o “One Man Racist Gimmick Gang” ficou.

4 – David Flair

Não podia faltar esta estrela a quem não associámos, nem um pouquinho, cunhas familiares. Muito sucesso teve ele do público. Quando desapareceu de vista. Era assim tão popular e não é bem lembrado pelo seu tempo na WCW. Nem pelas rivalidades ou alianças com o pai, nem com a aliança aos nWo, nem com a relação com Stacy Keibler ou pelo seu reinado como Campeão Tag Team com Crowbar. Mas com certeza que um dos momentos infames foi quando “venceu” o United States Championship. Que nem o ganhou, foi-lhe simplesmente premiado pelo pai, que interpretava o Presidente da WCW na altura. Felizmente perdeu o título para Chris Benoit mas infelizmente ainda teve que derrotar Dean Malenko antes disso. E hoje em dia, o seu reinado é tão bem lembrado como seria o Garrett Bischoff a ser premiado com qualquer título pelo seu pai. Soube assim tão bem.

3 – Steve McMichael

Never mind that shit. Here comes Mongo! Um dos lutadores favoritos de quem não leva o wrestling suficientemente a sério para ter wrestlers favoritos a sério. Steve “Mongo” McMichael não consta propriamente na lista dos grandes lutadores da história da WCW, nem é utilizado como exemplo de uma boa transição da NFL para o wrestling. E chegou a ser um Horseman, numa das suas formações mais fracas, logo se quisessem, até podiam considerá-lo um Hall of Famer – mas não é, porque eles querem especificamente que sejam só os originais, senão o Chris Benoit também era. E, começando como comentador, acharam que seria boa ideia torná-lo lutador e dar-lhe um push como Horseman e uma significativa vitória sobre Jeff Jarrett pelo United States Championship em 1997. Deteve o título por dois meses até, felizmente, o largar para Curt Hennig após a Heel Turn e aliança aos nWo deste. Pouco mais fez após isso e acabou por cair no esquecimento até ter a sua glória trazida de volta pela Botchamania. E já sabem que isso é bom sinal. Ou então por aquele Monster’s Ball que arbitrou no Bound for Glory IV em que contava mais devagar que o Randy Orton a chegar ao ringue.

2 – Kanyon

Chris Kanyon é um exemplo de um nome que até pode ter desfrutado do seu sucesso moderado na altura mas que permanece esquecido nos dias de hoje. Na WCW teve várias gimmicks como a de um construtor civil numa tag team de curta vida ou Mortis, um lutador mascarado sinistro que teve uma feud com Raven e consequente aliança aos seus “The Flock”. Acabou por ficar Kanyon por essa altura e entre várias interrupções na carreira em ringue para trabalhar como “stuntman” em filmes, foi um quase Campeão Tag Team – ajudou Perry Saturn e Raven a ganhar os títulos e tiveram autorização de defender o título como um trio. Remodelou-se como C.C.K. com uma gimmick de alguém após Hollywood lhe subir à cabeça – um protótipo do Miz? Eventualmente a WCW viria a integrar a WWE e vinha o momento que torna o seu reinado como Campeão pouco digno: ele não ganhou o título. Booker T simplesmente ofereceu o seu título e este andou a chamar-se “The Alliance MVP” até perder o título para Tajiri dois meses depois. Perdeu o título e a relevância, transferindo-se para o Smackdown onde pouco fez para além de lutar no Velocity e… Cantar a “Do You Really Want to Hurt Me?” dos Culture Club, vestido como o Boy George. Coisas que todos os wrestlers eventualmente fazem. Fica assim algo agridoce. Kanyon era bastante talentoso e chegou a ganhar a alcunha de “Innovator of Offense” pela sua variada moveset e capacidade de fazer várias manobras a partir do mesmo ponto. Não ficou memorável, teve dois títulos que não os ganhou e retirou-se do wrestling numa fase muito fraca da carreira. Um dos casos de “podia ter sido bem melhor” e que tristemente nos deixou em 2010 com apenas 40 anos.

1 – Gen. Rection

E aqui está um homem que hoje tem talento e respeito suficiente para ser treinador no NXT. Bill DeMott é o seu nome, talvez o conheçam. É pena que a sua carreira em ringue é que não tenha sido das mais memoráveis e na WCW também foi o homem de várias gimmicks, como o “The Laughing Man” ou “The Man of Question”, alcunhas interessantes que o tornavam num tipo que parecia o Riddler e que se ria muito, com um nome que era um trocadilho como Hugh Morrus. Haja imaginação. Na WWE também pouco fez além da Invasion e de muitos combates no Velocity. Foi ainda antes disso que teve sucesso e foi com um nome cheio de maturidade e bom gosto. Se não o detectam é porque não está completo: Gen. Hugh G. Rection era o nome do senhor. E foi com esse nome que ganhou dois United States Championships – ambos vencidos a Lance Storm e o segundo perdido para Shane Douglas – e liderou a stable Misfits in Action, que incluía talentos como Booker T e Chavo Guerrero, acto de comédia que até caiu bem nos fãs, para algo feito em 2000. E até deu uma promo toda séria e patriota quando venceu o seu segundo título, para respeito e aplausos de todo o plantel. Ou seja, foi um tipo notável, mas não daqueles que dê para ser recordado e agora permanece como um treinador cujo background é bem sabido mas pouco aclamado. E duvido muito que ao enumerar antigos Campeões dos Estados Unidos que cheguem, seriamente, ao nome “Hugh G. Rection”. Isso seria se fosse ditado por Moe Szyslak, seguindo indicações ao ouvido, do Bart Simpson.

Com estes dez Campeões concluo o Top Ten desta semana focado num título a sério em vez de segmentos embaraçosos. Vá, respirem fundo, não foi nada baseado nas Bellas! Agora lembrem-se, este Top Ten não é propriamente a enumerar maus Campeões, porque apesar de existirem aqui alguns, também há muitos bons lutadores. Também não são só Campeões que passaram despercebidos na altura, que também tem, mas outros foram notáveis e apenas não sobreviveram ao teste do tempo. Enumerei apenas Campeões a quem hoje não se recorre muito quando é para recordar os dias de glória deste cinto. Porque raramente se recorre a muitos destes nomes para alguma coisa sequer. Com isto, passo-vos a palavra e convido-vos a vasculhar as vossas memórias e os vossos VHS de wrestling, que estou a fingir que todos vocês têm, para recordar mais alguns United States Champions que por vezes nem para nota de rodapé sirvam. O Top Ten é sempre vosso e espero que tenham gostado o suficiente para quererem mais na próxima semana. Porque pretendo trazê-lo. Até lá fiquem bem, recuperem lá da chuvinha que já se fez sentir e até à próxima!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Top Ten”.

5 Comentários

  1. Vitor Oliveira - há 2 anos

    Ótima matéria, muito bom relembrar antigos campeões

  2. zackryderfan - há 2 anos

    O Ryder É O Meu Superstar Favorito Nao Minto E Concordo Com O Que Disseste Quando Ele Ganhou O Titulo Parecia Que Ele Tinha Ganho Um Titulo Mundial Mas É Compreensivel Pois Em 2011 O Ryder Tava Super Over E Publico Cantava Por Ele Toda A Hora E Adoravam no Agora Ele Ta Mais Pra Baixo Mas Ainda Tenho Esperança Que Ele Receba Um Push No Futuro!

  3. John_3:16 - há 2 anos

    Bom artigo.

  4. thomambrose - há 2 anos

    Ge. Rection… Pera ai, ele não foi um dos treinadores da Though Enough? Wow… Bem, se ele consegue ensinar os novatos a serem muito talentosos, aposto que deve ter sido um muito bom lutador!

    ótimo artigo!

  5. danielLP21 - há 2 anos

    Excelente artigo.

    “Who’s better than Kenyon?!” Sinceramente, nunca gostei dele, mas confesso que só vi o que ele fez na WWF, na história da Invasion. Não sabia que já tinha morrido…

    PS: O David Flair nesta foto está igualzinho ao pai :O

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